A Teoria das Cores
59 Ruivo II
PICANTE
Quase todas as pessoas do mundo já tiveram o azar de cometer alguma coisa e se arrepender depois de tê-la feito. É natural, visto que mais erramos do que acertamos durante nossa jornada – Isso é um modo de a natureza nos mostrar que não importa o quanto evoluamos, sempre haverá algum momento de desatenção. O que Alisson não compreendia é porque ele tinha tanta tendência em cometer algum deslize. Chamava Daniel de “pateta”, mas ele próprio já desconfiava se não era um também.
Encarava a risada um tanto maquiavélica de Gil com um olhar tão perdido que a figura do rapaz nem aparecia diante de si – tudo se tornou um grande borrão, e sua mente mal conseguia raciocinar. Por que não tinha se dado conta de que já tinha estado ali antes, no dia em que Dan confrontou Ian sobre seus sentimentos? Como pôde ser tão descuidado? Estava tendo uma relação melhor com o colega de trabalho, era verdade, contudo sabia o quão perigoso era estar diante de um rapaz alcoolizado. A experiência com o novo amigo tinha lhe confirmado isso. O que faria? Devia ir embora? Fingir que nem saiu de casa?
— E aí, cara? Vai ficar me encarando com cara de bode por muito tempo? — O próprio contestou a insistência de Al em lhe observar. Seguia com um sorriso nos lábios, enquanto avaliava a expressão do amigo.
— Eu... — Procurava voltar sua atenção ao garoto — Não é nada, só fiquei espantado que não me liguei antes quem mora aqui.
— Pois então. Se ligou?
— Sim.
— E viu algum problema nisso?
Era exatamente a pergunta que ele não sabia responder. Aliás, suas certezas pareciam diminuir cada vez que lidava com Gil. Estava bem claro que o garoto já tinha passado da conta na bebida – e se não passou, faltava pouco. Engoliu seco antes de achar algo que agradasse tanto a ele próprio quanto ao anfitrião.
— Alguns — Sorriu de modo tímido — Mas f*da-se. Consigo lidar com isso.
— Assim que se fala — Gil parecia ter ganho na loteria. De tão animado, puxou Al para um abraço forte — Vê se consegue se divertir aí. Deve ter alguma guria que esteja a fim de uma pegação rápida. Dá uma peneirada.
— Pode deixar — Achava irônico um gay lhe aconselhar aquilo.
O menino logo voltou sua atenção à outros convidados, deixando Alisson parado sem lembrar o porquê tinha entrado ali. Quando se lembrou, foi até a mesa de petiscos, comeu algum salgado ali disponível e voltou ao encontro de Ana. A cena que encontrou o fez dar meia volta e seguir lá dentro – o garoto estava trocando carícias quentes com a namorada. Não queria ser o famigerado “empata f*da”. Tentaria se virar para se divertir, afinal, que mal havia em curtir a própria companhia?
Assim que a batida de “Wake Me Up”, do DJ Avicci, começou a tocar na sequência, o garoto começou a se soltar mais. Deixou que a adrenalina e a euforia tomassem conta de seu corpo jovem e cheio de energia. Arriscava até alguns passos vistos na aula sabatina, chamando a atenção de alguns próximos do entorno. Uma em especial arriscou chamá-lo.
— Tá impressionando, hein? — Assim que Alisson seguiu a voz que lhe chamou, sentiu seu estômago gelar.
— Amora? — Encarava-a incrédulo. Por que ela tinha de estar ali, justamente na noite que queria curtir? — Fala sério!
— Que foi? Não gostou de me ver? — Colocou suas mãos em torno do pescoço do menor. Por infortúnio, o destino não fizera a gentileza de lhe dar alguns centímetros a mais. Amora também não era exatamente uma garota baixa, para ajudar.
— Sabe que tu desperta em mim um misto de sentimentos? A primeira vez que te vi foi tesão, depois foi indiferença, depois raiva e agora indiferença de novo. Cai fora.
— Nossa, tá afiado hoje — Ironizou.
— Só tô devolvendo a gentileza que tu fez aquele dia comigo no “Wunder Bar”. Lembra? Quando tu fez um fiasco pra eu te atender. Pois então... — Sorriu, vitorioso. Adorou ver a cara de revolta da ruiva — Sai da minha frente que tem umas gurias sorrindo ali pra mim e tu tá atrapalhando a visão.
— Tu tá me dispensando? — Parecia algo surreal, em sua opinião.
— Eu te avisei pra não se apegar em mim aquele dia na festa dos namorados, gata — Para deixá-la com mais raiva, roubou um selinho seu e seguiu para o canto onde estavam as tais meninas — Até mais.
— Até — Respondeu, com extrema má vontade.
Al é quem parecia ter se divertido muito. Perguntava-se de onde tirou coragem para ficar com uma pessoa tão falsa e cínica. Pensou, em primeiro momento, que ela era igual a ele com relação aos sentimentos. No entanto, estava enganado – Não só era completamente oposta, como louca também (Em sua modesta opinião). Não valia os amassos que deram, disso tinha plena certeza.
