A Sombra da Lua
15 Capitulo extra: Borboletas no Estomago
Konohagakure, uma semana após a guerra.
POV Shino Aburame.
Aquela sensação de frio na barriga, “borboletas no estomago”, ansiedade, nervosismo, timidez.
Quando eu olhava para ela parecia que eu flutuava, cada sensação descrita era nítida em mim, antes eu achava que era algo idiota, algo sem importância, algo passageiro.
Mas durante a guerra eu não parava de pensar em como ela estava. Inventada desculpas para ir até ela, cheguei a colocar um dos meus insetos para observa-la e garantir que ela estaria bem.
Durante o genjutsu eu me vi em um inseto gigante ao seu lado, sentindo seus lábios nos meus. Era evidente que eu a queria.
Guardo isso dentro de mim já tem um ano, nunca disse nada para ninguém. Kiba é meu melhor amigo, e ele com certeza me mataria se soubesse, mas eu não consigo evitar.
Os olhos dela, o cabelo castanho, o sorriso gentil, o senso de humor, o amor pelo que ela faz. Tudo parece a junção perfeita de algo que eu não posso controlar. Um sentimento.
A guerra acabou, o mundo está caminhando para a paz, seria a época perfeita para ter ela. Só que eu nunca fui tão covarde na minha vida como estou sendo agora.
Mas aqui estou eu, caminhando em direção a sua casa, seria estranho se eu dissesse que vou lá todos os dias desde que voltamos para a vila? Estou pegando esse costume.
Cheguei em sua casa e pela janela eu posso ver ela brincando com os seus ninkens na sala de estar.
Ela é tão bonita, sua beleza é incomparável, muito mais do que qualquer borboleta ou qualquer outro inseto.
O que eu estou fazendo? Comparar Hana com insetos é ridículo, ela é muito mais do que isso. Que meus amigos me perdoem, mas ela vai além de toda perfeição deles.
Queria poder dizer isso para ela todos os dias.
No ano passado eu ia frequentemente no seu consultório junto com o Kiba, uma vez ficamos só eu e ela, nunca vou esquecer esse dia.
Ela tinha voltado de uma missão naquele mesmo dia, tanto ela como os seus ninkens tinham várias feridas pelo seu corpo, eu me dispus a ajuda-la com os curativos nos machucados dos ninkens.
—Obrigada pela ajuda Shino, é muito gentil da sua parte, e eles gostam de você.
—Eu também gosto deles.
—Certo.
Ela sorriu, o sorriso mais gentil que eu já tinha visto, fiquei paralisado admirando aquele sorriso.
—Aperta bem a atadura, se não daqui a pouco eles tiram ela.
Ela segurou na minha mão, sua pele era delicada e macia apesar de ser uma ninja tão forte.
—Assim?
—Isso! Você daria um ótimo veterinário Shino.
—Eu cuido dos meus insetos, nada além disso.
—Deve dar muito trabalho né, afinal são tantos e eles são tão pequenos, é algo incrível.
—Você... gosta de insetos?
—Claro que sim! Eles são tão complexos e diferente, são magníficos! E você é muito bom com eles, seus jutsus são incríveis.
Ela olhava pra mim com certa admiração. Ninguém nunca tinha olhado pra mim daquele jeito, era como se ela me visse de outro modo, como se ela sorrisse para mim com os olhos. Definitivamente, ela é a mulher mais incrível que existe.
—O-obrigado... Você também é incrível! Quer dizer, os seus ninkens e você, sabe, são ótimos! E você é linda, quer dizer, desculpa, eu...
Que que eu estou dizendo! Cala a boca Shino!
—Tudo bem! Eu entendi! Muito obrigada Shino!
Ela ria de forma doce. Se aproximou de mim e me deu um beijo no canto da minha boca, seus lábios eram quentes, e em contato com a minha pele fria me fez arrepiar.
A sensação de borboletas no estomago estava mais intensa do que nunca, e eu senti o meu rosto ruborizar.
—Então, eles estão bem, agora é só deixar eles descansarem. Obrigada pela ajuda de novo Shino.
—Não precisa agradecer.
Fui indo em direção a porta, mas antes que eu pudesse sair, ela me chamou.
—Shino!
—Sim?
Virei para olha-la.
—Antes de você ir, você pode me ajudar com outra coisa?
—Sim... Com o que?
