A Tale of Efraria: Sharp Teeth

8 Capítulo 5: Luta Peso Pesado


Notas iniciais
Finalmente consegui terminar, planejada postar ele mais cedo, mas acabei me distraindo um pouco com algumas coisas, cof cof maldita escola. Eu já comecei a planejar o próximo capítulo e só falta o escrever, provavelmente não irá demorar tanto. De qualquer forma, lhes desejo uma boa leitura!

11 de Abril – Campina – Primavera

A manhã chega a Efraria como uma brisa leve, soprando as sementes de inúmeras plantas que aproveitam a primavera para se reproduzirem. O orvalho ainda caia do céu em pequenas gotas, suprindo as necessidades das flores douradas que pintavam as grandes campinas, mas estranhamente, essa estava vazia. O único sinal de vida era um par de grou-canadenses, que com suas longas pernas procuravam insetos remanescentes da noite passada que ainda estejam no solo. No entanto, esse não era o único objetivo das aves, elas estavam ali por uma questão de estratégia.

As campinas eram planícies ausentes de árvores, pintadas com o dourado das flores recém-chegadas da primavera. Majoritariamente revestida de grama-baixa, o que se destacava era o matagal mais alto ao pé da floresta, onde se iniciava os prestigiados carvalhos. Um córrego de água doce dividia a clareira em duas, formando um lamaçal em suas laterais que servia como sessão de relaxamento e proteção contra o sol do meio-dia para os seres provenientes de Efraria. Alguns poucos arbustos de frutas silvestres se formavam próximos à água, infelizmente, naquele ano, o sol havia queimado as tão desejadas calóricas berries. Com a escassez das mesmas, os animais dependentes dessas frutas para sobreviverem teriam que procurar por alternativas na paisagem.

Já havia passado um mês desde que Zarina e sua prole haviam acordado de sua hibernação, e desde seu despertar estiveram esperando pacientemente por este momento. A ursa progenitora novata, que seguia a frente de seus filhotes, de uma maneira um pouco desengonçada, também seguia para esse ponto em específico, ela se lembra de quando sua mãe a trouxe para cá quando pequena. Misha e Kodiak seguiam logo atrás dela, impressionados que sua mãe ainda não havia tropeçado, devia ser a fome, afinal, eles também estavam famintos.

Por sorte, eram os primeiros a chegar no lugar, Zarina poderia comer o quanto desejar, e melhor, essa seria a primeira lição de vida de seus filhotes. Ao se aproximar do solo, a ursa urrou pelos seus filhotes, que estavam brincando entre si, mas prontamente vieram em sua direção quando ouviram sua advertência. As longas e poderosas garras de Zarina tem um motivo para serem dessa forma, a tornam uma eficiente escavadora, muito melhor que qualquer canídeo na região. Usando de seu poderoso nariz, a ursa detectou um ponto na grama e começou a escavar rapidamente, com suas fortes patas ela conseguia puxar o excesso de lama de uma só vez, deixando seu trabalho mais prático e rápido. Misha, vendo o que iria acontecer, saiu de trás de sua mãe, já Kodiak, um pouco mais ingênuo, foi obrigado a lidar com o jato de barro em seus olhos, resultando em resmungos e choramingos pela parte do pequeno urso, que sentou sobre seu traseiro enquanto coçava seus olhos com suas patas dianteiras.

Finalmente a progenitora achou o que procurava, suculentas raízes, incrivelmente nutritivas, pelo menos melhor que gramíneas elas eram. Com uma poderosa mordida, Zarina arrastou as raízes até as romper, e então, começou a ingerir as mesmas. Ambos filhotes pareciam relutantes, eles se entreolhavam e analisavam se realmente era seguro, já que sua mãe mais do que provou não estar sempre certa, já que no começo do ano ela fez com que os três enfrentassem um enxame furioso. Decidiram esperar um pouco, ao menos até Zarina engolir, e quando as raízes passaram pela sua garganta e ela coçou sua barriga, estava certo que era seguro.

Kodiak foi o primeiro a agarrar uma das raízes que sua mãe havia puxado e a mordiscar, enquanto coçava suas orelhas com a sua pata traseira, vendo que o gosto não seria dos melhores, mas acabou se surpreendendo. Misha ainda parecia relutante, enfim ela cedeu e também passou a se alimentar das raízes, se sentando ao lado de seu irmão enquanto degustava das mesmas, afinal de contas, o gosto era realmente bom, um tanto adocicado.

