A Teoria das Cores
36 Roxo IV
VIOLÊNCIA
É tão estranha a maneira como as coisas se dão em nossas vidas: Você pode estar indo para o trabalho e culminar em um terrível acidente, assim como você pode também ir ao cabeleireiro pensando em um determinado corte e chegar lá e resolver escolher outro. As coisas mudam e as opiniões mudam, sem que necessite de meses ou anos para que tomemos a decisão final.
Amanda nunca iria imaginar que sua vida teria um reboliço tão grande naquela manhã. Quer dizer, até imaginava as intenções do namorado ao levá-la para o treino. Mas por que recuara? Essa dúvida pairava sob sua mente sem que conseguisse formular algo plausível.
— Hey Mandy – A voz calma de Jeff tirou a garota de seus devaneios.
— Oi Jeff – Respondeu com um sorriso fraco nos lábios.
— O que rolou pra tu vir pra cá? Brigou com o Adrian?
— Quem dera – Ela explicava – Quer dizer, não foi nada grave sabe? É só que isso me deixou mal e com vergonha.
— Ele te faltou com respeito é isso? – O outro perguntou sério – Porque se for isso-
— NÃO Jeff! Que isso! Claro que não. Tipo... Tá pode parecer que sim mas não.
— Eu não to entendendo nada. Explica direito isso.
A garota suspirou.
— O Dri me convidou pra matar esse primeiro período pra ver o treino dele. Eu concordei, assisti o treino que aliás terminou antes do previsto, e ele me chamou pro vestiário. Como todo mundo tinha que ir pra suas salas e ele me garantiu que só tinha a gente lá eu fui. Tava um clima legal até que...
— Até que?
Outro suspiro.
— Ele quis que a gente transasse e eu sai correndo.
— AH AQUELE FILHO DA-
— Calma ai Jeff! Já te disse que não foi abuso! Eu queria sim, só... Fiquei com medo.
— Tu tem certeza disso? Sabe que se o Adrian te forçou isso é crime né?
— Ai Jeferson! Cala boca e me ouve – A menor tentava explicar – Eu não fui abusada. Eu tava agarrando ele também, o que me impediu e continuar foi que...
— Que o quê mulher? Fala!
— Eu... Nunca tive... Sabe...
Jeff a encarou surpreso.
— Tu nunca transou é isso?
— Ai não usa essas palavras que eu fico com vergonha! – Mandy afundou o rosto vermelho em sua mochila.
O rapaz riu.
— Tá. Tu nunca teve... Uma relação íntima com alguém?
— É.
— E qual o problema nisso Mandy?
— O problema que eu to há dias querendo que o Adrian me-
— EI! Devagar ai! – Jeff advertiu rindo – Se é pra ter cuidado com as palavras...
— Ai tá! – Bufou a garota – Eu to há dias querendo ter o coito com o Adrian só que não consigo chegar pra ele e explicar a situação.
— Tá com medo do quê afinal?
— Não to com medo de nada Jeff, só quero que ele entenda que a primeira vez não pode ser num vestiário.
— Ah, então quer dizer que se tu não fosse mais virgem tu tinha ido né? Safada.
— Vai me ajudar a contar pra ele ou não? – A outra seguia vermelha.
— Mandy. Seguinte: Eu não vejo porque tu não possa falar com ele de boa sobre isso. Ele, assim como todo mundo, não nasceu sabendo transar. Isso a gente adquire com a experiência mesmo. Ele vai entender, tenho certeza.
— Eu sei que sim, mas é que... Ai, na hora me deu um nervoso. O que será que ele não deve tá pensando de mim.
— Que tu é bipolar.
A garota riu.
— Ai Jeff, mal ai ter te feito perder a aula por causa de chilique meu.
— Tenho até que te agradecer. Primeiro período é de Matemática.
— Baaah, então não te devo nada mesmo.
Ambos riram.
— ‘Bora lá pegar o bilhete pra entrar?
— ‘Bora.
Os dois saíram da sala abandonada e seguiram até a diretoria. O que não contava era encontrar uma figura peculiar ali.
— Olha só quem vemos aqui – Amora estava esperando para pegar a permissão também quando ambos chegaram – O metido a galã de HQ e a nerd assumida.
