Notas iniciais
Gente, e não é que eu consegui não atrasar. *o*
Vocês não imaginam o que foi arrancar um dente de manhã e escrever o capítulo todo atarde com a boca incomodando e atrapalhando. u.u
Bem, ta aí! ♥ A história agora vai começar a fazer mais sentido e vou tentar fazer uma narração decente a partir deste capítulo.
Boa leitura a todos! ^^

Estou revigorado.

O sol já possuía um brilho intenso quando eu finalmente acordei. Os cabelos desgrenhados e as roupas amassadas eram o saldo final de uma noite que, apesar de curta, fora muito bem dormida.

Levanto, apenas para observar a bagunça que eu deixara: o lençol está todo amarrotado e solto pelo colchão. Aquilo me irrita por completo, como quase que uma visão do próprio inferno, e me vejo na obrigação de ajeitá-lo. Puxo e estico-o pela borda até deixá-lo bem rente à cama, sem qualquer mínima ondulação. Admiro o resultado atentamente, apenas para depois exibir feições aprovativas.

Caminho até uma mesa encostada frente à pequena janela e pego meus óculos. Dou uma rápida olhada sobre a superfície do móvel, mas não consigo encontrar um pente ou mesmo uma escova — e não me parece apropriando mexer nas gavetas alheias. Mas, mesmo assim, eu nunca poderia permitir que Gilbert me visse tão desarrumado, pois isso feriria profundamente o meu orgulho.

Bato levemente em minhas roupas, tentando desamassá-las o máximo possível. Depois, puxo e penteio meus cabelos escuros com os dedos até que fiquem em um estado aceitável. Depois de analisar meu estado e considerá-lopassável, abandono o quarto — que, por acaso, é o último de um longo corredor — e vou em direção à sala. Eu sabia que não devia permanecer nem mais um minuto naquela residência, ou apenas Deus sabe o que me aconteceria.

Atravesso o corredor a passos acelerados, até que me vejo parar ao lado de uma das portas: a do quarto de Gilbert. Meu corpo permanece virado para a sala iluminada pela luz da manhã, mas meus olhos estavam pregados sobre a porta, com certo interesse e curiosidade. Solto um longo suspiro, pois eu sabia que ia acabar me arrependendo, e me viro em sua direção. Mas tudo ficaria bem. Eu só ia avisá-lo de que estava indo embora, afinal, partir sem ao menos informá-lo seria uma grande desfeita. Porém, eu não agradeceria, afinal, eu não pedira por abrigo ou quaisquer similaridades.

Já determinado a adentrar o cômodo, seguro firme a maçaneta e viro-a lentamente, me deparando com o quarto da noite passada. Porém, não está organizado como estivera ontem, e sim uma verdadeira bagunça. Era quase como se um tornado tivesse passado por ali. Mas, apesar disso, o quarto aparentemente está vazio. Sinto que é seguro entrar nele.

Eu não fui capaz de conter toda a surpresa, confusão e repugnância que me veio a seguir. A cama conseguia estar em estado ainda pior se comparado a como a minha estava quando eu acordara — o lençol pendia para o lado, totalmente solto, e parte dele já cobria o chão – e, para piorar ainda mais, havia também várias latas de cerveja espalhadas pelo piso do quarto, e... EU NÃO ACREDITO! AQUILO NÃO SERIA UM FRIGOBAR, SERIA?! Levei a mão à testa, tentando absorver todas aquelas imagens. Eu sabia que Gil bebia, mas nunca imaginei que ele tivesse... esse tipo de problema.... Ou melhor, estava certo de que ele não tinha.

Recuo dois passos. Não sei o que pensar. Uma inexplicável dor me aflige o peito. Saio do quarto e parto em direção à sala, com os passos velozes e pesados. Agora sim é que estou preocupado. Aquele tolo não mede consequências? Mas eu é que não quero saber. Isso NÃO É problema meu! O Ludwig que dê um jeito no idiota do irmão dele!

Eu já havia atravessado toda a extensão da sala, e a violência de meu sapato contra o piso era um sinal visível de minha raiva para com o albino. Quando finalmente chego ao átrio, seguro a maçaneta firme, virando-a rapidamente. A porta se abre uns dedos — o que apenas comprovava novamente a irresponsabilidade de Gilbert -, e assim permanece. Vejo-me parado, diante da porta semiaberta, enquanto um nervo pulsa-me forte na testa e o meu peito sobe e desce em movimentos velozes e compassados. Permaneço estático, os dentes cerrados com força.