Não demorou muito para outros ursos surgirem do horizonte em meio ao gramado dourado, procurando pelas mesmas coisas que a família estava atrás. Primeiro, vieram as fêmeas, duas estavam também com seus filhotes, mas as outras estavam sozinhas, preferindo relaxar no córrego que dividia as planícies em duas. Logo, vieram os grandes machos, que somente a presença foi o suficiente para os filhotes recuarem para as pernas de Zarina. Liderados por Uranus, um enorme macho de pelagem castanha escura, linear e sedosa, e olhos tão negros como o tardar da noite, ameaçadores e imponentes, trazendo um recado para qualquer um que contestasse sua presença no prado, este era seu território, se outros ursos estavam ali, é devido a ele permitir. Um de seus dentes estava quebrado em razão de uma briga recente com um desafiante. Seu tamanho descomunal se destaca dentre os outros presentes na campina, ele era quase duas vezes maior que Zarina.

Os filhotes não ficaram tímidos muito tempo, em questão de minutos Misha já estava provocando seu irmão menor, abraçando o pequeno e mordendo suas orelhas em sinal de superioridade. Kodiak tentou se defender ao enrolar sua irmã em suas patas, mas teve que encarar o solo quando Misha a empurrou contra o mesmo, usando sua força para o imobilizar. Zarina apenas observava a briga de seus filhos de uma distância segura enquanto desfrutava de capim e raízes que havia achado, nada saborosos quanto as frutas silvestres que poderia ter comido se não fosse pelo calor anormal. Essas pequenas lutas entre os filhotes não só servia para treinar sua força, como também desenvolviam táticas para reconhecer seus oponentes, e seria muito útil no futuro de suas vidas para escolher as batalhas que devem ou não lutar.

O casal de grous, aproveitando os buracos feitos pela ursa progenitora, se alimentavam dos insetos que haviam sido desenterrados junto as raízes. Essas aves possuíam grandes e longas pernas, um colar de penas pálido em seu pescoço, que ia em gradiente se difundindo a um tom acinzentado, até finalmente chegar ao bege escuro das penas do seu tronco, mas o que mais se destacava na ave era uma mancha em sua face evidente de tom escarlate, e olhos ambares cintilantes. Zarina, mesmo que não gostasse da presença das aves, tolerava sua presença, afinal, caso algum outro urso se aproximasse demais eles seriam os primeiros que a alertariam.

Com a vitória invicta, a fêmea juvenil passou a provocar seu irmão ao levantar sua fofa pata e bater no focinho do menor, que resmungava ao tapar suas narinas e expor seus dentes para Misha, tentando a assustar, mas no final era recebido novamente com mais um pequeno tapa de sua irmã, e tentando se esquivar, o filhote caiu para trás, expondo sua barriga enquanto tentava ficar de pé novamente, entretanto, não conseguia.

As raízes eram escassas, já que as provenientes dos pinheiros não eram tão nutritivas, e a primavera não desenvolveu todas as plantas como planejado, apenas em alguns locais estratégicos podia se adquirir um pouco dessa especiaria. Com tão pouca comida à vista, até mesmo as calmas fêmeas estavam entrando em conflitos. Uma fêmea de pelagem castanha, com as costas coloridas de tons mais claros e olhos cinzentos, acabou por achar uma grande raiz, mas foi confrontada por outra ursa de pelagem mais escura, com uma mancha em formato de coração mais clara em sua face, ela não havia tido sorte, e seus filhotes precisavam comer. A progenitora marchou em direção a sua inimiga, que a observou, fazendo com que as duas se levantassem sobre as suas patas traseiras, soltando um grosso, temeroso e estridente rugido. Ambas se abaixaram, e então a mãe rugiu novamente, sendo recebida por um urro rouco da outra fêmea, fazendo com que a ursa com a mancha de coração recuasse de volta para sua prole. Esses desentendimentos eram frequentes, mas se resolviam rápido.