***
Há momentos em que nos perguntamos o quanto à monotonia pode estragar um relacionamento. Muitos casos resistem a grande crônica cotidiana que é nossa vida, durando meses, anos, com uma grande tranquilidade e chamas do amor vivas e intensas. Infelizmente, Daniel sentia que esse não era o seu caso. Mais um sábado veio e a falta de ânimo para qualquer coisa deixava tudo ainda mais deprimente.
Lá estavam ele e Vanessa, na casa da última, assistindo a um filme qualquer no quarto dela. Dan estava só com uma calça moletom e meias nos pés, abraçado a Van, que usava uma lingerie rosa e delicada, com a mão esquerda sob o peito do namorado. Ambos não aparentavam estar com o melhor dos humores. Ao contrário – Encaravam o filme de ação (escolhido por Daniel) com tanta indiferença que as cenas mais radicais eram a deixa da loira para levantar e ir fazer qualquer coisa.
— Então... É isso que vamos fazer? — Questionou ela.
— Não tá gostando do filme? — Queria ter lançado a pergunta com mais entusiasmo, porém era impossível. Estava no tédio.
— Fala sério! Nem tu tá gostando de assistir essa porcaria!
— Eu tô sim.
— Daniel... — Encarou-o fundo em seus olhos, com um olhar de interrogatório.
— Tá. Eu não tô — Fechou a cara, tirando seu braço do entorno da moça.
Novamente, Vanessa se levantou e foi em direção à cozinha com o pote de pipoca na mão. Retornou segundos mais tarde, já sem o objeto, e acomodou-se ao lado do garoto.
— Quer transar? — Disparou a pergunta, fazendo-o se engasgar com a própria saliva.
— O quê?! — Parecia ter ouvido algo de outro planeta.
— Eu perguntei se tu quer transar. Algum problema?
— Van! Tu não é de fazer esse tipo de insinuação!
— Ah, pelo amor de Deus! — Revirou os olhos — Tu acha que sou assexuada por um acaso?
— Assexuada?
— Quem não sente impulso sexual.
— Nossa. Existe alguém na face da terra que é assim?
— Pra ti, aparentemente, eu sou né?
— Existe isso de verdade?
— Não, Daniel. Tirei da minha cabeça agora — Ironizou.
— Vocês e essa modernidade que só serve pra complicar a vida.
— Eu simplesmente pergunto se tu quer transar e isso inicia uma polêmica. Impressionante! — A loira não aparentava estar contente — E se tu tá pensando que eu vou te dar um sermão explicando que não existe isso de modernidade, tira teu cavalo da chuva. Tu não é nenhum jumento pra não ter entendido que sexualidade é algo que ninguém tem que justificar nada.
Dan nada falou. Apenas ficou coçando a nuca por alguns segundos, em meio ao silêncio que perlongava. Vanessa aproveitou para ir encarar o movimento noturno da janela de seu quarto, pensativa e frustrada. Assim que notou, o namorado foi ao seu encontro, abraçou-a pela cintura e deu alguns beijos em seu pescoço, fazendo-a sorrir de novo.
— Desculpa. Foi erro meu — Sussurrou perto de seu ouvido — Tu tá certa. Só fiquei... Sei lá, acuado.
— Com eu ter a mesma vontade de transar que todo mundo?
— Desde que a gente começou a namorar que falamos sobre isso.
— Parecia até que tu tava pressentindo que havia algo “errado” comigo — Feições de desapontamento tomaram o rosto da loira.
— Ei — Virou-a na sua direção, roubando-lhe um selinho — Já superei isso. Pra mim, isso já é passado. Não tinha nada de errado contigo, como eu achava, só não tinha me acostumado.
— “Aceitado” ficaria melhor — Fez manha, arrancando uma risada fraca do outro.
— Só não tinha aceitado — Beijou-a novamente — Só reagi assim porque não tô muito no clima. Foi mau.
— Tudo bem — Sorriu, mesmo que estivesse desapontada. Queria muito ter outra noite com o namorado — Sair por aí pra dar um rolê é algo válido?
— Talvez. Só preciso ver se ainda tenho grana lá em casa.
— Vamos lá então! — Animou-se. Finalmente um programa interessante.
— ‘Pera aí, deixa eu vestir uma camisa! — Exclamou.
— Fica tão bem sem ela que nem percebi.
Dan sorriu, malicioso com o comentário.
— Safada — Retribuiu com a mesma intensidade — Tu fica uma gata nessa lingerie também.
— S-sério?
— Claro. Por que mentiria?
— Sei lá... Pra me agradar?
— É... Faz sentido — Riu — Mas não é o caso. Tô sendo sincero.
— Assim espero — Naquele momento, Dan virou-se de costas para pegar a camiseta. A menina não aguentou: Precisava comentar aquilo — Sabe que faz sentido teu primo gostar de ti? Olha essa bunda.
