A Stopped Clock
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Chegamos ao último capítulo e espero que ele agrade a vocês. Nos vemos então nas notas finais!
Boa leitura!
– Precisamos conversar. – eu digo, ainda mais sério que de costume.
Ele suspira e leva a mão aos cabelos, bagunçando-os. Um sorriso bobo e enrascado se fixara em sua face e lá permanecia.
– Como você é impaciente... – diz ele. – Certo. Entre.
Ele se vira e caminhamos até a sala; ele ia à frente enquanto eu o seguia atrás, em silêncio e atento a cada mínimo movimento. Sentamos no sofá, cada um em uma das pontas, nenhum de nós pronunciando qualquer palavra por vários instantes.
– Então... Sobre o piano... – cansado de esperar, ele tomou a iniciativa.
Esse foi o estopim: uma incontrolável agitação tomou-me o corpo, de forma que eu pouco me importava com as consequências de meus atos e falas.
– Como você o recuperou? E que dívida é essa do senhor Bonnefoy com vocês? O que você está escondendo de mim desta vez, Gilbert? – as palavras se atropelavam ao sair de minha boca. Eu o encarava fixamente, tomado por uma impulsiva agitação.
O albino me observa, calado e surpreso. Seus olhos rubros dilatados e atentos não se desviavam da minha pessoa.
– Acalme-se, Rod. Eu já vou explicar. – ele diz, sua voz transparecia certo nervosismo.
– Então se explique! – resmungo.
Se ele ia dizer logo o motivo, que dissesse de uma vez! O albino encara-me, impaciente.
– Vai me deixar falar, ou não? – reclama ele.
– Já está demorando. – digo, simplesmente, cruzando os braços sobre o peito.
– Certo. – ele suspira fundo antes de continuar – A dívida do senhor Bonnefoy é uma dívida de jogo, e não é bem dele, exatamente.
– Ah? – escapa-me pela boca, enquanto comprimo as sobrancelhas, confuso.
– Deixe-me terminar! – ele voltou a reclamar – Eu e Francis somos conhecidos antigos, porque ele era filho de um amigo de meu avô, da época de general, e nossos velhos viviam jogando e apostando entre si. Acontece que numa dessas apostas, onde o senhor Fritz venceu, o senhor Bonnefoy não teve tempo de cumprir a parte dele do acordo.
– Por quê? – pergunto, de pronto, com um quê de curiosidade.
– Porque meu avô morreu três dias depois da última vez que eles apostaram. E o pai de Francis também não durou muito mais.
Silencio-me uns instantes, um tanto surpreso. Entristeço-me, levemente. Se eu realmente desejava tanto fazê-lo feliz, por que parecia que eu só o fazia se lembrar das tristezas de seu passado? Gilbert encara-me o tempo todo e parecia ver através de mim, lendo cada um de meus pensamentos.
– Ei, Rod, isso não é o que importa. Eu já superei isso há muito tempo. Digo... A morte do senhor Fritz... – ele diz, com um leve sorriso.
Aceno com a cabeça e decido por continuar o assunto. Não que eu acreditasse totalmente em suas palavras, afinal a morte sempre é algo difícil de lidar, ainda mais quando se trata se um ente querido...
– Então essa dívida passou para vocês?
– Sim. – responde ele, despreocupadamente.
– Então por que não pegaram o dinheiro antes para pagar a própria dívida, ao invés de o usarem para eu recuperar o meu piano?
O albino dá uma pequena risada, ao que levanto uma das sobrancelhas, esperando por uma explicação.
– Rod, nunca que nossos velhos apostariam dinheiro!
– Ah? Como assim? O que eles apostavam então?
– Ah, bem... Um pouco de tudo, menos dinheiro. Eram coisas bobas, como quem ia pagar o café, ou quem iria levar eu e o Francis ao parque... Coisas assim.
Não pude duvidar... Além de que, isso explicava o acordo bizarro proposto por Francis. Ainda assim eu tenho muito a perguntar.
– Então, o piano...
Ele sorri largo e se aproxima um pouco, sentando-se mais próximo de mim. Sua aproximação fora cautelosamente observada por mim.
– Você quer saber a última aposta deles, não quer? – ele diz, no típico tom orgulhoso.
