A Sombra do Colosso
3 Capítulo II - A Preguiça
Após alguns segundos imerso na escuridão, pude sentir a presença de alguém ao meu lado, até que acordei. Estava de volta ao templo. Enquanto me levantava com dificuldade, olhava ao meu redor, confuso. Como vim parar aqui...? – era a única coisa que mantinha em meus pensamentos.
Me aproximei do altar que mantinha o corpo, deitado e sereno. Parecia que a qualquer momento, ela abriria seus olhos. Havia um Pombo Branco perto do templo. Porém, algo interrompeu meus pensamentos.
O chão começara a tremer, e a primeira estátua à minha direita, emitiu um grande brilho, que segundos depois, se juntou ao seu centro, e explodiu. A estátua se quebrou em vários pedaços, deixando escombros e até um pouco do que parecia ser areia, ou destroços tão pequenos, que viraram pó. Pelo que pude notar, cada ídolo representava um Colosso, e quando morto, ele se destruía.
De repente, a fenda circular do teto começou a brilhar. Era Dormin, prestes a falar.
– Teu próximo adversário é... Na Caverna à beira do mar... Ele se move lentamente. Erga tua coragem para derrota-lo.
Aquela voz ainda me assustava. Porém, era o único jeito de cumprir minha missão. Bem atrás do templo, entre as duas escadas, havia um tipo de varanda, alguns metros acima do chão. Me dirigi até o local, e levantei a espada.
As luzes se dispersaram, mesmo apontando para frente. Comecei a me mover, e os feixes apontaram para dentro do Castelo. Hm? – estranhei, pois não havia possibilidade de um colosso estar dentro do Santuário.
Montei-me em Agro, e desci as escadas. Observei o Templo que havia entre as duas escadas novamente, e antes que pudesse mudar minha direção, pude ouvir a voz de Dormin.
– Se tu encontrares um Altar semelhante a esse, ofereça uma Oração em sua frente, e as tuas feridas se curarão.
Desci de Agro, e me aproximei do templo. Ajoelhei-me, juntei as mãos, e fechei os olhos. Não sabia o que iria encontrar pela frente, então era melhor fazer o que Dormin dizia. Após alguns segundos, me levantei, e subi em Agro.
Dei uma volta entre o Castelo, pela sua direita, e me toquei que ainda havia mais território ao Sul, por onde entrei. Perdi a respiração por uns instantes.
Aquelas Terras eram enormes e muito lindas. Ao Oeste, haviam várias paisagens, como pequenos morros e campos, porém, algo quebrou o clima ardoroso. Um tipo de nuvem negra, que estava localizada em um local específico. Porém, não era para lá que o Colosso estava.
Continuei dando a volta pelo Castelo, até que cheguei na direção Sul. A Grande Ponte por onde entrei passava por cima da região, até fim. Haviam dois pilares estranhos um pouco à frente, da qual no meio, havia uma Ponte Terrestre.
No meio do trajeto, um Falcão pareceu me seguir, sobrevoando minha cabeça. Alguns metros à frente, quando entrei ao meio dos Dois Pilares, ele virou, e voou para outro lugar. Mas... O que foi isso?
Cavalguei pela ponte terrestre, mas fui surpreendido por dois caminhos. Um que descia para um cânion não muito profundo e grande, e outro, que levava para o Sul das Terras. Levantei minha Espada, e os feixes apontaram para baixo, confirmando minha hipótese de que o Colosso estava lá.
Desci uma rampa, levando-me até uma Praia. Uma neblina medonha pairava pelo local, e a única coisa que conseguia escutar, eram as cavalgadas de Agro, e o som das ondas batendo na areia. Haviam três grandes e massivos pilares, que sustentavam a Grande Ponte.
Andando mais um pouco a frente, pude perceber uma entrada de caverna, com uma enorme parede de pedra. Me aproximei com Agro, mas de repente, ela parou de andar, freando bruscamente.
– O que houve, Agro?
Escutei um barulho, parecido com um rugido, vindo de dentro da parede. Era feroz, porém, um tanto que agudo. De repente, um grande estrondo, e a parede começou a desabar. Do outro lado, saiu uma criatura quadrúpede, com a aparência de um Touro, com um dos chifres quebrados. Ela tinha mais ou menos 30 metros, um tanto maior que o Colosso anterior. Esse, era o Segundo Colosso.