— VANESSA! — Exclamou, morrendo de vergonha. Mal sabia onde enfiar a cara. Esta só sabia rir sem limites.
Minutos depois, ambos estavam arrumados para sua saída. O ânimo também parecia ter melhorado. Sentiam que havia necessidade de uma noite mais agitada, até para eles próprios conseguirem trazer de volta a empolgação do início do namoro – Van adorava se recordar das mensagens (cujo adjetivo “indecente” não conseguia abranger com propriedade) que trocavam durante as longas madrugadas de insônia. Sentia saudades daquilo, já que, nos últimos tempos, falavam coisas mais corriqueiras e menos picantes. Esperava que aquela noite trouxesse um pouco daquilo de volta. Despediram-se de Vitória e Ralf antes de sair. Os pais da moça estavam sentados no sofá – A esposa lendo uma revista e o marido assistindo ao noticiário. Quase uma cena de filme.
Andaram pelas ruas de Nova Petrópolis a encarar o movimento. Pessoas dos mais variados estilos a conversar, destinos indo e vindo de todos os lados, como se todos ali já tivessem alguma conexão só pelo fato de se verem. Alguns rostos foram familiares ao jovem casal, cumprimentando-os quando se fazia necessário, porém outros era completamente desconhecidos e chamavam a atenção – Principalmente a de Daniel. Pela primeira vez, pôde ver um casal de meninos, aparentemente da mesma idade que a sua, a caminhar de mãos dadas, alegres e apaixonados. Foi uma grande surpresa, visto que poucas vezes na vida tinha tido a oportunidade de assistir a uma cena daquelas. Passou a vigiá-los com uma certa curiosidade no olhar – Por uma razão, que não sabia descrever qual, queria muito ver a rotina deles, sentindo algo estranho lhe preencher o estômago, uma vontade de viver algo semelhante. Considerou a hipótese da rotina ter apagado aquela alegria que um dia teve com Van, por isso o espanto ao se deparar com aquilo de novo, mas seria mesmo isso? Quais às chances de ser algo mais profundo do que um simples namoro que não está tão bem como deveria?
Por “sorte”, o casal fora pelo mesmo trajeto que passava pela casa de Dan. Conseguiu perceber a felicidade que ambos estavam só por poder realizar simples gestos como beijar, abraçar, sem medo ou temor de julgamentos. Por que aquilo lhe chamava tanto a atenção? Vergonha de Vanessa ser trans talvez? Não conseguia decifrar, e isso lhe causava uma sensação de algo estar errado em sua vida. O mais próximo que conseguiu chegar em suas conclusões fora medo, um imenso medo. Inclusive a sensação não melhorou quando chegou na sua casa para verificar se tinha condições de manter o passeio – Ao contrário, queria ter seguido junto a eles. Por quê? Não sabia responder.
Assim que verificou sua situação monetária – e ter ficado feliz por ter verba o suficiente — desceu até onde Van estava, entrelaçou a mão direita à esquerda dela e assim foram pela agitada noite da cidade. Não era muito comum ter tanta movimentação, mas o inverno trazia uma alta temporada para o comércio e a atração turística do local. Ainda mais do que isso – era o último fim de semana antes do término do recesso escolar, então todos queriam aproveitar ao máximo. Isso animava Vanessa e Daniel.
Uma casa em especial chamou a atenção de ambos – Uma festa acontecia, e não parecia com cara de terminar tão cedo. Havia tantas pessoas na frente e lá dentro que o lugar lembrava um grande formigueiro, onde formigas entravam e saíam a todo instante.
— Quem será que tá dando essa festa? — A loira ficou curiosa, enquanto buscava algum rosto conhecido por lá.
— Não faço a menor ideia — Respondeu sincero — Só sei que tá bombando.
— O que acha de entrarmos de penetra? — Possuía no rosto uma expressão de criança prestes a aprontar das suas.
— Acho difícil. Se quem tá convidado não consegue entrar, tamanha quantidade de gente por aqui, imagina a gente querendo se infiltrar.
— Ah, qual é, Dan? Se anima! Pode ser divertido.
— Isso é algo que o Ian me diria se estivesse aqui.
— E com toda razão. Teu primo é um máximo — Elogiou, atraindo o olhar curioso do namorado — Que foi?
— Nada. Só tá elogiando meu querido primo. Nada demais — Fez uma expressão de descontentamento. A garota riu, não se deixando levar pelo mau humor.
— Que ótimo que tu sabe disso — Provocou — Vamos ver se encontramos algum conhecido pra nos dizer quem tá promovendo o festão.
— O que te deu hoje, hein? Parece que tá louca pra aprontar.
— E eu tô mesmo — Mordeu o lábio inferior enquanto encarava o moreno nos olhos — É só tu querer.
Assim que terminou a fala, Van seguiu para a festa, deixando Daniel completamente atônito para trás. Não sabia o que tinha dado na garota, só sabia que aquilo não lhe atingia tão bem quanto deveria... Algo de muito errado estava acontecendo e queria respostas o mais rápido possível.
