A Sobrinha dos Vampiros
15 Somatório de Memórias Doloroso
De repente, uma zonzeira me atacou. Fiquei com falta de ar e meus olhos não enxergavam mais Mary Poppins, à minha frente. Eu não a ouvia. O somatório de memórias me atacou de forma cruel.
Eu podia ver Edward me pegando em flagrante em seu quarto e me segurando em seus braços de pedra, prontos para me tirar dali. Meus planos de fuga todos foram falhos. Então, a porta se abriu e entrou ele. Outro Edward.
O que se seguiu foi horrível. Os dois se olharam. Um zumbido atingiu meus ouvidos. Era de enlouquecer. Os dois seguravam seus ouvidos, sem tirarem os olhos um do outro. Então, seus olhos pareceram desfocados. Era como se estivessem em transe, num somatório de memórias perturbado, onde os dois se lembravam de tudo o que aconteceu e estava acontecendo àquele momento, e liam as mentes um do outro, uma única mente, compartilhando de um único pensamento partido em dois corpos, com imagens de si próprio em ângulos diferentes.
E eles começaram a cair, sem tirar os olhos um do outro. Os dedos apertavam os ouvidos, e eu mal podia ver entre minhas próprias dores. Então, percebi que suas mãos começavam a se desintegrar, tamanha força que faziam, tamanho era o colapso que sofriam.
Se estenderam no chão. Mortos? Desmaiados? Eu não podia ficar para ver. Os Cullen poriam a culpa em mim. De qualquer forma, não haveria Cullens em pouquíssimo tempo. Eu também não existiria por muito tempo.
Não havia para onde correr. Abri a porta, e ouvi Bella subindo as escadas, gritando por causa de um barulho no ouvido. Todos estavam sucumbindo então.
Olhei para os dois belos Edwards no chão aos meus pés, que pareciam ser reflexos de um espelho, os dedos esfarinhando-se. O colapso começara. E era doloroso demais ficar.
Ouvi passos no corredor.
Então, eu não tinha outra escolha, a não ser sair dali.
\"Pirécolis\" eu sussurrei, minha mente querendo estourar.
E me vi dentro de mim mesma, tendo todas as memórias de tudo, inclusive como seria os poucos dias com Jacob Black, a despedida, o amor, o beijo, o abraço, o adeus.
E agora, Edward se foi. E Bella. E o livro Crepúsculo.
Meus olhos focalizaram, eu senti uma dor aguda no peito. E lá estava Mary Poppins olhando assustada para mim.
\"Não!\" Eu gritei. Ela pulou assustada.
\"O que aconteceu?\" Ela perguntou.
\"O somatório de memórias!\" eu estava chorando. \"Eu vi tudo! Vi Edward... ele viu a si mesmo!!! Eu o vi cair no chão e... morrer!\" Eu soluçava agora.
\"Meu Deus!\" Mary Poppins estava desolada.
\"O que vamos fazer?\"
\"Eu não sei, querida. Tentar desfazer, talvez?\" Ela dizia como uma pergunta, não uma afirmação. Insegura. Como eu também estava. E se ficássemos presas lá? E se não desse tempo de desfazer? E se sumíssemos, desintegrássemos, assim como Bella, Edward e seu outro eu? Como impediríamos Edward de ver a si mesmo?
\"Mary Poppins, veja...\"
Ela olhou na direção em que apontei.
Em cima da mesa, o nosso exemplar de Lua Nova começou a descolorir.
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