– Ah? Quem está doente aqui é você, Rod.”

A raiva que eu sentia começou, aos poucos, a ser substituída por um sentimento que beirava a angústia. Por que, se ele estava com problemas, ele não me disse nada? Por que ele sempre me deixa na ignorância sobre tudo? Por acaso eu não sou digno de confiança?

...

Volto a fechar a porta e me viro em direção à cozinha, ato seguido por um longo suspiro. Aquele tolo ainda me deve explicações.

Gilbert, onde você está? – fala alto, chamando-o.

Silêncio. Continuo andando até a cozinha, calmamente. Ao adentrá-la, noto a existência de uma xícara de café sobre a mesa, ao lado de uma vazia. Ignoro a bebida, que ainda esfumaçava uma névoa quente, mesmo admitindo parecer um presente dos deuses, afinal, eu não comia ou bebia nada desde a tarde anterior. Volto a chamar pelo albino.

– Ei, Rod. Eu estou aqui, nos fundos da cozinha! – ele respondeu relativamente alto, o que era na verdade desnecessário, pois estávamos próximos.

Segui o som de sua voz, atravessando a cozinha. Mas o que ele estava fazendo ali atrás, afinal? Meus pés se pregam no chão e fico estático, novamente tomado pela surpresa. Ele nunca parava de me surpreender.

– Mas... Mas o que aconteceu? – a surpresa escapa-me pela boca.

– Por que essa cara de espanto, hein aristocrata? Não aconteceu nada. – ele sorri da maneira mais despreocupada possível.

Nada? Olho-o de cima a baixo, atento e perplexo. Ele está totalmente coberto de pó! Com certeza aconteceu alguma coisa, dá pra saber só de olhar pra ele! A blusa branca já se tornou cinza, e, resumidamente, as roupas dele estão sujas por completo. Chega a me dar vontade de arrancá-las do corpo dele agora mesmo, só para lavá-las. Porém... Eu vou ter que guardar isso para mim, porque não pretendo ser mal compreendido mais uma vez.

Ele também me encara, o que me deixa incomodado, pois sei que ele está olhando para o meu cabelo levemente despenteado e para minhas roupas ainda um tanto amassadas. Não pude deixar de notar quando um sorriso largo se formou em seu rosto.

– Oh... Bom dia, Rod! Veja se não é o meu aristocrata preferido! Vem cá me dar um abraço, vem! – ele dizia, animado, enquanto abria os braços e começava a se aproximar lentamente.

Recuo alguns passos com rapidez, ao que ele para e solta uma alta gargalhada. Fico indignado com aquela falta de consideração. Eu já estou em um estado deplorável o suficiente.

– Ah, sim. Eu havia me esquecido de que os aristocratas tem aversão à sujeira. Ksesesesese...

Ajeito os óculos, adquirindo feições ainda mais sérias, e volto a encará-lo, com óbvia reprovação.

– O que está esperando? Vá logo tomar um banho. – eu digo, seriamente.

– Só se você tomar comigo – provocou-me.

Continuo a encará-lo, meu olhar se tornando, aos poucos, mais e mais intimidador. Não precisei dizer mais nada. Ele faz uma careta e começa a ir em direção à sala. Eu o segui, até que ele adentrasse o banheiro.

– Sua última chance, Rod...

Eu fechei a porta do banheiro rapidamente, ou assim seria se ele não tivesse segurado antes de bater. Ele esboçou um sorriso confiante.

– Ok, Rod. Eu entendi que você é tímido. Ah, mas não vai embora. Eu quero te mostrar uma coisa.

O seu semblante se torna mais sério e ele permanece em silêncio, me observando.

– ...Certo. – eu digo, calmamente, após soltar um breve suspiro. Ainda sendo observado pelo albino, caminho até a sala e me sento no sofá. – Pode tomar seu banho agora. Eu prometo não fugir.

O albino sorri, vitorioso, e fecha a porta rapidamente. Depois de uns segundos, passo a escutar o som da água caindo, o único som presente na casa. O que ele queria me mostrar, afinal? Eu começava a temer as possibilidades. Gilbert tinha o péssimo hábito de parecer sério durante suas provocações...

