PAIXÃO

(Protagonista: Daniel)

Encontrar algo pelo qual se dedicar era mais do que meramente ocupar o tempo ocioso com bobagens sem fundamento, ou incapazes de proporcionar aprendizados significativos e momentos de alegria. Trata-se de um vínculo profundo, um elo fino entre a razão de existir e a autodescoberta, criando novos olhares sobre si mesmo e sobre a percepção do mundo.

Sexta feira, 29 de outubro e Daniel esmerou-se em repassar a coreografia das três músicas as quais precisavam para a competição na manhã seguinte. Quando chegou do trabalho, sequer comeu alguma coisa para evitar passar mal durante o treino. Subiu para seu quarto, ligou a música em seu notebook, começando então a repetir tudo o que ele e Alisson haviam treinado a semana inteira nos intervalos das aulas, a fim de fixar aquilo e seu corpo repetir quase como reflexos após tanto foco e determinação.

Começou pelas músicas do torneio, afinal de contas, apesar da apresentação de abertura ser o cartão postal do que viria a seguir, considerava que na hora H a validação seria a performance junto aos demais membros da equipe, portanto, um erro de cálculo colocaria em risco o grupo todo. Querendo evitar esse peso sob seus ombros, durante duas horas e meia ensaiou até seu corpo dar espasmos pedindo clemência, mesmo porque a de abertura havia ensaiado ao longo da semana com Alisson várias vezes.

Enquanto estava sentado tomando fôlego, ouviu alguém batendo em sua porta, com a voz de seu pai ecoando ao fundo. Liberando sua entrada, Bruno aproximou-se de braços cruzados e com um sorriso nos lábios, comentando a surpresa de ver o filho tão comprometido. Dan ri, brincando com o fato de ser muito bom poder dançar e canalizar suas energias em algo tão bacana, apesar de, em virtude dos óculos, ser uma pedra no seu sapato. O pai acompanhou o filho na risada, garantindo a ele que pode tirá-los quando for competir, até para não se machucar.

Aproveitando a deixa, Bruno sentou ao lado do filho e encarou seus olhos por trás dos óculos e perguntou-lhe se estava seguindo seu sonho. Dan sequer titubeou ou pensou melhor, garantindo ao pai que, apesar de não saber o que a vida estava reservando para si, tomava a liberdade de acreditar que aquilo era um treino para o futuro como dançarino. Bruno ficou com a cara no chão pela frase, comentando, inclusive, o quão parecido com Ian havia ficado. Dan segue na brincadeira, alegando que algo do primo precisava ter aprendido após tanto tempo de convivência. O homem insistiu ao filho que, além dessa lição aprendida, jamais desistisse fácil daquilo desejado por seu coração da forma mais íntima, pois, uma vez feito isso, a vida se tornaria um fardo e não uma bênção.

Ouvir aquelas palavras vindas de seu pai traziam um alento para momentos tão complexos como o qual vivia. Fora a própria competição, a vida a dois com um rapaz e esconder esse segredo até às últimas consequências, perpassaram o limite de aguentar aquilo dentro do peito sem machucar ou causar feridas mais profundas. Tornavam-se rosas, ao mesmo tempo em que perfumavam e encantavam, seus espinhos perfuravam quem os tocasse. O conselho valioso vinha na hora certa, quase como, de algum jeito, soubesse o que se passava, garantindo assim estar tudo bem, que era uma fase e iria passar.

Começou até mesmo a cogitar a hipótese de contar logo de uma vez sobre a história com Alisson, ou, se não chegasse a tanto, ao menos sobre a possibilidade real de não se envolver somente com garotas. As palavras tanto de sua tia Marcella quanto de sua mãe assombravam sua cabeça, relembrando-o do quão mais aquilo seria protelado até que se esgotassem os recursos. Afinal, elas tinham suas razões de acreditar no fato de, como pai, ter prioridade no conhecimento da vida do filho. Ouvindo palavras tão prósperas e verdadeiras, sua consciência apitou um alerta para tal fato, encerrando o ciclo das descobertas e livrando-o daquele peso.

A vontade, porém, caiu toda por terra no momento em que o homem questionou se levaria sua nova ficante para assistí-lo junto com os demais, alimentando a hipótese a qual já levantara dias antes sobre o assunto. Ali, sentiu um buraco emergir dentro do peito, descartando qualquer possibilidade de compreensão. Mesmo sendo aquilo o natural, visto que o homem não iria adivinhar o fato do filho estar se envolvendo com outro rapaz, encabulou-se em ter de negar e, ainda por cima, revelar uma verdade com a qual ele mesmo, por vezes, não sabia lidar. Não acreditava ter moral suficiente para recriminá-lo. O jeito foi negar, embora a teimosia do pai tenha seguido, seguiu também rejeitando o fato tanto de ter substituído Vanessa por outra moça quanto por levar alguém em seu lugar.

Por fim, vencido pelo cansaço, o homem comentou, apesar disso, o fato dele, Isabel e Ian irem lhe prestigiar. Dan aproveitou para pedir que, no caso dele não se sentir confortável em ir, não insistir, uma vez que o abalo por conta do acontecido com Diógenes ainda fosse muito recente e o menino ainda estivesse lidando com as trágicas consequências daquilo. Bruno sustentou o fato de respeitar os sentimentos do sobrinho, bem como o desejo do filho, afinal eram uma família e o menino havia se tornado, após tanto tempo, um filho mais velho. O menor sorriu, agradecendo-o de coração aberto pela compreensão. Antes de se retirar, Bruno não deixou de abraçar seu filho, desejando toda sorte do mundo para o dia seguinte e reiterando o pedido de sua esposa para que o filho descesse para comer algo mais tarde antes de dormir. Dan riu, garantindo fazê-lo mais tarde.

