A Single Night
5 I'm not Evil Queen anymore
Notas iniciais
Regina estava grávida. Era difícil de absorver todas aquelas palavras e Emma não conseguia fazer outra coisa não ser ficar mentalmente repetindo para si mesma a informação que tinha descoberto quando clandestinamente escutava a consulta de Regina com Dr. Whale. Não! Não podia ser verdade. Essa gravidez de Regina só poderia ser alguma peça produzida por sua cabeça. Com certeza devia ser alguma espécie de confusão que sua mente criou. Aquela não era a notícia pela qual Emma aguardava. Na verdade, para ser honesta, Emma poderia esperar o médico dizer qualquer coisa para Regina. Mas, uma gravidez era algo que nunca passaria por sua cabeça. Talvez por isso tenha tido um grande choque ao escutar a revelação sobre a gestação da morena.
Emma por alguns segundos ficou sem reação. Parecia que nenhum músculo de seu corpo obedecia aos seus comandos. Era como se ela estivesse presa na porta do consultório do Dr. Whale tentando compreender se tinha escutado corretamente as palavras ditas pelo médico. E chegou a uma conclusão. Sim! Regina ia ter um filho. Quer dizer, ela teria filhos. Agora Emma conseguia entender tudo o que acontecia a sua volta. Por isso, de uma hora para outra aquele comportamento estranho vindo da morena que passara a fugir dela. Regina nestes últimos dias tinha um comportamento mais arredio do que de costume e sempre que Emma a via ela tinha um semblante pálido que dava a sensação que ela desfaleceria a qualquer instante.
O mesmo choque que por alguns segundos a deixou presa em seu lugar sem ter ao menos capacidade de reação a impulsionou numa corrida desenfreada pelos corredores de hospital. Emma não se importava se todos os funcionários dali veriam a xerife da cidade correr feito uma criança por aqueles corredores. Foi assim que a loira saiu do hospital completamente desnorteada. Tudo o que ela precisava era de ar e algum lugar onde pudesse refletir sobre tudo o que tinha escutado.
Confusa, Emma andava completamente sem rumo pelas ruas da cidade quando chegou à conclusão que só existia um lugar em Storybrooke aonde ela poderia ir para pensar um pouco em tudo o que tinha acontecido. O castelo de seu filho. Ir até o local em que ficava o castelo de Henry e onde tinha sido o refúgio de seu filho durante anos fez com que ela começasse a chorar. Chorou como não chorava há muitos anos. Ali ela não sentiu a necessidade de se fazer forte e desmoronou em seus questionamentos. Como sua vida tinha mudado depois de descobrir sobre a gravidez de Regina. Emma já não era mais a mesma depois da noite inusitada que tinha tido com Regina.
Por mais que tentasse lidar com seus sentimentos conflituosos a loira cada vez mais tinha certeza que amava Regina. Emma sempre teve medo de admitir sentir algo pela morena, mas foi ali naquele momento de introspecção que ela percebeu que tinha perdido Regina para sempre. E tudo por causa de seu grande medo de se envolver com outras pessoas. O que mais doía nessa história foi porque em meio disso tudo que ela chegou a uma certeza sobre seus sentimentos pela teimosa prefeita de Storybrooke.
Como sua vida mudou naquele segundo. Seu coração finalmente havia cedido a todo amor que sentia por Regina, mas a sensação de tê-la perdido doía como se uma adaga estivesse sendo cravada em seu coração. Que Emma se recordasse a morena não estava em relacionamento com ninguém para aparecer grávida de repente. Ou ela teria se envolvido com alguém? Será que Regina estaria namorando outra pessoa? Só de pensar nessa possibilidade sua alma se despedaçava, pois assim sentia que suas chances de um dia conseguir conquistar o coração de Regina se distanciava cada vez mais.
E agora, como ficaria sua situação com a prefeita? Não poderia simplesmente procurar Regina para declarar todo o amor que sentia por ela. Não agora, não quando provavelmente ela teria um rival à altura para disputar o amor de Regina. E certamente ela optaria por ficar com o pai da criança e não com a xerife da cidade. Ainda mais sendo filha de Snow White.
– Quer saber... – disse Emma. – Eu não me importo se tem outra pessoa na vida dela. Eu irei lutar por seu amor. Não posso desistir da minha felicidade e nem da dela, porque eu tenho certeza que ela me ama.