Aproveitando para relaxar, o casal de filhotes se deitou sobre a grama fofa, Kodiak, por ser o menor, estava um pouco mais cansado, se espreguiçando antes de juntar suas patas dianteiras para imitar um travesseiro, posicionando sua cabeça entre as mesmas. Sua irmã, usurpando dos privilégios de ser a primogênita, deitou sua cabeça sobre as costas do menor, que apenas soltou um leve ruído de proclamação, mas acabou aceitando o peso extra.

Um estrondoso urgido, forte como um relâmpago, ecoou pelo prado, trazendo o instinto de sobrevivência dos filhotes à tona, os acordando, ofegantes. Uranus havia afugentado a fêmea do coração de suas raízes, e a mesma para defender seus filhotes havia saído do local. Parecia algo simples, mas uma sensação de formigamento percorria suas espinhas, fazendo suas respirações ficarem erráticas. Misha se levantou gradativamente, arqueando suas orelhas e prestando atenção aos seus arredores, seguida pelo seu irmão mais novo, algo estava errado. Marcharam em direção a proteção do mato alto com cautela, dando apenas um passo de cada vez, não havia onde se esconder, olhos os vigiavam de todos os lados. Das suas costas, a fêmea das costas claras havia parado de se alimentar, e fitava cada um dos pequenos ursos com suas pupilas dilatadas, que os seguiam conforme eles se movimentavam.

O menor se desesperou, fitou sua irmã e grunhiu, começando a se mover mais rápido, mas suas curtas pernas impediam que ele acelerasse, mesmo com a propulsão de seus músculos, acabando por derrapar no solo. Misha seguia mais lentamente, tentando não olhar para o lado, pois sabia que um dos machos, de pelagem caramelada clara, a observava do lado oposto da fêmea, sentia que qualquer movimento brusco poderia desencadear algo que nem se quer sua imaginação fértil poderia constituir uma imagem correta.

Observando a agitação dos filhotes, Zarina se aproximou de suas crias, que se esconderam atrás de sua grande mãe, e se movimentaram em direção as árvores. O filhote mais novo, no entanto, parecia estar com problemas em acompanhar sua progenitora, porém, a inexperiência de Zarina impediu que ela notasse que nem todos estavam a acompanhando. Contra o vento, Uranus, marchava lentamente em direção a família, faminto, e dessa vez ele não estava atrás das raízes. Para adquirir calorias em tempos difíceis machos costumam e vão caçar filhotes da sua espécie, e com conhecimento de tal fato, a progenitora nunca esteve tão nervosa, ela tinha que vigiar suas patas e andar cautelosamente, pois temia escorregar e dar uma abertura para o titã iniciar um ataque.

Seus filhotes eram tudo com o que ela mais se importava, desde sua mãe, eles foram a única companhia que tivera, e não iria deixar um macho tirar esse direito dela. Zarina se ergueu, afiou seu olhar, que refletia Uranus, o predador colossal que se não fizesse nada, ele mataria o que lhe era mais sagrado. Sua garganta parecia borbulhar com aquele pensamento, fúria, raiva e tristeza bailavam em sua mente, lhe dando o gatilho que faltava. Zarina abriu suas narinas e impulsionou sua garganta com toda sua força, deixando o liso tecido da mesma vermelha, emitindo um tempestuoso rugido, levemente tremendo o solo abaixo de si. A progenitora se surpreendeu, quanto notou que não só seu urgido estava sendo emitido, como Kodiak e Misha também haviam se erguido, se juntando a mãe para tentar assustar o agressor. Uranus, entretanto, não se mostrou intimidado, com um rosnado abafado confrontou a família. O macho inicia a perseguição com uma arrancada, levantando uma nuvem de poeira conforme ele movia setecentos quilos de puro músculo e força bruta em direção a Zarina e sua prole, que começaram a recuar rapidamente em direção aos carvalhos, sua única salvação. O pequeno Kodiak, no entanto, tinha problemas para acompanhar a progenitora e sua irmã mais velha, estando a poucos metros do vicioso caçador.

