A Sombra
46 Cedendo ao abismo.
Notas iniciais
– Trouxe isso. – Joguei a bolsa no sofá vendo Stefan e Bonnie no meio da sala dos Salvatores. Eles me encararam em expectativa.– Bolsas de sangue , pelo que sei o corpo de Damon vai começar a rejeitar … – Parei olhando para todos os lugares. – Aonde ele esta?
– Tivemos um problema. – Stefan coçou o queixo em completo desespero. – Ele tentou se matar.
Aquilo me chocou , mas não tanto.
– Tá de brincadeira não é?! – Fui até o bar preparando uma doce dupla do uísque forte. Depois de colocar para fora todo meu almoço da manhã , meu estômago estava vazio e minha garganta queimava ainda mais.
– Não , ele não esta bem. O tranquei na adega , Alaric esta cuidando dele. – Informou Stefan se aproximando. – Precisamos de Michelle.
– Pra quê Stefan? Pra ela se envolver ainda mais? Novidades... – Levantei o copo em direção ao seu rosto , e engolir em seco a bebida que já perdia o gosto na saliva. – Ela não tem que se envolver mais. – Terminei a bebida do copo e olhei para Bonnie que parecia perdia. – Sei que pode fazer isso , sei que pode Bonnie …
– Eu já tentei , os espíritos não querem falar. – Rebateu ela cruzando os braços de forma derrotada .
– Então force a barra! – Gritei jogando o copo na lareira, como se arremessa-se uma bola , enquanto caminhava até a bruxa. – Você me deve , você ligou meu pai a Elena , ele estaria aqui , estaria aqui comigo se não fosse você Bonnie! – Acusei ela sem dor. Um lado de min admitia que era um golpe baixo fazer aquilo , mas eu não podia me controlar. Estava com raiva , e precisava acabar com aquela ardência na minha garganta … as veias da bruxa pareciam pulsar como tambores … eu só precisava. Bonnie tremeu dando um passo para trás como se estivesse com medo. Stefan me girou e me encarou com preocupação visível. – Eu estou bem.
– Não , não esta , precisa … – Começou ele.
– Encontrar uma solução para Damon. – Terminei por ele me voltando mais controlada para a garota. – Por favor Bonnie , eu não posso perder mais ninguém. – A raiva se fora e só ficou a tristeza e a dor. Sentir as lágrimas rolarem e me odiei por isso.
Rapidamente e grosseiramente as sequei com as costas da mão.
– Tudo bem , eu posso tentar de novo. – Consentiu Bonnie voltando a se ajoelhar em cima da mesa para fazer algum feitiços.
Ela começou a falar em latim e o fogo da lareira subiu , as velas ao seu redor se acenderam.
– Bonnie. – Chamei ela depois de muito tempo de silêncio.
Quando seus olhos se abriram por um segundo ficou completamente branco.
– Sou eu , Emily . – Disse a voz dela. Stefan se pôs na minha frente de modo protetor. – O que querem de nos?
– Eu preciso de ajuda. – Stefan deu um passo a frente e suspirou fundo antes de continuar. – Existe feitiço que cura mordida de lobisomem?
– Não . – A voz de Bonnie falou. – A natureza segura um equilíbrio para tudo.
– É verdade , ou só esta dizendo isso por que é o Damon? – Stefan se aproximou mais da bruxa encorporada e eu também.
– Talvez seja a hora dele. – Ela deu de ombros.
– Isso não é equilíbrio é punição. – Retrucou Stefan fechando as mãos em punhos.
– Eu não vou dar o que você quer. – Disse ela secamente orgulhosa.
– Então esta dizendo que há uma cura. – Apontei obviamente falando pela primeira vez.
Bonnie gritou colocando as mãos na cabeça, Stefan a segurou antes dela cair no chão.
– Elas acham que estou abusando. – Gemeu a bruxa voltando a ser a adolescente que era. – Mas …
– Mas? – Incentivei ela falar , enquanto também me ajoelhava para ficar frente a frente com ela.
– Elas falaram um nome. – Bonnie mordeu os lábios com força.
– Qual? – Perguntou Stefan junto a min em sincronia.
– Klaus.
Apenas o nome me fez querer vomitar novamente , e também querer , desejar , arrancar o pescoço da bruxa. Fiquei surpresa com o meu próprio ódio e me voltei para o bar. Segurei a garrafa e desci para a adega, ouvindo Stefan pedir mais explicações para a bruxa. Encontrei sem problemas a adega, Alaric estava sentado na frente da porta da “prisão”.
– Parece que tivemos a mesma ideia. – Brincou ele mostrando sua própria garrafa.
– Não tivemos tempo … – Comecei caminhando mais lentamente quando vir seus olhos fundos.