Tão logo ficou sozinho no quarto e atirou-se na cama, refletindo sobre como a vida havia lhe ensinado lições tão preciosas e, ao mesmo tempo, traiçoeiras. Se por um lado estava conhecendo um amor tranquilo, valente e sincero com Alisson, de outro recordava o péssimo namorado que havia sido para Van nos meses anteriores. Um peso na consciência começava a querer tomar parte de si, uma vez que, conhecendo-a tal qual conhecia, não se desculpava pelas injustiças cometidas, nem pelos surtos dados simplesmente por desconhecer seu ‘eu’ interior e aceitá-lo de verdade. Ouvindo o pai questionar, animado, sobre a suposta ‘nova guria’ de sua vida, parecia transformar Vanessa em uma blusa velha a qual não gostava mais e descartou sem piscar um cílio. Não se desculparia ficando de braços cruzados sem ao menos tentar repor um pouco do desconforto o qual causou a menina.

Tratou de caçar o contato dela no celular e mandou mensagem, comentando sobre o concurso de dança, sua participação e, acima de tudo, o interesse em prestigiá-lo naquele momento tão significativo em sua vida. Van respondeu dez minutos mais tarde, agradecendo pelo convite e alegando ter sido avisada por Ana e Mia, fato este que atraiu a curiosidade do rapaz, porém, nada disse. A loira avisou estarem com sorte, já que, em virtude do convite de Ana, estava mesmo preparando uma ida rápida ao torneio para vê-lo e, agora, ver Dan também. O menino não pôde aguentar de felicidade, agradecendo ao apoio e aproveitando para pedir desculpas por não ter convidado antes. Vanessa releva, afinal ela mesma tinha demorado a chamá-lo para sua formatura, fazendo-o apenas no dia no qual ela ocorreu. Sob esta ótica, estavam quites.

Fazia um bem danado a Daniel poder ter uma convivência minimamente saudável com aquela a quem dedicou tantos anos de namoro e cumplicidade. Foram felizes ao longo de boa parte de seu namoro, então considerava injustificável arrancá-la de sua vida como uma semente que não germinou. Ao contrário, queria cultivá-la entre o círculo de amizades, poder trocar ideias e pedir ajuda quando necessário. Conhecia bem o coração de ouro da ex, sabendo que dela teria sempre o respeito e o carinho de quando formavam um casal.

Antes de cair na cama, desceu para comer algo, fez sua higiene e, só então, deitou-se para estar bem descansado. Seu coração pulsava forte pensando nas ‘n’ possibilidades advindas daquela competição, afinal estaria mostrando a pelo menos uma centena de pessoas seu talento e afinidade com o mundo da dança. Não se perdoaria caso não entregasse uma performance à altura, ainda que, no fundo, ficasse como experiência.

Queria provar seu valor, conseguir equilibrar o corpo e a mente na hora de fazer o show acontecer e, claro, agradar a Alisson. Com ele havia comprado a tarefa de se dedicar à dança. De igual forma, enfrentaria agora este novo desafio, provando a si mesmo não ser apenas um rapaz adolescente com crises de identidade, e sim um homem, tal qual ele era.

Ao acordar na manhã seguinte, quase junto às galinhas, tinha a primeira grande resposta de seu dia. Acordou rindo do quão óbvia era, mas se perdoou em virtude do tempo, o qual antes não havia vivido, e que agora experimentava, recebendo então a conclusão do mistério que o rodeava ainda de meses antes quando ainda namorava Vanessa. Mal via a hora de poder revelar quem havia de ser o ser aparecendo em sua vida através de sonhos, mesmo que continuasse achando muito óbvio por agora fazer todo sentido. Colocou seu caderno na mochila do treino e levou consigo até a mesa do café, preparando-se para sair dali e ir direto para a escola.

Quase levou um susto ao notar Ian mexendo a colher em uma xícara de café, apenas com a luz da cozinha ligada enquanto seus olhos místicos em cor de água fixavam um ponto qualquer. Tentou chegar de leve, a fim de não assustá-lo, tendo sucesso. Notando a presença do primo mais novo, Ian sorriu de leve, desejando ‘bom dia’. O menor agradeceu, retribuindo a gentileza.

— Sabe que a competição é mais tarde, né? Vou agora por ter que ir na escola, junto com o pessoal e tudo mais — esclareceu.

— Sei, sim. Só acordei cedo mesmo. Foi pura coincidência — o mais velho respondeu — Ansioso?

— Muito. Pra ser sincero, sinto uma agitação no estômago só de pensar na quantidade de gente que vai tá lá vendo acontecer.

— Ossos do ofício de um artista. Mas tu vai ver que, quando começa, a gente pega o embalo e só vai! Como aconteceu no dia lá na tua escola.

Dan sorriu.

— Valeu pelo apoio. Significa muito — agradeceu — E… se tu não tiver no clima ainda, beleza, ok? Não te força a nada por mim.

Foi a vez do outro retribuiu o sorriso, levando sua mão a dele.

