A Stopped Clock
4 Capítulo 4
Notas iniciais
É um capítulo curtinho e não acontece nada de mais, mesmo assim ele não deixa de ser importante. Desta vez o Gil vai narrar também.
Boa leitura.
*Áustria*
Estou cansado.
Já faz uma hora que me deitei e a quietude da casa chega a me surpreender, afinal Gilbert sempre fora, para mim, a representação física do próprio barulho. Agora, apenas permaneço deitado, coberto por uma grossa coberta que me protege do frio, esperando ser finalmente vencido pelo sono que não me chega.
Gilbert está em seu quarto, logo ao lado, provavelmente adormecido. Como foi que me meti nesta situação? Suspiro, virando na enorme cama de casal, normalmente ocupada por Ludwig.
O colchão é macio e agradável, e, se não fossem por todos esses pensamentos ocupando-me a mente, sem dúvida eu já haveria de ter adormecido, devido ao tamanho de meu cansaço.
O relógio de cabeceira denuncia a chegada da primeira hora do novo dia. Acompanhei a mudança de cada minuto desde que me deitei. O tempo passa lentamente e cada novo segundo parece se prolongar mais que o anterior.
“Você vai passar a noite aqui querendo ou não.”
Reviro-me novamente na cama. Por que, afinal, ele disse aquilo? Ele tem agido muito estranho desde ontem, quando estávamos em minha casa e ele...
“Não me dê ordens, Rod, ou você me deixa excitado.”
Meu rosto é tomado por um calor incomum ao ser invadido por aquelas memórias. Mais um suspiro escapa-me pela boca. Eu vim até aqui para exigir respostas e explicações, mas acabei apenas adquirindo ainda mais perguntas... Puxo o cobertor, cobrindo o rosto que está escarlate. Aquele tolo realmente só me traz complicações...
Por mais que eu tente, eu penso que nunca vou poder compreendê-lo cem por cento. Não que eu perca tempo tentando entender o que se passa naquela cabeça albina, é só que... Não consigo deixar de pensar nele, e de me preocupar. Meu peito se aperta. Se pelo menos ele não fosse tão irresponsável, talvez eu não precisasse me preocupar tanto. Mesmo assim, às vezes, ele me parece tão sozinho, tão triste...
“Agora acelera e vai logo dormir, já passou da hora dos aristocratas estarem na cama. Você pode ficar no quarto do Lud, ele não vem pra casa hoje mesmo.”
Desde quando Ludwig começou a confiar em Gilbert a ponto de ir dormir fora de casa? Antigamente, sempre que tinha de ir viajar ou passar a noite longe, pedia, ou para mim ou para Elizaveta, tomarmos conta do irmão na sua ausência, justamente por não ter nenhuma confiança no prussiano.
Enrolo-me mais no cobertor, fugindo do frio que entrava pelas frestas da velha janela. Ele parecia tão triste quando disse aquelas palavras. Os olhos não tinham o típico brilho que sempre possuíam e, só de encará-lo, eu sentia meu coração contorcer-se em dor. E por mais estranho e absurdo que possa parecer, penso que aquela dor não era minha, mas que pertencia, na verdade, a Gilbert — como se ela tivesse de alguma forma sido transmitida a mim. Minha mente se esvazia por uns instantes. Será que isso significa, mesmo que apenas um pouco, que Gilbert e eu temos algum tipo de ligação? Será que as suas provocações tem algum significado oculto? Será que isso quer dizer que ele significa algo a mais para mim? Talvez...
Acabo por adormecer, sendo finalmente vencido pelo cansaço. Meu peito está subitamente mais leve e o albino ainda permanece em minha mente.
*Prússia*
Estou Cansado.
Ponho mais uma lata na torre de cervejas já esvaziadas naquela noite. Aquela fora a décima e última, pois todas as que eu tinha no pequeno frigobar escondido no closet acabaram-se. Eu não costumava beber tanto ao ponto de ter um estoque particular no armário, mas eu não tenho andado no meu melhor humor, e é, exatamente por isso, que os meus atos tão inconsequentes são perdoáveis e compreensíveis!
