A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins

13 Capítulo 13 - O gênese dos Daleks


Notas iniciais
Após irem resolver um caso envolvendo gerações de uma família e um puffle, Ghe e Rodrigo acabam descobrindo os verdadeiros culpados...

“Eles sempre sobrevivem...”, sussurrou Ghe. “Enquanto eu perdi tudo e os últimos membros da minha espécie somos eu e o Doutor.”.

“Espécie? Como assim? Quem é esse tal de Doutor?”, perguntei.

“Sou um Senhor do Tempo, e tenho vida quase eterna baseada em regenerações”, explicou Ghe. “O Doutor, você conhecia ele antes da amnésia, é outro senhor do tempo, mas ele ainda tem a TARDIS dele...”, explicou Ghe.

“TARDIS?”, perguntei.

“Máquina do tempo.”, explicou Ghe.

“ONDE ESTÁ O DALEK SAC?!”, gritava um dos Daleks.

“Aqui.”, falou o puffle gosmento.

Os Daleks olharam para baixo.

“DALEK SAC, VOCÊ FOI O PRIMEIRO DE NÓS A SE SUCUMBIR AO RENASCIMENTO”, gritou um dos outros Daleks. “ESCOLHA QUAL DE NÓS SERÁ CONVERTIDO NA FORMA DESSE PINGUIM.”.

“Agora é a vez do Dalek Zod.”, disse o puffle.

Um dos Daleks se aproximou da mesa de cirurgia aonde Aamelo estava. Então chegaram diversos pinguins, mas não normais, gosmentos. E eu reconhecia aqueles pinguins. Eram os antepassados de Aamelo que haviam morrido, que eu havia visto nas fotos, porém agora carecas e gosmentos como o puffle. Eles conectaram Aamelo e o Dalek através de capacetes e cabos.

“A TRANSFERÊNCIA DEVE COMEÇAR.”, disse um dos Daleks.

Ghe tirou de seu bolso uma pequena vareta de metal, com uma luzinha na ponta. Apontou para Aamelo e o Dalek e pressionou um botão na varetinha.

Um dos pinguins gosmentos puxou uma alavanca.

Nada aconteceu.

30 segundos se passaram.

“PORQUE NÃO ESTÁ FUNCIONANDO?!”, gritou um dos Daleks.

“VERIFIQUEM OS CABOS!!”, gritou um outro.

Os pinguins gosmentos verificaram os cabos.

Puxaram a alavanca.

Nada aconteceu.

“ALGUÉM DEVE TER SABOTADO NOSSO DISPOSITIVO!!”, gritou um dos Daleks.

“ALI! O MALDITO SENHOR DO TEMPO E MAIS UM ACOMPANHANTE DESCONHECIDO!”, gritou um Dalek, que havia nos descoberto.

“Oops...”, falou Ghe. “Corre!”, disse, e me puxou pela nadadeira, correndo.

Nos escondemos atrás de uma caixa. Os Daleks não nos acharam, mas ficaram um tempo rondando a sala.

“E agora, qual é o plano?”, sussurrei.

“Vamos pegar o Aamelo e sair pela janela enquanto eles estão distraídos.”, falou Ghe.

Corremos até a sala aonde Aamelo estava, soltamos ele e então pulamos pela janela. A queda doeu, mas saímos correndo, comigo carregando Aamelo.

“Porque eu que tenho que carrega-lo?”, perguntei.

“Tenho mais o que fazer”, disse Ghe, pegando a varetinha que tem uma luz na ponta. “A propósito, caso não lembre, isso é uma chave de fenda sônica. E, bem, eu já suspeitava desse shopping a um tempo, então, me preparei.”.

Então, Ghe apertou o botão de sua chave de fenda sônica e, de longe, vimos o shopping encolher até sumir.

“Ok, o que foi isso?”, perguntei.

“Tecnologia do meu planeta”, disse Ghe. “As coisas são maiores por dentro. Ontem, antes de você chegar em nosso apartamento, eu já tinha passado por aqui e enterrado uma arca debaixo do shopping. Agora, tanto o shopping quanto os Daleks estão enterrados debaixo da terra”.

“Isso é simplesmente inacreditável...”, falei. “Nem um colega de apartamento normal. Nem isso consigo arranjar!”.

“Pode ir se acostumando.”, falou Ghe.

Depois de um tempo, chegamos no iglu de Aamelo e esperamos até ele e Lila acordarem. Ghe tinha usado o remédio em Aamelo bem antes, e por isso, ele acordou primeiro, mas depois de termos colocado pomada e curativos no peito dele.

“O que aconteceu? Porque meu peito está enfaixado?”, perguntou ele.

“Descobrimos o que havia acontecido com seus parentes, mas tivemos que lhe usar como isca. Mas não se preocupe, tá tudo bem agora.”, falou Ghe.

“E o que aconteceu?”, perguntou Aamelo.

“Daleks, Aamelo, Daleks aconteceram.”, falei. “Eles estavam usando seus parentes numa experiência para tentar transformar Daleks em pinguins.”.

“Mas porque logo eles?”, perguntou Aamelo.

“Deduzo que seja porque eles queriam utilizar pinguins ricos e saudáveis, o melhor para transferir suas mentes.”, falou Ghe. “Vindo dos Daleks, pode considerar isso um elogio.”.

“E o que aconteceu com os Daleks?”, perguntou Aamelo.

“Prendi eles e o local aonde estavam se escondendo numa arca que é maior por dentro, e a escondi debaixo da terra na área desabitada do Club Penguin.”, explicou Ghe.

