A Stranger In My Life
3 Capítulo 3: A Estranha
Notas iniciais
Enjoy It! ;)
Outra vez, sonhei com ela. Dessa vez o sonho não foi tão tranquilo e agradável como o primeiro.
Ela estava magoada, e muito. Não pude ver seu rosto, nem entender direito o que se passava, mas de certa forma, sentia o que estava acontecendo.Ela estava de costas, magoada. Sabia que estava chorando, ao mesmo tempo em que segurava um objeto.
Eu não via o que estava em suas mãos, só sabia, inexplicavelmente, que ela o segurava com carinho e era algo de valor para ela. Eu cheguei perto dela, queria reconfortá-la e pedir desculpas. Mesmo não sabendo pelo que eu deveria me desculpar, eu o fiz. Ela se encolheu, ainda triste. Passei o braço ao redor dela, abraçando-a ao meu lado.
A partir daí, parecia um filme. Eu me via, também de costas, ao lado dela. Não conseguia ver tudo, e o que via era meio embaçado. E mais uma vez, inexplicavelmente, soube que ela estava sorrindo. E o sonho terminou aí, com a sensação calorosa de seu sorriso.
Na sala de ensaios, eu estava avoado. E dessa vez era eu mesmo, nada de 'feeling'. Eu me dispersava sempre que podia, para me lembrar da sensação boa que senti com o sorriso dela. Sorriso este que não pude nem ver e mesmo assim me fez tão bem.
-Acho que descobrimos o motivo da bipolaridade do YongBae — Dae Sung sussurrou para GD.
-Qual é? — falou enquanto os outros pararam para prestar atenção.
-Tá na cara que ele está apaixonado! — afirmou fazendo os outros avaliarem essa afirmativa.
-Pare de besteiras, Dae — falei olhando de rabo de olho para ele.
-Estava prestando atenção? — exaltou-se.
-Quem não estava? — perguntou SeungRi ironicamente, enquanto pegava sua garrafinha de água.
Todos ficaram em silêncio. Seus rostos indicavam que concordavam com a afirmativa. Pronto, agora além de bipolar, eles acham que estou apaixonado. O que mais me falta acontecer agora? Essa garota ser um traveco?
Dessa vez não quis conversar com o GD no intervalo. Atirei-me no chão, ouvindo uma música qualquer no volume máximo. Ele me cutucou algumas vezes antes de desistir e fazer o mesmo.
Mais tarde, na rua, saí para dar uma volta. Talvez até para testar minha sorte e encontrá-la. Sabia que não iria acontecer, ela não aparece quando eu quero e muito menos quando estou atento à ela.
Sim, parece que adora me pegar desprevinido, provavelmente para facilitar a fuga. E como eu não sou bom em fingir estar desatento, ela não seria besta de se arriscar a aparecer.
Como o esperado, nada de anormal aconteceu. Nem meu subconsciente se atreveu a interromper meu momento de quase paz. Eu estava relativamente normal, se não fosse pela enorme ansiedade de vê-la novamente.
E na volta pra casa, eu tive um 'feeling'. Também não gosto de ter 'feeling' na rua, só que não me parecia bem um 'feeling', parecia mais uma premonição. Eu precisava voltar um quarteirão e entrar no primeiro beco que visse, se não algo muito ruim poderia acontecer.
E era esse algo ruim que eu não entendia. Acho mais provável algo ruim acontecer comigo ao entrar nesse beco, pensei. Mas algo me chamava até lá. E dessa vez não era meu subconsciente.
Meu ímpeto de fazer a coisa certa, por mais louca que fosse, me levou até o tal beco. Não estava escuro, mas algumas caixas vazias davam a falsa sensação de que o beco era em linha reta.
Aproximei-me das caixas, ouvindo gritos abafados. Olhei entre elas, cauteloso, e pude ver algo chocante. A garota estava lá, trajando uniforme de estudante. E mais dois caras também. Só que esses caras não estavam com ela, pelo contrário, planejavam algo de ruim.
Finalmente pude ver seu rosto. Ela estava mole, cedendo ao clorofórmio do pano que tapava seu nariz. Um dos bandidos segurava suas pernas, enquanto o outro a sufocava com o pano. Ela não tardou a desmaiar de vez.
-Soltem ela — apareci bruscamente, não controlando a raiva.Os dois se assustaram com minha presença, mas não soltaram a garota.
-Vaza daqui, moleque. Isso não é da sua conta — o cara do pano falou.
-É sim, ela é minha amiga — relutei ao dizer a última palavra. Nem eu sabia o que ela era direito. Mas agora tenho certeza de que não é uma entidade, como afirmara o GD.
