A Teia de Sangue
2 A Teia de Sangue: Capítulo 02 — Efeito Borboleta
Notas iniciais
A Teia de Sangue: Capítulo 02 — Efeito Borboleta

Joshua engoliu em seco. Seu peito arfava constantemente, assim como sua respiração anelante e descontrolada. Piscou duas vezes, notou que os movimentos e as frases ditas por seus colegas de classe se repetiam como em sua espécie de visão, algo de estranho estava acontece e algo trágico viria a acontecer caso Josh não fizesse nada.
— Eu estou falando sério, Celina! — Josh elevou seu tom de voz em um nível totalmente potente e alterado. — Precisamos sair dessa sala, agora!
— Por que você ficou tão nervoso do nada? Só porque entramos no nosso último ano não quer dizer que você precisa ficar assim. — Celina retrucou hesitante.
— Você não entende.... eu vi, tudo vai explodir. Se ficar aqui, todos nós vamos morrer! — Josh berrou em alto e bom som, com o propósito de alertar todos os outros alunos que na sala estavam.
Celina o encarou com a testa franzida, Josh sabia que a ruiva não iria ceder tão facilmente, então, em um ato desesperado, puxou-a com uma força capaz de tirá-la da cadeira enquanto a empurrava para a direção da porta.
— Josh!— Celina cambaleou alguns segundos após Josh puxá-la pelo braço. A ruiva o encarou com um olhar sério e raivoso, estava se estressando com o surto repentino do rapaz. —Você está me assustando!
— Ei, Josh! O que diabos você pensa que está fazendo? — Tommy aproximou-se com Kara ao seu lado. Ambos tiveram suas atenções voltadas ao jovem rapaz. — Você precisa se acalmar.
— Não, Tommy! — Josh tratou de rebatê-lo com pressa. — Droga, você precisa me entender! Todo mundo vai morrer, não podemos ficar aqui parados esperando por isso!
— O que? — A voz de Aurora Wheeler ecoou pela sala. A loira aproximou-se do pequeno grupo ali formado, assim como os demais jovens que estranharam tal situação. — Seu maluco idiota!
— Herdman, esse tipo de zoação só funciona quando sou eu quem faz, entendeu? — Scott Summerfield irritou-se com atitude do rapaz. Scott empurrou o amigo jogando-o contra a parede enquanto os demais alunos dispersavam-se pelo ambiente.
— Não precisa disso, Scott. — Abby tentou amenizar a situação, a jovem lésbica é ironizada pelo atleta do colégio quando o mesmo realiza gestos obscenos com a língua. — Você é muito estúpido.
— Diretor Nathan? — George ligou no mesmo instante para o diretor da instituição em que ensinava há três anos. — Alguma coisa estranha está acontecendo, os alunos estão nervosos e exaltados. Você precisa vir aqui com urgência.
Joshua sentiu algo estranho rodear todos que estavam naquele ambiente. Seu coração palpitava intensamente enquanto seus orbes arregalavam-se gradativamente; estava assustado e com medo de sua misteriosa visão de fato acontecer.
— Alguma sobrecarga deve ter acontecido, os fios dos outros ares-condicionados estão interligados por detrás dessa parede. Mas já estou arrumando tudo. — Disse o eletricista, percebendo o tumulto formado.
— Agora, corram todos! — Joshua soltou um grito desesperado e aflito. O jovem corre na direção da porta puxando Celina durante o processo.
Eis que a explosão de antes tornou a acontecer e, dessa vez, era real. As chamas envolveram uma boa parte dos alunos que permaneceram na área principal da explosão, assim como outros que não demonstraram qualquer reação com o aviso estranho de Josh, e tiveram seu tórax, garganta e abdômen perfurado por destroços.
— Mas que merda... — Scott proferiu em voz alta ao presenciar a explosão que segundos atrás fora alertada por Josh. O loiro, assim como os demais estudantes mobilizados com o aviso de Josh, estava fora do alcance da explosão, contudo, os destroços das paredes estavam desmoronando, assim como o teto do local.
