A Sucessora

1 Expectativas


Notas iniciais
Sem nada melhor para fazer, resultou nisso.

A madeira rangia sob os passos ansiosos e inquietos dela, ainda sozinha no quarto com o que dividira muito antes com Beyond, agora morto, Another Izume não conseguia se aquietar. Não depois da noticia que recebera.

Não sobre a morte de Beyond, isso já era esperado ele não era o ser mais equilibrado da terra de fato. Mais a causa de sua fuga ainda era um mistério agora desvendado.

Uma coisa era saber estar sendo preparada, outra completamente diferente era tomar o lugar do melhor detetive do mundo.

Ela não estaria tão incomodada com essa opção se também não houvesse descoberto que seria a primeira opção, a primeira da lista. A letra A.

Ela não era tão boa assim. Não lhe dava com tanta pressão deste modo. Ela tinha que ser a melhor. Não podia cometer erros, tinha que tomar o lugar de L, honrar o nome respeitado dele e um passo em falso seria a ruina de tudo aquilo que Lawliet construiu.

Pressão? Mínima.

Ela bufou audivelmente. Ótimo, chegara ao seu limite, estava usando do sarcasmo. Isso não era nada bom.

A porta rangeu sobre um movimento inesperado. Another virou-se pronta para chutar o ser intrometido que viera lhe atazanar as ideias, porém os olhos arregalados e negros a impediram do movimento brusco.

-L!

-Você é a primeira que acerta de cara.

-Leva-se algum tempo, mas a convivência com Beyond acaba te afetando. –ela cruzou os braços acariciando a própria pele enquanto Lawliet entrava no quarto composto por uma cama de beliche simples, um armário e uma escrivaninha com não muito mais que livros de ciências aplicadas. –O que fiz para merecer a visita do L em pessoa?

-Você esta enlouquecendo. –a voz dele era calma, porém nem mesmo isso fez a inquietação de Another diminuir.

-Eu? Não, imagine. Lido bem com pressão, mesmo. –mentiu não muito convincente para o detetive que com as mãos no bolso das calças olhou para os pés de Another.

-O piso tem sido arranhado por sua sola 57 vezes incessantes em 30 minutos, mais uma hora e você estará no andar debaixo sem nem ao menos notar. –ela engoliu em seco e forçou-se a parar nos movimentos ansiosos. Porém suas mãos ainda tremiam. –Contanto que não supere os tremores de seu joelho esquerdo em trinta segundos podemos concluir que não. Você não lida bem sob pressão.

-Ok, terminou sua avaliação? Pode me tirar do topo da sua lista agora?

Ele estendeu aos lábios pálidos um meio sorriso humorado.

-Ora, Izume-san você mais do que ninguém pode suprir minhas exigências. –ele aproximou-se do beliche apanhando com a ponta dos dedos um dos livros de filosofia que Another lia antes de sair pela primeira vez. –É muito esforçada, tem seus defeitos, mas é de fato a minha primeira opção em todos os quesitos.

-Eu posso falhar. Envergonhar você, Watari, Roger, o orfanato. Eu posso cometer um erro. Você pode ser chamado de mentiroso, posso...

-Pensamentos pessimistas não movem pessoas, Another. –L postou-se em frente de Izume após devolver o livro ao lugar de origem, tinha um sorriso tranquilo que acalmou os hormônios alterados de Another. –Eles as atrasam. Quero sucessos, isso é bem obvio, entretanto você tem o direito de falhar.

-Não, eu não tenho. –o sorriso de L se alargou ainda mais.

-Que bom que entende. –ele lhe deu as costas aproximando-se desta vez da escrivaninha.

-Você não está ajudando, L.

-Não é este meu objetivo. –retrucou o detetive abrindo com cuidado uma das primeiras gavetas. –Estou aqui com um alerta de que talvez você logo assuma o que me foi oferecido.

-O que quer dizer? –agora ela voltava a se abraçar com a ideia de que mais cedo que o previsto assumisse o lugar de L.

-Que estou viajando para o Japão esta noite.

-Kira! –ele virou-se ainda com o sorriso. Another compreendeu que estava dando exatamente o que ele desejava. Porém ele tinha em mãos uma foto que há muito havia sido esquecida pela garota e apesar do sorriso fantasmagórico que ocupava os rostos dos três companheiros de infância ela compreendeu o real motivo por ter sido escolhido. –É burrice.

-Não, não é. –pela primeira vez L não cedeu ao seu ponto de vista. –É raciocínio. Ligue os pontos, que melhor pessoa para me substituir senão a única que verdadeiramente me conhece.

-Lawliet, você está se colocando em risco.

-Não é grande coisa. –ele colocou a foto novamente no lugar.

-Está me colocando em risco.

-Sinto muito, mas não tenho melhor decisão. Escolho você. –ela agora já não mais tremia, olhava-o estupefata e abismada.

-Você gosta tanto de se martirizar pelo passado? –as emoções estavam a mil, L parecia ter demonstrado o ponto fraco e Another faria de tudo para ataca-lo.

-O fim de Beyond era suposto. Até mesmo você poderia prever. –ele sentou-se de seu modo na cadeira de madeira. –Mais não deixou de me surpreender.

-Eu...

-Não iremos retomar esse assunto.

-Só por que você não quer? Eu quero esclarecimentos, Lawliet. Você me colocou numa fria é sua obrigação explicar pelo menos a razão.

Ele a observava com atenção, o sorriso congelado na face não a deixou descobrir se ele estava apenas se divertindo ou então tentando mascarar a situação que provavelmente o levaria ao desespero. Como fez com Beyond.

-Eu... Eu não tenho uma razão.

-MENTIRA! –o grito dela retirou o sorriso forçado da face dele e as lágrimas não permitiram que ele retomasse a expressão séria. Agora ele a fitava aparentemente sem nenhum sentimento visível. –Para de mentir pra mim! –as lágrimas encharcavam as faces de Another, fazendo o cabelo ruivo grudar no rosto.

-Another...

-Eu não aguento mais isso. Está no meu limite, Lawliet e como se não fosse o suficiente para você ainda quer me colocar como tua sucessora só por estar ciente que desta vez posso não recusá-lo. –ela secou as lágrimas em gestos brutos. –Sabia que Beyond enlouqueceria, que a minha escolha não duraria o suficiente. Usou suas habilidades para tudo isso.

-Para a maior parte. –disse ele mordiscando o dedo como sempre fazia. –E você vem cumprindo as expectativas.

Ela mordeu a língua.

-Você é mesmo... Repulsivo.

-Você tem lidado bem com isso. –ele levantou-se e seguiu para a porta. –Eu só queria saber...

-Não precisa nem perguntar. –retrucou com a voz rouca. –Ainda gosto.

-O sexo feminino é algo interessante. Meus pêsames por seu irmão. –ele fechou a porta atrás de si. –Watari peça para prestarem mais atenção nela. Coisas...

Ouviram-se um estilhaço de vidros e L irrompeu novamente pela porta. A janela já estava rompida.

Watari correu pelo quarto e olhou por ela, abismado.

-O que...

-Expectativas são mesmo indesejáveis. Por isso trabalho com fatos.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!