VIOLÊNCIA

É tão estranha a maneira como as coisas se dão em nossas vidas: Você pode estar indo para o trabalho e culminar em um terrível acidente, assim como você pode também ir ao cabeleireiro pensando em um determinado corte e chegar lá e resolver escolher outro. As coisas mudam e as opiniões mudam, sem que necessite de meses ou anos para que tomemos a decisão final.

Amanda nunca iria imaginar que sua vida teria um reboliço tão grande naquela manhã. Quer dizer, até imaginava as intenções do namorado ao levá-la para o treino. Mas por que recuara? Essa dúvida pairava sob sua mente sem que conseguisse formular algo plausível.

— Hey Mandy – A voz calma de Jeff tirou a garota de seus devaneios.

— Oi Jeff – Respondeu com um sorriso fraco nos lábios.

— O que rolou pra tu vir pra cá? Brigou com o Adrian?

— Quem dera – Ela explicava – Quer dizer, não foi nada grave sabe? É só que isso me deixou mal e com vergonha.

— Ele te faltou com respeito é isso? – O outro perguntou sério – Porque se for isso-

— NÃO Jeff! Que isso! Claro que não. Tipo... Tá pode parecer que sim mas não.

— Eu não to entendendo nada. Explica direito isso.

A garota suspirou.

— O Dri me convidou pra matar esse primeiro período pra ver o treino dele. Eu concordei, assisti o treino que aliás terminou antes do previsto, e ele me chamou pro vestiário. Como todo mundo tinha que ir pra suas salas e ele me garantiu que só tinha a gente lá eu fui. Tava um clima legal até que...

— Até que?

Outro suspiro.

— Ele quis que a gente transasse e eu sai correndo.

— AH AQUELE FILHO DA-

— Calma ai Jeff! Já te disse que não foi abuso! Eu queria sim, só... Fiquei com medo.

— Tu tem certeza disso? Sabe que se o Adrian te forçou isso é crime né?

— Ai Jeferson! Cala boca e me ouve – A menor tentava explicar – Eu não fui abusada. Eu tava agarrando ele também, o que me impediu e continuar foi que...

— Que o quê mulher? Fala!

— Eu... Nunca tive... Sabe...

Jeff a encarou surpreso.

— Tu nunca transou é isso?

— Ai não usa essas palavras que eu fico com vergonha! – Mandy afundou o rosto vermelho em sua mochila.

O rapaz riu.

— Tá. Tu nunca teve... Uma relação íntima com alguém?

— É.

— E qual o problema nisso Mandy?

— O problema que eu to há dias querendo que o Adrian me-

— EI! Devagar ai! – Jeff advertiu rindo – Se é pra ter cuidado com as palavras...

— Ai tá! – Bufou a garota – Eu to há dias querendo ter o coito com o Adrian só que não consigo chegar pra ele e explicar a situação.

— Tá com medo do quê afinal?

— Não to com medo de nada Jeff, só quero que ele entenda que a primeira vez não pode ser num vestiário.

— Ah, então quer dizer que se tu não fosse mais virgem tu tinha ido né? Safada.

— Vai me ajudar a contar pra ele ou não? – A outra seguia vermelha.

— Mandy. Seguinte: Eu não vejo porque tu não possa falar com ele de boa sobre isso. Ele, assim como todo mundo, não nasceu sabendo transar. Isso a gente adquire com a experiência mesmo. Ele vai entender, tenho certeza.

— Eu sei que sim, mas é que... Ai, na hora me deu um nervoso. O que será que ele não deve tá pensando de mim.

— Que tu é bipolar.

A garota riu.

— Ai Jeff, mal ai ter te feito perder a aula por causa de chilique meu.

— Tenho até que te agradecer. Primeiro período é de Matemática.

— Baaah, então não te devo nada mesmo.

Ambos riram.

— ‘Bora lá pegar o bilhete pra entrar?

— ‘Bora.

Os dois saíram da sala abandonada e seguiram até a diretoria. O que não contava era encontrar uma figura peculiar ali.

— Olha só quem vemos aqui – Amora estava esperando para pegar a permissão também quando ambos chegaram – O metido a galã de HQ e a nerd assumida.