— Ah! Fala sério! – Exclamou Mandy – Sério isso? Vou ter que te aturar por 45 minutos?
— Quem mandou chegar atrasada, não é queridinha?
— Achava que depois do que aconteceu no “Wunder Bar” tu ia sumir da face da Terra.
— Não pensa que eu me esqueci daquilo viu? O que é teu tá guardado.
— Sabe o que tu parece Amora? Aquelas vilãs patéticas que só vivem em função da vida alheia.
— Que mané vilã? Tá maluca?! A única coisa que eu quero é por os pingos nos “is” contigo. Nossa história é bem antiga esqueceu?
— Não, não esqueci. Por quê? Tá pretendendo o quê posso saber?
— Seu namorado não vai gostar nada de saber que tu tá andando com o Jeff, não acha?
Amanda a encarou perplexa.
— Tu tem demência nesse teu cérebro de ratazana é? – Encarou ela – De onde tu tirou isso?
— Ai não Amanda, não faz esse teatrinho patético de boa moça. Nós duas sabemos que tu tem capacidade o suficiente pra-
A garota nem chegou a terminar a frase quando Mandy fechou a mão em seu rosto.
— Escuta aqui. Ouve bem o que eu vou te falar – Alertava a garota – Tu nunca mais OUSE fazer uma insinuação dessas entendeu? Eu AMO o Adrian, e se tu não é capaz de amar e ser amada problema é teu.
Alguns alunos que aguardavam para entrar encaravam a cena perplexos com a atitude da menor, que teria sentido o tapa de Amora se a supervisora não tivesse a impedido.
— As duas na minha sala AGORA – Disse imperativa.
Amora seguiu a mulher enquanto Amanda virou-se para Jeff com sua mochila na mão. Ele a encarou com o rosto perplexo.
— Segura minha mochila pra mim por favor? – Perguntou desconfiada – Que foi?
— C*R*LHO P*TA QUE P*RIU QUE TRETA FOI ESSA MANO?!
Amanda riu da atitude do rapaz.
— Outra hora eu te explico. Dá licença que tenho que ir ali tomar um xingão.
Jeff ficou observando a garota ir até a sala da supervisora abismado. Nunca imaginara que Mandy era tão valente na defesa de seus ideais. Estava enganado.
***
Dizem que quando trabalhamos em algo que gostamos muito de fazer não chega nem a ser sacrifício. Ian, depois que começou a trabalhar na escola de música, confirmava esse ditado popular sem sombra de dúvida. Depois de muitas orientações e conselhos, ele fora designado para cuidar da turma infantil do turno da tarde. A primeira aula fora a mais complicada – Como os alunos estavam “orfãos” do professor anterior, foi difícil assimilar a nova figura. Ian foi-lhes conquistando com seu jeito simpático e espontâneo, e ao final da segunda aula até cartinhas o garoto de olhos azuis recebeu.
Na quarta feira, o garoto acordara animado a praticar com sua guitarra. Praticava notas simples, pois tinha conhecimento de que uma criança não assimilaria notas mais complicadas e em ritmos mais avançados como os dele. Acordara antes de Dan sair, aguçando a curiosidade do mais novo.
— Bom dia – Dan cumprimentou – Posso entrar?
— Tu ainda pergunta? Claro que pode Dan.
O mais novo sorriu e adentrou o local.
— Acordou há essa hora pra isso?
— Agora que to trabalhando, preciso praticar. Deus me livre ensinar alguma nota errada pra gurizada. Eles tão tri ansiosos e felizes sabe? Acho que o outro professor conseguiu cativar eles pela música.
— Quando tu aprendeu foi assim também?
— Olha cara, eu aprendi com um livrinho que ganhei do vô quando tinha uns cinco anos. Errei pra c*r*lho no primeiro ano treinando só de brincadeira, mas quando eu peguei sério eu aprendi super rápido.
— E agora tá ai: Ensinando essa gurizada medonha – O outro dizia feliz.
— Tá orgulhoso é?
— Não é minha praia, mas admiro quem tem coragem de dar aulas.
O mais velho sorriu e puxou Dan para um abraço.
— Valeu primo. Significa muito.