***
Poder aproveitar a noite era uma das coisas que Alisson mais sentia falta desde que iniciou seu trabalho no “Wunder Bar”. Sempre fora do tipo que não consegue ficar uma noite em casa, quieto no seu canto. Gostava de sair, ver gente, dar uns amassos... Fazia parte de sua rotina adolescente. No entanto, agora que o mundo adulto estava querendo bater a porta, era tão raro ele conseguir fazer algo divertido – O máximo que conseguiu foi a noite que passou ao lado de Mandy e Adrian. Tirando isso, considerava estar fora do campo há muito tempo. Ao que parecia, a vida estava lhe dando uma oportunidade única, sendo bem provável que demorasse a acontecer.
Para sua imensa felicidade, conseguira ficar com quatro garotas naquela ocasião. Ficou feliz com o feito, já que suas últimas situações envolvendo beijos não foram das mais agradáveis, em sua opinião. Considerava que tinha sido o auge de sua noite, contudo, o destino não pensava assim... Eram quase duas da manhã, e a festa continuava com seu ritmo frenético. Al dançava animado, completamente em êxtase com a vibração de “Safe And Sound”, da banda Capital Cities, curtindo aquilo tomar conta de seu ser. Enquanto dançava, sem querer, acabou esbarrando em alguém. Tratava-se de Gil, mais alcoolizado do que na sua chegada.
— Grande Al! — Exclamou, deixando nítida sua embriaguez — E aí? Aproveitando muito?
— Aham — Respondeu, animado — Muito tri tua festa. Parabéns. É teu aniversário?
— Não. É pra um amigo meu que tá por aqui. Conhece o Kevin? — Balançou a cabeça em sinal negativo — É aquele ali que tá se agarrando com o loiro de cachinhos.
O menor encarou bem a tal figura. O clima entre os citados estava bem quente, pelo que pôde perceber.
— Nunca o vi por aqui.
— É que ele é de Pelotas. Veio passar as férias aqui.
— Tá explicado — Seguia notando os ficantes — C*r*lho, eles têm fôlego, né?
— Tão se beijando a mais de quinze minutos — Riu — Gostando da cena?
Virou sua atenção para o rosto do rapaz. Este o encarava com olhos de predador, como um caçador diante de sua presa. Ficou claro como o dia suas segundas intenções, e Alisson sabia disso. Apenas retribuiu com um sorriso malicioso.
— Depende. É bem sugestiva, mas não é tudo isso também.
— Qual é, Al! Vai dar uma de durão agora? Pode admitir que ficou com tesão.
— Não estou.
— Será? — Passou a mão pela própria calça — Tem certeza?
— Tenho — Riu da insinuação do amigo — Fica tranquilo.
— Vai ver é porque ninguém te fez aquilo ali, pelo menos não na mesma intensidade.
— Aí que tu se engana, meu guri. Muitas gurias já tiveram uma atitude até melhor que aquilo ali.
— E guris? — Sussurrou bem perto de seu ouvido — Será que o Daniel te fazer sentir aquilo?
De repente, Al sentiu um frio na espinha. Tinha esquecido completamente que havia confessado ao rapaz sobre seu deslize com o outro. Com as mãos um pouco trêmulas e sua aparência visível de constrangimento, simplesmente respondeu.
— Eu vou ali comer mais alguma coisa e já volto.
— Espera! — Pegou o braço do garoto, mudando completamente suas feições — Desculpa. Não devia ter falado nisso.
— Tudo bem. Já passou, só quero ir comer algo mesmo.
— Antes... Não quer dançar um pouco?
Encarou bem o rosto do mais velho. Seria uma boa dançar junto a ele? Acabou por dar de ombros e retomando sua dança. Gil se animou, seguindo os mesmo passos que o outro. A música continuava a todo vapor, abafada pela enorme quantidade de pessoas ali presentes.
“I could lift you up (Eu poderia te levantar)
I could show you what you wanna see (Eu poderia te mostrar o que você quer ver)
And take you where you wanna be (E te levar onde você quer estar)
You could be my luck (Você podeira ser meu amuleto)
Even if the sky is falling down (Mesmo que o céu esteja caindo)
I know that we'll be safe and sound (Sei que estaremos sãos e salvos)”
A dança fervorosa dos rapazes os fazia esquecer as diferenças que tiveram no passado. Estavam felizes a festejar a vida, tal como todo adolescente gostaria de fazer. Conforme a música foi passando, Gil não foi resistindo, começando então a diminuir a já curta distância entre eles. Al percebia, mas estava tão concentrado na diversão que o gesto insinuante do outro não era motivo de tamanha indignação.
Porém, o mais velho acabou por colar sua cintura com a dele, ambos de frente. O menor estranhou, deixando transparecer sua confusão, recebendo apenas uma encarada maliciosa como resposta. Sabia bem onde ele queria chegar, só não tinha certeza se iria até o fim. Surpreendeu-se ao ver as mãos delicadas do garoto agarrarem sua cintura, Sentiu que deveria agir.
