Notas iniciais
Nada a comentar.
Boa leitura.

Estou surpreso.

As palavras de Gilbert realmente me pegaram desprevenido. A maneira como ódio e fúria estavam presentes em suas feições de maneira tão intensa, mostrando toda sua raiva com a incompreensão do irmão, era realmente algo que não se podia ignorar. Mas realmente deve ser difícil. Quero dizer... Não há nada mais importante para uma pessoa que seu passado, suas lembranças. Por isso eu queria poder ajudá-lo, mesmo que eu ainda não tenha ideia de como.

Volto a mirar as teclas do piano, ainda em silêncio. A briga de Gil e Ludwig só comprovava a seriedade do assunto e, por isso, eu deveria ter muito cuidado como o que eu falasse — afinal eu não desejo complicar ainda mais a situação e muito menos ferir os sentimentos do albino.

Percebo Gil se levantar e o sigo com a cabeça, meus olhos tentando seguir os dele. Ele começa então uma interminável caminhada entre uma parede e outra do cômodo, o olhar direcionado ao chão e sem pronunciar qualquer palavra. Ele realmente está bravo... Volto a olhar o piano, refletindo sobre alguma forma de ajudá-lo.

– Então por que você não vende o piano? – digo, me virando para ele.

Ele se vira para mim com uma das sobrancelhas erguida e assim fica a me encarar, ainda sem dizer qualquer palavra. Continuei, ao notar que ele não pretendia falar nada.

– Bem... Não sei se você sabe, mas este piano vale um bom dinheiro. – dou uma curta pausa – Tente vendê-lo para algum colecionador de antiguidades. Eu soube que recentemente um colecionador se mudou para o nosso bairro e, se me bem recordo, o seu nome é Francis Bonnefoy. Eles mora umas casas abaixo e...

Ele suspira, me fazendo calar no mesmo segundo. Ele levantaas mãos para o alto e as balança no ar, impaciente.

– Rod, eu nunca poderia vender o piano! Ele é tão importante para mim quanto o resto da casa. Isso não resolveria o meu problema.

– Eu acho que não estou ajudando muito, não é?... – eu digo um tanto cabisbaixo. Por que eu nunca consigo ser útil a ele? Sempre quando ele mais precisa de mim, eu o deixo na mão.

– Ahn? É claro que você está ajudando!

Pressiono aleatoriamente algumas teclas do piano, sem me concentrar em uma composição específica. O som que agora produzo representa tudo que se passa em meu interior: confusão, sem qualquer ordem ou compasso, exatamente igual aos meus pensamentos. O albino nada diz, continua apenas a me observar tocar.

As notas saem desafinadas, descompassadas e perdidas. O que eu devo fazer agora? O albino continua em silêncio e eu permaneço em minhas reflexões. As notas ainda ecoam pelo cômodo, ora correndo ora se interrompendo subitamente.

– Gil, eu acho que vou embora... – eu digo, afastando finalmente as mãos do piano e me virando para a figura albina que até agora ainda me observava calada.

– O quê? – ele diz, aparentemente surpreso e perplexo com minhas palavras.

Eu precisava ir pra casa e refletir profundamente sobre o assunto, algo que eu não seria capaz com Gilbert me encarando todos os sessenta segundos de cada minuto. Se eu realmente quisesse ajudá-lo a pensar em uma solução para pagar a dívida sem que ele ficasse brigado com o irmão pelo resto da vida, eu não poderia mais perder tempo. Levanto-me do pequeno banco e vou em direção à escada, sendo logo seguido pelo prussiano que corria para me alcançar.

– Rod, espera! Por que você está indo embora?

Nós já havíamos subido a escada e atravessávamos a cozinha quando eu finalmente o dou uma resposta.

– Não consigo me concentrar com você jogando todas as suas esperanças e expectativas sobre mim daquela forma. Preciso ir para casa, relaxar um pouco, e pensar em alguma ideia de como te ajudar.

– Rod, não precisa se preocupar com isso. – ele diz agitado.

– Como não vou me preocupar se você é altamente dependente dos outros?

