A Sorrow Of Ice And Fire
1 one-shot
Notas iniciais
espero que gostem!
boa leitura
Sereny Kyle
A guerra tinha se estendido por tempo demais e ainda mais do que todos apostariam no começo. Chamavam de Rebelião de Robert, mas o próprio herdeiro de Ponta Tempestade não se lembrava direito como as coisas tinham chegado no estágio em que se encontravam...
Por todo lado, havia destruição... Dor, sofrimento... A guerra era cruel com aqueles que lutavam, com aqueles que morriam, com aqueles que ficavam... Mas era principalmente cruel com aqueles que não sabiam ou não podiam se defender... Esses eram os que mais sofriam, porque eles eram um débito que os grandes lordes que faziam a guerra como se jogassem cyvasse em seus tabuleiros estavam dispostos a pagar para vencer... Como se a vida das outras pessoas valesse menos do que uma peça de jogo... Todos eles: Baratheon, Targaryen, Lannister, Stark... Todos faziam os reinos sangrarem...
Tudo porque o jovem príncipe dragão se apaixonara pela noiva de Robert e a tomara para si... As pessoas morriam por todo lado graças ao envolvimento amoroso daqueles dois jovens que estavam cansados de darem ouvidos às suas razões e de calarem os desejos de seus corações... O povo sofria pra que eles amargurassem ainda mais em arrependimento...
Enquanto Rhaegar travava aquela guerra o melhor que podia para proteger sua família, seu legado e seu reino, Lyanna fora levada para Dorne e mantida escondida e protegida para que o bebê que carregava em seu ventre tivesse a oportunidade de nascer em paz, longe de tudo... Mas ela sofria dia e noite, se atormentando com os resultados catastróficos de suas decisões inconsequentes... Ela perdera seu pai, seu irmão, sua identidade e estava prestes a perder o único homem que amara de todo o coração...
Ela tinha como companhia uma moça chamada Wylla, que estava ali para ajudá-la e pra fazer-lhe o parto quando a hora chegasse... Mas do que uma dama de companhia, ela tinha se tornado uma amiga e uma confidente para Lyanna Stark.
O que as mantinha informadas sobre o que acontecia na guerra era o melhor amigo do príncipe Rhaegar, Lorde Jon Connington, Senhor do Poleiro do Grifo, que era o único que sabia onde ela se encontrava e se tornava o mensageiro entre a garota e o pai de seu bebê.
Jon lhe trouxera notícias mesmo quando o louco rei Aerys o destituíra de seu cargo, tirando-lhe as honrarias, as posses e os títulos e mandando-o para o exílio... Fora Jon que correra para o sul para confortá-la quando Rhaegar e Robert tinham se enfrentado no Tridente e seu precioso príncipe perdera a vida... Fora Jon que lhe contara o que Twin Lannister fizera com Elia, Rhaenys e como a rainha Rhaella morrera... Ele lhe contara sobre o plano de levar o pequeno príncipe Aegon com ele para o exílio, deixando que todos acreditassem que estava morto até que estivesse pronto para reconquistar Westeros, lhe contara que os dois irmãos mais novos de Rhaegar também tinham sido levados para Essos a tempo, lhe contara que um dos homens da própria Guarda Real tinha acabado de matar o rei-louco.
Da mesma maneira que aquela guerra tinha se estendido como se o tempo voasse, ela acabou... Robert Baratheon seguia para Porto Real e assumiria o trono, mas a destruição que ele deixara em seu rastro tinha superado em centenas de vezes a ferida que Lyanna e Rhaegar tinham feito em seu orgulho... De que adiantara tudo agora, Robert?
A jovem Stark sentia que o dia do nascimento do pequeno príncipe bastardo que ela trazia no ventre tinha chegado, mas ela já não tinha mais forças, tudo lhe tinha sido tirado, inclusive a felicidade...
Por mais bonitos que fossem os dias e as noites em Dorne, a vida perdera o sabor... A morte de Rhaegar tinha sido um golpe muito duro de suportar e ela sonhava com ele dizendo seu nome todas as noites... Mas o que lhe pesava mais era a vida daqueles que morreram sem ter relação nenhuma com a escolha que ela fizera... Todas as crianças que cresceriam sem pais, todas as mulheres que perderam os maridos, todos os pais que, contra a lei da natureza, tinham sepultado seus próprios filhos...
Pesava-lhe a sofrida vida que a rainha Rhaella tivera... Casada com um homem que não apenas ela desprezava, mas que sempre a torturara em seus surtos de loucura violentos... Afastada de seu verdadeiro amor e agora partia sem a possibilidade de proteger os filhos que ainda precisariam tanto dela... Morrera dando a luz à garotinha com que sempre sonhara, que cresceria sem pai nem mãe, numa terra que não era dela, sempre com medo de ser encontrada...
Pesava-lhe o pobre príncipe Viserys que teria de se tornar homem e responsável antes do tempo, sempre preocupado com as sombras atrás de si, buscando pelo herdeiro do trono que um dia poderia reclamar os reinos por direito, para acabarem com a ameaça antes de ela nascer no peito daquele pequeno menino, órfão de pai e mãe e abandonado à própria sorte...
Pesava-lhe a morte da doce princesa Elia, cujo único crime fora se casar com o homem com quem a tinham mandado casar...
Pesava-lhe a morte da pequena Rhaenys, tão indefesa, que correra assustada para o quarto de seu pai, buscando a segurança e a proteção que ele já não podia mais lhe oferecer...
Pesava-lhe a dor imensa da luz de Rhaegar ter se apagado para sempre...