Scott ficara boquiaberto. O até então quieto e reservado Joshua Herdman havia de fato previsto uma tragédia iminente e, apesar do esforço para confessar o erro que cometeu ao ironizar Josh, Scott correra desesperado como jamais tivera feito no time de baseball.
— Andem depressa! Logo! — A voz do professor de história, George, ecoou pelo corredor que ligava à sala da turma onde lecionava nos dois primeiros horários, a outra parte do instituto.
— Aurora, por aqui! — Amélia chamou pela irmã que estava visivelmente desnorteada e assustada. A garota de cabelos escuros, apesar de tudo, se preocupava com a situação de sua irmã gêmea a qual cambaleava em pequenos passos enquanto levava suas mãos aos ouvidos, evitando escutar o barulho do desmoronamento da sala e dos gritos de sofrimento dos que não conseguiram escapar. — Você não percebeu que temos que correr?
Aurora não conseguia proferir nenhuma palavra, a jovem de cabelos dourados acaba sendo guiada pela irmã que a empurrava conforme ambas corriam pelo corredor do local. Emma está ao lado das duas, assim como Abby.
— Saiam do corredor! Depressa! — Joshua forçou uma voz alta o suficiente para que todos pudessem ouvir, mesmo com uma constante gritaria e o barulho intensivo de destroços desmoronando.
A segunda explosão ocorreu. As paredes do corredor e da sala em questão explodiram em míseros segundos. Destroços voaram para todos os lados, um pedaço inteiro de uma das paredes caiu no chão atingindo o nada; todos haviam saído do corredor antes que as percas fossem maiores. Os estudantes da segunda sala onde ocorreu a nova explosão saíram assustados do local, muitos chorando, outros com ferimentos expostos, uma correria em massa se alastrou por toda a área da escola. Joshua e os demais observavam toda a destruição, perplexos e estagnados.
— Como isso... — Tommy procurou as palavras certas enquanto fazia uma pausa para continuar. — Como isso é possível? Como você conseguiu adivinhar?
Todos olharam para Josh, o rapaz encarava, ainda arfante, toda a situação a sua volta. Joshua não conseguiu responder as perguntas de seu amigo, fitava as chamas que se misturavam com a fumaça e espalhavam-se pelo local; Algo de paranormal havia acontecido naquele instante, de alguma maneira Josh simplesmente teve uma visão de algo que viria a acontecer.
— Todos estão bem? O que diabos aconteceu ali? — Nathan surgiu diante da multidão de alunos aglomerados. O diretor estava apreensivo e preocupado, afinal, duas explosões aconteceram quase que simultaneamente na própria instituição de ensino.
— Não sabemos te responder. — George respondeu com sua voz rouca virando-se para Josh. — Mas tenho certeza que ele sabe.
— Isso não interessa agora. Precisamos sair daqui, as chamas vão se alastrar e não podemos inspirar essa quantidade de fumaça.
Dez estudantes, um professor e o diretor se safaram de um trágico acidente que colocaria em risco a vida de todos. Porém, graças aos avisos de Josh, todos os sobreviventes agora comemoram pela nova vida ganha.
Duas horas se passaram desde o acidente na instituição. Pretty Lake obteve todos os holofotes do Estado da Carolina do Norte para si, e apenas foi preciso um total de trinta e duas mortes e mais alguns feridos para que isso pudesse acontecer. A mídia voltou-se para a pequena e pacata cidade, cujas ruas estavam agora mais movimentas que o normal.
A notícia sobre a explosão na escola espalhou-se rapidamente pelos cidadãos de Pretty Lake. O incidente envolvendo a escola era obrigatório em toda conversa, de esquina a esquina. Nathan teve que prestar depoimento a respeito da manutenção do ar-condicionado do local, além de receber diversas ameaças de processos pelos pais dos estudantes mortos na explosão, e os feridos.