“Hm, obrigado, acho. Vou providenciar o pagamento de vocês dois.”, falou Aamelo, e levantou-se e foi até uma mesa aonde estava sua carteira, e de lá, tirou 800 dinheiros, deu 400 pra mim e 400 para Ghe.

“Hm, obrigado pela generosidade.”, disse Ghe, guardando as notas no bolso.

Fiz o mesmo.

“Só por curiosidade, porque a Lila ainda está dormindo?”.

“Ah, tive que dar para você e para ela um remédio de sono prolongado para, bem, não atrapalharem o plano.”, disse Ghe. “Dei pra ela algum tempo depois de dar a você, então ainda vai demorar um pouco para ela acordar. Mas não se preocupe.”, disse, saindo, e eu acompanhando-o.

Voltamos para nosso apartamento, quando levei um susto ao dar de cara com um puffle preto ao entrar.

“Oh, esse é Moe. Meu puffle.”, falou Ghe. “Ele não faz muita coisa, só costuma a comer e dormir.”.

“Não fale assim, eu ainda não comi hoje.”, retrucou Moe.

“E-ele fala?”, perguntei.

“Todos os puffles falam. Aliás, você só entende o que ele diz pelo mesmo motivo que entende os Daleks: a TARD... digo, a máquina do tempo de nosso amigo, o Doutor, entrou em sua mente no dia em que viajamos, e ela traduz qualquer idioma. Estou surpreso pela capacidade tradutora não ter sumido com as suas memórias, depois preciso tomar nota.”, falou Ghe.

Ghe foi dar comida a Moe e eu subi. Pouco depois, ele subiu também, e falou:

“Ah, caso sinta a necessidade de conversar, por favor, não venha falar comigo. Só converso com uma pessoa – a caveira.”.

Concordei, e cada um foi para o seu quarto.

Publiquei no meu blog o caso que havíamos acabado de presenciar, desde a hora em que chegamos no iglu de Aamelo até a parte dos Daleks e de quando voltamos para o apartamento. Dormi um pouco, e depois fui acordado por Ghe batendo na porta.

“Pode entrar...”, murmurei.

“Olá”, disse ele, entrando e sentando-se.

“Então... porque está conversando comigo?”, perguntei.

“A Sra. Hudson escondeu minha caveira.”, respondeu Ghe.

“Então basicamente estou substituindo a caveira?”, perguntei.

“Relaxe, você está indo bem.”, respondeu Ghe.

O silêncio prevaleceu por um tempo.

“Então... os casos que você analisa são sempre tão perigosos?”, perguntei.

“De vez em quando. Porque?”, disse Ghe.

“Ah, tudo bem... pelo menos o pagamento é bom.”, respondi. “E aqueles tais Daleks... quem são?”.

“Oh, sim, você esqueceu. Perdão.”, disse Ghe. “São alienígenas, do planeta Skaro. As criaturas mais impiedosas que você irá encontrar em todo universo. E bem perigosas. Graças aos Daleks, meu povo foi extinto e meu planeta destruído, sobrando, de nós, apenas o Doutor e eu.”.

“Então você é... mesmo... um alienígena?”, perguntei.

“É, sou.”, respondeu Ghe.

Mais alguns minutos de silêncio.

“Quero minha caveira de volta...”, sussurrou Ghe.

A Sra. Hudson deu 3 batidinhas na porta e entrou.

“Ghe, uma mulher ligou. Disse para você conferir o seu e-mail, ele tem um caso para você.”, falou a Sra. Hudson.

“Obrigado, mas... Sra Hudson, não vá embora ainda! Minha caveira.”, disse Ghe.

Ela saiu, e voltou alguns segundos depois com a caveira em mãos. Deu-a para Ghe e disse:

“Um dia você ainda vai ter que se livrar disso...”.

Então, saiu.

Ghe olhou para a caveira.

“Bem, acho que vou conferir meus e-mails.”, disse ele, e saiu também.

Fiquei ali, parado, por um tempo.

“Preciso arranjar outro colega de apartamento...”, pensei comigo mesmo.

Tirei o dinheiro do bolso e contei as notas.

“Pensando bem...”.

Depois de um tempo, Ghe entrou no quarto.

“Rodrigo, você está com fome?”, perguntou.

“Não, porque?”, perguntei.

“Então levante-se e arrume-se, porque estamos indo resolver um caso.”, respondeu Ghe.

“Outro? Ma-mas nós acabamos de voltar!”, eu disse.

“O dinheiro é bom, e esse é importante. Aliás, teremos de ir disfarçados. Vista isso!”, falou Ghe, jogando para mim uma roupa estranha.

“O que é isso?”, perguntei.

“Um disfarce, oras!”, respondeu Ghe. “Vamos à uma festa fantasia. Eu vou de Sherlock Holmes e você, de John Watson.”.

“Porque eu tenho que ser o Watson?”, perguntei.

“Ah, você já me perguntou isso antes. Acredite, você não vai querer saber a resposta. Isso poupa o seu tempo.”, respondeu Ghe.

Notas finais
Referências usadas no texto:
- A caveira e a frase "A Sra. Hudson escondeu minha caveira" são referências a série Sherlock, da BBC, que engloba como seria Sherlock Holmes na sociedade atual.
- Ghe e Rodrigo de fato já se disfarçaram de Sherlock e Watson, no Capítulo 2: http://fanfiction.com.br/historia/310181/A_Sociedade_Da_Investigacao_Dos_Pinguins/capitulo/2