Solto mais um suspiro curto. Por que eu acabava sempre cedendo a tudo que ele me falava? Droga. Eu não tenho que ficar obedecendo a ele... Sinto meu estômago se remexer, e, pensando bem, já faz um tempo que ele me incomoda.

Levanto do sofá e vou até a cozinha. Olho novamente para a xícara de café, mas acabo por deixá-la de lado. Vou até o fogão e ponho uma chaleira preenchida com água no fogo. Abro algumas gavetas e pego tudo o que julgo necessário: colher, açúcar, xícara, pires, bolachas e saquinhos de um chá qualquer. Quando a água enfim ferveu, coloquei os saquinhos na chaleira e derramei o líquido até que preenchesse sete oitavos da xícara, jogando duas colheres e meia de açúcar e mexendo bem com a colher em movimentos circulares constantes para a esquerda. Sim. Fazer chá para mim chega quase a ser um ritual: Tudo tem que acontecer na ordem correta e na quantidade exata.

Levo a xícara até a mesa com a mão direita e me sento na cadeira, segurando as bolachas com a mão livre. Bebo um pouco do chá e logo ponho um dos biscoitos na boca. Fico nisso por uns quinze minutos, lavando em seguida a xícara e o pires na pia, e vou em direção à sala, à procura do albino que ainda demorava.

Passo em frente ao banheiro, que tinha a porta aberta, e vou ao quarto, que está fechado. Paro diante da porta e bato duas vezes, calmamente.

– Ah? Rod? Espera mais um pouco. Já estou terminando.

Sou tomado por um sentimento esquisito. Terminando o quê? Ponho a mão na maçaneta e tento virá-la desesperado, mas está trancada.

– Ksesesese. O que foi, quer me ajudar a me vestir? Se for isso, eu abro a porta pra você.

Meu rosto é tomado por uma forte vermelhidão e nunca me senti tão grato por aquela porta estar ali.

– I... Isso não é necessário! – sinto as palavras tremerem ao saírem de minha boca.

A maçaneta se vira e a porta é aberta. Sinto meu coração bater mais forte e acabo fechando os olhos com medo do que acabaria vendo. Eu não quero ajudar ele a se vestir. Eu não quero ver ele sem roupas. Droga. Por que eu fui abrir a boca? Ainda mais quando eu acho que posso estar me apaixon...

Uma mão bagunça brutalmente meus cabelos. Abro os olhos instantaneamente, deparando-me com o sorridente prussiano devidamente vestido com uma regata preta e calças jeans.

– Ainda bem que você esperou, senão eu ia ter que ir te buscar lá na sua casa. – por algum motivo, não duvidei nem um pouco daquelas palavras. Ele era muito bem capaz de fazer algo daquele naipe... – Agora me siga, Rod! Eu decidi que quero te mostrar uma coisa.

Eu tentava ajeitar meu cabelo quando ele me segurou pelo pulso e deu um passo em direção à sala, mas ele parou ao notar que eu não o acompanhava. Ele me olha, confuso e surpreso.

– Eu só vou se você me prometer que me contará o que tanto te aflige. E não me venha com desculpas esfarrapadas, pois eu te conheço o suficiente para saber quando alguma coisa te incomoda. – determinação era o que mais estava presente em minhas palavras.

Ele mantém a boca entreaberta, estático. Definitivamente, Gilbert não esperava por aquilo. Ele se vira novamente para a sala, ainda me segurando pelo pulso, e suspira enquanto desarruma os fios claros de seus cabelos. Ele se vira novamente, sorrindo, mas suas feições agora parecem um tanto tristes e forçadas.

– Acho que não tenho outra escolha, não é? Afinal, você não vai desistir, mesmo que eu diga que não há nada de errado...

Notas finais
Então é isso!!
Obrigado aos que leram e eu queria agradecer a minha beta, a French Lily, que está sempre me ajudando e dando apoio, e aos amores que me deixam reviews lindos em todos os capítulos e são o motivo de minha incrível dedicação a esta fic. Obrigada JL, Bell e Onigiri san e espero ver reviews de vocês neste capítulo também.
Espero reviews de outros leitores, antigos ou novos, e a opinião de vocês sobre a minha fic sempre será muito bem vinda.
BJJS e até uma próxima! ♥