— Eu sei que sim. Também fico feliz por ti.
Ian encarou os olhos castanhos de Dan bem fundo, deixando o outro quase que hipnotizado com seu olhar azul que fazia qualquer um sair da órbita.
— Estamos nós de novo nessa situação né? – Disse ele com a voz rouca.
Aquele nervoso e a sensação gélida começou a surgir novamente, ao contrário das demais vezes onde literalmente surtara, Dan simplesmente livrou-se do abraço e tratou de mudar o assunto.
— J-já resolveu o que vai fazer com a Ágata no fim de semana? Aniver do Micael tá aí né.
O mais velho sentiu-se frustrado, contudo respeitou a ação do primo e sentou-se de novo em sua cama.
— Vou convidar ela pra ir junto. Perguntei pro tio Bruno e ele disse que eu podia levar.
— Eu e a Van vamos com a tia Marcella então.
— Beleza – Concordou – Fico feliz que tu tenha superado teus anseios com a tua mina.
— Anseios?
— Medos.
— Ah tá. Desculpa, não sabia o significado – Dan coçou a nuca envergonhado – Não é que eu tenha superado, é só que eu curto ela demais e... Não me vejo sem ela.
— Eu te disse que era idiotice tu ficar de c* doce só por que a guria é trans. Ela é ‘mó gata velho!
— Nem me lembra disso – O outro passou as mãos pelo seu rosto – Sabe, eu sei que ela já foi homem e tal, mas no sábado cara, no sábado era uma guria linda que tava ali na minha frente e isso me confunde muito.
— Dan, não complica velho. A Vanessa sempre foi uma guria, só que o corpo dela nasceu diferente do que ela se identificava entende?
— Eu to tentando. É que é estranho pra mim porque eu sempre conheci homem e mulher. Pronto.
— Bah Dan, se eu for te dar uma aula sobre sexualidade e identidade de gênero fico aqui o resto da vida – Ian disse rindo – Se tu pesquisar a fundo, vai ver que não só de homens e mulheres que o mundo vive.
— Se eu não tivesse aula da escola talvez fosse bom mesmo, porque ô modernidade complicada!
— Faz o seguinte – Ian comentou – Experimenta não rotular.
— Como assim?
— Não ficar ressaltando que é homem, hétero e blá blá blá. Não só contigo, mas com os outros também.
— Mas tu mesmo é rotulado esqueceu?
O outro sorriu e botou a mão no ombro do primo.
— Ô mano véio, a única coisa que precisa de rótulos são supermercados. Nós não precisamos de nada disso.
— E como a gente vai viver sem saber o que é? Daqui um pouco ia ter gente dizendo que é uma ameba.
— Se a pessoa se sentir bem assim.
Dan riu.
— Palhaço.
— Trouxão. Vai se atrasar pra escola viu?
— P*TA M*RDA JÁ TINHA ATÉ ME ESQUECIDO!
O mais novo saiu correndo em direção ao seu quarto pegar sua mochila e sair em disparada para a escola. Como já tinha feito sua higiene matinal, só não pôde tomar café. Ian por sua vez continuara ali por mais meia hora, quando decidiu que iria ligar para Ágata e resolver se ela iria consigo ao aniversário do primo. Tentou duas e falhou. Persistente, resolveu tentar mais uma vez e obteve sucesso.
— Alô?
— Fala gata – O rapaz disse animado – Te acordei é?
— Ian? É tu?
— Sim né.
— Desculpa, é que tô meio desligada. Sim tu me acordou a propósito.
— Mal ae. É que precisava ver um esquema contigo antes que eu me esqueça entende?
— E não podia mandar mensagem como todo mundo faz?
— É que minha mãe diz que não sou todo mundo – Brincou o rapaz – E também, gosto de ouvir a voz das pessoas que eu amo logo cedo.
Ágata riu fraco.
— Como é bobinho esse guri. Senhor – Disse ela sorrindo – Tudo bem tigrão. Estou te ouvindo.
— Topa ir comigo no aniversário de um primo meu?
— Depende. Quando é?
— Sábado agora.
— Peraí. Deixa eu ver aqui.
A garota ficou alguns segundos fora.