***
Por mais que eu não quisesse ficar internada eu teria que pensar na saúde de meus filhos e no que seria melhor para eles. E se no momento isso significava eu passar em cima de minhas vontades e pensar no bem-estar dos bebês que cresciam dentro de meu ventre eu faria o que fosse necessário para garantir o melhor para eles. Acho que já era o amor materno falando mais alto. Apesar de todo o medo que tomava conta de meu corpo, o amor que sentia por essas crianças falava cada vez mais alto e sentia uma espécie de paz preencher meu coração apesar de todas as dificuldades que eu enfrentaria e a primeira dessas seria explicar como esses bebês foram concebidos entre duas mulheres. Como explicar para Emma que ela também era mãe das crianças que eu esperava? Seria Emma meu amor verdadeiro? Eu já não sabia mais o que pensar e a única coisa que parecia certa era o receio que sentia de me entregar ao amor que sentia por Emma. Às vezes amar novamente parecia complicado demais para uma pessoa como eu.
Não era fácil para eu estar nesta circunstância. Na verdade tudo parecia complicado demais para o meu gosto. Quer dizer, eu ajudava certamente a complicar toda esta situação com os pensamentos que pareciam brotar em minha cabeça. Era uma constante luta entre meu coração e minha mente. Era como se todo dia fosse travada uma batalha entre o meu lado emocional e o racional. Meu coração dizia para ir atrás de Emma e declarar todo o amor que eu sinto por ela, mas por outro lado uma parte de mim dizia para não ir a sua procura. Que o amor era uma fraqueza.
Parecia ser mais forte do que eu. Sempre viver com medo de ser fraca, fez que eu criasse uma versão mais fria de mim mesma que afastava todas as pessoas ao meu redor. E por mais que eu quisesse ter alguém ao meu lado eu as repelia e aqui mais uma vez eu me encontrava sozinha. Não tinha ninguém que segurasse a minha mão e para ser honesta eu estava em pânico. Essa gravidez, esses mal estares, tudo para mim era novidade e contribuía para minha insegurança aumentar cada vez mais.
– Regina... – Dr. Whale me chamou pelo meu nome me arrancando de todos os meus devaneios. Eu ainda me surpreendia com a minha capacidade de pensar tantas coisas num tempo tão curto. – Você está bem? Ficou tão quieta de repente. – questionou o médico com preocupação olhando para mim.
– Está tudo bem. – respondi tentando pelo menos recuperar pelo menos um pouco do meu autocontrole. Mas, se tornou uma tarefa bem complicada quando os meus hormônios já estavam levando o melhor sobre mim. – Apenas pensando em algumas coisas. – tentei controlar minhas lágrimas, mas uma acabou rolando sobre minha face. – Você já sabe que eu não me sinto a vontade estando em hospitais, mas por esses bebês... – dei uma pausa para dar uma respirada e organizar meus pensamentos quando Whale me estendeu um lenço para limpar minhas lágrimas. – Obrigada! Por esses bebês eu faço o que eu puder para garantir que eles fiquem bem.
– Você tem estado abaixo de seu peso e sua leve anemia também me preocupa. – o médico tornou a ressaltar. – Mas, fora isso não há nada para você se alarmar. Seus bebês estão bem.
– Fico aliviada ao ouvir o que está me dizendo. Mas, quando você irá me transferir para o quarto? Quanto menos tempo eu passar aqui será melhor. Não quero que descubram sobre minha gravidez. – eu fui categórica sobre isso. Não queria ninguém comentando sobre minha gestação na cidade.
– Claro... – comentou o médico olhando na minha ficha. – Eu providenciarei um quarto para você e logo eu a transferirei para o quarto. – disse Whale saindo do escritório me deixando sozinha.
Algum tempo depois eu tinha sido transferida para um quarto e logo uma enfermeira veio colocar o soro em meu braço e na solução já tinha alguns medicamentos receitados por Whale para ver se aplacava um pouco essa sensação de náusea e tontura que não me abandonavam nunca. O tempo parecia não passar e eu me mexia desconfortavelmente naquela cama de hospital enquanto observava cada minúscula gota de soro que saía do recipiente e entrava em minha corrente sanguínea. Não era algo fácil para eu estar ali naquele quarto correndo o risco de alguém descobrir sobre minha gravidez. Não me sentia ainda preparada para assumir a todos minha gestação. Inconscientemente eu passava minhas mãos pelo meu ventre, porque apesar de tudo o que me preocupava eu já amava meus filhos de todo meu coração.