Percebendo a demora de seu filho mais novo, Zarina desacelerou seus passos, se colocando atrás dos filhotes que prosseguiam, adentrando o gramado alto que se encontrava com os carvalhos logo a frente. Uranus estava logo atrás da progenitora, com cada passada de suas pesadas patas, ele ficava mais próximo de seus filhos. Passando pela ursa, o predador optou por a contornar, tentando manter em vista sua presa, Zarina, por outro lado, havia outros planos para a situação, se deixasse ele prosseguir era certo que Uranus os alcançaria, ele é muito mais forte que ela, mas para sua prole ter uma chance de escapar Zarina deveria o enfrentar. Na defensiva, ela trotou em direção ao agressor, e ambos se encararam, entre rosnados abafados e olhares afiados. O macho progrediu em direção a fêmea, que respondeu dando passos para trás, até que se colocou a fugir, guiando seu perseguidor para longe de seus filhotes, ao centro do prado, onde eram observados pelos olhos curiosos dos outros ursos.

No centro da clareira, a atenção trazida pelos rosnados e urgidos levava os ursos a pararem de procurar comida, mirando perto do córrego, atenciosos, onde Zarina e Uranus estavam levantados, com o macho evidentemente maior e mais forte. Os grous soltaram o alarme, levando a uma revoada de garças beges que estava espalhada pela campina, distraindo o agressor. Zarina aproveitou para dar o abraço da morte, se jogando em Uranus com suas garras com cinco centímetros de comprimento, curvadas e afiadas, porém, foi surpresa pelo rápido reflexo do agressor, que se contorceu para o lado ao também abraçar sua inimiga, a progenitora precisava concentrar todas as suas forças em suas patas para não ser jogada no solo por aquele movimento, se caísse seria fim de jogo.

Ambos oponentes aproveitaram a abertura que cada um havia feito, seja por desconforto ou pela tentativa de imobilizar o adversário. Uranus passou seu braço direito pelas costas da fêmea, enfincando suas garras na pele grossa da ursa, que mesmo desconfortável, a adrenalina já havia tomado sua mente, só havia um objetivo, defender seus filhotes, quaisquer fosse o custo, ela o faria. Zarina rugiu em fúria, jogando jatos de saliva que iam de encontro do macho. Em forma de defesa, ergueu seus lábios, mostrando dois pares de caninos tanto na parte superior de sua arcaria dentária como a inferior. O urso pardo possui uma das mordidas mais fortes da mãe natureza, lutando por suas vidas ou para proteger seus filhotes, eles conseguem produzir uma força de setenta quilos de força, o bastante para romper e quebrar ossos. Colocando toda sua força, a fêmea fechas suas mandíbulas sobre o maxilar do macho, impedindo que o mesmo se quer tentasse abrir sua boca para contestar, a dor da mordida era descomunal, se podia ver os caninos prensados contra seus ossos. Sua aflição resultou em um reflexo para escapar da dentada mortal, jogou seu corpo para o lado oposto, junto ao seu focinho, fazendo com que os caninos derrapassem em sua pele, cortando a mesma, e empurrou Zarina para longe, concentrando sua força na pata esquerda.

Com o impacto, caindo novamente em quatro patas, a progenitora estava zonza, cambaleando, mas o seu instinto materno a deixava de pé. Já havia perdido seus filhotes de vista, e não conseguia se concentrar para decifrar as moléculas trazidas pelo vento, afinal estava tendo problemas em se apoiar. Pressentindo que seu golpe havia sido efetivo, Uranus se aproximou das costas de Zarina, ainda adotando uma forma bípede, fazendo pressão em seus membros dianteiros, dilatando músculos e impedindo o coágulo de sangue ao concentrar todas suas forças, e com isso, se jogou com tudo contra as costas da ursa. Seus puros músculos podiam levantar até quinhentos quilos sem maiores problemas, fazendo o golpe certeiro de um urso ser extremamente perigoso, mas por sorte possuem sua camada extra de gordura para se proteger, se Silver estivesse em seu lugar, sua coluna vertebral seria moída em inúmeros fragmentos. Zarina, ao sentir o peso, abriu um espacate ao cair contra o gramado, soltando um leve ruído de dor abafado por sua frustração. Estava ofegante, sentia seus músculos falharem consigo, como engrenagens enferrujadas, não havia mais energias para lutar.