— Acho melhor tu parar por aqui, Gil — Alertou.
— Por quê? Tá tão ruim assim? — Seguia com suas mil faces de insinuação.
— Depende. Pra mim não tá muito legal, já pra ti pode estar.
O outro encarou sua face com certo espanto. Parecia inacreditável estar ouvindo aquilo. Segundos depois, riu fraco da atitude.
— Quem diria que eu ia ouvir isso da tua boca algum dia? — Brincou.
— Ué, as pessoas mudam — Deu de ombros — Quem vê, pensa que eu sou um ogro.
— Tu é — Riu, já atrelando seus braços na nuca do menor — Tipo Shrek, sabe? Quando te conheci, tu era mais um heterozinho de ego frágil. Hoje tu tá mais...
— O quê? — Ficou curioso com a perspectiva.
— Mais homem, adulto... Não sei. Só sei que tô gostando.
— Tu tá bêbado. Não sabe o que tá falando.
— Sou dono dos meus atos até bebendo demais, sabia? — Aproximou-se a orelha direita de Alisson para sussurrar tal frase.
— Se sóbrio tu já é um perigo, bêbado tu devia tá até preso — Riu.
Foi então que, por alguns instantes, puderam se encarar, olho no olho. Não pôde deixar de notar que a última pessoa que havia feito aquilo fora com Dan, e sentia de longe a diferença: Os olhos de Gil eram bonitos, castanhos escuros, mas pareciam ser tão vazios, sem esperanças. Não compreendia o porquê daquilo, só sentia. Outro ponto que notou fora a sintonia entre o gesto, tão diferente; O garoto a sua frente parecia só querer usá-lo, já Daniel aparentava uma grande confusão, similar a sua própria.
Quando se deu conta das comparações que fazia, se afastou de vez. Não falou nada ao outro, apenas seguiu reto para a mesa de bebidas. Serviu um copo com uma bebida alcoólica qualquer e tomou de uma vez só, repetindo o gesto mais uma única vez. Seu coração batia forte, sua mente embaralhada, e queria muito poder dizer que a culpada era a quantidade de álcool que ingeriu: Sabia que a confusão estava muito mais além do que aquilo. Que diabo estava acontecendo com ele? Como podia querer ficar comparando coisas entre dois amigos? Como podia sua mente lhe querer tão mal?
Decidido a ir embora para casa, seguiu reto pelo corredor até a saída da casa. Por infortúnio, não conseguiu chegar antes que o anfitrião da festa pegasse seu braço. Lá estava ele, com seu olhar baixo, arrependido, cheio de lamúrias e coisas mais.
— Desculpa... — Foi a única coisa que conseguiu expressar no primeiro momento.
— Pelo quê? — Perguntou, sem muito interesse.
— Ter dado em cima de ti.
Riu debochado.
— Pra alguém que já me beijou, tu anda muito arrependido, sabia?
— É sério, Al! Foi mau! Juro que só queria me divertir um pouco contigo, só isso...
— Por que não vai curtir com alguém que queira estar contigo e me deixa quieto?
— Se for isso o que tu quer, eu faço. Sem problemas.
— Não é bem por isso que vou embora, mas diminui muito os problemas.
— Por isso dei uma festa — Sorriu — Para a gente esquecer deles. ‘Bora voltar a dançar?
Al retribuiu, não respondendo, apenas retornando a sala de estar onde a música era mais audível. Sentiu que não valia a pena criar um clima por causa de mais uma investida do colega de trabalho. De certa forma, não esperava menos dele. Queria curtição, e era isso que estava tendo. Começou novamente a entrar no espírito da festa, dessa vez ao som de “If You Seek Amy”, da norte americana Britney Spears. Não conseguiu entender a razão pela qual a maioria ficou eufórica com aquela musica (Já que ele próprio não a conhecia bem), acabando por simplesmente tentar dançar algo ao som da música chiclete da princesa do pop.
***
Estar em um local com pessoas dos mais variados tipos deixava a cabeça de Daniel à beira de um curto circuito. O garoto bem que tentou dançar alguma das músicas ali presentes, porém nenhuma delas era de seu gosto. Sua namorada é quem parecia estar envaidecida, dançando animada a cada ritmo que tocava. Sentira até um pouco de ciúmes quando um rapaz bonito, de olhos verdes esmeralda, aproximou-se puxando assunto com ela. Não tardou a se intrometer, ficando envergonhado assim que o tal sujeito chamou o namorado e lhes apresentou. Para não fazer desfeita, tratou de seguir o fluxo da conversa até que ambos fossem embora. A namorada achou aquela situação, no mínimo, hilária.
— Tu acha que eu não te conheço, né? — Van alfinetou — Sei bem o porquê de tu ter ido ali.
— Não queria que eu tivesse ido? Então avisasse — Retrucou, mal humorado.
— Não falei isso.
— Mas deu a entender.
A loira revirou seus olhos.
— Viemos aqui pra brigar? É isso mesmo?
— Briga? Onde? — Fingiu-se de desentendido.
