Jamie era encantadora. Seus cabelos estavam um pouco mais claros, mas seus olhos azuis eram impossíveis de se esquecer. Sim, eu não conseguia acreditar que aquela não era Julie, a minha Julie. Mas como era possível se... se ela estava morta?

Chegamos na cafeteria no mais absoluto silêncio. Pelo caminho não muito longo, o máximo que eu consegui fazer foi olhar todos os movimentos e gestos dela sem nem piscar. Estava abismado com tanta coincidência entre as duas. Era como ver um fantasma, mas em carne e osso.

- não é possível... – deixei escapar meu pensamento.

- o que disse?

- nada... nada...

Entramos e lá dentro parecia inexplicavelmente aconchegante. Sentamos em uma mesa de onde podíamos ver a rua e os carros passando depressa. Logo uma moça veio nos atender.

- o que vão querer?

- capuccino! – dissemos juntos e na mesma hora ficamos constrangidos.

- eu adoro capuccino. É uma delícia né? – ela perguntou tentando disfarçar a vergonha.

- é ótimo. Não vivo sem ele. – deixei escapar um sorriso *morre* e Jamie quase derreteu.

- Gerard... me fale de você. Por que me confundiu com outra pessoa?

Fiquei sério e me ajeitei na cadeira, dominado por um incomum desconforto.

- eu não confundi você. É que na verdade, eu... ai Jamie, é difícil demais de explicar.

- eu não entendo. Você me chamou de Julie, não foi?

- sim. Julie... – falei baixinho e meu rosto entristeceu.

- e quem era Julie?

- os capuccinos de vocês. – a moça chegou interrompendo a conversa e o silêncio tomou conta do lugar. Eu ainda me sentia muito amargurado para falar sobre a enorme ferida que continuava a machucar meu coração. Tocar nesse assunto sempre fazia meu corpo inteiro tremer.

Jamie bebia seu capuccino em silêncio até que, olhando pela janela, viu alguém que a fez dar um berro.

- Suzy!!!!

[...]