Notas iniciais
Olá leitores! Esse será o capitulo que dará o pontapé para a trama oficial dessa história. Espero que gostem ♥

País da Lua, tempos de guerra.

POV Mei Hokaku

Tinha andando muito já, e eu odeio andar. Meu pai não me perseguia mais já há algum tempo, não sei se despistei ele com meus jutsus ou se ele simplesmente desistiu, mais provável que seja a segunda opção. Parecia que não ia chegar a lugar nenhum, até que vi mais a frente as luzes do reino.

Isso me motivou a continuar, tinha que falar com o rei, dizer a ele que estou pronta e preciso ir para a guerra, que posso ajudar a aliança shinobi e ser útil nesse mundo. Mas eu temi que fosse tarde demais para isso, a lua e a natureza ao meu redor estão ficando cada vez mais estranhas a cada minuto que passa.

Acelerei o passo, tinha que conseguir a ajuda do rei para chegar a guerra, e algumas informações sobre ela.

O país da Lua é um país muito rico, muito bonito e sempre lotado de turistas e de pessoas alegres e humildes, que amam seu país e que estão sempre dispostos a ajudar. O rei não é diferente do seu povo, assim como seu pai foi um grande rei que sempre ajudou esse país, o atual rei tem um coração bom e está sempre mostrando isso para todos.

O fato é que o país da Lua é uma ilha e a nação mais próxima daqui é o país do vento, e mesmo assim tem muita água separando a gente. Seria basicamente 4 dias de viagem daqui até Sunakagure, a vila oculta da areia, 2 dias apenas no mar, ou seja, para eu conseguir chegar as grandes nações, onde eu imagino que esteja acontecendo a guerra, demoraria dias, talvez até semanas. Dessa forma preciso da ajuda do rei.

Finalmente chego a cidade principal, e já posso ver o palácio real. Sigo caminhando nas ruas de pedras, mas tem algo errado por aqui, essa cidade sempre esteve lotada de turistas e agora está tão deserta como Getsukagure. A guerra, eu pensei.

—Parada! Quem é você?

Um dos guardas do portão do palácio aponta uma lança para mim. Apesar do país da Lua possuir grandes shinobis o rei mantem a sua proteção através da guarda real composta de homens armados, porém existem alguns shinobis que são encarregados de cuidar da família real caso algo aconteça, alguns desses shinobis são do meu clã, mas eles não ficam aqui no reino, são chamados caso algo aconteça.

—Meu nome é Mei Hokaku e eu vim falar com rei.

Apesar de nós do clã Hokaku nos denominarmos shinobis não temos essa classificação como os outros shinobis tem. Eles usam bandanas e tem treinamento e fichas reconhecidas pelos Kages e os Daimyo, nós não. Não realizamos exames para genin, chunnin ou jounin, e nem entramos em uma academia ninja para estudar. Tudo que aprendemos, aprendemos no clã, e somos denominados ninjas pelo rei e nosso líder, sem nenhuma avaliação específica, apenas a palavra do nosso líder que estamos prontos para ajudar e realizar as missões propostas por eles.

Tudo isso pela velha questão de que o clã Hokaku é um clã secreto e não deve ser exposto de forma nenhuma. Porém, precisamos ser reconhecidos pelo rei, precisamos mostrar que somos do clã Hokaku e que estamos ali em missão para a família real, já que nosso clã possui pelo menos 100 shinobis ativos em missões, e o cabelo branco, o traço genético mais herdado dentro do clã, não é o suficiente.

Assim nós usamos o emblema do clã como reconhecimento, não é nada demais é apenas o nome do clã e a forma da lua crescente. Cada um usa de um jeito, minha tia Lin usa o emblema em um bracelete no pulso direito, a Sayumi usa como uma bandana que prende a franja, o tio Kazuo usa nas costas da luva de ambas as mãos, o meu pai usa nas costas do seu kimono branco e a minha mãe usava como uma faixa amarrada na coxa esquerda.

Então eu virei de costas e mostrei para o guarda o meu emblema, eu usava um kimono aberto que ia até os meus joelhos na cor preta com o emblema em branco, o nome do clã 捕獲 e a lua crescente . Sayumi dizia que me fazia parecer uma versão rebelde do meu pai, e eu gostava disso.

—Vamos avisar ao rei da sua presença, aguarde um instante.

Ele escreveu uma mensagem em um papel e entregou para o outro guarda do outro lado do portão, esse guarda então chamou um mensageiro que estava na porta do palácio, esse veio pegou a mensagem e entrou para o palácio.