— Para, Dan. Eu quero curtir a noite com o meu boy, numa boa, sem preocupações e neuras — Deu um beijo na bochecha do outro — Dá pra ser?
— Por mim, dá. É só esse bando de macho lembrar que tem mais umas mil loiras nessa p*rra, não precisa dar em cima da minha.
Novamente revirou os olhos, desta vez dando uma risada fraca no fim.
— Ciumento — Disse — Vou ali pegar algo pra eu comer. Tu te importa?
— Capaz. Pode ir.
E fora exatamente o que ela fez. O garoto ficou sentado, a observar a vista que lhe cercava. De alguma forma, sentia-se conectado e, ao mesmo tempo, tão afastado de todos eles. Aquela sensação indescritível que teve assim que passou em frente ao lugar não podia ser mera coincidência – Havia algo estranho ocorrendo. Não com o seu entorno, mas dentro de si. Via rapazes a trocarem beijos ardentes, moças também, ás vezes até ambos trocando de casais, tanto desejo reunido em um lugar só e ele sem a mínima vontade de fazer o mesmo com a própria garota com quem troca juras de amor. Considerou estar em um dia ruim, o problema é que estava simplesmente desanimado com tudo. Algo que antes parecia tão certo quanto o sol brilhar, se transformou em um grande castelo de areia, sem que ele tivesse a chance de entender com aquilo ocorria e, acima de tudo, por que ou por quem ocorria.
Voltou a órbita quando, minutos mais tarde, um rapaz aparentemente alto, magro, com um estilo punk, vestindo um casaco de brim azul claro desbotada e com capuz, camiseta preta escrita “No Rules” na frente, calça jeans escura com um tênis branco sentou ao seu lado, colocando seu braço direito atrás de sua cabeça. Dan encarou aquilo com uma mistura de incrédulo e medo, não acreditando que alguém tinha tamanha audácia.
— Fala aí — O sujeito puxou assunto.
— E aí — Retribuiu, encarando bem a face do desconhecido.
— Tudo certo?
— Comigo sim, mas tu parece tá precisando de alguma coisa — Tentou dar alguma indireta para ver se ele saía — Se tá procurando algum lugar, só me diz que descubro onde é.
— Tem razão. Tô procurando algo sim — Sorriu malicioso — Então, tu pode me ajudar, né?
— É... Sei lá — Deu de ombros. Não gostava do nível de intimidade que havia ali.
O menino se aproximou de seu rosto, que fervia internamente, deu-lhe um beijo na bochecha e sussurrou em seu ouvido:
— Pode me dizer o que eu faço pra ter a tua língua na minha boca?
Se existia alguma palavra no mundo que descrevesse Daniel tal como ele estava, certamente era apavorado. Não entrava em sua cabeça que iria passar por aquilo algum dia de sua vida. Recebia cantadas de garotos – de Ian, mais especificamente. Porém, sua relação com o primo já abrangia anos de convivência e maledicência por parte do mais velho. Conhecia-o suficiente para lidar com suas cantadas diretas e indiretas (Principalmente as mais recentes). Só que ouvir isso de um completo desconhecido era como ser assaltado em frente a uma delegacia de polícia. Sentia-se sem saber o que fazer, a quem recorrer, limitando-se apenas a se afastar um pouco mais para o lado.
— Ei, ei. Calma aí, cara — Falou, depois de algum tempo — Que história é essa?
— Ué, não conseguiu entender? Eu digo outra vez — Mostrou sua arcada dentária branca com um sorriso cheio de más intenções.
— NÃO! — Exclamou, acuado. Por sorte, a música estava alta, então não chamou a atenção — Quer dizer, eu... Entendi bem.
— Pois é. Pode me responder? — Diminuiu novamente à distância.
— Olha... E-eu — Engoliu seco — Desculpa, meu negócio são gurias. Sério mesmo, perdão.
— Eu sei. Vi a loira indo buscar sei lá o que, sei lá onde — Deu de ombros — F*da-se. Não tenho preconceito com hétero.
— Eu namoro com ela, sabia?!
— Jura? Achava que ela era tua irmã — Debochou — Uma irmã que pratica incesto.
— Escuta, não tô a fim, tá? Tem bastante guri pra te ajudar com isso por aqui, pelo que pude perceber — Decretou, querendo encerrar aquela conversa.
— Então olha nos meus olhos e diz isso — Chantageou.
— O quê?
— Isso mesmo que tu ouviu — Cruzou os braços — Gosto de ver que a pessoa não tá mentindo.
— Por que eu mentiria?
— Olha lá, hein? Tô começando a desconfiar que—
Nem deu tempo de terminar. Numa atitude imprevista, e querendo terminar o mais rápido possível com aquilo, Daniel aproximou seus rostos e roubou um beijo do rapaz. Nada muito longo, só o que julgou suficiente para ser deixado em paz.
— Pronto. Satisfeito? — Limpando a boca em seguida com a manga do casaco que vestia.