— Josh... — Celina não sabia o que dizer. A ruiva acariciava o ombro direito do companheiro de turma enquanto o olhava com uma expressão amistosa em face. Joshua ainda estava processando tudo que aconteceu, as mortes que viu ainda mexiam com a cabeça do rapaz. — Não se preocupe, eu sei que algo de estranho aconteceu com você, mas isso não importa. Estamos vivos, certo? É isso que importa.
— Não é isso, a visão que tive... a imagem de vocês morrendo um por um ainda está na minha cabeça. Tudo isso que aconteceu é inacreditável, não sei como fiz isso, mas talvez estaríamos mortos se essa visão não acontecesse.
— Mas não estamos. — Celina completou, sentando-se ao seu lado.
— Os outros... como eles estão reagindo? Estão todos bem?
— Scott é o mais alterado, fora ele, creio que todos aceitam o fato de terem nascido mais uma vez, inclusive eu. — Celina respondeu, sorrindo para o amigo. — Mas esse dia ficará sempre guardado na minha memória. Quase morremos hoje, é difícil de esquecer isso. Alguns amigos e conhecidos não tiveram a mesma sorte que nós, estou triste por eles.
Josh ficou cabisbaixo por alguns segundos imaginando a dor que os familiares estariam sentindo naquele momento.
— Soube que a escola vai ser fechada momentaneamente. Como ficarão nossas aulas? Sei que não queria isso, mas é o nosso último ano... — Celina começou a proferir, todavia, a jovem ruiva interrompeu seu ato quando um casal exaltado surgiu no campus da escola.
— Isso é inadmissível! Coloquei minhas duas filhas nessa escola ridícula por achar que estariam mais seguras aqui do que em Raleigh! E então recebo uma ligação durante meu trabalho sobre uma exposição na escola onde minhas filhas estão? — A voz de uma mulher alta e esbelta soou pelo amplo espaço. A imprensa logo a filmou reclamando com uma das secretárias de Nathan.
— Fique calma, por favor. — A pobre secretária do diretor Nathan tentou contê-la, o que foi completamente inútil. — Senhora Wheeler, suas filhas estão bem então, por favor, se acalme!
— Não mande minha esposa se acalmar. É o nosso direito reclamar, poderíamos estar chorando loucamente com a morte da nossa filha, mas por sorte não estamos! — Foi a vez do patriarca dos Wheeler discutir com a secretária.
— Eu preciso ir, meus pais já devem estar chegando. Não quero que nenhum deles faça algum drama do tipo. — Celina se despediu, abraçando-o. — Tire o resto do dia para relaxar e ter uma boa noite de sono.
— Pode deixar. — Josh respondeu forçando um sorriso de despedida.
Joshua gesticulou um sinal de negativo com a cabeça, sabia que existia algo mais além que isso. Nunca viu pessoalmente alguém que tivesse esse tipo de visão, essa premonição, era algo até então desconhecido em Pretty Lake. O que explicaria o motivo de apenas Josh ter a visão?
— Não precisa se culpar por nada, Joshua. — Uma voz estranha e desconhecida soou próximo ao rapaz. Tratava-se de um dos agentes funerários que recolhia o corpo de uma das vítimas do acidente, o homem trajava um macacão azul-escuro típico de sua profissão com o nome Willian Bludworth estampado na região do peito esquerdo.
— Perdão, como sabe meu nome? — Josh franziu o cenho.
— Você não deve se preocupar, a culpa não foi sua. Apesar de você atrasar e alongar os planos da morte, ela dará um jeito de buscá-los... um por um. — Willian não respondeu Josh, continuando com sua estranha afirmação.
— O que? Do que você tá falando? — Joshua continuou a fazer perguntas.