Deixo minhas costas despencarem sobre a cama, morto de cansaço. Apesar de não ter bebido ao ponto de me embriagar, todo aquele álcool me dera sono. Pelo menos, quem sabe assim eu não consigo dormir um pouco, afinal, fazia quase uma semana que eu não dormia direito. E tudo isso por causa dele...
Se eu não tivesse discutido com ele, talvez...Balanço a cabeça, com raiva de mim mesmo. Eu não tenho que concordar com tudo que ele diz, afinal eu também tenho minhas próprias opiniões e não pretendo continuar beijando as botas daquele — que Deus me perdõe, pois eu sei que não devia tratá-lo assim — egocêntrico maldito para sempre. Já passou da hora do Ludwig entender que nem tudo se resolve rápido e facilmente.
...
Mesmo assim, não consigo deixar de me sentir triste quando brigamos, afinal ele é, e sempre será, o meu irmão mais novo... Solto um longo suspiro, ao que viro na cama novamente e enterro a face no colchão.
Fecho os olhos, apurando os ouvidos. Tudo estava silencioso... Aparentemente o Rod já dorme pesado no quarto ao lado. Nada que me surpreenda muito, afinal, já faz uma hora que ele foi se deitar... A imagem dele deitado naquela enorme cama de casal, totalmente indefeso, lateja em minha mente.
...
Rod eu não devia ter feito você ficar... Puxo o travesseiro, apertando-o contra o meu rosto. Eu daria tudo para vê-lo todo suado agora, rouco de tanto gritar em desespero pelo meu nome, enquanto nossos corpos se enlaçavam e enroscavam em movimentos ardentes e violentos. Você não imagina o quanto eu queria tê-lo todo para mim...
Vejo-me tentado, mas essa não é a primeira vez e também não seria a última. Eu o amava tanto que, muitas vezes, acabava perdendo o controle. Quando nós estávamos a sós, a razão se tornava ínfima, sendo facilmente subjulgada por meus instintos que clamavam por aquele corpo tão branco e delicado.
Sim. Porque apesar do que ele acredita, eu não faço aquelas coisas todas apenas para provocá-lo. Eu realmente o amo e queria que ele percebesse logo.
Não que eu espere ser correspondido, porque sei que ele nunca me aceitaria como amante, afinal, o Rod só tem música na cabeça. Tenho certeza que ele considera o piano como o melhor amigo e que nada mais o importa! Quando ele toca, ele entra em um transe tão profundo que chega a sorrir como uma criança boba sem nem mesmo perceber, mas claro que eu é que nunca vou avisar sobre isso para ele, afinal, eu realmente gosto de vê-lo sorrindo. Na verdade, eu queria vê-lo assim mais vezes... Mas como se tudo que faço é enganá-lo?
“Você está bem?”
Apoio a cabeça no travesseiro, passando o braço por baixo dele. Eu não precisava ter mentido, mas também não desejava sua pena. Se bem que, amanhã, ele vai acordar e ir embora o mais rápido possível. Se dependesse dele, ele nem teria passado a noite aqui.
...
Não quero ficar sozinho amanhã. Sem o Ludwig, está casa pode ser bem tediosa. Talvez eu consiga pensar em alguma desculpa para mantêr o Rod em minha casa por mais tempo...
O sono me vem e adormeço.
Notas finais
A partir do próximo acredito que a história já vai começar a progredir um pouco..-.
Bem, agora eu exijo explicações. u.u A fic tá ficando chata? O número de reviews caiu muito do segundo para o terceiro capítulo, e eu como a autora estou muito preocupada.
Por favor me avisem o que houve ou por review ou por MP. Eu realmente estou aberta a qualquer crítica.
BJJS =/
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