— Se tem algo que pode melhorar meu astral é te ver dando um show — garantiu.

— Prometo tentar não decepcionar.

— Tu não vai. Tenho certeza. Confia em mim.

Ter a bênção do primo era como injetar uma dose cavalar de otimismo e perseverança. Ian tinha dentro de si uma carga tão poderosa de energia positiva que, mesmo quando a vida lhe ameaçava puxar o tapete ou arrancava de si suas expectativas mais genuínas de viver em paz, em sintonia com as forças mais brandas do universo, ainda conseguia repartir o frescor de sua sabedoria. Com isso, Dan sentia que poderia fazer o mundo girar na ponta de seus dedos, tendo a calmaria do primo sempre a sua espera para lhe acalentar.

Terminou de tomar seu café correndo, despedindo-se do primo e pais, estes acordando quase na hora em que estava saindo. Pegou sua mochila, celular, fone de ouvido e seguiu em direção a escola, pensando em tudo o que ainda estaria por viver naquela fatídica manhã. Pela primeira vez, seus conhecimentos foram postos a prova, o que dava ao desafio uma importância significativa em sua vida. Assemelhava-se a outros pequenos prazer da vida relacionados à primazia: beijo, compra de imóvel, viagem nacional ou internacional, relação sexual… Todas interligadas pela curiosidade e descoberta. Um terreno novo prestes a servir de lar para construção de uma possível carreira artística.

Encontrou na escola Alisson e Ana conversando, com o último apresentando no rosto um largo sorriso. Descobriu, depois de cumprimentá-los, que a transição de gênero já havia sido oficializada e, a partir daquele dia, usaria o nome social Pedro. Mesmo pouco compreendendo o tamanho daquilo, não evitou parabenizá-lo, uma vez que sua mente remeteu a Vanessa e a história do passado dela antes da transição hormonal. Não conseguia imaginar o quão estranho era não se sentir parte daquele par de sílabas que formam seu suposto nome durante anos. Então, imaginava como aquele pequeno passo já representava muito ao rapaz. Via o brilho no olhar de ter alcançado um sonho o qual parecia não chegar nunca e, finalmente, conquistou.

Gustavo não tardou em chamar seus pupilos, cumprimentando-os e pedindo as autorizações caso algum ainda não a tivesse entregue. Como não era o caso da maioria segundo a lista de confirmação do professor, foram liberados para irem entrando no ônibus. Alisson, Daniel e Pedro estavam mais para o meio da fila, com um bom número de colegas a sua frente entrando e escolhendo os lugares. Conversavam distraídos, até chegar o momento de Al e Dan entrarem e ouvirem de alguns colegas os parabéns pelo namoro. O rosto do filho de Isabel ferveu na hora, questionando a possibilidade de sentarem ao fundo. Sem aguentar o riso, Pedro justificou o fato de não poderem mais esconder, afinal, passados os perrengues dos últimos dias, dificilmente sairiam ilesos daquilo. Em respeito à vergonha de Dan, optaram por sentar no local pedido por ele.

O caminho todo, pôde sentir as mãos de Alisson entrelaçadas às suas enquanto ele e Pedro divagavam sobre os boatos das outras escolas e seus competidores. Sentia uma diferença gritante ter algum porto seguro numa hora tão crítica quanto aquela, onde os nervos estavam à flor da pele. Reconhecia o esforço do mais velho em tornar a relação deles o mais próspera possível, respeitando seus limites, mostrando caminhos mais fáceis de seguir. Na prática, surtia mais efeito até do que algumas das inúmeras tentativas de Iaan de enfiar aquilo na sua cabeça, até porque se tratava de dois meninos vivenciando a mesma coisa, apenas por óticas diferentes. Fazia sentido, em sua mente, ter mais conforto emocional e físico com Al do que em Ian, neste sentido. Ian era a paz interior para o resto, e Al para o amor carnal.

Chegando ao espaço de eventos onde aconteceria a competição, a turma inteira desceu do ônibus e fizeram um checklist de todos os presentes (agradeciam aos céus por nenhum membro ter faltado, afinal, independente de quem fosse, a performance do grupo sairia prejudicada). Depois, em fila, foram com o professor até o ginásio, um lugar amplo com arquibancadas de oito fileiras cercando todos os lados possíveis, além de uma cabine onde ficava o locutor. No térreo, havia distribuídos 6 vestiários, 3 masculinos e 3 femininos, o que, divididos pelas vinte equipes, culminaram em 6 equipes no mesmo vestiário. Não chegava a ser um problema, dado o tamanho dos vestiários onde caberiam em torno de 16 Chevrolet Omega tranquilamente. Outro fato que ajudava era a boa divisão das cabines, dando um certo distanciamento entre os participantes. Com o número de alunos, monitores especializados foram contratados para auxiliar professores e alunos dentro dos vestiários, a fim de evitar maior baderna.

Antes de irem para os respectivos vestiários, Gustavo reuniu a equipe e lembrou o fato daquilo ali ser apenas uma prova da coragem e luta depois de meses de dedicação e apoio à dança, além do prêmio ser apenas um símbolo irrelevante quando comparado a grandeza do que faziam, pois aquilo sim fazia deles grandes artistas. Depois da salva de palmas, parte do grupo foi para os vestiários masculinos e outra no feminino. Já no vestiário enquanto trocavam de roupa, Al não deixou de comentar com Pedro e Dan sobre o quão alta estava a adrenalina de seu corpo, quase sentindo como se pudesse vencer um Titã com dois toques. Os rapazes riram da colocação.