***
Por mais que Emma tentasse se acalmar ela não conseguia encontrar o seu equilíbrio. A essa altura do campeonato a xerife ainda tentava absorver tudo o que acontecia com Regina e sua gravidez e por esse motivo a loira ainda andava nervosamente de um lado para o outro tentando organizar os seus pensamentos conflituosos e naquelas circunstâncias ela já havia perdido a noção de quanto tempo ela tinha ficado pensando sobre Regina.
Normalmente a xerife já passava horas de seu dia com os seus pensamentos perdidos na morena, mas agora com essa gravidez múltipla é como se Regina não saísse de sua cabeça por um minuto sequer. Emma ainda tinha algumas lágrimas escorrendo por seu rosto quando parou abruptamente de andar ao se recordar das palavras que o médico havia dito para Regina enquanto ela estava se consultando. Lembrou-se que Whale queria que Regina ficasse algumas horas internada para tomar soro na veia, pois ela estava com uma leve desidratação e um pouco abaixo do peso.
Será que estava tudo bem com Regina e seus bebês? De repente era a única coisa com que Emma conseguia se preocupar. A loira não sabia o porquê, mas ela tinha sido invadida com uma necessidade súbita de cuidar e estar perto de Regina nesse momento. Queria permanecer ao seu lado e ficar de mãos dadas com ela até que a última gota de soro entrasse em seu sistema sanguíneo. Emma, com o dorso de suas mãos, limpou as lágrimas que ainda insistiam em cair quando tomou a decisão de voltar mais uma vez ao hospital. De alguma forma que ela não conseguia explicar ela precisava saber sobre Regina e se ela passava bem.
Ao chegar à porta do hospital Emma deu uma pausa para recuperar seu fôlego, pois mais uma vez tinha feito todo o trajeto correndo. Sorrateiramente ela foi próximo ao consultório de Whale, mas viu o médico chamando outra paciente para atender.
– Isso significa que ele já atendeu Regina. – disse a loira para si mesma percebendo quanto tempo tinha ficado perdida em devaneios no local onde se encontrava o castelo de Henry. – Então Regina deve estar num desses quartos no hospital. Preciso encontrá-la. – pensou Emma enquanto seguia em direção da ala onde ficava o quarto dos pacientes.
Depois de ficar espreitando durante certo tempo, Emma já torcia para a equipe do hospital de Storybrooke ter ao menos um pouco de desorganização, mas para seu azar eles trabalhavam de forma exemplar e seguiam todas as normas de forma rígida e sem cometer qualquer tipo de deslize.
Emma continuou observando durante algum tempo para ver se conseguia uma pequena brecha dos quartos, o que parecia cada vez mais difícil de conseguir. E isso a desanimava muito porque ela sabia que Regina estava num daqueles quartos e ela precisava saber em qual a paciente se encontrava. A morena estava tão perto dela, mas ao mesmo tempo tão distante.
Quando Emma quase desistia de ficar tanto tempo esperando ela percebe uma enfermeira entrar num quarto com um pacote de soro em suas mãos. A porta que não havia sido fechada completamente proporcionou que Emma conseguisse ver quem era o paciente que estava no quarto. Discretamente Emma se aproximou da porta e conseguiu ver de relance Regina deitada no quarto de hospital.
Regina parecia tão frágil naquela cama. Seu rosto tinha um aspecto pálido que nem de longe refletia a prefeita da cidade. Seu jeito austero de olhar fora substituído por um semblante bastante cansado que preocupou Emma. A loira já se encaminhava em direção à porta quando mais uma vez olhou a morena e viu medo em seus olhos. Certamente Regina não receberia bem a visita que Emma pretendia fazer e por mais que não quisesse deixá-la sozinha a loira teria que deixar a conversa que ela queria ter com Regina para outro momento.
***
Parecia que quanto mais tempo eu ficava deitada naquela cama de hospital mais devagar andava o ponteiro do relógio. Definitivamente eu não gostava de hospitais. Não suportava aquele ambiente porque ele sempre me lembrava de minha constante solidão. Quando eu estava na prefeitura trabalhando eu criava ali naquele meu ambiente a ilusão de que alguém gostasse de mim, mesmo que fosse apenas pelo lado profissional. Mas, em momentos como esse que eu me deparava apenas comigo que eu sentia a falta de uma companhia. Alguém que se importasse verdadeiramente comigo. Às vezes sinto isso em relação à Emma, mas tenho medo que seja algum fruto de minha carência, por isso que eu sempre acabo optando pela distância. Pelo menos assim eu evito me machucar mais do que eu já estou.