– Eu sei que sente muito por Jenna, e eu também. – Alaric colocou a sua própria garrafa na boca e sorveu uma grande doce de bourbon. – Só não quero falar sobre isso agora.
– Concordo. – Coloquei um dos copos pela janela da porta e olhei para o chão aonde Damon respirava com dificuldades , suado como se estivesse com febre. – Como se sente?
– Morrendo. – Gemeu ele a palavra , tentando se levantar e não conseguindo obviamente.
Então somos dois. Pensei abrindo a porta para eu mesma o servir. Coloquei um joelho no chão empoeirado não me importando se ia ou não sujar a roupa. Fiquei do seu lado o ajudando a beber e foi o que ele fez . Sua cabeça pendeu para deitar no meu colo , enquanto eu comecei a acariciar seus cabelos. Seu peito subia e descia como um sedento por ar. Me sentir novamente em pânico quando seu coração perdeu duas batidas. Suas orbes azuis me encaravam com fascínio como se me visse pela primeira vez.
– Vai sentir minha falta enquanto eu defendo o sul? – Perguntou ele sem piscar , vidrado … no tempo. – Senhorita Pirce.
Massageei meu coração não sabendo se ficava triste por ele esta naquele estado , ou se por me confundi com Katherine.
– Certamente mestre Damon. – Disse com uma voz doce.
Ele fechou os olhos sorrindo minimamente , e pareceu dormir. Deitei sua cabeça em cima de sua própria jaqueta jogada no canto e me levantei vendo Alaric no batente da porta.
– Cuida dele , eu e Stefan vamos achar a cura. – Bati amigavelmente no ombro de Alaric enquanto saia.
~~x~~
Eu devia esta em um pesadelo não é? Um pesadelo cheio de escuridão e dor.
Eu me curvei, pressionando meu rosto no volante tentando respirar normalmente. Eu me perguntei quanto tempo isso podia durar. Talvez alguum dia, anos mais tarde, se a dor diminuísse de forma que eu pudesse aguentar , eu poderia olhar de volta para aqueles meses, anos que foram a minha vida. E, se fosse possível que a dor diminuísse aponto de me permitir fazer isso, eu tinha certeza que me sentiria agradecida pelo tempo que eu tinha ganhado pelo sangue dele.
Mais do que eu perdi , mais do que eu merecia. Talvez algum dia eu fosse capaz de ver as coisas desse jeito.
Mas e se o buraco no meu peito não ficasse melhor? E se as beiras em carne viva nunca sarassem?
E se o dano fosse permanente e irreversível? Eu via meu coração daquela forma. E a dor era dilacerante.
– Você não precisa vim. – Garantiu Stefan depois de eu pedir um tempo para respirar.
Eu me sentei ereta e olhei para o prédio na frente. Eu sabia que era um tiro no escuro Klaus ainda esta ali , mas era o único que tínhamos. Me olhei no espelho do retrovisor não me reconhecendo , meus olhos não tinham o mesmo brilho de antes. A evidência física era a parte mais insignificante da equação. Eu estava mudada, por dentro eu estava mudada ao ponto de ser difícil me reconhecer.
Abrir a porta do carro não aguentando mais me encarar e com Stefan atravessei a rua.
– Eu pedi para Elena ir conversa com Damon , tentar fazer ele não …
– Querer morrer pelo amor que sente por ela? – Rebati abrindo a porta principal do prédio.
Eu não queria pensar naquilo. Mesmo assim as evidências do amor de Damon por Katherine e Elena , me magoavam. Eu estava apaixonada por Damon? Antes? Se sim tudo tinha se intensificado , mesmo eu não completando a transição. Paramos na porta vermelha e eu abrir , como ainda não era oficialmente uma vampira eu podia entrar.
Dei mais passos para a frente e estanquei quando no meio da sala em um caixão aberto estava Elijah com uma adaga no peito. Desviei o olhar rapidamente. Mesmo enquanto continuava andando em sua direção. Eu parei na metade do caminho quando a porta da frente se abriu novamente , só que agora eu sabia que quem entrava poderia não nos querer ali.
– Olá Klaus. – Disse confiante virando somente meu rosto em sua direção.
Klaus sorriu sadicamente da porta. E eu novamente entrei em um estado de loucura quando me preparei para me aproximar e o machucar , o ferir de alguma forma. Stefan me barrou sabiamente.
– Esta feliz com o que fez comigo? – Perguntei em um rosnado , brigando com os braços ao meu redor para me soltar.
– Não ainda , amor. – Klaus fechou a porta atrás de si com um movimento de pé e colocou as mãos atrás das costas. – Veja … Sinto , que ainda não se decidiu entre morrer e concretizar o que não tem volta.