— Você não é o primeiro a ter essas premonições, Josh. Saiba que a morte não gosta de intromissões ou empecilhos que prejudiquem seu trabalho; você foi sortudo em avisá-los, porém, no fim de tudo, você e todos os seus amigos estarão como esse daqui...mortos.
— Não consigo entender aonde você quer chegar. — Josh ficou de pé encarando-o com um olhar sério e desconfiado. — Como assim não sou o único? E o que você quis dizer com todos mortos? Estamos vivos, nós sobrevivemos!
— No início sempre é assim, vocês só irão compreender quando for tarde demais. — A voz de Willian saiu misteriosa e horripilante, o agente funerário olhava fixamente para Josh. — É impossível escapar da morte, você pode tentar, mas nunca sairá ileso.
— Como você sabe de tudo isso? Quem mais teve essas visões? — Joshua estava mais sério e ríspido que o normal, o jovem estava impaciente do fato de Willian falar coisas sem sentido algum.
O agente funerário deu a volta na maca onde o corpo de um jovem estava estirado, ficando frente a frente de Josh. Willian sorriu sadicamente causando um calafrio que percorreu por todo o corpo de Joshua, o negro simplesmente balança a cabeça despedindo-se do rapaz enquanto adentrava na área traseira da van junto com a maca e o corpo.
Josh simplesmente observou Willian partir com seu veículo. O jovem olhou par aos lados, viu inúmeros alunos feridos e pais desesperados com o ocorrendo, a mídia ainda estava presente no local, dezenas de repórteres marcavam presença no trágico acidente de Pretty Lake.
— Filho? — Uma voz conhecida para Josh veio à tona. — Graças a Deus você está bem! Fiquei preocupada quando soube do incidente, o trânsito de Raleigh facilitou meu atraso. O que foi tudo isso? Como estão os outros? Ah meu Deus, o Tommy ele está bem? Catarina deve estar totalmente abalada...
— Mãe... — Josh tentou interrompê-la. — Estou bem, assim como ele também está. Alguns amigos de turma morreram, outros ficaram gravemente feridos... só vamos para casa, ok?
— Que horrível! Não sei como viveria se eu te perdesse também. — Anne Herdman abraçou o filho com força, estava feliz e aliviada por vê-lo vivo. Contudo, naquele instante, Anne relembrou da perda do marido e imergiu em lágrimas só de cogitar à morte de Joshua.
— Mas eu não morri. Estou cansado e tudo que preciso é de um banho, amanhã será um dia longo no memorial aos alunos e professores que morreram na explosão. — Joshua separou-se dos braços da mãe com um sorriso no rosto.
Anne abraçou o filho mais uma vez. Sentiu uma pontada no coração, temia que Josh tivesse sido uma das vítimas fatais do incidente, não suportaria perder o filho assim como perdeu o esposo. Josh tratou de entrar no carro, seu pensamento estava distante durante o percurso, Anne ainda soluçava com as mãos no volante, ainda nervoso com o ocorrido.
E, assim que chegaram ao local destinado, uma forte chuva pairou sobre mãe e filho. Anne abriu a porta com rapidez enquanto Joshua permanecia distante, porém acordado.
— A tendência é piorar. — Anne passou as mãos pelos cabelos enquanto jogava seu conjunto de chaves em um pequeno vaso redondo e brilhante, ao qual estava em cima de uma mesa. — O que é estranho, visto que o noticiário informou que amanhã seria um dia de sol em quase toda Carolina do Norte. Enfim, pensei em pedir uma pizza, não estou em boas condições para cozinhar.
— Tanto faz, não estou com muita fome. — Joshua parecia desmotivado e realmente abatido. O jovem garoto subiu as escadas deixando a própria mãe sozinha com um longo suspiro. — Vou dormir.
Joshua deitou-se na própria cama exausto e ofegante. O adolescente olhou fixamente para o teto do próprio quarto, custava acreditar que tudo que aconteceu mais cedo era real. Josh procurava entender os motivos de ter tido aquela visão, algo que nunca ocorreu consigo antes.