Receei em responder. Eu deveria dizê-lo a verdade e o permitir perceber minha curiosidade para com ele? Isso apenas contribuirá ainda mais para que seu ego se tornasse ainda mais insuportável! O que exatamente eu deveria responder?
– Hey, aristocrata, por acaso você não está mais interessado? Bem, já que é assim tudo bem. Não tocarei mais no assunto e...
– Fale logo. – digo, interrompendo-o drasticamente.
Ele gargalha de minha impaciência, o que me faz constranger levemente. Risadas são, sem dúvidas, desnecessárias!
– A aposta era... – ele dá uma curta pausa proposital, levando-me a inquietação – Fazer o necessário para ajudar uma pessoa querida que estivesse com problemas. – sua voz soava tranquila, sem zombarias ou sarcasmos, o que me surpreendeu.
Ele se calou um instante, enquanto eu o observava perplexo e envergonhado. Seu tom de voz denunciava que ele não estava com brincadeiras desta vez. Minha inquietação aumentara, mas ela agora estava diferente. Ela deixava-me ansioso por alguma razão.
– O-Obrigado. – digo, a voz não colaborando em nada e saindo completamente trêmula, denunciado assim todo o meu nervosismo.
– Você também me ajudou, então estamos quites. – ele diz, sorrindo.
Não consegui respondê-lo. Eu não sabia ao certo o que fazer ou o que dizer. Por que está tudo tão confuso? Por que ele não falou nada do meu gaguejar? Definitivamente há algo de errado com ele!
– Ei, Rod. – ele chamou, me fazendo direcionar a minha atenção novamente a ele. – Por você ter me ajudado... Posso considerar então que também sou uma pessoa querida para você?
Surpreendo-me, não com as palavras — afinal eu já estava acostumado às brincadeiras por parte do albino -, mas com as feições sérias que ele me lançava. Eu não sei o que pensar e sinto estar tremendo por inteiro. O que há com ele?
Sei que isso não passa de uma brincadeira como qualquer outra, então porque não consigo simplesmente ignorar tais palavras?
Ele aproxima seu rosto do meu e por um instante apenas observo sua aproximação. Ele vai me beijar? Será isso mesmo? Sim, não há dúvidas quanto a isso! Mas... Devo deixar que ele me beije? Bem, assim tecnicamente meu trato com o senhor Francis estaria cumprido... E não é como se eu não quisesse... Mas, mas...
Ergo meu corpo rapidamente do sofá, surpreendendo o albino, que recuara um pouco o corpo por culpa de meu repentino movimento. Levo a mão aos meus lábios, que ansiavam pelo contato interrompido. Era só um maldito beijo, mas ainda assim... Como sou idiota!
O outro se ergue, com a aparência um tanto atordoada.
– Rod... Eu...
Por que ele fez isso afinal? Tudo bem que ele não fez nada ainda, mas ele pretendia! Aonde ele pretende chegar com tal ação?
Dou as costas a ele e me encaminho à saída, os passos velozes e incertos. Eu estava desconcertado e confuso, além de irritado comigo mesmo.
Até quando eu iria continuar fugindo? Odeio a mim mesmo por isso, por esta minha fraqueza. Por Deus, não é como se eu nunca tivesse beijado alguém na vida! Não é como se eu fosse alguém inocente! Então por que ajo como uma menina virgem de catorze anos?!
Apresso-me pelo corredor, em direção à saída. Gilbert permanecera por vários instantes apenas me observando, confuso, mas não demorou muito para que ele apressasse os passos e me alcançasse.
Ele segura-me o pulso fortemente. Minhas tentativas de liberdade são todas em vão.
– Solte-me!
– Rod, o que você tem? – ele pergunta.
– Deixe-me em paz, Gilbert!
– Rod, me escuta!
– Po-Por que você ia me beijar? Droga! – viro o rosto, desistindo de escapar, pois isso se mostrava impossível.
Ele nada responde, apenas cora levemente, constrangido. Porém eu não o dava muita atenção. Eu me encontrava por demais nervoso, meu coração acelerando cada vez mais. Seria ele capaz de perceber minha agitação pelo simples toque com meu pulso?
