You take great pride in never having lived up to anything



[Takanori POV]



“Mentiroso” já perdi a conta de quantas vezes já me disseram isso, não que eu realmente seja honesto, eu também nunca tentei ser honesto, só uma única vez, eu cresci em uma família desestruturada, mas muitos já me disseram que isso não é motivo pra mim fazer o que eu faço. Também acho que não é.

Só que depois de tanto tempo fazendo a mesma coisa, sendo ‘mentiroso’ fazendo tantas pessoas enfrentarem a realidade, eu meio que me acostumei. Comecei a namorar mais de uma pessoa ao mesmo tempo quando eu era adolescente, e ainda gostava de garotas.

Ou pelo menos achava que gostava, eu fazia isso, e ainda faço, pra me sentir melhor, minha irmã era uma drogada, meu pai traia minha mãe, toda noite era uma mulher diferente, eu meio que quero fazer as pessoas sentirem o mesmo que eu sinto. Mas isso era antes, antes de eu conhecer ele. Antes de eu conhecer o Reita.

Aquele homem foi o que desmoronou meu mundo criado por mim mesmo, um mundo onde eu era um Deus, supremo, e absoluto. Foi inesperado, eu o tinha visto de relance em uma boate onde eu conheci meu namorado do momento, Kouyou.

Às vezes ele aparecia por lá, e era inegável o quanto ele chamava atenção, talvez fosse pela faixa tampando seu nariz, o que o deixava um tanto misterioso, talvez também pela sua beleza, que mesmo um pouco escondida era inegável. Era difícil não olhar pra ele, quase sempre estava sozinho, mas na maioria das vezes Kai também estava junto, Kai que na época ainda era só o amigo do estranho com a faixa.

Até que um dia eu fui até a boate ver Kouyou, e seu chefe me disse que ele precisou de um tempo, pra fazer não sei o que, não me recordo agora. E ele estava lá, sozinho dessa vez, eu acho que ele nunca tinha me notado antes daquela noite, posso dizer que não foi fácil convencê-lo a sair comigo.

Nos primeiros dias me encontrar com ele foi só um jeito de cumprir minha tarefa na terra, tarefa que eu dei a mim mesmo. Mas depois, depois ele foi se tornando especial, diferente aos meus olhos, e eu não queria isso, dei um jeito de ele me ver com o Kouyou, foi uma forma de me afastar do que poderia me fazer bem, mas só poderia, eu não queria sofrer de novo, não mesmo.

E agora eu tinha terminado com Kouyou, eu acabei notando que eu ia sofrer muito mais se continuasse com esse jogo idiota, que antigamente era meu motivo de vida, mas eu era tolo, Reita é o meu motivo de vida, eu só demorei um pouco pra descobrir. Dei leves batidas na porta da casa do mesmo, fazia um certo tempo que eu estava parado ali, apenas refletindo.

Reita abriu a porta, me analisando com uma expressão estranha, eu certamente não era bem-vindo, e eu entendia isso.

- O que você quer? – Me perguntou ele, grosseiramente.

- Podemos conversar? – Ele parecia refletir sobre o assunto – Por favor?

Com aparente relutância Reita me deixou entrar, eu analisava a casa, nada havia mudado ali, e aquela sensação de familiaridade não estava me ajudando em nada.

- Pode falar. – Reita me olhava acusadoramente, e novamente eu entendia o motivo.

- Precisamos conversar sobre nós, não acabou de uma forma muito boa, acho que para os dois. – Falei olhando em seus olhos, ou ao menos tentando já que ele os desviava de mim.

- Pra mim não foi, mas parece que não te afetou em nada. – Eu ainda tentava analisar sua expressão tampada pela faixa, inutilmente.

- Retira essa faixa Re... Akira, precisamos conversar sem nenhum tipo de barreira.

Ele finalmente me encarou, mas agora não sei se eu queria mesmo que ele fizesse isso, seu olhar me cortava em pedaços, era um misto de dor e raiva, todos os sentimentos imagináveis, que eram dirigidos a mim. Reita levou a mão até a parte de trás da faixa e a tirou, preciso dizer que isso me deixou ainda pior? Eu queria vê-lo sem mistérios, mas encarar a verdade doía ainda mais.

- E então, o que realmente você quer, com toda essa palhaçada, vir na minha casa, no meio da noite, não acho que você esteja arrependido do que fez.

- Arrependido, é uma palavra fraca, talvez transtornado com a minha própria burrice, e com a minha maneira idiota de tratar, você precisa me ouvir. – Eu estava apelando, e depois de tanto tempo, dizendo a verdade.

- Eu estou ouvindo, ou ao menos tentando, você não sabe o quanto você foi importante pra mim Takanori, mas já passou. O que mais me magoou foi o fato de você me trair, se não queria mais um relacionamento poderia ter me falado, mas não, você preferiu me trair. – Aquela raiva contida que ele despejava em palavras calmas era dolorosa e libertadora.