— Ah! Fala sério! – Exclamou Mandy – Sério isso? Vou ter que te aturar por 45 minutos?

— Quem mandou chegar atrasada, não é queridinha?

— Achava que depois do que aconteceu no “Wunder Bar” tu ia sumir da face da Terra.

— Não pensa que eu me esqueci daquilo viu? O que é teu tá guardado.

— Sabe o que tu parece Amora? Aquelas vilãs patéticas que só vivem em função da vida alheia.

— Que mané vilã? Tá maluca?! A única coisa que eu quero é por os pingos nos “is” contigo. Nossa história é bem antiga esqueceu?

— Não, não esqueci. Por quê? Tá pretendendo o quê posso saber?

— Seu namorado não vai gostar nada de saber que tu tá andando com o Jeff, não acha?

Amanda a encarou perplexa.

— Tu tem demência nesse teu cérebro de ratazana é? – Encarou ela – De onde tu tirou isso?

— Ai não Amanda, não faz esse teatrinho patético de boa moça. Nós duas sabemos que tu tem capacidade o suficiente pra-

A garota nem chegou a terminar a frase quando Mandy fechou a mão em seu rosto.

— Escuta aqui. Ouve bem o que eu vou te falar – Alertava a garota – Tu nunca mais OUSE fazer uma insinuação dessas entendeu? Eu AMO o Adrian, e se tu não é capaz de amar e ser amada problema é teu.

Alguns alunos que aguardavam para entrar encaravam a cena perplexos com a atitude da menor, que teria sentido o tapa de Amora se a supervisora não tivesse a impedido.

— As duas na minha sala AGORA – Disse imperativa.

Amora seguiu a mulher enquanto Amanda virou-se para Jeff com sua mochila na mão. Ele a encarou com o rosto perplexo.

— Segura minha mochila pra mim por favor? – Perguntou desconfiada – Que foi?

— C*R*LHO P*TA QUE P*RIU QUE TRETA FOI ESSA MANO?!

Amanda riu da atitude do rapaz.

— Outra hora eu te explico. Dá licença que tenho que ir ali tomar um xingão.

Jeff ficou observando a garota ir até a sala da supervisora abismado. Nunca imaginara que Mandy era tão valente na defesa de seus ideais. Estava enganado.

***

Dizem que quando trabalhamos em algo que gostamos muito de fazer não chega nem a ser sacrifício. Ian, depois que começou a trabalhar na escola de música, confirmava esse ditado popular sem sombra de dúvida. Depois de muitas orientações e conselhos, ele fora designado para cuidar da turma infantil do turno da tarde. A primeira aula fora a mais complicada – Como os alunos estavam “orfãos” do professor anterior, foi difícil assimilar a nova figura. Ian foi-lhes conquistando com seu jeito simpático e espontâneo, e ao final da segunda aula até cartinhas o garoto de olhos azuis recebeu.

Na quarta feira, o garoto acordara animado a praticar com sua guitarra. Praticava notas simples, pois tinha conhecimento de que uma criança não assimilaria notas mais complicadas e em ritmos mais avançados como os dele. Acordara antes de Dan sair, aguçando a curiosidade do mais novo.

— Bom dia – Dan cumprimentou – Posso entrar?

— Tu ainda pergunta? Claro que pode Dan.

O mais novo sorriu e adentrou o local.

— Acordou há essa hora pra isso?

— Agora que to trabalhando, preciso praticar. Deus me livre ensinar alguma nota errada pra gurizada. Eles tão tri ansiosos e felizes sabe? Acho que o outro professor conseguiu cativar eles pela música.

— Quando tu aprendeu foi assim também?

— Olha cara, eu aprendi com um livrinho que ganhei do vô quando tinha uns cinco anos. Errei pra c*r*lho no primeiro ano treinando só de brincadeira, mas quando eu peguei sério eu aprendi super rápido.

— E agora tá ai: Ensinando essa gurizada medonha – O outro dizia feliz.

— Tá orgulhoso é?

— Não é minha praia, mas admiro quem tem coragem de dar aulas.

O mais velho sorriu e puxou Dan para um abraço.

— Valeu primo. Significa muito.

— Eu sei que sim. Também fico feliz por ti.