Devo confessar que não demorou para a resposta vir do palácio, mas para mim pareceu horas, estava nervosa, ansiosa e apreensiva. Nunca estive sozinha aqui, nunca estive sem alguém do meu clã do meu lado em tudo o que ia fazer, nas missões ou nos treinos, somos uma família e me preocupa o fato de agora eu estar sozinha fazendo algo tão importante e perigoso ao mesmo tempo. Só espero poder ajudar esse mundo e manter ele bem para que o meu clã continue a existir e assim eu possa voltar para casa.

O guarda abriu a mensagem que tinha acabado de receber, era a resposta do rei, ele me olhou de cima a baixo antes de abrir o portão. Caminhei lentamente até a porta do palácio onde um dos empregados do rei me esperava. O meu nervosismo aumentou e aquela pressa para falar com o rei tinha ido embora.

Eu nunca temi nada na minha vida antes. Já lutei com grandes shinobis de dentro do meu clã, já enfrentei grandes obstáculos, já fiz missões complicadas se tornarem fácies. Mas agora era uma guerra para onde eu queria ir, entrar em uma guerra para poder ajudar, para poder ser útil. A maior arma de um ninja é a informação, e eu não tinha nenhuma, não sabia nada sobre o inimigo, onde estava acontecendo a guerra, quantos tinham ao lado da aliança shinobi e sobre o que estava acontecendo nesse momento. Isso me preocupou, é uma guerra e eu sou só uma, será que farei alguma diferença? Será que não é tarde demais? Será que fiz a escolha certa?

—Mei Hokaku! Que prazer receber você aqui!

—Vossa Majestade, agradeço por ter me recebido.

—Imagino que deve ter escutado minha conversa com o seu pai.

—Não acha que ele mudou de ideia?

—Daishi Hokaku? Extremamente difícil isso ter acontecido, ainda mais agora sem sua mãe por perto. Sei que você veio por conta própria, desobedecendo seu pai. Você tem o mesmo olhar rebelde da sua mãe.

—Entendo, então já que sabe, podemos conversar sobre a guerra? Imagino que a lua vermelha seja um indicativo de que não temos muito tempo a perder.

—De fato, a guerra está no seu auge. Enviei um grupo de shinobis informantes de Getsukagure para me mandar informações, e as notas que tenho recebido são preocupante.

—Contra o que lutamos Alteza?

—O nome dele é Madara Uchiha, é um ninja muito poderoso e forte, muito habilidoso em jutsus que jamais vimos antes, seu objetivo é usar a lua para colocar o mundo inteiro em genjutsu eterno, e ele não está sozinho.

Um genjutsu eterno usando a lua?! Nem mesmo o clã Hokaku debaixo do subsolo pode escapar disso! Por mais que eu seja apenas uma, agora vejo que fiz a escolha certa, tenho que lutar contra isso com tudo que existe em mim.

—Imagino que essa guerra já esteja acontecendo a um certo tempo, aonde ela se encontra nesse momento Majestade?

—No País do Relâmpago, é onde está sua maior concentração, e onde acredito que você será mais útil com o seu kekkei genkai, porém devo avisar que você correrá riscos por estar sozinha, deverá confiar na aliança shinobi, sei que mesmo com suas diferenças do resto do seu clã, você tem limitações, e capturar chakra ou jutsus de um inimigo sem poder usar jutsus para se defender de outros inimigos durante o processo é uma delas.

Eu e meu pai treinamos muito por isso. Apesar de que eu sou bem mais rápida para capturar chakra e jutsus, ainda assim não consigo usar nada para me defender enquanto faço isso.

—Eu sei que não será fácil, que é muito arriscado, mas você mesmo disse Alteza, o mundo precisa de nós, e sem mundo não existe Getsugakure e muito menos clã Hokaku. E se eu sou a única que posso lutar com mais chances de vitória, assim eu farei, pela minha família.

—Você não é tão diferente do seu pai, não está indo para essa guerra por rebeldia apenas, por querer ser heroína ou por querer mostrar seu poder.

—Meu pai sempre me disse que o mundo é ganancioso e isso nos mata facilmente, eu nunca vi esse mundo para ter essa percepção, mas acredito nele por todos os vasos cheios de cinzas que tem na sala sagrada, e por todas as regras que decoramos assim que nascemos, e pelo olhar cansado e preocupado que ele carrega. Talvez ele nunca me perdoe por desobedece-lo, talvez eu nunca mais volte para casa, mas eu sinto dentro de mim que tenho que lutar por eles. Sei que minha mãe faria isso, e por mais que eu sonhe com liberdade, conhecendo o mundo e vivendo nele, não é sobre isso, é sobre ter um futuro para ser vivido, mesmo que seja embaixo da terra. Eu nunca soube porque era diferente e muito mais forte que o resto do meu clã, talvez seja por isso.