– Não era minha intenção. – ele diz, sua voz se mostrava um tanto arrependida.
Seu arrependimento fez meu coração doer; uma dor maior do que qualquer uma que um pedido de desculpas poderia acarretar.
– Sei. Você não sabe o que faz. Nunca sabe. – digo, com descaso.
– Do que está falando? – ele diz, lum tanto confuso.
– Estou dizendo que você é um idiota insensível! – respondo, erguendo o tom de minha voz, para a surpresa de Gilbert.
– O quê?
– Você bem que podia parar de agir desta forma comigo. Não me agrada nem um pouco, se me permite dizer. – senti-me inundado, de repente, por certa tristeza.
– Eu... Eu te magoei tanto assim? – ele diz, receoso.
Nada pude responder. Não é como se eu pudesse realmente ficar magoado por tão pouco e por tamanha bobagem. Eu estava bravo, mas era comigo mesmo na verdade. Eu só estava tentando livrar-me da culpa, e o estava usando como vítima.
– Não...
– Não o quê? – ele ainda segurava-me o pulso, permitindo-me sentir sua agitação.
– Eu não estou zangado por tamanha idiotice. É como você disse afinal: você é alguém importante pra mim, então odiá-lo por tão pouco seria hipocrisia. Eu só quero fugir, porque não sei como te encarar!
Meu rosto ardia, mas eu tentava esconder a vermelhidão ao máximo, deixando meu rosto virado à parede. Além de que eu não era mais capaz de encará-lo nos olhos. Suspiro baixo, tentando me acalmar. Foi nesse momento que ele me agarrou o queixo firmemente e forçou-me a encará-lo.
Agarro sua mão, que ainda permanecia em minha face, tentando me libertar. Gilbert encara-me, sério, mas levemente corado. Seus olhos brilham como dois belos rubis e acabo por me perder neles, como sempre.
– Gilbert, me largue. O que está fazendo?
Ele nada responde, mas vejo seus lábios se comprimirem impacientemente.
– Gilbert? – chamo-o mais uma vez.
– Rod... – ele diz, numa voz fraca.
Ele desce os olhos ao chão e me solta. Recuo à parede, onde me apoio. Sinto minhas pernas fracas e prestes a falharem. O que há com ele?
– Como eu vou conseguir me controlar com você agindo dessa forma?! – ele leva as mãos à própria cabeça, apertando os fios claros de seu cabelo, aflito. Sua atitude me surpreende.
– Você está bem?
Ele me ignora. Seu silêncio me aflige. A culpa começa a corroer-me por dentro e vê-lo daquela maneira me preocupava. Ao mesmo tempo, eu tentava compreender o significado de sua palavras.
– Ei, Gil... – tento tocá-lo, mas, ao notar minhas intenções, ele me prensa contra a parede.
Não tive tempo nem para tentar entender o que acontecia, pois logo eu já me encontrava em um transe profundo, enquanto ele colava os seus lábios aos meus firmemente. Ficamos assim até que tivéssemos que nos afastar pela falta de ar.
O que está acontecendo?
Mantive-me quieto, totalmente confuso com o repentino gesto, enquanto meu peito subia e descia aceleradamente. Por que ele fizera isso? Por que ele voltara a brincar com meus sentimentos? Ele apoia as mãos na parede, um braço de cada lado de minha cabeça — precavendo-se talvez contra uma possível tentativa minha de fuga.
– Você desgosta?
– Ah?
– Dos meus beijos, de mim. Você desgosta?
Sinto-me suar frio. Eu permanecia colado à parede o quanto me era possível, temeroso ao que acontecia. Que perguntas eram essas?
– E-Eu não sei.
– Como você não sabe? É sim ou não! – ele diz, em aparente impaciência.
Ele encara-me com olhos afiados e uma seriedade incomum.
– Gilbert, o que você tem? Por que está fazendo isso?
– Rod, droga! Eu não aguento mais! – ele diz, alto, um tanto descontrolado, enquanto aperta-me, com ainda mais força, contra a parede, me machucando. – Você parece que não entende! Eu te amo muito, muito mesmo, e não consigo mais me controlar! Eu quero você, e quero agora. – ele diz tudo praticamente em um só fôlego.
