A Solitary Man
4 Quattro
Notas iniciais
I wanna live a life from a new perspective
[Akira POV]
Eu fiquei pensando que demoraria uns cem anos pra minha vida voltar aos eixos, bom, até que não estava demorando tanto assim, talvez eu pudesse me acostumar com isso, sair com os amigos, vulgo Kai, e beber, sem ter ninguém no meu pé pra me dizer o que fazer.
Estacionei em frente ao prédio do Kai e lhe mandei uma mensagem rápida, estava agitado, estava querendo beber até cair, e deixar meu carro nas mãos do meu saudoso amigo Kai, é isso ai, encher a cara e ouvir aquele puta sermão logo na manhã seguinte, quem não gosta?
Kai veio saltitante e alegre até o carro, tudo bem, talvez não saltitante, afinal a gazela aqui sou eu certo? Mas que ele estava alegre ele estava, ou então não estaria sorrindo com aquela cara de criança, é.
- E aí? Toca pro bar cara. – Não disse que ele estava feliz?
- Demorou.
E não é que demorou mesmo? Pegamos um engarrafamento do caramba, o carro se movia seis centímetros a cada trinta minutos, se eu tivesse uma pistola cano longo calibre 38 eu saia dando tiro em todo mundo, acho que é por isso que o Kai não me deixa comprar um.
- Relaxa Reita, só faltam alguns quarteirões, às vezes é um sinal, quem sabe não é pra gente ir pra lá. Porque a gente não vai naquele barzinho inglês ali na esquina?
- Aquele pub? Está lotado, e é chato, o que pode ter de legal em um barzinho inglês? E eu não acredito em sinais, só vou acreditar em um quando o inferno ficar pequeno pra tantos pecadores e eu descobrir que aqui na terra é aonde começa o inferno. ¹
- Você precisa parar de escutar Zumbis do Espaço, sério, estou começando a achar que esses caras fazem lavagem cerebral nas pessoas, até porque as musicas deles nem são tão boas assim.
- Como não são tão boas assim? – Notem como eu odeio que falem mal de Zumbis do Espaço – Eles escrevem as melhores musicas que eu já ouvi, só não supera Ramones.
- Ramones é bom, concordo...
Enfim ficamos discutindo um tempão sobre qual banda era melhor que outra. O resultado foi o seguinte, quando paramos em frente ao bar de shows ao vivo (depois de horas no engarrafamento) eu com o braço todo dolorido por ter levado alguns socos de Kai quando falei mal de The Doors, e Kai com o braço roxo por um beliscão que eu lhe dei, pelo simples fato que ele riu, me deixe reforçar, RIU do cover que o Matanza fez das musicas do Johnny Cash.
Pois é, pensem bem antes de discutir bandas com a gente, somos violentos, mas sério, se tudo aquilo era mesmo um sinal pra nós não irmos ao bar eu deveria ter prestado mais atenção, eu ter saído de dentro do bar quando Kai me puxou. Mas não, eu sou um chato teimoso.
- Reita! – Me virei, não antes sem ver a cara de desgosto do Kai – Achei que nunca mais iria te ver.
- Era o que eu esperava. – Disse eu em um muxoxo, um doce pra quem acertar quem estava ali na minha frente. – Ruki, eu já estou indo embora até nunca mais.
- Espera vocês não vão ficar? Acabaram de chegar, venham beber aqui comigo. – Disse Ruki com um sorriso malicioso, tanto para mim quanto para Kai.
Espera aí, ele estava lançando sorrisos maliciosos pra nós dois? É esse lado totalmente pervertido e ninfomaníaco eu realmente não conhecia, mas pelo visto Kai sim.
- Você não espera realmente que fiquemos, espera? Isso é totalmente fora de cogitação, para qualquer se humano racional depois do que você fez.
Ouvi Kai murmurar alguma coisa, talvez não murmurar, mas eu não estava prestando muita atenção nisso no momento, Matsumoto Takanori, quem mandou você ser um caminho pra perdição? Maldito anão de jardim! Puxei o braço do Kai e sai dali rapidinho, senão tudo o que o Kai falou não ia valer nada, já que eu estava quase agarrando o Ruki ali mesmo e mandando tudo se foder, principalmente se fosse pra mim foder ele. Parei.
- Você esta bem? – Kai perguntou me olhando atentamente.
- Estou, não muito, mas estou. Você não parecia tão surpreso quanto eu quando ele praticamente te comeu com os olhos.
- Não é como se fosse a primeira vez, mas eu não te disse nada, pelo mesmo motivo de qualquer outra coisa que eu não te disse.
- Eu não acreditaria em você. – Eu disse, com um suspiro, e mais uma vez Kai estava certo, maldita inteligência, ou maldita seria a minha burrice?
- Você deveria tentar esquecê-lo com mais vontade.
- Eu estou tentando. – Tudo bem, eu não estava tentando tanto assim.
- Com a mesmo vontade que tem de lavar esse cabelo. – Okay, isso me ofendeu.
- Hey, eu lavo o meu cabelo!
- Claro e eu sou o Batman. – Kai mantinha um sorriso debochado no rosto, maldito humor negro. – Mas voltando ao assunto, procure outro cara sei lá, sempre tem alguém disponível.
- Quando se é hetero é tudo mais fácil. Mas falando sério aqui Batman.– ele riu de leve – Eu quero viver uma vida de uma nova perspectiva², mas não é fácil, mas eu prometo que tento.
- Eu sei que você vai tentar.
Ficamos algum tempo em silêncio, teria que enfrentar todo o engarrafamento de novo, eu tinha perdido totalmente a vontade de sair, ver Ruki mais bonito que de costume, saber que ele pelo menos ainda me deseja me deixou abalado, e não me julguem, vai dizer que você também não se abalaria?
Eu me sentia incomodo com o silêncio, mas não deveria, estava tudo muito bem antes de Kai começar a cantarolar baixinho com um sorrisinho no rosto:
- O inferno ficou pequeno pra tantos pecadores, e aqui na terra é: aonde começa o inferno, oôo, aqui começa o inferno. – MALDITO CINISMO!
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