— Fala só por ti, bebezão. Tô com meu estômago embrulhado até agora pensando na possibilidade de errar alguma coisa — confessou ao ficante.

— Porque tu sempre é pessimista. Acha que iria me impressionar? — ironizou, rindo — Relaxa, pateta. Isso aqui é só uma grande brincadeira. Só isso.

— Nisso ele tem razão, Dan — Pedro indagou.

— Ah, que ótimo — revirou os olhos — O homem fatal. Nada o assusta. Dava um filme, sabia?

Ambos riram, enquanto Al se aproximava do menor e falava, encarando no grão de seu olho.

— Assumir um certo sentimento me afetou pra c*r*lho, se tu quer saber...

Dan sentiu um frio na espinha ouvindo aquela frase. Sabia de sua parcela naquela história. Aquela altura era burrice ignorá-la. Resolveu, então, mudar o foco da conversa.

— Tua mãe e o Edu vão vir?

— Falaram que sim ontem. Então acho que vão — deu de ombros — Vocês notaram as gurias das outras equipes? Algumas até trocaram uns olhares mais sedentos, se é que me entendem — sorriu, malicioso.

Pedro caiu na gargalhada, porém, o filho de Isabel não gostou nadinha. Indisposto a engolir aquele sapo, não pensou duas vezes antes de pisar no pé dele com toda força que tinha, atraindo um pequeno alarde por parte do mais velho, pego de surpresa.

— Machucou? Desculpa. Não fiz por mal — respondeu, sarcástico.

— Tá bom. Já entendi o recado! — retrucou, rindo.

Achava, no mínimo, irônico vivenciar aquilo. Conhecia o rapaz tempo suficiente para ter visto o modo como ele tentou segurar a barra no namoro com Vanessa, falhando miseravelmente em várias tentativas. Mesmo ali, com outra pessoa ao seu lado, o ciúme, característica sua desde essa época, seguia dentro de si, fazendo Alisson rir de como o menor conseguia soar como uma criança mimada quando queria.

Quando pararam de tagarelar e começaram a trocar de roupa, Dan não perdeu tempo virando para o canto e vestindo o uniforme pedido sem levar seu olho a qualquer um de seus colegas. Nem seu próprio corpo encarou, temendo uma reação natural com a qual arruinaria sua fama de vez. Afinal de contas, não tinha dimensão do quão atento aos rapazes seu olhar se encontrava, então qualquer colega seu poderia ser cobiçado sem querer, fazendo seu corpo responder a altura. Notando a atitude suspeita do ficante, aproximou-se dele vestindo apenas uma calça moletom, sem nada cobrindo seu dorso, e questionou o que se passava. Ao se virar e dar de cara com a cena, Dan virou na hora, tentando respirar fundo e conter sua vergonha. Sentiu um frio na espinha, arrepiando-se por inteiro.

— A-acho que é… sei lá. É estranho ver esses guris todos quase pelados… Tenho medo de—

— E qual o problema se acontecer? — sussurrou ao pé do ouvido do menor — Acha que eles nunca viram um p*u duro na vida enquanto tocavam uma?

— Qual é, Alisson! Tu sabe que é diferente no nosso caso — tentou justificar.

— Por que? Por querermos o que eles não querem? Ou porque nossos impulsos são menores que os deles? Acha mesmo isso?

— Alisson…

— Deixa eles verem, Dan — sussurrou, quase colado no corpo dele — Deixa eles verem o que tu esconde aí dentro da cueca. Deixa a natureza te coordenar…

Não podia acreditar que a saliência de Alisson estivesse tão aflorada naquele ponto, deixando-o quase cego querendo uma cena de atentado ao pudor frente a todos sem qualquer resquício de arrependimento. Para piorar, depois de deixá-lo quase em êxtase, sorriu e voltou para seu canto, largando o barulho em sua mente e sumindo para fazer o que bem entendesse com ele. Entretanto, apesar da covardia, sabia bem como reagir, tendo a certeza de que a resposta seria a altura da provocação. Mais tarde aplicaria a revanche.

Cerca de uma hora e alguns minutos depois, já tendo ensaiado no espaço, feito as marcações mentais sugeridas antes nos ensaios e replicadas ali, foi a hora de dar início a competição. O ginásio, outrora apenas com alunos, professores e as moscas para preenchê-lo, encontrou-se com cada centímetro das arquibancadas com parentes, amigos e conhecidos de todas as equipes, fomentando a torcida e o embalo daquele evento. Dan impressionou-se, afinal sequer esperava tantas pessoas, mas ficou feliz ao ver que, no meio do que lembrava um formigueiro, seus pais e seu primo estavam lá para dar suporte em pensamento. Sorriu com o feito.

No início, o locutor do evento deu as boas vindas a todos e explicou um pouco do ritmo no qual seguiriam os trabalhos ao longo daquela manhã: No primeiro momento, as devidas duplas indicadas deveriam realizar a performance inicial já pontuando no quesito de eliminação; no segundo momento, já selecionados, o grupo todo apresenta a primeira música escolhida, competindo com os dez grupos restantes não eliminados; no terceiro, restando cinco grupos, ocorreria uma repescagem, onde mais cinco grupos entrariam para tentar a vaga na final; no quarto, eliminados quem tinha de ser, os cinco restantes enfrentariam, em caráter definitivo, a disputa pelo prêmio. Com exceção da parte da performance inicial já valer como ponto, o resto não chegou a ser encarado com tanta surpresa pelos meninos. Haviam chegado até ali, conseguiram o resto, não tinham dúvidas.