– O... O quê?
Não pude evitar manter minha boca entreaberta, tamanha a minha surpresa e confusão. Por que aquilo parecia tanto uma... Não... Devo ter entendido algo errado. Ou é uma brincadeira... Sim, deve ser isso.
Encaro-o fixamente, ainda desacreditando em tudo que ocorria. Eu olhava seus olhos, que pela primeira vez em muito tempo fugiam dos meus. Ele definitivamente não parecia estar brincando... O que eu faria agora? Mantenho-me em silêncio, a face cada vez mais quente.
– Rod... Fala alguma coisa. O seu silêncio me machuca.
– E-Eu não... – tento dizer algo, mas não sei ao certo como começar. O que se dizer numa situação como esta?
O albino retira os braços, deixando que eles pendessem ao lado de seu corpo. Ele levanta o rosto, que ainda se encontra corado, e sorri largo.
– Tudo bem. Não se preocupe.
Aquele era definitivamente o sorriso mais falso que eu vira em sua face até hoje. Ele parecia em enorme dor, mas permanecia com aquela falsidade nos lábios.
– Gil, eu... – seguro-o pela manga da blusa, quando este ameaça se afastar. Ele encara-me, surpreso e confuso. Droga! As palavras não saem!
– Não se preocupe. Não precisa dizer nada. Eu entendo.
– Não é o que você está pensando! – forço minha garganta a cuspir as palavras que, até então, estavam presas em seu interior.
Ele nada diz, apenas permanece parado. Depois de alguns instantes ele vira o rosto e puxa o próprio braço para longe de mim.
– Eu acho que você deveria ir. – ele diz.
– Ir?
– Embora. – a voz do albino soava ríspida e magoada.
– Na-Não entendo... – digo.
– Rod, você tem que parar com isso. Tem que parar de me dar falsas esperanças. Isso já se tornou incômodo.
– Que falsas esperanças?! Do que você está falando?!
– Pare de ser tão bonzinho! Por que você não vai embora? Você não vê que, neste instante, eu não te quero aqui?
Sinto-me surpreender com a frieza daquelas palavras. Elas me feriam, mas aparentemente ele não percebia isso — ou simplesmente não se importava. Senti-me revoltado e, inclusive, um tanto bravo. Eu sabia que Gilbert era um tonto, mas não sabia que era tanto!
– Eu não vou a lugar nenhum até que eu diga o que tenho a dizer! – digo, com certa determinação. Eu não deixaria as coisas ficarem como estão sem antes contar o meu lado da estória!
– Acontece que eu não quero ouvir.
– Então não ouça.
Usando toda a coragem que pude, aproximo rapidamente nossos rostos e colo meus lábios aos dele. Eu temia a sua reação, mas eu não poderia continuar fugindo. Mas, para meu alívio, ele correspondeu, e logo já pedia permissão para aprofundar o beijo.
O beijo era quente e nossas línguas dançavam juntas. Ele leva as mãos ao meu ombro, trazendo-me para mais perto. Eu sentia-me quente e constrangido, sobretudo por ter tido que tomar a iniciativa. Estava tudo indo muito bem, até que ele me afastou, empurrando-me pelos ombros. Ele parecia bravo e surpreso.
– O que está fazendo? Por que está fazendo isso?
– Por que você disse que não ia me escutar!
– E isso é motivo para brincar comigo?
– Eu não sou de brincadeiras e você sabe muito bem disso!
Ele nada responde, encontrava-se surpreso. Ele virou o rosto levemente ao lado, desviando seus olhos dos meus.
– Então se explique.
– Certo. – agarro-o pelo queixo, forçando-o a me encarar nos olhos. – Eu não pretendo repetir, então preste bastante atenção. Eu te amo.
O silêncio que se formou no ambiente não era dos mais confortáveis, mas nenhum de nós tinha algo exatamente a dizer. Permanecíamos estáticos, trocando olhares atentos.
Quando finalmente o soltei, ele recuou alguns passos e se recostou na parede oposta. Aproveitei a oportunidade para desviar meus olhos da figura albina, e pus-me a encarar o teto. Meu coração batia acelerado e descompassado.