– Ei! Isso não é verdade! – ele diz, fazendo-se de ofendido. – E quem você acha que é pra se meter nos problemas dos outros? Isso é entre mim e o Lud!

Paro de andar ao ouvir as suas palavras. Já havia alcançado a porta que me levaria para a rua, mas dei-a as minhas costas, virando-me para o albino rapidamente. Sinto minha face levemente quente, mas desta vez de raiva.

– Eu não sou petulante, seu ingrato!

Ele me olha confuso, com a cabeça levemente inclinada para o lado e os olhos um tanto que cerrados. Ficamos em silêncio, eu ainda me remoendo de raiva por dentro, enquanto nos encarávamos, mesmo que nossas feições fossem praticamente contrárias.

– Rod... – ele dá uma curta pausa, ao que apenas fico a observá-lo, ainda irritado – O que é petulante?

Levo a mão à testa e estapeio-a em movimentos totalmente inconscientes, deixando uma marca vermelha no local. Enquanto isso, o albino permanece com as mesmas expressões, ou quase as mesmas, pois agora elas me pareciam ainda mais idiotas.

– Atrevido.

– O quê? Eu não sou atrevido! Você sabe muito bem que a vida dos outros não me interessa nem um pouco! Já tenho minha incrível vida para me preocupar. – ele diz, no típico tom orgulhoso.

Levei a mão novamente à testa, marcando-a ainda mais. Como ele pode ser tão estúpido?

– Petulante... Atrevido... É tudo a mesma coisa. Eu não estava te xingando, Gilbert.

– Ah! – ele diz, jogando os braços para o alto e fazendo uma careta de desdém – Aristocrata, você bem que podia deixar de falar tudo tão engomadinho!

Suspiro. Às vezes, eu mesmo me surpreendia com o tamanho de minha paciência.

– Tá. Tá. Não importa o que significa ser petundante ou sei lá o que você falou ai, mas não se envolva, entendido?

– Como se eu nunca me envolvesse... – eu digo, cruzando os braços sobre o peito e revirando os olhos.

Dei as costas ao albino, ao que ele apenas permaneceu em silêncio.

– Ah, quer saber? Faça o que quiser então. Só não entendo o que te leva a querer tanto me ajudar.

– Tolo, é porque eu me preocupo com você. – eu digo, já no fim de minha paciência. Ele me irrita, provoca e vive me dando dor de cabeça. Eu me meter na vida dele já se tornou algo realmente comum há muito tempo. Por que justo agora ele me vem pedir explicações?

– Você se preocupa... comigo? – ele diz em pausas, sua voz soando levemente confusa e surpresa.

– O que você acha? – eu digo já um tanto impaciente.

Viro a maçaneta e finalmente dou um passo para o exterior. O vento gelado e úmido é um sinal de que eu não deveria demorar muito para chegar em casa, ou iria acabar pegando chuva no caminho. Faço uma rápida reverência ao albino, que ainda se mantinha paralisado e mudo no átrio, e começo então a me afastar da residência, consciente de que eu ainda era observado por ele mesmo sem me virar para checar – pois eu até então não ouvira nenhum som que denunciasse o fechamento da porta.

Eu caminho a passos curtos, envolvendo meu corpo por meus braços a fim de me proteger do frio gelado que soprava na rua. Os passos se tornam maiores e logo já estou distante dele novamente. Eu desejava tanto ir embora até agora a pouco, então por que sinto uma enorme vontade de voltar e ficar ao seu lado?

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– O que... eu acho? – Gilbert diz as pausas, ainda observando Roderich pela porta da casa – Eu não acho nada... – sua voz soa levemente entristecida – Mas bem que eu queria que essa sua preocupação toda fosse por causa de amor seu por mim. – ele responde, mas o austríaco já estava longe, não ouvindo assim as suas palavras. Ele fecha a porta.

Notas finais
Ok. Eu admito que não gostei deste capítulo. Não ta bom, mas eu também não sabia como arrumar. Juro que o próximo vai ser melhor. Ok? Então não me matem. O.O
Mesmo assim não me abandonem! Me mandem review, please. Eu aceito todas as reclamações que vocês tiverem pra dar. Eu sei que mereço... =.='
Até o próximo capítulo. ^^'