O outro ficou sem reação por alguns segundos, atônito com a reação dele. Dan seguiu o encarando, para ver se a ficha caía e ele se mandava o mais depressa possível.
— É — Riu fraco — Um pouco. Me deixou querendo mais.
— Cai fora — Ordenou — Deu sorte que eu tô de muito bom humor, senão tinha te socado pra tu aprender a não encher meu saco.
A fala pareceu aumenta ainda mais a graça que o outro sentia, fazendo-o rir mais um pouco.
— Marrentinho e hétero... Melhores tipos de se traçar — Mordeu o lábio inferior.
— Não escutou o que eu disse? Cai fora! — Ordenou pela segunda vez.
O menino nada mais declarou, apenas se levantou e foi embora. Dan passou a mão pelo próprio rosto para ver se esquecia o ato, porém, sua mente não estava disposta à isso. Notar ainda que, segundos depois, Vanessa observara tudo, só fez o remorso bater em sua consciência. Por que tinha feito aquilo?
***
Depois do acontecimento com Gil, Al teve um pouco de paz do garoto. Não o viu mais, achando até estranho. Conseguiu dançar as músicas com mais relaxado, tranquilo, achara a diversão que procurava. A noite, trocando por miúdos, terminaria agradável.
Alguns passos mais tarde, a sede bateu de novo. Por não querer ficar embriagado a ponto de esquecer o próprio nome, optou por tomar um refrigerante de guaraná. Foi na mesa de bebidas que se surpreendeu.
— Vanessa? — Questionou. Conhecia aquelas feições de longe.
A própria então virou, encarando-o.
— Alisson! — Exclamou, contente — Que bom te ver! Não esqueci que tu me salvou de ficar viúva.
Coçou a nuca, encabulado. Aquela noite representou mais do que ela sabia – fora a segunda vez que “beijou” o mesmo rapaz. Ao que tudo indicava, não parecia ter conhecimento de tal.
— Que isso. Não fiz nada demais — Retribuiu a gentileza — Não sabia que tava por aqui. Convidada?
— Imagina — Riu — Entramos de penetra.
— Bah! Que cara de pau, hein? — Zoou — Tu disse “entramos”. Pate... Digo, Daniel tá aí?
— Tá sim. Grosso como um tronco de árvore, só Deus na causa — Revirou os olhos — Mas, vamos levando, né? É a vida.
— No fundo, ele é um cara bacana. Deve tá de c* doce.
— Isso ele tá sempre, pode ter certeza. Ô criaturinha mais difícil e mimada! Não sei como a mãe dele aguenta.
— Nossa, isso que eu chamo de amor pelo namorado — Não pôde deixar de alfinetar, mesmo que fosse em tom de brincadeira.
— Ah... Eu aprendi a gostar dele. Dan sabe ser gentil e amoroso quando ele quer. Em geral, ele é isso aí que te falei.
— Imagino — Riu fraco — Bom, vou indo nessa. Só vim servir o refri. Feliz por ter ver e manda um chute no saco pro teu namorado.
— Pode deixar que eu sou capaz de demonstrar, pra ficar bem claro — Retribuiu o riso.
Fez um gesto de partida antes de seguir para a sala novamente. Procurou pelo rosto de Daniel, porém não conseguiu o encontrar. Também pudera, tinha tanta gente que mal se dava para andar.
Como não obteve sucesso na sua procura, resolveu que precisava ir ao banheiro. Fazia alguns minutos que estava apertado, com sua bexiga quase estourando. Sentiu que era hora de se aliviar. Procurou algum banheiro no andar inferior, encontrando apenas e que estava ocupado – Pelo barulho que emitia, não era pelo mesmo motivo seu. Não teve alternativa: Tinha de subir ao andar superior para ver se tinha sorte. De fato, teve.
Assim que terminou, foi tentar usar a pia do banheiro. Por uma razão que só o destino sabia qual a torneira estava com baixa pressão d’água, fazendo com que o rapaz girasse mais e mais na tentativa de aumentar. Porém, ao fazê-lo, acabou por abrir demais, escapando o encaixe da abertura e saltando água em cima de si. Xingou tantos santos de tantos nomes que ficou até com medo de ser castigado.
— Essa torneira é bem problemática — Al quase saltou de medo ao ouvir a voz de Gil risonha, enquanto o próprio estava escorado a porta.
— Vai assustar teu c*, velho! — Exclamou — Agora tô todo molhado por culpa dessa m*rda.
— Vou buscar uma roupa pra ti.
— Esquece. Já vou embora mesmo, troco em casa.
— Tá frio lá fora, é meio da madrugada. Vai acabar pegando uma pneumonia. Fica quieto aí que vou buscar.
— Mas—
— Quieto!
Al revirou os olhos. O maior só riu enquanto seguiu para o quarto, retornando minutos depois com algumas peças de roupa em mãos.
— São do Ian — Comentou — Ele esqueceu aí no dia em que o rico primo dele fez aquele fiasco de expulsá-lo só pra chamar ele de volta. Deve servir em ti.