— Posso ir sim. Tinha uma festa que eu ia ir com uma amiga, mas ela pegou conjuntivite.
— Beleza! – Respondeu o garoto animado – Não quer vir aqui em casa sexta? Aí tu dorme aqui e de tarde a gente já vai pra lá.
— Ok então. Eu durmo ai.
— Gata.
— Fala.
— Eu tô excitado.
A garota não pôde deixar de rir.
— A gente falando do aniver do teu primo e tu me sai com essa – Disse ela se acalmando.
— Mas é sério – O rapaz sorria – Quer que eu mande uma foto?
— Não precisa. Já vi pessoalmente – Respondeu maliciosa.
— Que tal vir aqui e a gente resolver isso hein?
— Desculpa tigrão, mas quero ficar em casa hoje pra estudar um pouco.
— Então... Que tal uma brincadeirinha por telefone hein?
— Os teus créditos são infinitos ao que parece né?- Debochou ela.
— Eu tenho plano. Vaai, vamos brincar!
A garota pensou um pouco.
— Certeza absoluta?
— Eu to só com meu short de dormir – Respondeu ele malicioso.
— Muito bem, seu Ian – Disse ela – Vamos brincar então.
***
— É incrível como nos últimos do primeiro tempo vocês resolveram ser marginais! – Rebeca exclamava – Primeiro dois alunos brigam por causa de uma foto, ai agora chego na escola e pego duas alunas no tapa.
— Que fique claro que foi essa selvagem que me bateu – Amora se defendeu.
— É verdade supervisora, fui eu quem bati nela num ato impensado – Amanda confirmou.
— Eu espero que vocês duas tenham consciência da gravidade dessa atitude. Se todos nós resolvêssemos partir pra briga ainda estaríamos no estágio mais primitivo da humanidade.
— Ela que não aguenta ouvir uma ou duas verdades que já se ofende – Amora provocou.
— Tu teve a cara de pau de dizer que eu tava TRAINDO o meu namorado! Esqueceu?! – Mandy rebateu.
— Tava fazendo o quê com o Jeferson então, posso saber?
— Não conhece amizade entre homem e mulher não palhaça?
— Chega! As duas! – Ordenou Rebeca – Que isso não se repita. Do contrário vão ser suspensas na mesma hora. Estamos entendidas?
Ambas suspiraram e responderam juntas.
— Sim.
— Vão ficar aqui comigo até a hora do sino bater pra refletirem bem sobre o que fizeram.
— Como é?! – Amora questionou indignada.
— Algum problema Amora?
— Todos né supervisora! Eu que não vou ficar do lado dessa asquerosa até bater!
— Se não quiser ficar, tudo bem. Pode esperar lá fora e retornar pra ficar mais um período aqui sentada e sozinha. O que acha?
A garota suspirou.
— Tá. Eu fico quieta.
— Ótimo.
— Rebeca – Amanda chamou.
— Fale querida.
— Eu posso ir buscar minha mochila com meu colega?
— Pode sim. Mas sem enrolações hein?
— Ok.
— Eu também deixei minha mochila com um colega. Posso buscar também? – Amora mentiu. Em vão.
— Tua mochila está no teu colo. Não será necessário – Rebeca respondeu.
Mandy riu fraco antes de sair da sala. Em passos rápidos foi até Jeff, que aguardava ansioso num banquinho azul que havia em frente à sala da direção.
— E ai? Quanto tempo vai ficar de molho? – Perguntou o rapaz.
— Não levei suspensão – A garota respondia – O que foi pura sorte.
— Cara, até agora eu não assimilei que tu fez aquilo.
A morena riu.
— Sendo bem sincera, nem eu sabia que era capaz disso. Mas aquela guria me tira do sério, tá louco.
— Percebi – Jeff riu fraco – Quero ver o que o Al vai dizer de tu ter metido a mão na ficante dele.
— Se ele ficar do lado dela é o próximo a levar um – Brincou.
— Bah! Ela tá poderosa hein?
— Tá. Me dá minha mochila que tenho que ir lá pra sala da Rebeca até o sino bater.
O garoto então entregou a mochila a menor.
— Até depois então – Despediu-se ela.
— Até.
Mal a garota deu às costas para Jeff mandar mensagem para o grupo de amigos.
