A Snow Storm
1 A Snow Storm (Capítulo Único)
Notas iniciais
ASOIAF pertence a George R. R. Martin e a história não obedece a uma linhagem de reis oficial, se passa antes de A Game of Thrones.
As terras enevoadas do Norte estavam mais frias do que nunca. As pessoas tentavam fugir para o Sul, mas o frio e a fome os consumiam antes, e seus cadáveres desapareciam, cobertos pela branca e reluzente neve.
Aquele cavaleiro vinha do Sul, mais precisamente do castelo de Porto Real, onde esbanjavam de comida e se deliciavam no calor de suas lareiras. Durante essa dura jornada para o Norte, que já durava cerca de quarenta dias, ele encontrara alguns cavaleiros e senhores que ainda o clamavam pelo título de Sor. Sor Aereus Targaryen, teve seu direito ao Trono de Ferro negado por não ser da linhagem principal, ainda que o rei não tivesse um filho legítimo Targaryen. Bem, na maior das verdades, apenas alguns membros da família sabiam sobre o bastardo Targaryen, mas resolveram não comentar nada. A fim de calar a boca de Aereus e de consolá-lo pela perda do Trono, nomearam-no cavaleiro-chefe da Guarda Real.Como cavaleiro, fizera inúmeros marcos na história dos cavaleiros. O rei bastardo era odiado pelo povo, pouco sabia governar, pouco sabia lidar com o poder. Tentativas de assassinato aos montes, todas impedidas pelo grande Sor das Chamas Reais, como o chamavam. Quando o rei bastardo foi atacado brutalmente por um membro da própria família, toda a burguesia de Porto Real se virou contra o nobre cavaleiro que, uma vez oprimido e desmoralizado, decidiu abandonar a vida de cavaleiro e decidiu seguir para as terras do Norte, em busca dos ovos de dragão que jaziam além da Muralha, adormecidos pela tempestade de neve do rigoroso inverno que durava cerca de 100 anos. Com o carisma da população de Westeros, Aereus conseguiu formar um extenso grupo de acompanhantes que levavam uma grande quantidade de comida, cobertores e medicamentos. Pouco a pouco, cada um foi cedendo ao frio mortal, servindo bem, até a morte, o seu senhor. Crianças choravam pelos pais mortos, pais choravam pelos filhos mortos e, por dentro, Aereus chorava por cada segundo de vida que cada pessoa de seu grupo batalhava para conquistar. Sim, chorava apenas por dentro, pois era o líder de uma revolução, não poderia fraquejar. No fim das contas, restara apenas ele e uma garota, uma doce garota de sete anos de idade no máximo. Seus cabelos grandes e loiros caiam sobre sua pálida face e seus olhos azuis pareciam brilhar durante a noite. Sua mãe foi uma das primeiras pessoas do grupo a morrer, ainda assim, ela seguiu em frente. Há cerca de três dias, tinham passado na frente de um reino repleto de neve. Winterfell, chamava-se o lugar. Fumaça saía de suas chaminés e aparentava estar repleta de comida e calor. Ele insistiu para que a garota se infiltrasse no castelo e se tornasse uma criada, para ter aonde dormir e o que comer, mas a garota insistiu em permanecer com ele:- Quero ver os dragões! — dizia ela, com sua suave e delicada voz.E assim seria. Aereus estava determinado a levá-la aos dragões.Eles estavam quase chegando à Muralha, quando ela começou a fraquejar. O Targaryen precisava carregá-la na maioria das vezes e, durante a noite, mesmo com todas as cobertas e roupas (que eles tiravam dos mortos) e com a fogueira, ela tremia de frio. No quadragésimo sexto dia, eles estavam perante a Muralha, a excitação mal podia ser contida por Aereus Targaryen, que sorria, imensamente feliz.- Você vai ver os dragões, pequena flor de inverno. — ele disse à garota.Aproximou-se do elevador manual da Muralha quando a garota desmaiou e padeceu ao chão. O antigo cavaleiro a pegou, colocou-a sobre os ombros e bateu o sino do elevador freneticamente. - Me ajudem! — ele gritava. — Preciso de ajuda! Rápido! Puxem essa merda agora, seus filhos de uma puta!O elevador estava subindo lentamente. Era pouco provável que eles o ouvissem do alto da Muralha. Quando chegaram no topo, finalmente, o cavaleiro se exaltou:- Onde estão os curandeiros daqui?! Tragam-me alguém! Essa garota... Ela... — ele não conseguia falar mais nada, estava chorando. Pela primeira vez, em quarenta e seis dias, ele permitiu-se chorar.Um dos patrulheiros aproximou-se dele, tocou a pele da garota, olhou-o tristemente e disse:- Antes de ser banido para cá, fui um Meistre. — ele disse. — Não há nada o que possamos fazer por ela, me desculpe.Ele estava desabando em lágrimas, tinha chegado à Muralha, estava mais perto do que nunca dos ovos de dragão, mas ele percebeu, naquele último momento, que a única coisa que o fez seguir em frente não foram os dragões, mas aquele pedacinho de gente, aquela pequena garota que ele amou como um pai ama a uma filha, como um beija-flor ama à sua flor... A garota abriu uma pequena fração dos olhos e sorriu.A luz do sol finalmente aparecera por sobre os céus cinzentos e gélidos e deitava-se sobre a face da garota, que, mesmo quase morta, sorria.- Você me trouxe para os dragões, eu posso sentir o calor do seu fogo. — uma lágrima de felicidade escorreu de seus pequeninos olhos azuis amendoados. — Obrigado."É o sol, pequenina... Eu só o vi uma vez há muitos anos, quando era um pequeno garoto que pouco sabia da vida, quando o inverno abriu uma leve brecha" ele pensou, mas não podia deixá-la morrer frustrada.
- Sim, meu amor, eu lhe trouxe aos dragões. — ele disse, em meio aos soluços.Com um último esforço, a garota ergueu seus pequenos, finos e pálidos braços até a face do cavaleiro e, com suas delicadas mãos, acariciou-o e caiu no sono eterno, no sono dos mortos.Sem motivação para seguir em frente, o cavaleiro chorou, e os Irmãos Negros da patrulha tentaram consolá-lo, ele ignorou a todos e fez um único pedido:- Tudo o que eu quero é que ela tenha um digno funeral aqui, vocês VÃO fazer isso, prometam pelo céu e pela terra, pela água e pelo vento, pelo inverno e pelo verão, pelo gelo e pelo fogo!- Nós prometemos. — eles disseram, em uníssono."Obrigado." ele pensou antes de se levantar do solo de gelo, se aproximar da beirada para além da Muralha e pular. Seu salto pareceu durar uma eternidade, quando o solo finalmente parecia próximo dele, ele viu as chamas voando no céu, tentou olhar para cima, tudo o que viu foi uma mancha negra e vermelha, expelindo fogo de algum lugar de seu corpo. E então seu corpo se estraçalhou na neve e, depois de morto, uma única imagem ficara gravada na memória eterna de Sor Aereus Targaryen. O símbolo de sua casa. Um dragão.
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