O rei suspirou se levantando de seu trono devagar.

—Venha dar uma volta comigo Mei, acredito que tenha algo que você precise saber.

Caminhamos lentamente pelo palácio em silencio. Aquele lugar que era cheio de shinobis estava vazio e escuro, imagino que o resto da família real tenha ido se proteger no porão do palácio.

Chegamos a pequena biblioteca que existe dentro do palácio. O rei se dirigiu a prateleira e tirou um grande livro colocando ele em cima da mesa central. Ele folheou as páginas em busca de algo, até que parou e me lançou um olhar, para que eu me aproximasse.

—Esse livro contém as histórias de todos os clãs e shinobis de Getsugakure, e é o único livro que resta com informações sobre vocês.

Ele colocou o dedo indicador sobre uma foto na página.

—O seu clã Mei surgiu a muito tempo, não se sabe a quanto tempo exatamente, talvez desde a criação do chakra em si. Sempre foi um clã muito poderoso, seu kekkei genkai sendo uma das maiores habilidades ninjas desse mundo. No início o seu clã era como qualquer outro, realizava missões como todos os ninjas, participava de exames e viajava por todo o mundo. Como era menor do que atualmente, não tinha tanta visibilidade, até que a primeira guerra aconteceu. O líder do seu, em um ato não muito bem avaliado, na inocência e ingenuidade enviou o clã Hokaku para lutar na guerra, é claro que seu clã era praticamente imbatível mas tiveram muitas perdas e o kekkei genkai foi notado pelo mundo. Não muito tempo depois, muitos ninjas apareciam querendo informações sobre o kekkei genkai e livros foram escritos sobre as batalhas do clã Hokaku na guerra. O líder do seu clã não viu aquilo como algo negativo, e logo ele faleceu e seu filho assumiu, e ai veio a segunda guerra ninja. Novamente o clã Hokaku entrou na guerra, e muitos morreram, mas não em combate, shinobis de todas as nações começaram a perseguir o clã desejando o poder do seu kekkei genkai, vendo que isso estava acontecendo o líder do clã fez um acordo com o rei do País da Lua e trouxe seu clã para cá, com a esperança de proteger o que restava dele.

O rei estava sério, seu rosto estava enrijecido, ele passou a página do livro com cautela, como se aquele livro fosse se autodestruir se usasse um movimento bruto.

—Veja bem, nas guerras um líder usou a força e poder para proteger o clã, e o outro tentou fugir, mas ambas decisões não impediram as mortes. Foi ai que seu avô assumiu, depois de ter perdido sua mulher para ninjas que queriam o poder Hokaku, ele se desesperou ao perceber que estava morrendo e não conseguiu proteger nem mesmo sua esposa. Então ele tomou uma decisão muito drástica. Depois de muita pesquisa ele decidiu enviar ninjas do clã para capturarem chakras poderosos pelo mundo, e trazer esses chakras para misturarem ao chakra de uma criança em formação dentro do ventre de sua mãe.

Meu coração parou por um segundo ao ouvir aquilo, não podia acreditar que meu avô decidiu fazer algo tão bruto e desesperador assim.

—Seu pai não concordou é claro, lutou contra de todos os jeitos possíveis, mas não pode evitar, 19 mulheres e bebes morreram, além de 15 shinobis que tinham ido capturar os chakras. Seu clã chama essa história de Ano Negro, apesar de que ela foi proibida de ser contada e comentada. Mas foi assim que você nasceu Mei, sua mãe confiou nas palavras do seu avô e mesmo indo contra o seu pai decidiu que era o certo a se fazer. Seu tio Kazuo que foi o responsável por trazer o chakra do país do Fogo, um chakra demoníaco, que quase tirou a vida dele, mas que garantiu que você fosse única e forte. Seu avô implantou o chakra dele dentro de você também depois de ter colocado o chakra do país do Fogo, seu pai e sua tia Lin acabaram dando uma pequena parte dos chakras a você também, e isso garantiu que seu kekkei genkai fosse fortalecido.