-Não me interessa, garoto. Se manda, se não eu mato você e ela! — ameaçou o comparsa.
-Quero ver você tentar — GD apareceu atrás de mim, com SeungRi ao seu lado. Os dois faziam carões inacreditáveis, mais badboys do que o próprio TOP.
Os dois recuaram um pouco, se sentindo encurralados, mas não soltaram a menina.
-Eu não vou repetir, me passem a garota — mandei, olhando de cara feia pro que ainda segurava o pano contra o rosto dela.
-Não estou afim de ser bonzinho, GD — SeungRi se manifestou, mostrando um taco e fazendo sinais de que iria avançar a qualquer momento. De onde surgiu aquele taco?
-E nem precisa — GD respondeu — Esses dois estão pedindo por uma boa surra! — ameaçou avançar no que estava segurando os pés dela.
O cara recuou para perto do companheiro. Este, largou a garota com pano e tudo.
-Se mandem! — ameaçou o maknae.
Os dois não custaram a obedecê-lo, subindo por uma escada presa ao muro e sumindo por uma passagem desconhecida.
Corri em socorro da tal garota. Ainda desmaiada e com o pano agora jogado em seu rosto. Apressei-me em tirá-lo dela e confirmar se era mesmo clorofórmio. No fundo estava com medo de ser alguma droga pior, ou até mesmo veneno.
-YongBae, você enlouqueceu? — GD interrompeu meus desvaneios — Se arriscar sozinho num beco qualquer por causa de uma colegial? Por que não chamou a polícia?
-E por que não estava armado pra isso? — interrompeu SeungRi.
-De onde você tirou isso? — mudei de assunto, apontando para o taco espesso em suas mãos.
-SeungRi estava voltando da sua primeira aula de beiseball, quando eu te vi voltar e andar até esse beco — GD explicou.
-Estava louco pra estreiar — disse batendo com o taco na palma da mão e me espantando. Onde o mais novo aprendera esses modos?
-Vamos pro dormitório — o líder ordenou.
-Mas e ela? — perguntei nervoso pela resposta.
-Leve-a consigo. Depois a gente vê no que dá — SeungRi sugeriu, me fazendo suspirar aliviado ao ver GD consentir.
Peguei a garota no colo e seguimos até os dormitórios. TOP parecia eufórico com a presença feminina no local e abençoou o meu momento de atentado à vida. GD não gostou nada disso, e obrigou o resto do grupo a ficar na sala, enquanto ele me acompanhava até o quarto em que ela ficaria. Lá vem sermão, pensei.
Mal entramos no quarto e ele começou:
-TaeYang, estou seriamente preocupado com você! — cruzou os braços.
-Por que? Deveria se preocupar com ela, que quase foi violentada — rebati.
-Não, eu tenho que me preocupar com você mesmo! Essa história de garota misteriosa, subconsciente está te enlouquecendo! — esbravejou — Quando, em sã consciência, você iria do nada se meter num beco estranho, sozinho, para salvar uma colegial? Me responda!
-Olha, não venha meter os meus problemas nisso! A garota precisou de ajuda, estamos todos bem e fizemos uma boa ação! Não foi tão ruim assim! — me defendi.
-Não foi tão ruim assim? — debochou — Você poderia estar morto, no chão frio daquele beco, ao lado do cadáver dessa garota! Pensa TaeYang! Polícia existe pra que?! Não é pra enfeitar as ruas não! — se acalmou um pouco — A sua sorte — apontou pra mim — É que eu estava do lado de fora do prédio, e que o SeungRi apareceu com aquele taco no mesmo instante em que você decidiu voltar e entrar no beco.
-Não fale comigo como se eu fosse irresponsável — me irritei — E isso não tem nada a ver com aquilo tudo que te contei. Está usando meus problemas para me julgar, GD, e isso eu não perdoo!
-Ah, não? Se meter em encrenca não tem nada a ver? — juntou as sobrancelhas.
-Não nesse caso, pare de me acusar injustamente! — gesticulei agressivamente para ele.
-Fale o que quiser, YongBae, mas aceite o fato de que você está ficando louco. E que essa garota precisa sumir amanhã mesmo — disse antes de sair do quarto, batendo a porta.
Pus as mãos no rosto, massageando minhas têmporas. Precisava me acalmar. Eu sabia que por um lado, ele estava certo. Mas ela era real, estava bem ali. E também eu não podia arriscar contar isso pra ele. Já me achava louco e, a essa altura, estava pensando seriamente em me internar numa clínica psiquiátrica.
Acho que o SeungRi me entenderia melhor do que ele. Nesse momento, até o TOP concordaria comigo, eu acho. Queria alguém que me entendesse, porque criticar é fácil demais e todo mundo sabe fazer. Mas tentar se pôr no lugar dos outros, é para poucos.
