A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins
15 Capítulo 15 - A Noite dos Morcegos
Notas iniciais
“Como vocês sabem, os Daleks tem ajudado nossa corte, e nos prometem uma parcela de seu poder interplanetário e uma quantia generosa no pagamento”, continuou o membro da Corte que estava falando, no centro.
“Disso eu não sabia... não venho nas reuniões a muito tempo.”, sussurrou Justin.
“Esse tal de Ghe Laddo anda aprisionando ou detendo diversas das caravanas Daleks, o que é, de certa forma, prejudicial para a corte.”, continuou o membro da Corte que falava no centro. “E rumores dizem... que ele está presente nessa reunião.”.
Todos começaram a falar e desconfiar uns dos outros.
“Sim, meus caros irmãos. Temos um traidor entre nós!”, disse o membro da Corte.
“TRAIDOR!”, gritaram os outros.
“Alguém deixou o tal Ghe entrar, se infiltrando por uma das passagens secretas e usando um dos uniformes reservas!”, falou o membro da Corte.
“TRAIDOR!!!”, berraram os outros, de novo.
“Mas não temam, meus caros irmãos! Temos uma solução rápida e prática para isso.”, disse o membro da Corte, Tirando debaixo do balcão uma caixa com várias seringas. “Como sabem, somos todos vampiros. Vocês estão olhando agora para o antídoto, que nos faria voltar a ser pinguins normais.”.
Todos voltaram a falar, e alguns protestavam.
“MORTE AO TRAIDOR! MORTE AO TRAIDOR! MORTE AO TRAIDOR! MORTE AO TRAIDOR!”, urravam os pinguins da Corte dos Morcegos.
“SILÊNCIO!”, disse o membro da Corte. “Porém, esse remédio faz mais do que apenas nos tornar pinguins normais. Se ele for injetado em qualquer outra criatura que não seja um vampiro, ele é letal. Não tem escolha, é um fato na biologia das criaturas não-vampíricas, esse veneno, quando injetado, imediatamente as leva a morte. Mas vocês, caros membros da corte, não precisam se preocupar. Depois poderemos fazer o ritual para vocês virarem vampiros manualmente de novo. Mas enquanto ao Ghe... eu ficaria muito preocupado.”.
Então, alguns pinguins foram lá, pegaram as seringas e foram injetando em todos.
Quando chegou a vez de Ghe, ele, de repente, gritou:
“GIZUIS, TÃO DANDO ITENS GRÁTIS PRA TODOS ALI!”
“Onde?!”, perguntaram todos, desviando a atenção.
Nesse momento, Ghe pegou a seringa da mão do sujeito e saiu correndo, seguido por Moe, o Doutor, Justin e eu.
Fugimos pela caverna e corremos muito. Parecia uma eternidade, uma maratona. Seguimos em direção a saída mais próxima, a da Loja de Presentes. Depois de muita correria, finalmente havíamos conseguido sair daquela maldita caverna pela Loja de Presentes. Olhei pela janela. Pelo jeito, muito tempo havia se passado desde que havíamos entrado. Quando entramos, era de noite. Agora, já estava amanhecendo. Os membros da Corte abriram a porta da Loja de Presentes e saíram pra nos seguir, mas nesse momento, algo muito estranho começou acontecer.
“Mas que caral...”, falei, mas não consegui completar a frase pelo fator do quão surpreso eu estava na situação.
Os vampiros, membros da corte, haviam começado a sangrar pelos poros. Eles gritavam, berravam, urravam, e imploravam. Caiam no chão e começavam a rolar, as vezes em posição fetal. Sangraram tanto que todos morreram. Sim, eu disse: todos.
“Efeito natural do remédio o qual eles mesmos injetaram.”, disse Justin. “Eu já havia visto esse antídoto antes em outras reuniões da Corte, tanto que eu mesmo o tomei. Os rumores dizem que, na primeira meia hora em que ele está fazendo efeito, ficar exposto à luz solar pode ser letal. Ainda bem que isso não tem efeito em mim, já que tomei o antídoto à mais ou menos um mês.”.
“E... o que faremos com os corpos? Não podemos simplesmente deixar eles largados aqui, no meio da rua! Alguém vai notar isso, oras!”, falou, intrigado, o Doutor.