– Rod... — ele diz, instantes depois, quebrando o silêncio.
– Sim? – respondo ao seu chamado, ainda que eu não o encarasse no momento.
– Você realmente me ama?
Desço os olhos a ele, o nervosismo tomando-me o corpo.
– Eu disse que não iria repetir.
– Só diga que sim. Eu... Eu preciso ter certeza de que não foi um engano.
Desviei meu olhar novamente. Ter que encará-lo era constrangedor ao extremo.
– Bem... Sim. – respondo, simplesmente.
– Eu também. – ele diz, com um sorriso.
Ele se aproxima de mim e me envolve pelo quadril. Suas ações eram estranhadas por mim, mas eu não as impedia. Eu não podia permanecer estagnado, eu tinha que seguir em frente, e essa a melhor oportunidade possível.
– Rod, você é meu namorado agora.
Permaneço quieto por alguns momentos, mas logo eu levantava o rosto novamente em sua direção, agitado e corado.
– Qu-Quem decidiu isso?! – digo, em sobressalto.
– E você não quer? – ele diz, convencido de minha resposta.
– E-Eu...
– Não tem problema, Rod! Afinal seremos gays de qualquer forma! Não namorarmos não mudará esse fato!
– Esse não é o problema! – digo, corado.
– Então qual seria? – ele diz, um tanto impaciente.
– Você simplesmente não pode decidir essas coisas sozinho!
– Desculpe, jovem mestre. Eu não sabia que eu teria que pedir a sua mão... – ele diz, irônico.
– Tolo. – digo, constrangido.
O súbito beijo sobressaltou-me, mas permiti que ele proseguisse. Agarro-o pela nuca e o puxo, nos juntando ainda mais. Senti algo subir-me pelas costas, assustando-me e nos fazendo cair no chão. A mão do albino subia por dentro de minha blusa, causando-me arrepios. Sinto-me estremecer com seus toques. Não estavamos indo longe demais? Ou, ao menos, rápido demais?
Ele a retira de minhas costas e começa a desabotoar os botões de minha camisa. Eu queria impedi-lo, mas eu não conseguia mover-me. No fundo eu sabia que também desejava aquilo. Eu também o desejava.
– Gil... Eu te amo. – eu não sei exatamnete o que me fez dizer palavras tão embaraçosas — talvez tenha sido a calor do momento — mas elas eram como música, ressonando no ambiente, de tão perfeitas que soaram.
– Eu também, Rod. Eu também.
Ele abraçou-me e me surpreendi com o quanto seus braços eram aconchegantes. Deixo-me estar, afinal era confortável.
Ele voltou a desabotoar minha blusa e logo já traçava uma trilha de saliva pelo meu corpo claro, fazendo-me ter múltiplos arrepios. Não demorou para que ele começasse a brincar com um de meus mamilos, fazendo-me corar fortemente. Ele tomava a dianteira, enquanto eu permanecia o mais silencioso possível — segurando baixos gemidos que, às vezes, teimavam em sair.
– Jovem mestre, você é a moça mais passiva que eu já conheci. Você tem certeza que não é virgem? Vai ver suas experiências passadas não passaram de um sonho, e só agora você percebeu isso. – Gilbert diz, irônico.
– Calado! Eu não sou virgem! – digo, constrangido.
Decidido por tomar alguma iniciativa, para assim calar-lhe a boca. Afasto-o e abro o zíper de sua calça, admirando assim o volume entre suas pernas, que começava a se tornar significativo. Sem demora, começo a masturbá-lo com as mãos, ato que surpreendeu o albino, apesar dele não ter dito nada. Era constrangedor, afinal, apesar de eu não ser virgem, era a primeira vez que eu fazia tal coisa com um homem!
Nada mais poderia ser interrompido e eu estava ciente disso. Iríamos até o final, não que eu estivesse com medo, afinal eu o amava e o sentimento era recíproco. Apesar do nervosismo, eu não impediria que tudo acontecesse, não depois de termos chegado tão longe.
Ele selou-me os lábios novamente, envolvendo-me por seus braços. Eu quero sentí-lo mais e mais. Apenas isso é certo para mim neste instante.