- Eu sei que o que eu fiz não foi certo, e eu queria poder te dizer o porquê da minha atitude estúpida, e impensada. – Mais uma vez eu não mentia, me separar dele, foi estúpido.

- Impensada? Estúpida? Que tal destruidora? Você é um puta mentiroso! Mentiu pra mim por tanto tempo, você dava em cima do Kai, meu único amigo, tem noção do quanto isso foi idiota? – Raiva contida, dolorosa e libertadora.

- Mas eu nunca tentei fazer nada com ele, não vou negar que eu não presto, ou melhor, não prestava, você é importante demais pra mim, o único, depois de tanto tempo. – Eu estava a beira de um ataque nervoso, eu poderia chorar a qualquer momento, mas mantinha minha máscara.

- Você se acha superior por nunca ter vivido por nada! ¹ Eu não tenho culpa se você não sabe como é gostar de alguém, e não me venha com mentiras, VOCÊ NUNCA VIVEU POR NADA, NEM POR NINGUÉM! – Eu chorava, não por fora, mas por dentro, ele estava errado, eu vivia por ele, agora, era tudo por ele.

- Acho que não temos concerto. – Sorri tristemente já abrindo a porta pra sair da casa – Já resolvemos nossos assuntos, eu já me pronunciei, você também. Não foi como eu imaginava, mas só me deu mais certeza de que eu realmente te amo.

Sai da casa e fechei a porta atrás de mim, eu chorava, por dentro e por fora agora, ninguém mais poderia me ver, foi bem pior do que eu imaginei que fosse, mas eu não iria desistir, não agora, agora que eu descobri quem realmente é importante pra mim.



[Akira POV]

MALDITO, MALDITO, MALDITO! Matsumoto Takanori seu filho da puta, ontem foi a pior noite da minha vida, pior até comparada com a de quando eu o vi com outro homem. Como ele se atrevia a vir até a minha casa e dizer que me ama? Maldito mentiroso.

Sai de meus devaneios quando cheguei a empresa Shiroyama, entrei analisando o local, ainda xingando Takanori mentalmente, vendo o erro que cometi quando aceitei conversar com ele, mas acho que o erro era antigo, era da primeira vez que eu o vi, sorrindo, mesmo de longe. Nunca poderia imaginar que ele fosse um maldito mentiroso.

Entrei na minha sala, não falei com ninguém, sentei na minha cadeira tentando relaxar, estava conseguindo quando bateram na porta. Estava pronto pra mandar o imbecil que fosse pra casa do caralho quando Yuu abriu a porta, legal, quase perdi meu emprego no primeiro dia!

- Bom dia Suzuki-san. – Ele sorriu, quem precisa pensar no Takanori quando se tem um homem desses sorrindo pra você? – Eu sei que acabou de chegar, mas você precisa analisar esses papéis.

Talvez nem um homem tão bonito quanto o Yuu fosse me animar hoje, pelo menos não quando ele estivesse com uma pilha de papéis na mão.

- Aoi? – ouvi uma pessoa chamando, ignorei, não conhecia nenhum Aoi.

- Aqui Kou. – Como? Meu patrão tinha o apelido super fofo de Aoi? Me matem.

Eu fiquei encarando a porta, esperando que o ser humano que fosse que tivesse chamado meu patrão entrasse e eu descobrisse que era o louco que o chamava de Aoi. Antes ele não tivesse entrado.

- Aoi, precisamos conversar, agora. – Era ele, o maldito travesti. Fiquei estático, não tinha reações, nunca imaginei encontrá-lo, nunca.

- Kou, estou trabalhando agora. – Observei Yuu lançar um olhar severo para o ‘Kou’ eu tinha dito que ele era bonito, era mentira ele era lindo.

- Por favor. – Ele disse manhosamente, era impossível não perceber que ele era gay.

- Tudo bem, eu já volto Suzuki-san. – Só consegui balançar a cabeça positivamente, ainda encarando o homem parado na porta. Ele começou a me encarar de volta.

Talvez ele soubesse sobre mim, mas acho que não, ele apenas sorriu, mostrando dentes pequenos, como os de crianças e disse, normalmente “Gostei da faixa” e saiu, sorrindo.

Mau dia, mau dia.

Notas finais
N/A: Viram como eu sou legal? Eu postei rapidinho dessa vez, a Chibi Fada disse que queria saber mais da história do Ruki e eu comecei a escutar Megadeth toda animada, e não é que me veio inspiração? Então qualquer coisa, a Chibi Fada me deu uma P*** força mesmo sem saber. VALEU CHIBI! o/ Ah, também tem o fato de eu usar muitos palavrões, principalmente quando é POV do Reita, mas a cara, eu normalmente uso bastante sabe? Aí eu acabo me expressando assim. Enfim, gostaram? Eu gostei bastante, até achei que ficou grande esse cap. Eu até imprimi ele pra mostrar pra uma amiga minha ~nunca fiz isso~ morro de vergonha de mostrar minhas histórias pras minhas amigas. Aaaaah, bom, até a próxima atualização meus amores! ¹Liar - Megadeth Reviews? .-.