Talvez, se eu tivesse outra pessoa para ficar comigo fosse mais fácil de suportar. Mas, minha teimosia sempre me deixava sozinha. Eu queria ter coragem de contar toda a verdade para Emma, só que cada vez mais eu pensava sobre a sua possível reação um medo tomava conta de mim e eu voltava atrás e reconsiderava minha opinião. Minha cabeça estava confusa e pensava em mil e umas possibilidades e nenhuma delas conseguia aplacar a angústia crescente dentro de meu peito. Não sei se era por causa de meu passado, mas era difícil visualizar coisas boas em meu futuro. Por mais que eu tentasse sempre me via sofrendo e sem ninguém para me fazer companhia. E se Emma acreditasse em mim? Será que ela tentaria tirar nossos bebês de mim? Era o que sempre me passava pela cabeça. Às vezes escutava sua voz falando sobre isso comigo.
"Regina, você acha que pode amar os nossos filhos? Uma pessoa que já foi chamada pela alcunha de Evil Queen nunca poderá ser uma boa mãe. Você só se ilude pensando que será uma boa mãe para essas crianças. E eu irei fazer o que for melhor para eles. Eu os tirarei e você para o bem deles. Porque um vírus pode afetar organismos. E é assim que eu te vejo. Como sendo um vírus para esses inocentes bebês."
– Eu posso amar e ser boa mãe. – eu murmurava para mim mesma. – Eu amo essas crianças com todo o meu coração e farei o que for melhor para elas. Eu quero ser uma boa mãe para essas crianças. – algumas lágrimas já invadiam meu rosto. Eu sempre ficava assim quando pensava nas possíveis possibilidades de contar tudo para Emma. E por isso que eu escondia cada vez mais a verdade comigo.
O soro até que fez um efeito sobre mim. Minhas tonturas e enjoos tinham diminuído consideravelmente e uma sensação de sono tomava conta de mim. E como não estive dormindo bem por conta de meus mal estares, dormir um pouco era mais que bem vindo. Fui despertada quando senti um barulho na maçaneta da porta e logo o receio de alguém entrar no quarto fez meu corpo se enrijecer. Era apenas a enfermeira com mais um soro para colocar em minha veia. Olhava para os lados sempre com medo de alguma pessoa me ver e espalhar para a toda cidade que a prefeita tinha sido internada.
– Dr. Whale me passou instruções e parece que após esse soro ele virá te dar alta pessoalmente. – disse a enfermeira olhando para mim. Mas, notei algo diferente nela. Seu olhar não transmitia o medo que todos sentiam de estar perto de mim, em vez disso tinha certa cumplicidade. Uma reação que eu nunca poderia imaginar receber, já que as pessoas da cidade me temiam mais do que outra coisa. Será que era por causa de minha gravidez? Eu me questionei e quando dei por mim já tinha esboçado um pequeno sorriso em sua direção.
– Obrigada! – eu respondi para ela e me surpreendi com minha voz que tinha saído mais aveludada, cada vez mais me fazendo recordar a adolescente inocente que eu havia sido um dia. Acompanhei com meu olhar a enfermeira saindo e fechando a porta logo em seguida. Será que eu poderia encontrar minha felicidade novamente?
Depois da segunda bolsa de soro terminar, Whale entrou em meu quarto para finalmente dar alta médica. Ele estava com minha ficha médica em mãos e logo assinou minha liberação. Mais uma vez ele me alertou sobre os cuidados que eu deveria tomar com minha gestação e dos riscos que ela poderia ter. Eu só queria ir para casa e tomar um banho para relaxar. Depois dessas horas que fiquei internada o meu corpo estava todo dolorido devido aos meus músculos tensionados de cada vez que eu o enrijecia ao mínimo som de alguém andando no corredor do hospital.
Alguns minutos depois eu já estava do lado de fora do hospital e logo eu estaria em minha casa. Eu nunca fui de acreditar nessas histórias de hormônios de gravidez e acabei percebendo que tinha me enganado completamente. Eu me emocionava com coisas que normalmente nem daria confiança e foi dessa maneira que eu me vi atraída para uma loja que vendia roupinhas de bebês. Eu sei que não queria que ninguém desconfiasse de minha gravidez e entrar numa loja dessas certamente levantaria muitas suspeitas. Mas, aquela pequena roupa no mostruário me atraiu como se eu fosse um metal em direção ao imã. Quando dei por mim eu já havia entrado nessa loja e me encantado com cada peça de roupa que via a minha frente.