“Gurizada, bomba do dia: Mandy deu um tapão na cara da Amora. Velho, pensa num tapão! Foi épico d+! Queria muito ter gravado” – Enviado para grupo “Os penetras”
***
Aturar Elis numa quarta feira de manhã era um ato de bravura. A megera, como boa parte dos alunos a chamava, vivia a tagarelar sobre conteúdos matemáticos que via de regra ninguém queria saber. Nem Adrian, que em geral procurava ouvir a explicação da mulher, estava conseguindo fazê-lo. Estava chateado consigo mesmo. Talvez tivesse sido um erro levar Mandy até o vestiário? Queria tanto possuir a garota em seus braços e fazê-la vibrar de amor, de tesão e qualquer sentimento de prazer que ele fosse capaz de lhe proporcionar.
— Adrian, tu sabe a resposta da questão quatro? Estamos há meia vida tentando fazer e nada – Perguntou Sabine. Em vão – ADRIAN!
— Isso, grita igual uma maluca pra uva passa vir aqui e encher nosso saco – Advertiu Dan.
— Ué, mas ele não me escuta!
— Que foi? – O garoto respondeu sem ânimo.
— Nossa Adrian aconteceu algo? Desde que tu entrou que tá com essa cara.
— Aconteceu sim – O garoto explicava – Eu levei a Mandy lá pro vestiário pra gente se divertir e... Não rolou.
A loira fechou a cara.
— A gente aqui se matando pra aprender logaritmos e tu preocupado em uma f*da a menos. Por favor né?
— Depois eu é que sou bruto é? – Dan questionou sarcástico.
— Fica quieto Daniel. Não vai ajudar, não atrapalha!
— É que não foi isso – O jogador se justificava – Tipo, ela literalmente saiu correndo quando tava indo tudo na boa.
— Vai ver ela foi estudar, que é o que devíamos estar fazendo.
— Bine, na boa, vai lá tomar água e deixa que eu me entendo com meu parça vai.
Sabine encarou o rapaz incrédula.
— Tu tá me expulsando daqui Adrian?
— Não. Tô só pedindo pra tu me dar licença que eu me entendo com o Dan. Só isso.
A loira bufou.
— Professora, eu posso ir tomar água?
— Vai. Pode ir – Respondeu Elis enquanto orientava um grupo de alunos.
A garota então foi até a saída indignada deixando os rapazes conversando.
— Velho, melhor coisa que tu fez na tua vida foi isso – Dan ria – A Bine é legal, mas quando tá na TPM ela vira o diabo.
— Um verdadeiro Diabo Loiro – Dri brincou – Sério cara, não entendi o que rolou. A Mandy tava entrando no clima e aí do nada fez aquilo.
— O que pode ter ocorrido é que ela ficou com medo de alguém flagrar vocês e pá.
— Mas ninguém vai lá aquele horário. Disso tenho certeza.
— Ela sabia disso?
— Não.
— Então – Ponto pra Dan – Procura conversar com ela cara. É certo que vai ter uma explicação pra isso.
— É, tu tem-
Adrian nem concluiu a frase quando seu celular e o de Dan vibraram. O jogador então desbloqueou a tela e notou que era uma notificação do grupo num app de mensagens famoso.
“Gurizada, bomba do dia: Mandy deu um tapão na cara da Amora. Velho, pensa num tapão! Foi épico d+! Queria muito ter gravado” – Enviado por Jeff para grupo “Os penetras”
— O QUÊ?! – Exclamou.
— Senhor Adrian! Por favor! – Advertiu Elis.
— Cara, como assim?! – O garoto se perguntou.
— Tua mina é valente hein? Dar um tapa na cara daquela guria toda metida.
— Pra Mandy partir pra ignorância ela deve ter pedido muito.
— Amora é provocativa por natureza. Nem precisa tanto pra ela irritar alguém – Dan riu.
— Gente, receberam a mensagem do grupo? – Bine retornara.
— Sim. Estávamos falando disso.
— Caramba. Ô, queria muito ver isso. Faz tempo que aquela nojentinha merecia um bofetão.
A dúvida entre os três era a mesma: O que Amora teria feito para merecer esse tapa?
CONTINUA
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