O primeiro grupo apresentou uma música de KPOP de nome Dancing Queen, vocalizado pelo grupo Girls Generation. Representada por um conjunto de quinze meninas, com uma dupla delas realizando a abertura, a primeira escola escolheu uniformes semelhantes aos orientais para realizar a apresentação. Foram todas boas, na opinião de Dan, mexendo bem o corpo no ritmo da música e respeitando um padrão de coreografia impecável. Não estranharia caso fossem adversárias fortes no restante.

O segundo, uma mescla de rapazes e moças vestidos com uniformes de futebol da seleção brasileira, investiram em uma dupla de rapazes e no funk contemporâneo de País do Futebol do cantor MC Guimê. Mesclando a performance com o uso de jogadas de futebol, ficou um chamativo interessante, porém, movidos pelo nervosismo nítido em seus olhos, acabaram errando alguns passes e gestos simples, o que, pelo julgamento de Dan, lhes custariam alguns pontos.

O terceiro, também com pessoas de gêneros variados, sendo duas meninas representando, apostou no pop anos 2000 ao som de Boys, de Britney Spears. Eram coordenados, com roupas lembrando maquinistas, fizeram movimentos do street dance já deixando claro seu objetivo e potencial para a competição, mesmo que, quase no fim, uma das moças quase tenha se desequilibrado e caído ao chão. Dan notou que estavam mesmo obstinados a mostrar serviço.

O quarto, já com sua maioria rapazes, com dois rapazes performando, escolheram Hey Ya!, do Outcast, caracterizando-se, inclusive, de forma semelhante às do clipe. Os rapazes também deram um show de sincronismo, perfeição nos detalhes e movimentos de dança remetentes tanto a música quanto a alguns incrementos que Dan julgou parecer Michael Jackson.

O quinto, com rapazes e moças dividindo cena, representados por uma dupla de um rapaz e uma moça, apostaram em Attention, de Charlie Puth, para embalar seu cartão de visita. Na opinião de Dan, não foi das piores, porém, parecia um pouco forçado, uma coreografia muito esmagada para caber no ritmo da música. Se pudesse definir em uma palavra, seria constipação visual.

O sexto foram eles. Com o coração na mão, Alisson e Daniel centralizaram-se na pista para aguardar o início de Break Your Heart, por Taio Cruz. Logo nos primeiros minutos, ambos deslizaram de um lado para o outro bem no tempo da música. Primeiro de forma mais rápida, e depois diminuindo.

Serviu só de introdução para, já na segunda estrofe e interlúdio do refrão, começarem a intercalar seus movimentos, realizando juntos os passos como recriar um passo semelhante a o da valsa, depois erguer até o alto para saltar no refrão, o qual, juntos, performaram algumas piruetas sincronizadas de forma impressionante, em disciplina de bailarinas.

Já na segunda metade da música, tentaram mostrar a que vieram, com gestos menos tímidos usando os membros superiores, depois mais footwork e floor rocks, culminando depois com um baby freeze. Nada muito arriscado, mas que, no conjunto da obra, veio bem a calhar. Terminaram a música deshidratados e confiantes de terem conquistado a vaga para o grupo de sua escola. No fim, estavam orgulhosos de si mesmos.

Os 14 grupos depois deles também não pareceram lá uma grande ameaça, com exceção de dois ou três realmente potentes no que faziam, criando em Al e Dan uma certeza maior de terem sido classificados, o que de fato aconteceu. Minutos mais tarde, já concluídas as duplas, foram selecionadas 10, uma foram eles. Os demais foram: primeiro, terceiro, quarto, oitavo, décimo, décimo primeiro, décimo terceiro, décimo sétimo e vigésimo. A conquista foi celebrada pelo grupo, mesmo sabendo que o trabalho não havia culminado.

Na primeira rodada, já em grupo, iriam enfrentar os grupos classificados e seguirem para as últimas etapas. Nesta ocasião, acabaram sendo os segundos. Já voltada a apresentação dance street, utilizaram a música If You Want Love, de NF, como primeiro argumento. O grupo posicionou-se na quadra e, tão logo a música começou, deram os primeiros movimentos. Priorizaram o uso dos os braços e mãos, alternando movimentos circulares e de precisão específica, movendo o resto do corpo apenas quando muito necessário. Com o andar da música, foram sendo incrementadas as pernas e mexidas na horizontal de um lado para outro, mas seguindo a mesma linha de raciocínio do início. Ao fim, agradeceram aos céus por não terem falhado um só piscar de cílio. Foram classificados.