Malditos hormônios que já aparentavam mais de minha fragilidade do que eu gostaria. Eu murmurava isso para mim cada vez que eu me deixava emocionar enquanto percorria os imensos corredores da loja com meus olhos vidrados em tudo o que o meu campo de visão conseguia captar. Só sei que me surpreendi com a diversidade de roupas que estavam por todos os lados. De repente eu senti a necessidade de comprar o primeiro presente de meus bebês. Como ainda não sabia se seriam meninas ou meninos teria que optar por algo que desse para ser usado pelos dois sexos. Não via à hora de saber o sexo de meus filhos para poder começar a montar o enxoval deles. Escolhi três roupinhas. Uma para cada vida que crescia em meu ventre. Três macacões. Verde, amarelo e bege. Não me aguentava de tanta felicidade. Assim que peguei o embrulho da loja o guardei em minha bolsa para que ninguém visse nada de suspeito. Talvez, a vida quisesse me dar uma nova chance e me agarraria a elas com todas as minhas forças.
***
Somente quando eu olhei para o relógio foi que fui perceber como já estava tarde. Àquelas horas dentro do hospital certamente me fizeram perder a noção do tempo e minha preocupação cresceu ainda mais quando percebi que era o dia que Henry passava comigo. Se meu filho já me odiava me esquecer de buscá-lo na escola não facilitaria minha relação com ele. Eu buscava de todas as maneiras provar para ele que eu havia mudado e queria ser a mãe que ele precisava, mas parecia cada vez mais complicado Henry ter confiança em mim novamente.
Assim que eu entrei em casa já pude notar de relance Henry olhando para mim com uma profunda indiferença. Ser tratada desta maneira por ele me machucava muito. Já não sabia mais o que fazer para mudar aquela situação. Ele parecia se afastar de mim e quanto mais eu corresse em sua direção mais distante ele ficava. Guardei minha chave e fui para mais perto dele. Quem sabe ainda conseguiria amenizar tudo o que acontecia.
– Henry... – comecei hesitante. – Desculpe-me ter me esquecido de te buscar na escola hoje. – eu teria tentado me explicar mais, porém Henry me interrompeu e em nenhum momento eu vi o garotinho que sempre corria com medo para a minha cama em dias chuvosos. Acho que ele tinha ficado em meu passado.
– Não adianta dar as suas desculpas de sempre. Eu já estou cansado delas. – ele disse dando de ombros. – Sabe que eu até já esperava uma reação dessa vinda de você.
Ver toda aquela indiferença vinda de meu próprio filho foi algo que me machucava muito. Por mais que eu tentasse ser uma mãe melhor, ele não permitia que eu mostrasse minhas mudanças. Sempre eu era a pessoa que mais me machucava.
– A única coisa que você fez certo até hoje foi em relação ao meu colégio. Em todas as reuniões você estava lá pontualmente. Nos dias que tinha que me buscar, no horário marcado você chegava para me pegar. Você era a mãe mais pontual de toda a escola e esse comprometimento era algo que me fazia gostar pelo menos um pouco de você. – ele pausou para pensar em suas próprias palavras, e eu já me esforçava para não cair no choro em sua frente. – Não é de hoje eu venho notando certo distanciamento. Eu já não via mais o seu entusiasmo. Até que hoje você não foi me pegar na escola. Não foi um pequeno atraso ou algo do tipo. Foi esquecimento.
– Henry... – tentei falar mais uma vez. – Se me der uma chance eu posso explicar tudo o que aconteceu. – cogitei em falar com ele de minha gravidez e explicar tudo o que veio ocorreu nesses últimos dias. – Eu...
– Se fosse com Emma isso não teria acontecido. – parecia que Henry hoje ia descontar em mim todas suas frustrações. Ele provavelmente me enxergava como a razão de todos os seus problemas. E talvez eu tivesse feito muita coisa errada, mas eu tinha percebido tudo o que tinha feito de ruim e tentava consertar. – Pois ela está se mostrando ser uma mãe melhor que você. Eu já devia saber de tudo. Que todo esse amor que você diz sentir por mim sempre foi parte de uma encenação. Todo esse amor não vale de nada. Pode confessar toda a verdade. Tira suas máscaras e me deixe te conhecer de verdade.
