A Sky full of Stars
4 Capítulo 4.
Notas iniciais
4 De julho de 2006, Terça-Feira.
Eu ainda estava com meus cabelos grandes, naquela época, eu era uma menina saudável, meu pai ainda morava comigo e minha mãe trabalhava na loja dela, eu ainda tinha amigos, sentia falta daquele dia todas as tardes desde que eu descobri ter câncer na tireoide.
4 de Julho de 2014, Sexta-Feira.
Parei meus pensamentos por um momento e comecei a pentear meu cabelo, ele era curto, até a altura da orelha, antigamente, ele caia na cintura. As vezes eu conseguia me lembrar um pouco como era ser saudável, mas na maioria das vezes pensava na minha morte e como eu ia magoar todos ao meu redor assim.
Depois de um longo tempo, peguei meu casaco vermelho com azul e branco no armário, coloquei e peguei meu celular na mesinha, apertei o botão e vi 4 mensagens do Nathan, ignorei todas.
Alguém bateu na porta do quarto e me virei, observei uma menina ruiva com os cabelos até o ombro me fitar, era a Margo. Abri um pequeno sorriso e caminhei até a menina, ela me abraçou, o qual eu retribui um pouco tímida, já era 19:00 e eu iria ver os fogos de artificio com minha mãe e a mãe de Margo.
caminhei até a penteadeira novamente e prendi um pedacinho da minha franja com uma piranha que minha mãe me deu, no mínimo, a três anos.
– Você esta linda, Er. — Margo falou enquanto eu passava um gloss labial não muito visível.
Margo parecia como qualquer garota normal, mas ela era diferente. Seus cabelos ruivos, as sardas, grandes olhos azuis gélidos e o falso sorriso encantador que sempre carregava no rosto. Foi diagnosticada aos quatro anos com neuroblastoma e família não pode fazer simplesmente nada, ela é minha vizinha desde que eu me mudei para a Georgia. Eu e ela somos conhecidas, mas não chegamos a ser amigas, Margo não gostava de sair de casa, ficava trancada em seu quarto, assistindo séries, ouvindo música e comendo porcarias, quase nada saudável, saia apenas para consultas ou cirurgias que não atrasavam e nem adiantavam sua morte. Sim, ela era gentil, educada, sorridente, angelical e muito mais, mas tudo aquilo era falso, Margo era triste, "uma menina sem vida" como a própria dizia.
– Obrigada. — Falei para ela por final enquanto eu me levantava da cadeirinha.
Caminhei até a porta do meu quarto e subi as escadas, aparecendo na sala segurando meu cilindro de oxigênio, olhei para trás e vi Margo me seguindo, abri a porta de entrada e sai da casa, indo pro parque, que até alguns dias atrás, fui com Nathan ver as estrelas.
Me sentei na grama e fiquei observando o horizonte enquanto algumas pessoas chegavam, observei uma das amigas do Nathan se aproximar, Cristina. pelo que eu sabia, ela tinha nenhuma doença mas, Nathan falou que talvez ela estivesse grávida pois, transou com um menino sem usar camisinha alguns dias atrás e não quer ir no médico por medo.
– Erin, como você esta ? — Cris falou enquanto sentava ao lado de Margo.
– Estou bem, e você ? — Falei enquanto prendia meu cabelo num pequeno coque e arrumava minhas cânulas.
Já era 21:00, o céu começou a mostrar um grande brilho e ficou a mostra vários fogos de artificio, olhei para trás por um momento e vi Nathan em pé, ele mudou o olhar e me encarou, abriu um sorriso, eu retribui rapidamente e voltei a encarar os fogos.
– É muito bonito, não acha ? — alguém sussurrou no meu ouvido, levei um pequeno susto me virei rapidamente, encarando o menino: Nathan.
– Sim, acho que é o melhor 4 de julho que já tive. — Falei para ele enquanto cruzava minhas pernas.
– E... porque ? — Ele perguntou curioso, sentando ao meu lado e suspirando fundo.
– Pois... a maioria dos 4 de julho eu passava numa cama de hospital tomando soro ou fazendo quimioterapia. — Falei, abaixei o olhar um pouco triste e cruzou os braços, com frio.
– Sinto muito. — Ele falou por final, observou minha ação e envolveu seus braços por volta do meu ombro, me abraçando amigavelmente.
Deitei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos, sentindo o calor de sua pele passando para a minha, abri um sorriso discreto e passei os braços em volta de sua cintura, quase caindo no sono.
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