“Ah, não se preocupe com isso. Com o tempo, eles vão se definhar e virar poeira.”, explicou Justin. “Essa era a última sede da Corte dos Morcegos no planeta. Creio que agora, não temos mais vampiros.”.
“Fale por si só.”, disse o Moe-Morcego, voando em círculos em volta da cabeça de Ghe.
“Para de drama, Moe...”, disse Ghe. “Eu peguei uma das seringas, lembra? Quando voltarmos pro apartamento na rua Baker, aonde o sol não bate, eu te faço voltar ao normal.”.
E assim, fizemos. Voltamos para o nosso apartamento, eu, Doutor e Justin lanchamos junto com a Sra. Hudson enquanto Ghe curava Moe.
“Bem melhor assim...”, disse Moe, apreciando seu novo-velho formato original de puffle.
“Estou ficando cansado dessa rotina, dessa vida monótona, Doutor.”, disse Ghe. “Preciso sair daqui, viajar pelo tempo de novo.”.
“Posso emprestar minha TARDIS por um tempo, se quiser...”, disse o Doutor.
“Ei, calma ai... emprestar? Você não vem? A TARDIS é sua! Você sempre vem nas viagens no tempo, oras!”, disse Ghe.
“Ao contrário de você, estou cansado dessa vida agitada. Acho que vou ficar um tempo por aqui. Preciso de um descanso...”, disse o Doutor.
“Você se importa se eu levar meu Watson?”, disse Ghe, referindo-se a mim.
“Ei!”, protestei.
“A vontade.”, falou o Doutor. “Só não mexam na configuração do sistema.”.
“Certo.”, disse Ghe. “Rodrigo, vá arrumar suas coisas.”, disse Ghe.
“O-o que?! Mas... rápido assim?”, perguntei.
“Você não está acostumado com o ritmo das viagens no tempo, não é? Sim, é bem rápido. Corre lá!”, disse Ghe.
Subi e arrumei minhas coisas. Quando desci, Ghe também já tinha arrumado as suas.
“Só por curiosidade...”, perguntei. “Você está levando a caveira?”.
“Claro.”, respondeu Ghe.
Então, nos despedimos do Doutor, Justin, Moe e da Sra. Hudson. Quando estávamos indo entrar na TARDIS, Ghe foi abordado por uma pinguim, que disse:
“Você é o Ghe, não é?”.
“Sim... sou.”, respondeu o mesmo.
“Aqui, leve isso com você.”, disse a pinguim, entregando a Ghe uma pasta que parecia conter algumas folhas.
“Obrigado, acho...”, respondeu Ghe.
“Por nada”, disse a pinguim, agradecendo e depois indo embora.
Entramos na TARDIS.
“Estranho.”, disse Ghe.
“Pois é.”, respondi. “Pra onde vamos?”.
“Bom, primeiro temos que sair daqui pra não levantar suspeitas”, disse Ghe. “Não vamos mudar de período temporal por enquanto, apenas vamos para um casarão abandonado que tem aqui perto...”.
A TARDIS deu umas balançadas, e, após um tempo, parou.
Olhei para um dos cantos da TARDIS e vi a estátua de pedra de um pinguim anjo, cobrindo os olhos com suas nadadeiras.
“Legal a estátua, Ghe. Não sabia que você tinha um gosto tão... surreal pra decorações.”, comentei, antes de saírmos.
“Que estátua?”, perguntou Ghe.
“Aquela do anjo de pedra, logo ali, ué.”, falei, apontando a estátua para Ghe.
“OH, DROGA, DROGA, DROGA, DROGA, DROGA...”, falou Ghe, arregalando os olhos. “Rodrigo, preste bem atenção no que estou dizendo... não... pisq...”
Era tarde demais. Eu havia piscado.
Notas finais
Assim como "A Corte dos Morcegos" foi baseada na Corte das Corujas, dos quadrinhos de Batman, a "Noite dos Morcegos" é baseado justamente no nome do arco que tem a Corte das Corujas nos quadrinhos do Homem-Morcego, o "A Noite das Corujas".
E quanto ao anjo de pedra... explico no próximo capítulo.
Fale com o autor