– Isso não é da sua conta! – Exclamei parando de me debater. Stefan me soltou e ficou do meu lado.
– É uma pena. – Klaus caminhou até o irmão encaixotado e começou a tampar o caixão. – Sei que Elijah vai ficar feliz quando descobrir que você não morreu. – Ele riu , uma risada cheia de ironia e escárnio. – Tinha que ver a expressão dele quando viu você caída aos seus pés , morta segundo ele pensava. – O loiro girou os calcanhares e me encarou mas ainda com ar de riso. – Ele me atacou sem nem pensar duas vezes , não tive outra escolha se não o colocar para dormir. – Falou quase como se justificasse.
– Você não presta. – Falei com tanto nojo que ele perdeu o sorriso. Como se eu finalmente tivesse o tocado , o ferido. – Nem sei como Elijah poderia ter um dia o amado.
Klaus sumiu de vista quando eu pisquei e Stefan ofegou. O antebraço do híbrido estava dentro da caixa tóraxica do vampiro.
– Acho que vocês não estão aqui para me ofender. – Klaus virou Stefan para ele , podendo assim me encarar sem problemas. O híbrido sorriu e encarou o vampiro que tinha sua boca entreaberta. – Esta sentindo isso? – Klaus perguntou enfiando mais seu braço dentro de Stefan , no coração de Stefan . – Um movimento mínimo e você morre.
Klaus novamente me encarou e eu sabia que ele estava me punindo por minhas palavras, principalmente agora que ele tinha todo “o poder”.
– Pare! – Gritei eufórica podendo ouvir os arquejos de Stefan me machucarem. – Ele só quer ajudar o irmão dele.
– Família. Um ato tão nobre morrer por ela.– O híbrido lambeu os próprios lábios como quem saboreia uma refeição , uma palavra. Com um movimento rápido ele empurrou Stefan que caiu no chão.Tentei chegar perto de Stefan , mas o sangue que jorrava pelas mãos de Klaus me desconcertaram.
– As bruxas disseram . – Murmurou Stefan se colocando de pé lentamente. – Que você tem a cura para a mordida de lobisomem , fazemos um trato , você me dar a cura … – Stefan tossiu violentamente , respirou fundo se recompondo e ficou frente a frente com o híbrido que só tinha olhos para min. – E eu faço qualquer coisa por você.
O choque da revelação do que Stefan estava planejando me fez perder o ar. Klaus riu novamente e foi até a pia da cozinha aonde ligou a torneira e limpou as mãos.
– Você não acha amor , que já esta na hora de você … sentir o gosto? – Klaus abriu a geladeira e mesmo antes dele me encarar, eu sabia que o loiro falava comigo.
– Não . – Eu dei um passo para trás , mas ele me barrou com sua velocidade e seu corpo aparecendo ali. Com uma bolsa de sangue. – Eu não …
– Não se envergonhe. – Aconselhou ele como se quisesse soar gentil , mas soava como um sádico. – Você perdeu seu pai , sua mãe , sua tia , Elijah . – Ele balançou a bolsa de sangue no meu rosto , e eu só fiquei hipnotizada. Mesmo que cada palavra me ferisse algo dentro de min rugia.– E esta perdendo Damon , ele esta morrendo … – Avisou sombriamente com um ar compassivo e intenso quando seus olhos vieram para os meus de forma que me fez desejar desviar o olhar , mas não conseguir , eu podia ver a luz refletir nos olhos d como fogo. – Seu casinho de férias , sua paixonite esta morrendo. Talvez … – Ele se aproximou mais e sussurrou sorrindo macabramente quando continuou. – Seu grande amor.
Eu podia sentir meu cérebro tentando captar cada detalhe do que ele falava e formar uma frase coerente , porém era como esta presa no próprio eixo ao redor daquele olhar. Me empurrava para aceitar tudo que ele dizia , e tudo que ele dizia me machucava.
– Deixe ela em paz! – Stefan exclamou me fazendo acordar , pisquei diversas vezes até me estabilizar. Sentir seus braços ao meu redor e gemi sentindo minha garganta em fogo puro. Eu precisava de alguma coisa para aliviar aquele calor , e a bebida estava longe demais , já o sangue na bolsa nas mãos de Klaus , parecia tão perto , saboroso.– Se ela fizer isso , essa escolha tem que ser por vontade própria.
Klaus suspirou dramaticamente chateado. E abaixou a bolsa.
– Eu já ouvir falar de um vampiro. – Agora ele olhava para Stefan. – O cara era louco , perdia e retomava o controle por décadas , quando perdia ele era magnífico. – Klaus levantou suas sobrancelhas como se apontasse o óbvio. – Em 1917 ele foi até Monte Rey e acabou com uma vila inteira de imigrantes. – Ele se aproximou mais e sorriu de lado. – Soa familiar?