Pesava-lhe a dor da vida carregada de amargura, revolta e rancor que o pequeno príncipe Aegon teria no exílio, nutrindo a esperança de ser o príncipe prometido que colocaria a família Targaryen novamente no trono...
Pesava-lhe seu pai e seu irmão, que não precisavam ter morrido, nem sofrido tanto para morrer...
E pesava-lhe principalmente o destino que estaria reservado para seu filho, fruto daquele amor proibido de preço tão alto... Ninguém nunca poderia conhecer sua origem, ou seria feito dele o mesmo que houve com Rhaenys... O mesmo que acreditavam ter feito com Aegon... Mesmo sendo um bastardo, Robert podia querê-lo morto por ser do sangue de Rhaegar...
— Venha comigo para o exílio! – Jon pediu-lhe. – Logo que o bebê nascer, eu venho buscá-los! Podemos criá-lo com Aegon, como um dragão! Cuidarei de seu filho e o protegerei como se fosse de meu próprio sangue! Ele será treinado e se tornara um grande guerreiro, como o pai! Será o braço direito do irmão!
— Meio-irmão, Jon – Lyanna respondeu, mesmo que divertida, sem forças para realmente rir.
— Serão criados como Rhaegar e eu! E não tínhamos o mesmo sangue, nem dividimos o mesmo leite! – a ideia pareceu atraí-la, brevemente, e ela deu um sorriso triste que fazia com que o homem se lembrasse do amigo que tinha perdido.
— Robert nunca desistirá de me procurar! Eddard também não... Se eu for com você para o exílio, nos seguirão e encontrarão o pequeno Aegon! Já causei sofrimento demais ao pequeno príncipe...
— Ele aprenderá a amá-la como uma mãe!
— Por minha causa, a mãe dele está morta! Ele me odiará por ter entrado na vida de seu pai!
— Ninguém nunca a odiaria, Lyanna!
— Ele será o herdeiro legítimo dos Sete Reinos, Jon! Um bastardo nunca será seu irmão...
— O dragão tem três cabeças – ele recitou.
— E ele tem! Tem Aegon, Viserys e Daenerys!
— Não vou deixar o filho de Rhaegar desamparado! – ele disse, sério. – E nem você! Prometa que assim que chegar a hora, me comunicará! E eu virei tão logo souber e os levarei!
— Eu prometo! – ela sorriu.
— Wylla não a deixará mentir – Jon se ergue, prendendo a capa de viagem nos ombros e puxando o capuz, para partir, deixando um beijo na testa da garota.
— Não vou mentir!
— Então, me espere, que eu voltarei!
— Obrigada, Jon! Por tudo! – ele sorriu, sem jeito e saiu.
Mas Lyanna entrara em trabalho de parto antes que ele retornasse e não fora fácil trazer seu bebê ao mundo, consumira todas as energias que lhe restavam e ela mal teve forças para segurá-lo nos braços, mas viu que o menino tinha nascido com os traços dos Stark e não dos Targaryen, cabelos pretos e olhos acinzentados e não loiro com os olhos lilases... Como se seu bebê tivesse nascido pronto para esconder sua verdadeira identidade! Isso a tranquilizou.
A guerra tinha acabado com a morte do rei Aerys e por isso Eddard Stark tinha tido permissão para continuar a busca por sua irmã, quando se separou de Robert no Tridente, mas quando finalmente descobriu seu paradeiro em Dorne, encontrou-a à beira da morte e com o filho bastardo do falecido príncipe dragão nos braços, num quarto cheio de rosas, como ela amava, e que cheirava a sangue.
Quando Lyanna lhe contou toda a verdade sobre a fuga de Harrenhal, seu romance com Rhaegar, seu filho, Eddard sentiu-se pesaroso pela forma cruel que o destino de sua irmã tinha destruído tantas vidas... Como todas as mentiras e mal-entendidos tiveram poder de cercá-los por todos os lados.
— Leve-me pra casa, Ned... – ela sussurrou. – Leve-me... Quero ficar com papai... Com Brandon... – sua voz saía como um sussurro, de tão fraca que se encontrava, tinha uma febre que só fazia aumentar e que terminava de roubar-lhe as forças.
— Levarei – ele lhe respondeu.
— Cuide dele, Ned – ela olhou para o pequeno bebê. – Cuide dele...
O irmão olhará para o filho bastardo do príncipe dragão, com o coração cheio de dor e tristeza. Com os olhos cheios de lágrimas, ele assentira.
— Prometa-me – ela implorou, também com lágrimas em seus olhos. – Prometa-me, Ned!
— Eu prometo.
— Meu... Filho... – os olhos já quase sem luz dela buscaram o pequeno bebê que Wylla segurava. A dama de companhia o levou até a mãe. – Meu... Filho... – novas lágrimas brotaram de seus olhos. – Eu... Amo... Você...
Sua respiração falhava bruscamente e ela não conseguia mais falar direito, apenas balbuciava numa voz muito fraca, quase inaudível. Seus olhos também não conseguiam ficar por muito tempo abertos.
— Prometa-me, Ned – ela repetiu.
— Eu prometo, Lyanna – ele lhe dera sua palavra e o medo deixara os olhos da irmã. Ela sorrira e apertara seus dedos com força, desistindo lentamente de se agarrar à vida. Ele segurou-a em seus braços, apertando-a contra o peito.
— Prometa... – ela disse e seus olhos encararam longamente a porta aberta, como se visse alguma coisa ali. Num sussurro, ela conseguiu dizer antes de partir: – Jon...
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