Ian encarou os olhos castanhos de Dan bem fundo, deixando o outro quase que hipnotizado com seu olhar azul que fazia qualquer um sair da órbita.

— Estamos nós de novo nessa situação né? – Disse ele com a voz rouca.

Aquele nervoso e a sensação gélida começou a surgir novamente, ao contrário das demais vezes onde literalmente surtara, Dan simplesmente livrou-se do abraço e tratou de mudar o assunto.

— J-já resolveu o que vai fazer com a Ágata no fim de semana? Aniver do Micael tá aí né.

O mais velho sentiu-se frustrado, contudo respeitou a ação do primo e sentou-se de novo em sua cama.

— Vou convidar ela pra ir junto. Perguntei pro tio Bruno e ele disse que eu podia levar.

— Eu e a Van vamos com a tia Marcella então.

— Beleza – Concordou – Fico feliz que tu tenha superado teus anseios com a tua mina.

— Anseios?

— Medos.

— Ah tá. Desculpa, não sabia o significado – Dan coçou a nuca envergonhado – Não é que eu tenha superado, é só que eu curto ela demais e... Não me vejo sem ela.

— Eu te disse que era idiotice tu ficar de c* doce só por que a guria é trans. Ela é ‘mó gata velho!

— Nem me lembra disso – O outro passou as mãos pelo seu rosto – Sabe, eu sei que ela já foi homem e tal, mas no sábado cara, no sábado era uma guria linda que tava ali na minha frente e isso me confunde muito.

— Dan, não complica velho. A Vanessa sempre foi uma guria, só que o corpo dela nasceu diferente do que ela se identificava entende?

— Eu to tentando. É que é estranho pra mim porque eu sempre conheci homem e mulher. Pronto.

— Bah Dan, se eu for te dar uma aula sobre sexualidade e identidade de gênero fico aqui o resto da vida – Ian disse rindo – Se tu pesquisar a fundo, vai ver que não só de homens e mulheres que o mundo vive.

— Se eu não tivesse aula da escola talvez fosse bom mesmo, porque ô modernidade complicada!

— Faz o seguinte – Ian comentou – Experimenta não rotular.

— Como assim?

— Não ficar ressaltando que é homem, hétero e blá blá blá. Não só contigo, mas com os outros também.

— Mas tu mesmo é rotulado esqueceu?

O outro sorriu e botou a mão no ombro do primo.

— Ô mano véio, a única coisa que precisa de rótulos são supermercados. Nós não precisamos de nada disso.

— E como a gente vai viver sem saber o que é? Daqui um pouco ia ter gente dizendo que é uma ameba.

— Se a pessoa se sentir bem assim.

Dan riu.

— Palhaço.

— Trouxão. Vai se atrasar pra escola viu?

— P*TA M*RDA JÁ TINHA ATÉ ME ESQUECIDO!

O mais novo saiu correndo em direção ao seu quarto pegar sua mochila e sair em disparada para a escola. Como já tinha feito sua higiene matinal, só não pôde tomar café. Ian por sua vez continuara ali por mais meia hora, quando decidiu que iria ligar para Ágata e resolver se ela iria consigo ao aniversário do primo. Tentou duas e falhou. Persistente, resolveu tentar mais uma vez e obteve sucesso.

— Alô?

— Fala gata – O rapaz disse animado – Te acordei é?

— Ian? É tu?

— Sim né.

— Desculpa, é que tô meio desligada. Sim tu me acordou a propósito.

— Mal ae. É que precisava ver um esquema contigo antes que eu me esqueça entende?

— E não podia mandar mensagem como todo mundo faz?

— É que minha mãe diz que não sou todo mundo – Brincou o rapaz – E também, gosto de ouvir a voz das pessoas que eu amo logo cedo.

Ágata riu fraco.

— Como é bobinho esse guri. Senhor – Disse ela sorrindo – Tudo bem tigrão. Estou te ouvindo.

— Topa ir comigo no aniversário de um primo meu?

— Depende. Quando é?

— Sábado agora.

— Peraí. Deixa eu ver aqui.

A garota ficou alguns segundos fora.

— Posso ir sim. Tinha uma festa que eu ia ir com uma amiga, mas ela pegou conjuntivite.