Me surpreendi com o tamanho da criatura, até mesmo por ela andar sobre quatro patas. Tentava imaginar ela em pé, atingindo uma altura até maior. Não é hora de pensar nisso... – me concentrei.
Peguei meu Arco, e lancei algumas flechas sobre seu rosto, onde elas batiam e caíam, e também nos pelos das patas dianteiras, da qual penetravam, jorrando um tiquinho de sangue. O Sangue dos Colossos eram diferentes, um tanto que escuros.
A criatura andava lentamente em minha direção. Em cima de Agro, eu tinha a vantagem no quesito Velocidade. Dei voltas sobre ele, e cheguei à conclusão de que era impossível alcançar os pelos de suas pernas, diferente do Anterior. De repente, me encontrei bem à frente do Colosso. Ele se apoiou sobre as patas traseiras, e levantou as dianteiras.
– Ah, Merda...!
O Colosso estava prestes a me esmagar, e percebi isso muito tarde. Porém, algo fez com que ele perdesse a concentração, e errasse a patada por pouco. Era Agro, que passou correndo, relinchando. Foi o suficiente para prender a atenção da criatura na égua, e começasse a segui-la, como sempre, lentamente.
Agro... Devo agradece-la... – pensava, enquanto erguia minha espada. As luzes se concentraram nas quatro patas do Colosso – Achei!
Por ser preguiçoso, o Colosso andava mantendo muito tempo a pata sobre o ar. No próximo passo que deu, ele levantou sua pata esquerda traseira, que em sua Sola, havia um tipo de Brilho. Fui rápido, e atirei uma flecha, mirando sobre o brilho.
Porém, errei. Logo, a criatura levantou sua pata direita traseira, e dei um novo tiro. Desta vez, acertei. O Colosso gemeu, e caiu sobre a pata. Corri para a perna caída, e escalei o pelo, que estava mais próximo do chão. Escalei sobre ela, e cheguei até o fim de suas costas.
Ele não tinha rabo. Porém, tinha um Ponto Vital. Me aproximei, e penetrei a espada uma vez, fazendo jorrar sangue. A cada cravada, o Colosso emitia um grito de dor. Igual ao no Colosso anterior, comecei a sentir um tipo de remorso.
Três espadadas depois, o Selo desapareceu. Como assim? Tem mais um? – imaginei. Provavelmente, estava em sua cabeça. Me levantei, e andei em direção às costas do Colosso. Sua Coluna estava totalmente exposta, criando até barreiras, me impedindo de chegar.
Tive que saltar todas as vértebras, até chegar ao Segundo Selo, bem no meio de sua cabeça. Antes mesmo de dar a primeira cravada, o Colosso começou a se chacoalhar fortemente, tentando me derrubar.
Era difícil manter o equilíbrio. Após parar de se mexer, consegui penetrar a espada uma vez, fazendo o Colosso rugiu de dor.
– De novo não... Por favor!
Mais duas cravadas, fizeram dispersar uma grande quantidade de sangue. Sentia que o Colosso ficava mais fraco, cada vez mais. Ele nem se chacoalhava mais. Parecia que ele havia desistido de lutar. Com meu coração apertado, penetrei mais duas vezes, fazendo-o parar de se mover, totalmente.
O Colosso estava um tanto que perto da água, permitindo-me ver seu rosto pelo Reflexo. Pude ver seus olhos se escurecerem, e seu corpo cair, lentamente.
– Até pra morrer você é lento... Seu... preguiçoso.
Ele desabou ao chão, fazendo-me cair na areia, ralando meus dois braços e minha perna direita. Agro parou ao meu lado, e aproximou seu focinho a meu rosto.
Obrigado, Agro, pelo que você fez...
Pude ver as essências do Colosso saindo de sua cabeça, e logo, entrando em mim. Na hora, perdi a consciência, e vi a mesma luz que antes. Novamente, escutei sussurros da qual não consegui desvendar, e então, a luz desapareceu, me deixando na mesma escuridão de antes.
Fale com o autor