Fechou os olhos por inúmeras vezes. Sua cabeça estava uma loucura e, novamente, não consiga dormir. Não satisfeito com a simples coincidência de mais cedo, Josh levantou-se até retirar de seu armário um notebook. O moreno abriu e ligou o aparelho eletrônico com rapidez, seus dedos estavam trémulos enquanto sua respiração ficara cada vez mais pesada.
— Isso não faz sentido. — Sussurrou enquanto a máquina enfim ligara.
Abriu a ferramenta de pesquisa, fez uma pausa procurando algo que simplificasse sua busca ao máximo. Joshua estava pensativo e ao mesmo tempo, aflito; passou a mão pelos cabelos mais uma vez antes de digitar por fim.
Premonições. Mortes. Acidentes. Visões estranhas.
As horas passaram e Josh lera diversos artigos e matérias de jornais relacionados ao que procurava. Porém, era insuficiente; Joshua pesquisou mais uma vez até encontrar uma notícia estranha que lhe chamou a atenção.
— Caminhão desgovernado adentra em uma cafeteria e atropela três clientes, ambos sobreviventes do fatídico acidente no autódromo Mackinley. — Josh sibilou pausadamente enquanto descia com o mouse uma notícia antiga de um site americano. — Nick, Lori e Janet foram as três vítimas fatais do terrível acidente na cafeteria...
— Problemas técnicos ou ação do destino? O misterioso incidente do metrô que acarretou dezenas de mortes é investigado. — Josh lera outra notícia relacionada com o tema pesquisado. — ... dentre as vítimas, estava Wendy Christensen que havia salvo um grupo de pessoas do sangrento acidente da Montanha Russa do Diabo semanas antes. Dessa vez, infelizmente, não há registro de sobreviventes.
Joshua respirou por alguns segundos. O jovem estava visivelmente chocado com as imagens perturbadoras dos acidentes citados, contudo, algo estranho em uma imagem publicada o fez ter um calafrio na espinha; uma van funerária acabou saindo nas fotos que imprensa tirou dos corpos — já cobertos pelos médicos — e Joshua percebeu um símbolo semelhante nas fotos dos dois acidentes; o símbolo da funerária em que Willian Bludworth trabalhava.
Percebeu, portanto, que algo de estranho estava prestes a aconteceu. Sentiu mais um calafrio se alastrar pelo próprio corpo, suspirou inúmeras vezes tentando ficar mais calmo e tranquilo. Josh começou a perceber o que estaria por vir, no entanto, estava ciente que precisava ter outra conversa com o agente funerário.
Amanheceu. Os jornais locais ainda tinham seus holofotes voltados à Pretty Lake. O trágico acidente da noite anterior ocasionou a morte de inúmeros estudantes da escola, cujo diretor ainda precisava prestar mais alguns depoimentos a policia.
— O cerimonial irá começar as dez, você não vem? — Celina conversava com Josh por telefone. A jovem ruiva acordara cedo para desfazer tudo que preparou, com a ajuda de outras pessoas, na despedida das férias dos estudantes no clube da escola. — Estamos desfazendo tudo, é uma pena. Ninguém está em boas condições para aproveitar a festa um dia após o acidente, vamos arrumar aqui e iremos para o cerimonial.
Celina lamentou observando tudo que havia arrumado dias antes. O clube pertencente à escola estava devidamente arrumado, contudo, todos os enfeites, bexigas e faixas espalhadas pelo local começavam a ser recolhidos pelos alunos.
— Aurora? — Celina questionou em voz alta ao perceber a presença de uma das filhas dos Wheeler. — O que você faz aqui? É sério que você veio ajudar no recolhimento de tudo?
— O que? É claro que não. — Aurora respondeu passando pela ruiva sem ter dado um pingo de atenção. A loira desabotoou a camiseta branca e retirou, posteriormente, a saia cinza que vestia. — Preciso relaxar um pouco. O estresse de ontem não me fez bem.