— Beleza! – Respondeu o garoto animado – Não quer vir aqui em casa sexta? Aí tu dorme aqui e de tarde a gente já vai pra lá.

— Ok então. Eu durmo ai.

— Gata.

— Fala.

— Eu tô excitado.

A garota não pôde deixar de rir.

— A gente falando do aniver do teu primo e tu me sai com essa – Disse ela se acalmando.

— Mas é sério – O rapaz sorria – Quer que eu mande uma foto?

— Não precisa. Já vi pessoalmente – Respondeu maliciosa.

— Que tal vir aqui e a gente resolver isso hein?

— Desculpa tigrão, mas quero ficar em casa hoje pra estudar um pouco.

— Então... Que tal uma brincadeirinha por telefone hein?

— Os teus créditos são infinitos ao que parece né?- Debochou ela.

— Eu tenho plano. Vaai, vamos brincar!

A garota pensou um pouco.

— Certeza absoluta?

— Eu to só com meu short de dormir – Respondeu ele malicioso.

— Muito bem, seu Ian – Disse ela – Vamos brincar então.

***

— É incrível como nos últimos do primeiro tempo vocês resolveram ser marginais! – Rebeca exclamava – Primeiro dois alunos brigam por causa de uma foto, ai agora chego na escola e pego duas alunas no tapa.

— Que fique claro que foi essa selvagem que me bateu – Amora se defendeu.

— É verdade supervisora, fui eu quem bati nela num ato impensado – Amanda confirmou.

— Eu espero que vocês duas tenham consciência da gravidade dessa atitude. Se todos nós resolvêssemos partir pra briga ainda estaríamos no estágio mais primitivo da humanidade.

— Ela que não aguenta ouvir uma ou duas verdades que já se ofende – Amora provocou.

— Tu teve a cara de pau de dizer que eu tava TRAINDO o meu namorado! Esqueceu?! – Mandy rebateu.

— Tava fazendo o quê com o Jeferson então, posso saber?

— Não conhece amizade entre homem e mulher não palhaça?

— Chega! As duas! – Ordenou Rebeca – Que isso não se repita. Do contrário vão ser suspensas na mesma hora. Estamos entendidas?

Ambas suspiraram e responderam juntas.

— Sim.

— Vão ficar aqui comigo até a hora do sino bater pra refletirem bem sobre o que fizeram.

— Como é?! – Amora questionou indignada.

— Algum problema Amora?

— Todos né supervisora! Eu que não vou ficar do lado dessa asquerosa até bater!

— Se não quiser ficar, tudo bem. Pode esperar lá fora e retornar pra ficar mais um período aqui sentada e sozinha. O que acha?

A garota suspirou.

— Tá. Eu fico quieta.

— Ótimo.

— Rebeca – Amanda chamou.

— Fale querida.

— Eu posso ir buscar minha mochila com meu colega?

— Pode sim. Mas sem enrolações hein?

— Ok.

— Eu também deixei minha mochila com um colega. Posso buscar também? – Amora mentiu. Em vão.

— Tua mochila está no teu colo. Não será necessário – Rebeca respondeu.

Mandy riu fraco antes de sair da sala. Em passos rápidos foi até Jeff, que aguardava ansioso num banquinho azul que havia em frente à sala da direção.

— E ai? Quanto tempo vai ficar de molho? – Perguntou o rapaz.

— Não levei suspensão – A garota respondia – O que foi pura sorte.

— Cara, até agora eu não assimilei que tu fez aquilo.

A morena riu.

— Sendo bem sincera, nem eu sabia que era capaz disso. Mas aquela guria me tira do sério, tá louco.

— Percebi – Jeff riu fraco – Quero ver o que o Al vai dizer de tu ter metido a mão na ficante dele.

— Se ele ficar do lado dela é o próximo a levar um – Brincou.

— Bah! Ela tá poderosa hein?

— Tá. Me dá minha mochila que tenho que ir lá pra sala da Rebeca até o sino bater.

O garoto então entregou a mochila a menor.

— Até depois então – Despediu-se ela.

— Até.

Mal a garota deu às costas para Jeff mandar mensagem para o grupo de amigos.