Seu filho menor, Kodiak, choramingou ao ver a situação de sua mãe, e mesmo sendo mordido por sua irmã mais velha, como um típico sinal de cala a boca não conseguiu se conter. O urso correu para longe do esconderijo de ambos os filhotes, em um tronco velho, em meio ao alto matagal entre os carvalhos, onde os cheiros eram tão dispersos que seria difícil decifrar onde estavam, mas algo o fez parar bruscamente, um titã que o fitava com ambição. Observando a chegada da sua refeição, Uranus lambeu os lábios, se dirigindo lentamente em direção ao filhote, mas foi impedindo por uma súbita dor em sua perna, o puxando para trás enquanto rasgava seus tendões e carne, rompendo a camada de pele grossa do macho, e revelando o fragilizado tecido avermelhado, banhado em sangue que começava a derramar do local da ferida. Zarina, ainda deitava com a face banhada em gotículas escarlates que haviam jorrado do seu inimigo, impedia que o macho atacasse seu protegido, esse era seu papel ali, sua primeira ninhada, nunca tivera ninguém fora sua mãe que a deixara anos atrás, não estava desposta a voltar a solidão, principalmente, sem seus amados filhos.

Voltando para a fêmea, o macho a virou com um golpe de sua pata, a colocando de barriga para cima. Montando em cima da mesma, ele arqueou seus lábios, exibindo seus caninos e mordendo a orelha da ursa, que urrou de dor com aquele golpe, mal tinha forças para se defender do ataque, mas assim como não podia deixar seus filhotes morreriam, também havia o instinto de auto sobrevivência, além de que suas crias não sobreviveriam sem ela, ao menos não agora. Com suas grossas garras, ela enfincou as mesmas na face de seu inimigo, descendendo as mesmas até onde se localizava o olho de Uranus, jorrando sangue por onde suas garras passavam, pintando a face da progenitora com jatos de sangue frescos, escarlate, refletindo o rosto errático do macho. Uranus soltou um berro agudo, puxando a orelha de Zarina, mantendo uma de suas extremidades por só um fio de carne, até que se partiu completamente. Ele correu assustado na direção oposta dos filhotes, desesperado, passando pelos outros ursos que observavam a situação de uma distância segura, abismados com o ocorrido.

Tudo o que a ursa mais queria era ficar ali, deitada, em seus próprios pensamentos e recuperando seu fôlego. Seus batimentos estavam acelerados, sua coluna estava dolorida, e estava coberta em sangue, tanto em sua face como nas feridas de garras em suas costas. Não sentia mais sua orelha esquerda, embora conseguisse ainda ouvir, fora deixada uma cicatriz com um significado bastante claro, machos adultos devem ser evitados, a todo custo se possível, assim como aglomerações. Reuniu todas as forças que conseguira, passando por Kodiak que a seguiu até perto dos troncos, onde finalmente, a progenitora desabou acima das gramíneas, soltando uma nuvem de ar quente de sua boca, não conseguia nem chamar por sua filha, mas esta havia sentindo o odor de sua mãe, e cautelosamente se dirigia para fora do esconderijo.

Sua mãe poderia ser desastrada, impetuosa e até consequente, mas Misha nunca esteve tão admirada pela sua ídola. A coragem de enfrentar um macho com o dobro de seu tamanho de igual para igual era uma ação de respeito. Sua mãe certamente não era perfeita, mas não havia dúvidas, para Misha, era a melhor do mundo. Se aconchegando em Zarina, a pequena ursa subiu em sua barriga, e ali se deitou, abraçando a mãe, vendo que a mesma não levantaria tão cedo, sendo seguida pelo seu irmão mais novo, que também a abraçou, deitando entre as patas de sua mãe.

Para Zarina, aquele era um desastre, fora banida do principal terreno onde podia encontrar a única forma de adquirir proteína. Não poderia viver de capim, muito menos raízes de carvalho, não produziria leite de qualidade, além de que as frutas que tanto almejava, não floresceram devido ao sol escaldante. Os filhotes dos herbívoros demorariam para chegar, os quais seriam outra fonte extremamente necessária de calorias, aparecendo somente no próximo mês. Seus filhotes tinham que permanecer fortes, e para isso, decisões drásticas eram requeridas.

Notas finais
Sem extras nesse capítulo, na verdade acho que daqui pra frente vai ser bem difícil aparecer algum, se de fato não aparecer nenhum. De qualquer modo, esse foi um capítulo um pouco difícil de escrever, por falta de criatividade mesmo, então a qualidade pode ter caído um pouco e a escrita ter ficado um pouco mais metódica, algo que provavelmente já vem acontecendo comparando ao prólogo, mas vou tentar tornar ela mais "lírica" e descritiva.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.