A Solitary Man
10 Dieci
You think it's over but it's just begun
[Yuu POV]
- Aiko-san, não existe nada entre meu contador e eu, além de uma relação extremamente profissional.
Aiko bufou, batendo o pé esquerdo de forma impaciente no chão, Akira a encarava irritado, e ela retribuia o olhar da mesma forma.
- Eu entendo que não seja fácil você assumir pra qualquer pessoa, mas não precisam se preocupar comigo, não vou dizer nada à ninguém. — Disse Aiko, extremamente irritada.
- Mesmo se existisse alguma coisa entre nós, nos dê um bom motivo pra confiar em você. — reclamou Akira, parecendo ainda mais revoltado.
Aiko estreitou os olhos, estava ficando cada vez menos amigável, Akira, que não tinha se mostrado amigável em momento algum, parecia agora um cão de guarda, prestes à atacar.
Levei minha mão até seu ombro, e apertei, a coisa mais imbecil a se fazer naquele momento.
- E vocês ainda dizem que não tem nada! — Exclamou Aiko, me fazendo soltar Akira rapidamente.
- Não vejo porque negar, você já tirou suas próprias conclusões. — Eu disse, cansado de discutir.
- O que? — Disse Akira, assustado. — Você deixar que ela continue com toda essa baboseira na cabeça?
- Akira! Não é como se ela estivesse escutando alguma coisa que nós estamos dizendo! — Exclamei, também ficando nervoso.
- Vocês podem tentar negar, mas eu consigo ver à tensão sexual entre vocês a milhas de distância. — Comentou Aiko, como quem não quer nada, analisando as próprias unhas.
- Eu te disse, ela nem se importa com o que estamos dizendo! — Eu disse, observando Akira ficar um pouco desesperado.
- Mimada. — Sussurrou ele, alto o suficiente para que eu ouvisse.
Não consegui me controlar, comecei a rir, ainda que baixinho, já que era exatamente o que eu estava pensando, Akira também começou a rir, Aiko nos encarou, voltando a sorrir.
- Não precisam dizer nada, qualquer pessoa que veja vocês dois juntos, já entende.
E assim como Aiko entrou, ela saiu, deixando tanto eu, quanto Akira, com sorrisos sonsos no rosto.
[Yutaka POV]
Quando decidi sair de casa hoje, minha vontade era de não encontrar nenhum rosto conhecido nas ruas da superpopulada Tókio, mas eu sou apenas um filho da puta sem sorte, só alguns passos pra fora de casa, e encontrei Takashima, sentado em um banco, à poucos metros da minha casa, e pra piorar a situação, estava chorando.
Pensei seriamente em voltar para trás, e fingir que não o tinha visto, mas mesmo que muitos não acreditem, eu ainda tenho um coração, e o cara estava chorando, então decidi falar com ele.
- Hey, Takashima-san. — Eu disse, atraindo o olhar surpreso do rapaz para mim.
Takashima enxugou os olhos rapidamente, e sorriu para mim, um sorriso triste, os olhos ainda avermelhados e úmidos.
- Hey, Yutaka-san, o que faz aqui? — Me perguntou ele, confuso.
- Eu moro aqui, a pergunta certa seria, o que você faz aqui?
Ele suspirou, parecendo considerar se valia a pena me contar, estalava os dedos frenéticamente, provávelmente uma mania chata de quando ficava nervoso, olhou pra mim, ainda meio inseguro, e disse:
- Minha mãe me trazia aqui, quando eu era pequeno, ela cresceu por aqui.
Aguardei enquando ele olhava perdidamente para frente, como se esperasse que eu fosse dizer algo, bom, eu não tinha nada a dizer ainda.
- Eu tinha um namorado a algum tempo atrás, sabe, pouco antes de Akira virar o contador de Yuu. — Ele disse, o olhar ainda vago.
Prendi a respiração, apertei o tecido da minha calça com força, feliz por Takashima não estar olhando para mim, eu sabia que ele tinha um namorado, sabia até onde esse namorado morava.
- Nós terminamos, ou melhor, eu terminei com ele. — Continuou, agora me encarando. — Eu tinha, e ainda tenho completa certeza de que ele me traía, mas eu sempre fui uma criança mimada, por todos. Quando eu terminei com ele, eu tinha certeza de que ele viria atrás de mim, me pedindo perdão, eu aceitaria as desculpas, e ficaríamos bem.
- Um tanto prepotente da sua parte, não acha? — Eu disse, observando um pequeno sorriso triste se formar em seu rosto. — Como você poderia ter certeza disso?
- Eu sei, agora quando eu penso sobre isso, é estúpido só de imaginar.
- Só não consigo entender o porque de você estar remoendo isso, justo agora, já faz algum tempo. — Eu disse como quem não quer nada, mas no fundo assustado, com medo que Takashima descobrisse sobre Reita.
- Ele estava na empresa Shiroyama essa manhã. — Takashima disse, voltando a encarar a rua.
Arregalei meus olhos, era quase como se uma bomba nuclear estivesse prestes a explodir bem do meu lado.
- E o que ele queria? — Perguntei, a boca seca, voltando a agarrar o tecido da minha calça.
- Não sei, ele só ficou parado lá. De qualquer forma, eu falei com ele, disse que ainda o amava, e fui rejeitado mais uma vez.
Takashima começou a chorar de novo, não um choro escandaloso, um choro quieto, com apenas alguns pequenos soluços de vez em quando. Eu realmente não sabia o que fazer, Takashima ia se acalmando devagar, mas não é como se eu soubesse muitas palavras reconfortantes, nada além de 'vai ficar tudo bem', e nesse caso, nada ia terminar bem.
- Er, você quer tomar chá? — Perguntei a primeira coisa que veio na minha cabeça, até mesmo Takashima me olhou estranho. — Eu não sei o que fazer! — Admiti.
Ele sorriu, um pouco menos triste, o rosto ainda molhado pelas lágrimas.
- Um chá, está ótimo. — Ele disse, enxugando o rosto. — Na sua casa?
Afirmei com a cabeça, me levantando, Takashima vindo logo atrás de mim, a única coisa que eu conseguia pensar era que, você acha que acabou, mas isso só começou.¹
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