A poucos metros de mim, estava talvez a chave para todo esse mistério e confusão. Se encontrasse respostas com ela, tacaria na cara do GD. Caso contrário, assumiria estar louco e aceitaria de bom grado ser internado numa clínica.
Ela estava acordando. Provavelmente por causa da gritaria. Abriu os olhos alarmada, olhando tudo em volta até prender o olhar em mim.
-Calma, está segura aqui. Aqueles caras não vão te incomodar — disse me aproximando e sentando na beira da cama. Ela se recusava a falar comigo. Encolheu-se na cama, para não termos nenhum contato.
-Relaxa, eu te ajudei — sorri — Na verdade, alguns amigos meu também ajudaram, mas se não fosse por mim, você estaria jogada no beco, pensando que foi violentada — expliquei.
Ela continuava em silêncio mortal para comigo.
-Fale comigo! Vamos começar do zero ok? Eu sou Dong YongBae, conhecido também como TaeYang, ou só por YongBae mesmo. E você, quem é? — me apresentei.
-Não deveria estar aqui — disse pensativa.
-Como?
-Eu não deveria..Não posso estar aqui — falava assustada.
-E aonde você deveria estar?
-O mais longe possível de você.
-Mais eu te salvei. Por que tem que fazer isso? — perguntei um tanto deprimido.
-Olha, é complicado... — começou.
-Eu sei — levantei seu queixo para encará-la — E queria mesmo falar com você. Acho que você tem algo para me explicar não?
-Você não vai entender — murmurou, desviando o olhar.
-Eu não entendo desde o começo, não faz mal se eu não entender agora — ri — Apenas tente.
-Pode parecer estranho, mas somos ligados Tae, e essa ligação apenas se fortaleceu quando nos aproximamos — explicou.
-Disso eu sabia, que temos alguma ligação. Mas quanto a parte do "se fortaleceu"...
-Eu não posso ficar perto de você, e muito menos você de mim — repetiu amedrontada.
-Por que? — arqueei uma sobrancelha.
-Isso atrai problemas. Acredite, suas dores de cabeça vão sumir a medida que nos afastarmos, e tudo voltará ao normal — disse se levantando da cama.
-Ande vai? — levantei-me.
-Embora. Para o mais longe que puder de você — falou como se fosse óbvio.
-Nem me disse seu nome, sua mal educada! — fiz birra. Sim, eu fiz. Me senti no papel do SeungRi como maknae, mas tive que fazer. Pelo menos assim ela me contaria algo mais.
-Angel, me chame de Angel.
-Olha, por que você não volta pra cá e me explica tudo direitinho — apontei para a cama.
-Não dá, passar mais tempo aqui com você é uma ideia absurda. Fora o tempo em que eu estava desacordada — começou a retrucar.
-Quer parar de delirar? Se fosse para algo de ruim acontecer, já teria acontecido lá no beco — resmunguei.
Ela parou um instante, avaliando minha resposta.
-É loucura — seguiu em direção a janela.
-Vai sair pela janela? Isso sim é loucura! — ironizei.
-Loucura é trombar com os outros integrantes da BigBang, principalmente com o GD, que a essa hora, quer me fritar! — ironizou.
-Espere eles dormirem e saia como uma pessoa civilizada — alfinetei — Você vai escalar o prédio de saia? Perdeu o juízo?
-Você não manda em mim — se irritou.
-Não mesmo, você que parece me controlar com essa droga de 'feeling' e subconsciência misteriosa — falei deprimido.
-Olha — falou triste — É melhor, acredite em mim.
-Por que motivo? Eu só quero saber isso, é pedir demais?
-Coisas ruins acontecem à medida que nos aproximamos.
-Não foi assim no dia do acidente, você me salvou — argumentei.
-Pelo contrário, eu causei o acidente — falou culpada.
-Não é possível, não era você quem dirigia o ônibus.
-Olha, eu quis comprovar uma coisa, e quase te matei pra isso. Então o melhor é nos afastarmos o máximo que der! — afirmou tentando me convencer.
-O que você quer dizer com isso? — perguntei já irritado por não conseguir nem metado das respostas que queria e por ter aparecido novas incógnitas nessa equação.
-Não interessa, já falei demais. Apenas me esquece, vai ser melhor pros dois — falou antes de pular a janela.
Como sempre, não consegui pará-la. A garota parecia uma mestra em artes marciais e escalou o prédio até o chão com precisão e bons modos. E isso é admirável para alguém que está de saia e parecia uma garota indefesa, alguns minutos atrás, no beco.
Notas finais
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