— Ok. Valeu — Não queria muito assunto.
Começou a se despir, ali mesmo frente ao rapaz. Gil acabou por entrar e fechar a porta, para não expor o rapaz – mesmo que suas intenções fossem outras. Alisson deixou seu físico atlético a mostra, para a alegria do colega. Parecia não temer nenhum tipo de toque dele, o que o deixou surpreendido.
— Tu é gostoso, hein Al — Não podia deixar de notar — O sonho de muito gay que eu conheço é ser comido por alguém como tu.
— Pena só existir um de mim, que é hétero ainda por cima. Lamento por vocês — Entrou na brincadeira, arrancando risadas do mais velho.
— Ser hétero não é desculpa pra não experimentar de vez em quando — Insinuou.
— Gil...
— Só comentei — Defendeu-se — Não te ataquei.
— Ainda, né?
Mais risadas.
— É... Ainda — Respondeu, tirando o casaco. O outro revirou os olhos.
— Tu não toma jeito mesmo — Alfinetou.
— Deixa eu pelo menos tentar te seduzir — Sorriu, malicioso — Eu sei, eu sei. “Eu sou hétero, blá, blá, blá”. Al, esquece isso. Esquece que eu sou um guri e pensa no teu prazer.
— O que tu quer exatamente de mim? Já me deu um beijo, quer transar também? — Ficou espantado quando veio a confirmação — Sério?!
— Por que eu mentiria?
— Gil, pelo amor de—
— Podemos começar — Interrompeu — Se tu ver que eu não consigo te despertar nada, paramos. Pode ser?
Passou as mãos por seu rosto, encarando as feições pedintes que o maior tinha. Sabia que era por sua conta em risco.
— Se tu contar pra alguém, eu te mato — Avisou — Mesmo que não role nada. Não quero nenhuma menção a isso aqui. Fui claro?
— Como a nascente do Rio Tietê — Sorriu.
Gil foi tirando peça por peça de suas vestimentas. Al, que também estava vestindo as emprestadas, parou no meio do caminho para observar o “show privado” do amigo. O corpo do primeiro era magro, não muito esguio, mas definido. Possuía algumas pequenas pintas espalhadas, nada muito agravante, só um detalhe a mais para seu belo charme. Suas mãos, tão delicadas, de dedos longos e finos, acariciavam o rosto do segundo, a fim de lhe trazer uma sensação nova, despertar algum interesse. Não pararam nisso – qualquer parte onde o tato era possível, elas exploravam.
Encarou fundo nos olhos dele assim que o fez sentar em cima da tampa da privada e, em seguida, fez o mesmo em cima do próprio. Procurava entrar dentro dos segredos por trás do olhar perdido e caótico do rapaz, e ainda sim buscar satisfazê-lo com seus dotes. Puxou-o lentamente para arrancar um beijo, suave e terno, como se quisesse suavizar aquele misto de sentimentos tão complexos que ecoavam dentro de seu peito e transformá-los em desejo.
De início, Alisson foi-se deixando guiar por ele, só depois quando ganhou confiança é que se permitiu entrar de cabeça na experiência. Culpa, remorso... decidiu deixar esses sentimentos guardados em algum lugar bem longe dali. Há muito tempo que Gil procurava uma chance de arrancar uma lasquinha que fosse sua, mesmo quando sóbrio. Encararia aquilo dessa forma: Uma recompensa. Avaliava seu corpo com olhares de cobiça, curiosidade, como em raras ocasiões teve. Se ia fazer, que fizesse conhecendo cada célula que formava o parceiro.
Buscava em seu beijo a mesma sensação de antes, porém, agora tinha curiosidade em saber tudo. Esqueceu-se até do beijo com Daniel, focando apenas no seu bel prazer. O ato com Gil tinha atitude, vontade, uma imensa onda de calor que caía sobre si, e que poderia usufruir da maneira como queria. Deixou suas mãos, antes rígidas e temerosas, procurar o corpo do outro, explorando, desejando, acariciando qualquer coisa que passasse por elas. Parou o beijo, indo em direção ao pescoço do garoto, que arfava de prazer. Tinha certeza que seu instinto selvagem de ter uma presa a sua disposição estava bem explícito, e iria até o fim.
Fez menção para Gil levantar, seguindo trocando beijos e carícias fortes, prensando-o contra a parede do local. O contraste do frio desta com a pele quente e o ardor incansável que queimavam dentro do mais velho, fez com que sua pele se arrepiasse toda.
— Quer mesmo transar comigo? — Tinha de perguntar, respirando ofegante enquanto Al seguia com beijos, agora por seu peito.
O mesmo nada respondeu. Seguiu com seus toques e amassos. Queria fazer tudo que tinha direto, com certeza de uma única coisa: Aquela noite lhe mudaria para sempre. Jamais seria o mesmo Alisson, e precisava admitir isso para si mesmo. Julgou ter tempo para tal, afinal, o tempo passa devagar para aqueles que esperam – Era tempo de ousar.
CONTINUA
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