O meu recipiente de chakra é muito maior do que deveria ser, ele tinha um tamanho normal, e ai foi cheio até a borda pelo chakra trago pelo tio Kazuo, depois foi fortalecido pelo chakra do meu avô, e expandido pelo poder do kekkei genkai e pelos chakras do meu pai, da tia Lin e da minha mãe. Todos esses chakras com suas características únicas compõem o meu, é quase como um recipiente cheio até metade, dentro de outro igual, dentro de um vazio que vem sendo cheio pelos chakras que eu capturo. Isso é surreal.

—A partir disso seu pai decidiu que jamais sacrificaria ninguém, você foi criada para ser uma arma e proteger seu clã e garantir o futuro a todos, porém ele decidiu que não seria assim. Todos os registro sobre vocês foram pagados e as regras foram criadas e reforçadas. No início não foi fácil, mas a dor da perda que todo o seu clã carregava permitiu que eles se fechassem para sempre. Meu pai chamou seu pai de covarde durante muito tempo, mas eu compreendo a dor que ele sentiu, e espero que você entenda isso agora Mei.

No desespero meu avô tomou meditas extremas, e meu pai fez a mesma coisa por causa de toda a dor que carregava. O medo força as pessoas a sucumbirem e se lançarem ao desespero. O medo fez todo meu clã se esconder por muito tempo, eu pensava que era medo do mundo, mas na verdade era medo da perda e da dor que ela traz. Agora eu entendo e me sinto culpada por ter saído daquele jeito, por ter deixado eles assim. Meu pai e eu temos as mesmas intenções de cuidar e proteger, mas o medo que ele carrega eu desconheço.

Quando perdi minha mãe eu sofri muito, porém é diferente do que o que ele sentiu, o que todo o clã sentiu. Minha mãe estava doente, sofria muito, e descansou. Já o resto do clã perderam toda a vida que tinham, todo o seu futuro foi tirado deles, e ninguém tem direito de fazer isso com alguém. Ninguém deveria ter poder sobre a vida e o destino de outro, isso não é justo.

—Sei que não deve ser fácil receber toda essa informação assim, mas acredito que você precisa saber disso para tomar uma decisão sabia. Eu pedi ao seu pai ajuda para a aliança shinobi porque tenho medo do que pode acontecer ao mundo e a minha família, e entendo que ele se recuse a isso porque teme pela família dele. Ambos temos nossas razões e motivos, ambos estamos corretos em nossas ações, mas agora você está aqui e você precisa tomar uma decisão por suas próprias razões. Não é fácil, mas é o justo. Se quiser voltar para casa não te julgarei, ninguém impedirá você, mas se quiser lutar te darei tudo o que estiver ao meu alcance para que você ajude o mundo e nossas famílias, e volte para a sua.

Respirei fundo, não sabia o que dizer.

Me dirigi para a sacada com os pensamentos borbulhando em minha mente. Um vento frio vinha de encontro comigo, a luz vermelha se intensificava a cada segundo, eu não tinha muito tempo.

Os rostos da minha mãe, meu pai, minha irmã, tia Lin, tia Kazuo e todos do meu clã passavam pela minha mente. Eu sabia que meu pai estava certo, que era uma decisão sensata, mas por outro lado tinha uma guerra.

Durante toda minha vida nunca tive um problema tão grande para resolver, nunca tive uma decisão tão difícil a ser tomada e em tão pouco tempo.

Suspirei, e olhando para a lua decidi.

—Majestade, eu agradeço por suas palavras. De fato meu pai está certo, e não posso julga-lo ou ir contra seus pensamentos. Mas eu decido ir a essa guerra, mesmo com medo, mesmo preocupada, mesmo desobedecendo ele. Eu fui criada para isso, sei que tudo que aconteceu para que eu nascesse não é algo a ser comemorado, mas eu estou aqui, e devo honrar o sacrifício de todos que se foram e lutar por quem está aqui. Talvez eu não faça a mínima diferença nessa guerra, talvez tudo isso seja em vão, mas eu nunca vou saber se não tentar. Isso não é pela minha mãe ou por mim, isso é porque eu posso, e se eu posso então eu devo tentar proteger meu clã com tudo que eu tenho, mesmo que eu não volte para casa mais. A dor da perda é algo que não se pode combater, mas o medo com certeza é algo que vale a pena ser combatido, por todos.

Me virei para ver o rei guardando o livro na prateleira. Ele deu um breve sorriso para mim, e aquilo me deu esperança.

—Será uma honra ter uma konoichi como você do nosso lado, Mei Hokaku, do País da Lua.

Notas finais
Caso tenham gostado não esqueçam de comentar ♥