Hana retirou os protetores de pulso, e virou de costas pra mim. Ela abriu o seu colete e o retirou, mostrando um top preto e as costas com vários arranhões e machucados de batalha.
—Sei que é meio bobo, mas será que você podia fazer um curativo em mim? Eu ia pedir para o Kiba, mas da última vez ele fez tudo errado e infeccionou. E a minha mãe não está aqui e eu não estou afim de ir até o hospital de Konoha só por causa de uns arranhados, então...
—C-claro! E-eu faço sim...
—Se não quiser tudo bem, não é nada demais...
—Não! Sem problemas.
Fui em direção a ela e peguei uma gaze com álcool para limpar seus ferimentos.
Quando toquei na sua pele ela recuou um pouco devido a dor.
—Desculpa.
—Não tem que pedir desculpa, eu só estou sendo fraca, você não tem culpa disso.
—Não quero que sinta dor.
Ela então se virou para mim, e ficou um tempo me olhando de forma intensa.
—Você é diferente dos outros garotos, está sempre calado ou falando pouco, não interage muito com as pessoas, fica por ai observando os insetos, aprendendo com eles e sobre eles. Você é inteligente e gentil, não gosta de demonstrar sentimentos e emoções, mas se reparar bem você demonstra, eu gosto disso.
Ela parecia estar me avaliando por completo, parecia saber muito sobre mim, me conhecer, me ver diferente dos outros. Isso me deixou sem reação.
Não sou bom em lidar com pessoas, ainda mais com ela, que me deixava sem saber como agir.
Ela deu um leve sorriso e se virou de costas para mim novamente.
Eu voltei a limpar seus machucados, da forma mais leve que consegui. Passei o remédio e coloquei o curativo.
—Pronto.
—Viu, nem doeu.
Ela colocou o seu colete mais não fechou ele.
—Por que você disse aquelas coisas para mim?
Perguntei.
—Porque talvez eu nunca mais tenha a chance de dizer como eu gostaria de dizer. Você é um cara legal Shino, eu gosto de você.
Eu fiquei parado olhando ela indo jogar os algodões e gaze no lixo.
—Algum problema?
Ela pergunto vindo na minha direção, seu colete estava aberto e mostrava o top preto e a sua barriga.
—Não, só não achei que você ficasse me observando.
Ela soltou um leve sorriso no canto da boca e colocou as mãos nos meus ombros, ela era quase da minha altura.
—Eu estou sempre observando você Shino.
Eu senti a sua respiração bem próxima do meu rosto, ela passou as mãos para a minha nuca, e eu senti o calor do seu corpo próximo do meu.
Meu coração acelerou, quando eu os seus lábios quentes tocaram os meus.
Eu não pude evitar de colocar as minhas mãos na sua cintura e puxa-la para mais perto de mim. Seus lábios eram macios, e tinha gosto doce. O beijo foi se aprofundando, foi ficando mais intenso, eu não queria que aquele momento acabasse, eu queria ela. Minhas mãos apertavam de leve a sua cintura fina, sua pele estava quente, suas mãos subiam e descia pela minha nuca e meu cabelo. Ela mordeu de leve o meu lábio inferior, até que estávamos quase sem ar. Então nos separamos.
Ela olhou para mim e eu não consegui desvendar aquele olhar.
—Eu te vejo depois Shino, não conte para o Kiba.
Ela sussurrou junto da minha boca, e antes de se soltar dos meus braços ela me deu um beijo rápido e leve, e saiu da sala levando com ela o meu coração.
—O que você está fazendo ai fora?
Hana estava sentada no parapeito da janela e me olhava com aquele mesmo olhar, aquele que eu não conseguia decifrar.
—Lembrando.
—E tem eu nessas lembranças?
—Com certeza.
Ela sorriu.
—Vai entrar ou prefere que eu te busque?
—Estou indo.
Abri o portão e caminhei pela entrada, ela já me esperava na porta.
—Kiba está ai?
—Você sabe que não.
—É só para não perder o costume.
—Você parou de vir aqui só por causa dele já tem um bom tempo.
—Eu sei.
Puxei ela pela cintura e fechei a porta. Algum dia eu vou ter que contar para o Kiba sobre nós, mas por enquanto eu tenho que criar coragem de dizer para ela que estou completamente e totalmente apaixonado por ela. Apesar que talvez ela já tenha percebido isso.
—Shino?
—Sim?
—Eu também estou.
Espero que essas borboletas continuem no meu estomago por muito tempo.
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