Antes da segunda rodada, foi realizada uma repescagem com os grupos eliminados na abertura, sendo resgatados mais cinco grupos. Só aí, então, veio a segunda rodada, onde 10 grupos se enfrentariam. Como na performance inicial, foram o sexto grupo a mostrar seu talento mais uma vez com a música Waves, de Dean Lewis. Desta vez, mostraram mais o potencial, explorando movimentos corporais como Popping, Get on the good foot, além de alguns elementos freestyle incrementados a dinâmica da música apresentada. Alinhados em um perfeito ‘V’, os quinze integrantes realizaram um sincronismo invejável, movimentando cada músculo no momento correto sem deixar um deslize, provando para eles mesmos o quão capazes eram. De novo, foram classificados para a final

Eliminados cinco dos dez grupos, estavam entre os cinco disputantes do troféu e Dan notou que, de fato, ficaram os melhores. O desafio agora não era mais mostrar uma novidade, e sim, reapresentar uma das canções com a mesma dinâmica de interação sem falhas ou deslizes acidentais. Gustavo aproveitou o breve tempo para elogiar seus pupilos, garantindo estar emocionado vendo-os atuar com tanto afinco e determinação para conseguirem a conquista do troféu, aproveitando para reforçar que era disso que falava no início, pois aquela seria a experiência que levariam para a vida.

Escolhida Waves pelo impacto com a plateia e jurados, apresentaram-a logo após o terceiro grupo. Mais uma vez, tentaram replicar o sincronismo da primeira performance, porém, um dos meninos trocou um dos movimentos do refrão, realizando-o ligeiramente atrasado, mas não para o olhar dos jurados. Terminada a apresentação, no fim, ficaram no pódio, mas levando a medalha de prata, dividindo o pódio com a de ouro do grupo o qual havia apresentado País do Futebol, este trazido de volta na repescagem e mostrando seu valor nas performances seguintes; e bronze com grupo que apresentou Boys, pois, apesar do início promissor, as músicas escolhidas para a batalha não foram nem de longe as melhores, tampouco o estilo de dança empolgou alguém além dos torcedores deles.

Mesmo diante desse cenário, Dan e Al não puderam deixar de se sentirem felizes por encarar o desafio sem medo, mostrando seu valor e provando serem capazes de enfrentar o que fosse preciso se fosse para fazer acontecer seu sonho. Ainda mais quando os pais de Daniel, Marisa e Edu e Ian e Vanessa transbordavam de orgulho da concentração e do desempenho deles, colhendo elogios que julgavam e não julgavam merecer ao mesmo tempo.

Para Dan, foi de suma importância ouvir o primo alegar o quão talentoso era, e Vanessa, conversando com ele logo depois. Deram um rápido abraço, mas o suficiente para provocar malícia por parte de Bruno, ainda sem saber do que de fato acontecia com o filho. Depois de perceber que ambos ficaram com o rosto fervendo, Isabel tratou de levar o marido para dar os cumprimentos a Alisson, Marisa e Edu. A moça não aguentou e caiu no riso, ainda constrangida com a confusão.

— Pelo visto eles não sabem, né? — perguntou, referindo-se a ele e Al.

— Ele não sabe, na real. Minha mãe sim.

A moça então abriu um belo sorriso nos lábios.

— Não deixa ele viver assim, Dan. Sei que parece divertido, mas é teu pai. Merece saber da verdade.

— Pior que já ouvi isso de todo mundo — revirou os olhos — Sei que é importante, mas… é complicado. Tu sabe melhor disso que eu.

— Sei, sim — confirmou, tendo uma rápida vertigem recordando o passado — Mas, sabe, às vezes nos apegamos no fato da mentira ser tão fácil e reconfortante de ser contada que até esquecemos o estrago que ela faz quando é descoberta passado muito tempo. Pensa nisso.

Antes de ir embora, deu-lhe um beijo singelo na bochecha, retornando então para dar os cumprimentos a Mia e Pedro. No frigir dos ovos, Dan sabia que era uma decisão importante e estava tentando buscar dentro de si a mesma coragem tida para beijar Alisson na festa de Jeferson. A partir disso, sentia que as amarras capazes de lhe prender ao medo do futuro cederiam por completo, conseguindo, assim, desfrutar melhor da felicidade posta em seu colo, tal qual sua ex-namorada estava fazendo, apesar de ainda achar bizarro que o trio se conhecesse.

Voltando até seus pais e aos parentes de Alisson, notou seu pai ainda movido pela empolgação e orgulho, sugerindo um churrasco na casa de Marcella e Ronaldo para comemorarem, deixando claro que os tios já deveriam ter arquitetado tudo anteriormente mesmo com o pai tentando disfarçar. Ainda sim, não recusaram o convite.

Como não podiam voltar sem antes passar na escola, foram até o vestiário acompanhar o resto da equipe, embarcaram no ônibus e foram em direção a instituição de ensino de novo, com a medalha de prata no pescoço de cada um, orgulhosos de terem tentado. Gustavo não poupou elogios aos dois rapazes, alegando terem muito futuro na dança e, se fosse de interesse deles, pediu que lhe procurassem caso quisessem fazer uma formação de dança. Os meninos, entusiasmados, garantiram que assim o fariam tão logo conseguissem organizar suas vidas.

Na escola, antes de voltarem para casa, Gustavo agradeceu a cada um dos integrantes por terem feito daquilo um marco histórico, trazendo para a Presidente Lincoln uma medalha conquistada com muito suor e determinação de um grupo ímpar, disposto a fazer da dança sua vida e da arte sua morada. Elogiou um por um dos membros, ressaltando suas qualidades e deixou-lhes partir, não sem antes desejar-lhes um bom final de semana.