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Senti que o tempo não mais se alastrava lentamente, e, com certeza, ele correria ainda mais rápido a partir de hoje. Que a vida me permita, por favor, alcançar o futuro ao lado dele. A pessoa que eu mais amo.
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~|~
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O loiro se vira e se afasta, voltando pelo caminho percorrido instantes antes.
– Ahn? Lud, você não tinha decidido que ia voltar a morar com o Gil? – diz um pequeno italiano, que corria para alcançar o maior.
– Acho melhor voltar amahã... – ele diz, levemente contrangido. – Eu podia viver sem ver aquilo... – murmura para sim mesmo.
– Disse alguma coisa?
– Ah? Não. Esquece... – o loiro se silencia brevemente – Feliciano, posso ficar na sua casa por mais um dia?
– Claro! – diz o italiano, eufórico e com o rosto levemente corado. – Mas o que estava acontecendo na sua casa? Por que cobriu meus olhos?
– Err... Bem... Digamos que o Gil estava com uma visita. – diz o maior, constrangido.
– Visita? – o italiano sorri inocentemente. – Era alguém conhecido?
– S-Sim...
– Não quer ir lá para ao menos cumprimentar?
– Não...
– Tem certeza?
– Sim... – o loiro coça a cabeça. Certamente já sabia dos sentimentos de seu irmão e do austríaco um pelo outro, mas nunca que pensara que os veria uma hora tão importuna... – Vamos para casa, Feliciano.
– Ok! – diz, batendo continência e sorrindo.
O alemão encara o italiano de esguelha e se inclina, selando um leve selinho em seus lábios. O menor pareceu se surpreender, mas apenas sorriu ainda mais alegre.
– Ei, Lud, já que você vai se mudar lá de casa, você vai vir me visitar. Não é?
– Claro. – o alemão bagunça os cabelos castanhos do menor, sorrindo levemente. – Eu irei sempre que desejar.
A noite era bela e aconchegante. E finalmente, a vida parecia voltar a andar novamente em seu ritmo certo e o tempo perdido seria recuperado rapidamente.
As estrelas reluziam fortemente naquela noite de fim de outono.
Eu não mais ouvia
o clássico andar de seus ponteiros.
A quietude nunca fora, antes,
tão atordoante.
O tempo não passa, o dia não acaba
e a noite não vem.
Minha vida parada permanece;
Quando ela adquiriu tamanha lentidão?
Se às claras você me persegue,
fecho os olhos em busca de abrigo,
mas você lá está novamente,
impedindo todo o meu sossego.
Por que isso?
O que são esses rubis,
que me perseguem até nos sonhos?
Mas, um dia,
eu finalmente compreenderei o que se passa,
e as pilhas do velho relógio serão enfim trocadas.
Não haverá mais perseguição,
apenas duas pessoas caminhando juntas
em direção a um novo amanhã.
Um futuro reluzente, com você ao meu lado:
é isso que nos aguarda.
Só me resta então esperar
para que o velho relógio volte a funcionar
e que estes sonhos tornem-se finalmente realidade.
Notas finais
Desculpem caso o Gil tenha ficado um tanto OOC neste capítulo. ^^' E pelo poema um tanto fail no final... Eu escrevi faz tempo e não sabia se punha ou não, mas acabei achando uma boa. Se alguém ainda não entendeu porque a fanfic se chama "A stopped clock", eu mato. u.u Tá, sem violência. Se alguém não entendeu é só falar, e eu explico com prazer! ^^
Obrigada aos que comentaram, principalmente aos que comentaram em todos os caps, eu amo tds vocês e nunca vou poder recompensá-los o suficiente por todo o apoio. .-.
Reviews serão, como sempre, bem vindos. E se você não deixou nenhum até agora, sinta-se a vontade para deixar suas palavras finais. o/
Espero nos vermos em breve!
BJJS e Boas festas a todos ~
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E para quem está entediado em casa... Não deixem de ler minha two-shot/one-shot com pequeno prólogo, a "Um palco para dois"!
É um desafio PruAus enviado pela senhorita Mayumi Sato, e no qual aproveitei para fazer um POV de Gil (pedido da senhorita Jojo, que me pediu várias vezes por isso nesta fanfic - espero poder recompensá-la desta forma ^^')
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