– Eu não sou mais assim. – Rebateu Stefan prontamente em uma voz claramente culpada.
– Que pena , por que com aquele vampiro , eu podia fazer um acordo. – Klaus abaixou a cabeça e me encarou agora. – E com você , outro. Soube que Michelle nem esta na cidade para ajudar. – Apontou inteligentemente. Sabendo demais para o meu gosto.
– Eu não faço acordo com monstros! – Gritei em sua cara.
– Nem pela salvação de Damon? – Perguntou ele juntando as mãos no queixo enquanto andava para trás. – Nem pela cura?
Me virei para Stefan sentindo seus olhos perdidos. Ele claramente estava pensando no prós e contras. Encarei Stefan por sobre o ombro , seu queixo batia acima do meu rosto , ele estava ficando convicto , salvaria seu irmão era claro .
Já eu , bem , eu estava morrendo , sentia aquilo na minha fraqueza repentina. Na falta de ardor da minha garganta. O sol estava começando a ir embora , e minha vida também.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, pautando as possibilidades, nos encarando . Encarei o rosto de Klaus agora. Cada detalhe dele que me dissesse o quão longe aquele ser poderia chegar. O que era preciso para se defender de toda sua fome de poder? Toda sua maldade? Nada.
– O que você quer? – Perguntei me soltando de Stefan com um gesto rápido demais. Eu quase cair , podia ver o chão chegando perto , mas Klaus me pegou pelos ombros e me colocou de pé.
– Primeiramente , um drink. – Garantiu ele de forma rápida não deixando seu sorriso vitorioso cair encarando por cima a bolsa de sangue que tinha colocado em cima da mesa do lado do sofá, eu resmunguei um não de forma rápida . – Não seja teimosa garota. – Rosnou o híbrido perdendo a paciência.
Me afastei de seus braços e Stefan me segurou agora. Vendo os olhos de Klaus eu me sentir minimamente vitorioso por o ofender novamente de alguma forma , estava estampado nos olhos dele. Peguei a bolsa de sangue e tirei a válvula protetora. O gosto era divino , como chocolate e água na pior seca já vivida. Eu estava em outro lugar.
Eu senti tudo a minha volta se apagando , como se ninguém mais estivesse ali, então tudo explodiu em milhões de sensações . Eu esperava estar desmaiando, mas, pro meu desapontamento, eu não perdi a consciência.As ondas de dor que até agora só haviam me beliscado , agora ficavam mais altas e passavam pela minha cabeça, me afogando.
Eu não emergi , me deixei cair nelas , as acolhi como amigas e irmãos.
– Preciso de mais. – Garantir de forma forte , quando toda a maravilha do momento foi cortada.
– Venha Stefan , vamos conversar mais civilizadamente. – Mandou Klaus indo até a cozinha.
Stefan me sentou do seu lado na bancada , e eu me afastei dele , não queria que ele me tocasse , me sentia suja agora.
– Tá tudo bem , você esta entrando em uma faze de emoções mais amplas. – Garantiu Stefan.
– Ah não se preocupe com ela. – Aconselhou Klaus me dando outra bolsa , não resistir e a levei até a minha boca. Como uma drogada precisando de cocaína. – Essa é para você.
Ficamos naquilo por quase uma hora , até as bolsas acabarem , e mesmo assim , eu não me sentia satisfeita , e se não fosse pelo meu estado deplorável , eu teria me preocupado com o de Stefan. Mas tudo estava na beirada da minha consciência.
– Sabe , eu tenho planos quando sair de Mystic Fall's . – Comentou Klaus me fazendo voltar a realidade. – Preciso de pessoas do meu lado , pessoas que conheçam criaturas tão magnânima quanto eu.
– Lobisomens. – Coloquei minhas mãos no rosto e me encurvei sobre elas na bancada.
– Nunca vi alguém mais inteligente …. – Começou ele com seus elogios baratos.
– Não vou fazer nada antes de você ajudar o Damon. – Garantiu Stefan socando a bancada.
– Entendo. – Klaus se levantou e mostrou um frasco de geleia vazio. Ele colocou o pote no meio da mesa , e mordeu o próprio pulso e o sangue caiu vermelho lá dentro. – Alana amor, você pode levar a cura. – Mandou o vampiro me oferecendo o frasco. – Salve Damon e depois nos encontramos. – Peguei o frasco de suas mãos e ele sorriu passando o dedo embaixo do meu lábio inferior antes de eu pensar. Me afastei sem pensar do seu toque , e ele franziu a testa por um segundo , depois voltou a ser o sádico. – Afinal , não vai querer deixar Stefan sozinho , não é?
Balancei negativamente a cabeça , de forma automática.
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