Caminhando em direção a padaria dos tios, Al pediu, em dado momento, se ficaria muito ruim para passarem em sua casa antes para largar suas coisas e o menor garante que não. No fim das contas, acabou mudando pouco da rota, precisando caminhar um pouco mais, nada que fizesse suas pernas cansar mais do que os repetitivos movimentos da apresentação. Chegaram na casa dele e foram direto para o quarto deixar a mochila e, quando Al se deu conta de estar seco, pôr água em seu trevo. Dan riu da atitude.

— Sabe que tenho um? Mas nem sei a quantas ele tá. Me esqueço de regar — comentou.

— Por isso tu é tão azarado. Fica dando mole pro azar — debochou o mais velho.

— Acredita mesmo nisso? Na sorte do trevo?

Assim que terminou de molhá-lo, colocou-lhe no lugar de sempre e virou para Dan.

— Tenho certeza que tem o dedo da força dele em certos acontecimentos desse an—

Sequer teve tempo de concluir seu pensamento. De repente, os lábios de Daniel foram à procura dos seus com vontade, sedento por aquela atitude. O ato, claro, pegou Al desprevenido, questionando o que era aquilo.

— Será que tô nessas coisas boas desse ano? — perguntou, malicioso, mas sem esperar a resposta — Tu disse que era pra mim ceder aos impulsos. Tô cedendo, ué. Qual o problema?

— Pateta… Tu tá mexendo num vespeiro… — alertou, malicioso.

O menor aproximou sua boca do ouvido do rapaz mais velho e murmurou.

— Tô pagando pra ver.

Nem precisou falar uma segunda vez. Logo Alisson, mandando a sanidade às favas, agarrou Daniel pelas pernas e cruzou-as no seu corpo, apalpando seus glúteos no colo enquanto suas bocas saciavam um desejo há tempos reprimido. Alternavam a troca de salivas com beijos no pescoço, bochechas e mordiscos na orelha, o que aumentou suas respirações de forma considerável.

O mais velho caminhou com dificuldade até a cama, colando o mais novo em cima dela sem maior cerimônia. Ficou por cima enquanto seguia com suas mãos explorando pelo corpo de cor doce de leite. Estas já procuravam tirar cada uma das peças, dificultando devido ao fogo intenso de seus corpos, incapazes de parar por meio segundo. Só conseguiram mesmo quando elas causaram problemas, pois seus membros, com a euforia dos beijos e carícias, começaram a se sentir sufocados dentro das calças. O jeito foi parar, tirar tudo e voltar a ação.

Completamente despidos deixou Dan completamente exposto à luxúria e desejo de Alisson. O rapaz mordiscava cada pedaço seu. Começou primeiro pelo dorso, nos mamilos e parte do peito, descendo devagar com sua língua até as coxas firmes dele, lambendo-as e mordiscando como se lembrassem um belo pernil assado, até quase seus pés. Desejava-o por inteiro, cada parte de si ansiando por tê-lo sob seu domínio, escravizando seu tesão e vontade de demonstrar sua forma mais primitiva, reflexo da herança animal, onde a presa ficava a mercê de seu predador.

Dan mantinha os olhos fechados, gemendo com cada novo toque dos lábios dele sob sua pele, deixando as pernas bem abertas para que nada fosse um empecilho. Depois, quando estava retornando para roubar-lhe um beijo, inverteu as posições, ficando por cima do corpo esbranquiçado dele. Suas mãos deslizaram por seu rosto, enquanto o beijava, mas a procura de seus cabelos. Não entregaria o jogo tão fácil assim. Mostraria a Alisson que também sabia aproveitar o dia do caçador para ser um. E habilidoso. Seus lábios encontraram seus mamilos e iniciou a sucção, fazendo o mais velho se contorcer na cama.

Aproveitando-se da posição, Dan começou a esfregar mais ainda seu membro no dele, sentindo, em alguns momentos, ambos começarem a ficar babados pela ânsia em serem postos na ação. Este, porém, não era o plano por hora. Começou a mover seu corpo tal qual estivesse penetrando-o de forma real, beijando seus lábios rosados de forma tão intensa quanto um incêndio. Al se surpreendia com os movimentos, encontrando, pela primeira vez, um Dan mais forte, decidido, querendo ceder aos prazeres de forma inimaginável.

Após ter explorado com a boca cada célula do corpo atlético de Al, Dan levou sua mão ao membro rígido dele, até então pulsando sob sua barriga, começando a acariciá-lo de leve a cabeça, com toques muito sutis apenas para vê-lo não segurar o gemido e começar a preparação. Al, sorrindo malicioso, agarrou a mão do menor e começou a chupar um de seus dedos de forma desesperada. Ficaram assim por alguns segundos até que, ao sentir Dan parando, fez o mesmo.

Dan decidiu enfrentar um de seus maiores pesadelos: fazer sexo oral. A fim de deixar um pouco mais relaxado, posicionou seu corpo de tal forma que ambos ficassem em posição 69, na esperança de relaxar enquanto era relaxado. Esticou bem o pênis rígido de Al e levou sua boca até ele, tentando mantê-la aberta para, só depois de encaixado, começasse a fazer como semelhante a um picolé.

Quando pegou a tática do ato seguiu como se não houvesse amanhã. O pênis do garoto estava rígido e parecia ficar mais a cada estímulo que recebia. Realizava com força, com vontade, até mesmo enquanto Al engolia seu pênis também, o deixando em delírio com tanto prazer. Só parou quando este, realizando expressões faciais nítidas de tesão, avisou que estava prestes a ejacular. Tirou-o de sua boca, virou seu corpo e foi ao encontro da boca do maior.