“Gurizada, bomba do dia: Mandy deu um tapão na cara da Amora. Velho, pensa num tapão! Foi épico d+! Queria muito ter gravado” – Enviado para grupo “Os penetras”

***

Aturar Elis numa quarta feira de manhã era um ato de bravura. A megera, como boa parte dos alunos a chamava, vivia a tagarelar sobre conteúdos matemáticos que via de regra ninguém queria saber. Nem Adrian, que em geral procurava ouvir a explicação da mulher, estava conseguindo fazê-lo. Estava chateado consigo mesmo. Talvez tivesse sido um erro levar Mandy até o vestiário? Queria tanto possuir a garota em seus braços e fazê-la vibrar de amor, de tesão e qualquer sentimento de prazer que ele fosse capaz de lhe proporcionar.

— Adrian, tu sabe a resposta da questão quatro? Estamos há meia vida tentando fazer e nada – Perguntou Sabine. Em vão – ADRIAN!

— Isso, grita igual uma maluca pra uva passa vir aqui e encher nosso saco – Advertiu Dan.

— Ué, mas ele não me escuta!

— Que foi? – O garoto respondeu sem ânimo.

— Nossa Adrian aconteceu algo? Desde que tu entrou que tá com essa cara.

— Aconteceu sim – O garoto explicava – Eu levei a Mandy lá pro vestiário pra gente se divertir e... Não rolou.

A loira fechou a cara.

— A gente aqui se matando pra aprender logaritmos e tu preocupado em uma f*da a menos. Por favor né?

— Depois eu é que sou bruto é? – Dan questionou sarcástico.

— Fica quieto Daniel. Não vai ajudar, não atrapalha!

— É que não foi isso – O jogador se justificava – Tipo, ela literalmente saiu correndo quando tava indo tudo na boa.

— Vai ver ela foi estudar, que é o que devíamos estar fazendo.

— Bine, na boa, vai lá tomar água e deixa que eu me entendo com meu parça vai.

Sabine encarou o rapaz incrédula.

— Tu tá me expulsando daqui Adrian?

— Não. Tô só pedindo pra tu me dar licença que eu me entendo com o Dan. Só isso.

A loira bufou.

— Professora, eu posso ir tomar água?

— Vai. Pode ir – Respondeu Elis enquanto orientava um grupo de alunos.

A garota então foi até a saída indignada deixando os rapazes conversando.

— Velho, melhor coisa que tu fez na tua vida foi isso – Dan ria – A Bine é legal, mas quando tá na TPM ela vira o diabo.

— Um verdadeiro Diabo Loiro – Dri brincou – Sério cara, não entendi o que rolou. A Mandy tava entrando no clima e aí do nada fez aquilo.

— O que pode ter ocorrido é que ela ficou com medo de alguém flagrar vocês e pá.

— Mas ninguém vai lá aquele horário. Disso tenho certeza.

— Ela sabia disso?

— Não.

— Então – Ponto pra Dan – Procura conversar com ela cara. É certo que vai ter uma explicação pra isso.

— É, tu tem-

Adrian nem concluiu a frase quando seu celular e o de Dan vibraram. O jogador então desbloqueou a tela e notou que era uma notificação do grupo num app de mensagens famoso.

“Gurizada, bomba do dia: Mandy deu um tapão na cara da Amora. Velho, pensa num tapão! Foi épico d+! Queria muito ter gravado” – Enviado por Jeff para grupo “Os penetras”

— O QUÊ?! – Exclamou.

— Senhor Adrian! Por favor! – Advertiu Elis.

— Cara, como assim?! – O garoto se perguntou.

— Tua mina é valente hein? Dar um tapa na cara daquela guria toda metida.

— Pra Mandy partir pra ignorância ela deve ter pedido muito.

— Amora é provocativa por natureza. Nem precisa tanto pra ela irritar alguém – Dan riu.

— Gente, receberam a mensagem do grupo? – Bine retornara.

— Sim. Estávamos falando disso.

— Caramba. Ô, queria muito ver isso. Faz tempo que aquela nojentinha merecia um bofetão.

A dúvida entre os três era a mesma: O que Amora teria feito para merecer esse tapa?

CONTINUA