— Não acredito no que estou vendo. É sério que depois de tudo que aconteceu ontem, depois de tantas mortes de amigos próximos, depois de você quase ter sido morta... você ainda vem para o clube para pegar um sol? — Celina explodira com a atitude de Aurora, que simplesmente deitou-se em uma cadeira próxima à enorme piscina do clube, exibindo seu biquíni azul celeste.
— É claro que sim, a vida que segue. — Aurora debochou enquanto colocava seus óculos de sol e erguia a cabeça para o sol.
Josh Herdman pesquisou mais sobre o semblante da funerária onde Willian trabalhava. O garoto conseguiu achar o endereço do local pesquisado, partindo assim que amanhecera. Joshua encontrou o local aparentemente fechado, olhou por dentre as portas de vidro da entrada da funerária, mas não havia indícios de alguém alí dentro.
— Droga. — Resmungou, enquanto continuava parado olhando para dentro do local. Eis que algo estranho e repentino aconteceu; o reflexo de uma água apareceu no vidro da porta, Josh se assusta imediatamente, retrocedendo dois passos enquanto buscava entender como aquilo foi possível.
— Alguma coisa lhe preocupa, Joshua? — A voz de Willian soou próximo do jovem. O agente funerário havia acabado de chegar ao local de trabalho com sua van, a mesma que utilizava anos atrás. — Confesso que já esperava sua vinda até mim, mas não pensei que fosse tão cedo.
— Escute. Precisamos conversar, sei que algo está prestes a acontecer e que você de alguma maneira sabe ou entende isso. Preciso que você me explique o que diabos aconteceu comigo antes da explosão do colégio, e o que poderá acontecer daqui para frente. — Josh explicou desesperado e aflito. Willian sorriu, como se a situação do rapaz lhe divertisse.
— Vamos entrar. — Willian e Josh adentraram na funerária. O local era estranho e torturantemente silencioso. Joshua sentia-se mal por estar alí, tal lugar de fato não a agradava. — Não precisa temer, os corpos ficam na parte detrás. Agora fale o motivo da sua presença aqui, garoto.
— Eu pesquisei. Vi todas as notícias referentes às premonições que já aconteceram com pessoas diferentes. E, em todas elas, os sobreviventes estavam no mesmo local que outro acidente aconteceu. Nenhum saiu vivo, nenhuma pessoa que sobreviveu por meio de uma visão sobreviveu a outro acidente. — Joshua começou a explicar, seus orbes estavam firmes e arregalados.
— E o que isso te trás até mim?
— Você estava presente em todos os acidentes pós-visão. Você recolheu os corpos de todas as vítimas. Ontem você me disse algo estranho lá na escola, apenas associei as coisas. — Josh continuou. — Você sabe de algo, Willian. Diga-me o que irá acontecer comigo e com os meus amigos, me diga o precisa ser feito, o que devo fazer!
Bludworth sorriu. O agente funerário fechou os olhos por alguns seguidos e, quando tornou a abri-los, encarou Joshua com uma seriedade impressionante.
— Você foi o escolhido para ter aquela visão, Josh. E partir do momento em que você salvou seus amigos, que você os alertou sobre a explosão, a lista, o plano da morte foi mudado. Mas você acha que a morte deixará tudo assim? Que você e seus amigos sairão ilesos achando que ganharam uma nova vida?
— Então algo acontecerá conosco, não é? — Josh tornou a questionar.
— Todos vocês estão interligados agora. Uma teia de sangue une todos vocês perante a morte. Não há escapatória a não ser que você entenda o plano dela, que você interrompa mais uma vez a lista fatal. — Willian respondeu.
— E como posso evitar isso?
— Você não pode, Josh. Todos vocês entraram no Efeito Borboleta, e agora terão que arcar com as consequências caso queiram sair desse ciclo vicioso que a morte preparou para todos vocês.
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