Alisson inverteu uma terceira vez as posições, segundo afoito na troca de fluidos com o rapaz a quem amava. Estava em êxtase vendo-o correr atrás e se voluntariar ao chamado da natureza, querendo levar até às últimas consequências seus atos. Dan não ficava por menos notando a postura dele, sempre forte e ciente do que faz. Eram dois corpos recebendo altas doses de estímulos para continuarem na efervescente brasa que pairava sobre eles.

— Tá pronto? — perguntou o mais velho.

— Quer mesmo fazer isso? — retrucou, ainda com respiração pesada.

Aproximou-se do ouvido dele, mordiscando-o antes de responder.

— Eu preciso disso, Daniel.

Diante daquele pedido, Dan não conseguiu negar. Sorriu, trouxe-o para próximo de si e beijou-lhe com toda força. Queria passar a segurança que tinha nele e em suas decisões. Não tinha dúvidas que ele faria… e bem.

Alisson levantou da cama ainda nú, correu para seu guarda roupa e tirou de lá um preservativo e um tubo de lubrificante. Posicionou Dan virado de costas, com seus glúteos exuberantes virados para si. Não resistindo a tentação, levou seu rosto até sua entrada e começou a enfiar a língua ali com uma habilidade ímpar, o que levou Dan a revirar os olhos enquanto sua voz saía arranhando as cordas vocais.

Al realizava o beijo grego com euforia, alterando o gesto com mordidas fortes e apalpadas violentas nos glúteos propriamente ditos, dando tapas sem ter muito pudor ou tato. Via, nas expressões e gestos do parceiro, seu corpo reagindo como se estivesse no cio. Queria mais e assim o faria.

Foi colocando delicadamente o pênis dentro do ânus, afinal de contas reconhecia não ser tarefa fácil aguentar aquilo tudo no osso. Viu Dan morder o lábio inferior com tanta força — por conta da dor — que por pouco não o cortou. Apesar disso, o desejo entre eles era tanto de ter aquele rapaz dentro de si, que Dan não só aguentou, mas teve prazer enquanto ouvia a respiração de touro bravo de Al atrás de sua nuca louco para começar.

Pouco depois, melhor acostumado, Alisson começou o vai e vem quando Dan abriu mais as pernas, indicando passagem livre. A ação foi aumentando gradativamente a velocidade, à medida que o suor, até então controlado, começava a escorrer por seus corpos levemente torneados, e a respiração saindo do controle. O desejo os dominou por completo e fazia deles seus escravos, amantes cujo fogo da paixão permaneceria aceso e com brasa alta se assim quisessem — e certamente queriam. Estarem unidos em um só, como letra e melodia se encontrando para formar a música, era uma sensação divina.

Al bombava seu pênis dentro de Dan com a vontade de um animal em devorar sua presa enquanto a voz do menor ecoava pelo quarto e suas mãos se agarravam com força no colchão. A cada nova estocada, Dan parecia mais vivo, sentindo cada célula do seu corpo respondendo e se entregando em uma guerra vencida, dispostos a darem ao vencedor tudo o que lhe era de direito. Seus pensamentos já se perdiam entre as indecências e vontades realizadas ali de forma nunca vivida por ele antes, experimento as delícias e gostosuras de ter um amor selvagem.

As mãos de Al não ficaram paradas. Vendo Dan sem ação, focado apenas em ser seu passivo, levou-as até o membro dele, estimulando-o na mesma velocidade na qual possuía o parceiro. Dan revirou-se de prazer, arrancando sorrisos marotos do mais velho. Era bom saber que já estavam em sintonia e que seus toques provocam nele a ânsia por mais e mais, viciando-o em sua vontade e desejo de tê-lo.

Mantiveram o ritmo da penetração frenética. Seus corpos completamente encharcados ainda resistiam bem as estocadas intensas enquanto cada um competia para ver quem gemia mais alto. Não conseguiam segurar a vontade de realizar aquilo após tanto tempo, tirando para fora toda aquela líbido guardada à espera de ser atingida. Alisson, com seus movimentos, estava conseguindo fazer tanto em si quanto em Daniel.

Conseguiu penetrá-lo por alguns minutos, até finalmente, com voz rouca, avisou que estava chegando ao ápice. Gozou dentro, dando as últimas estocadas a fim de não perder o costume. Pouco depois, foi a vez do menor, gozando sobre os lençóis da cama do mais velho. Culminaram cansados, suados, porém felizes e bem satisfeitos. De fato, seu sincronismo agora estava perfeito.

Deitaram-se um ao lado do outro, exaustos e nús. Encaravam o teto, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Se para Alisson havia descoberto uma nova entrada para o céu, para Dan o inferno lhe parecia mais perto e confortável. Independente disso, sabia que o feito ali não era mais qualquer coisa ou simplesmente um ato para cumprir protocolos. Tinham se entregue a coisas que nem eles mesmos adivinham que existiam dentro de seus corpos juvenis. Abriram agora a última chave capaz de impedi-los de alcançar o ápice do prazer. Se o sexo era bom, já podiam seguir juntos sem problema! Isso, na cabeça deles, era um fato. O universo cumprira sua missão.

CONTINUA