– Você não está sendo justo comigo. Como pode dizer que eu não te amo? Você é meu pequeno príncipe e o amor que sinto por você não cabe em meu coração.
– Que coração? Todo mundo está cansado de saber que seu coração está apodrecido de tanta maldade que fez. Agora me diz como um coração desses pode amar?
– Não... – eu gritei. – Eu não sou assim mais. Eu mudei.
– Pura ilusão que criou, porque quem é mal não muda. Você não merece ser chamada de mãe. Eu tenho sorte de ter Emma como minha mãe porque assim eu não corro risco de ter o mal correndo em meu sangue. Você nunca será uma boa mãe.
– Henry... – tentei argumentar com ele sem sucesso e uma sensação de tontura se fez presente em meu corpo. Fiz um esforço para não desabar ali na frente dele.
– Eu sempre soube que esse amor não se passava de uma mentira. Que provavelmente faria parte de um dos seus planos de estragar a vida de todos da cidade. É impossível qualquer pessoa amar quem já foi chamada de Evil Queen. Que tem o mal impregnado de seu corpo. Você quer que eu te ame, mas a verdade é que eu te odeio!
Não suportei escutar mais nenhumas de suas palavras e saí correndo dali para meu quarto. Meu refúgio onde me torturaria relembrando cada uma das venenosas palavras de meu filho.
***
Eu saí de perto de Henry antes que ele visse meu rosto ser tomado pelas minhas lágrimas. Ao entrar em meu quarto alguns soluços já saíam de minha boca. Entrei em meu banheiro e tranquei a porta. Não queria que ninguém me visse assim, principalmente Henry. Eu comecei a chorar. Não havia mais nada que eu pudesse fazer do que lamentar tudo o que dava errado em minha vida. Quando finalmente pensei que poderia ser feliz acontece algo que me faz reavaliar de pensamentos de mais cedo.
Caí de joelhos no chão. Ignorei a dor que sentia em minhas pernas, porque certamente meu coração doía com mais intensidade. Eu só queria ser uma boa mãe, mas pelo visto eu nunca teria essa chance. Ninguém nunca me veria como uma pessoa que pode mudar. Sempre seria vista como a Evil Queen. Uma constante ameaça a vida de toda aquela cidade.
Eu chorava e não conseguia parar. Cada lágrima que caía sobre o meu rosto simbolizava uma parte sangrando de meu coração. Bambeei com a tontura que cada vez estava mais forte e comecei a enjoar. Tentei me acalmar para ver se essa sensação desaparecia, mas parecia que meu estômago se revirava cada vez mais. Mal tive tempo de chegar ao vaso sanitário e comecei a colocar tudo para fora. Um enjoo como eu nunca tive antes. Sentia uma queimação em meu peito toda vez que me esforçava e com uma sensação cada vez mais dolorosa a cada vez que vomitava.
Se eu tinha me sentido um pouco melhor depois de ter ficado internada já não me sentia mais assim. Comecei a sentir uma fraqueza que gradativamente aumentava de intensidade e as tonturas tomavam controle de meu corpo, tudo ao meu redor girava o que fazia meus enjoos piorarem. Tentei me levantar, mas novamente acabei parando no chão. Tentava chorar, mas parecia que nem forças para me lamentar eu tinha mais.
Uma nova onda de náuseas mais intensas que as primeiras. Só de pensar mais uma vez na queimação que sentiria por cada ânsia de vômito a vontade que dava era sucumbir e desistir de tudo. Acho que era alguma forma de ironia chamar isso de enjoo matinal, estava mais para tortura infernal. Eu me arrastei paro o vaso sanitário e mais uma vez esvaziei o que não tinha em meu estômago. Já não tinha mais que vomitar, saía apenas bile e quando consegui focar minha visão que fui reparar no sangue que tinha saído junto com o líquido esverdeado.
Senti medo de estar acontecendo alguma coisa. Tentei me levantar para ligar para o Dr. Whale. Com minhas mãos trêmulas eu me apoiei na pia, só que em seguida senti uma forte dor em meu ventre. Um pânico cada vez mais se apoderou de mim. Meus bebês. Só conseguia pensar no que de errado acontecia comigo. Minhas pernas fracas e as pontadas insistentes em meu estômago foram o suficiente para me fazer cair no chão.
Ali no piso gelado de meu banheiro, só que dessa vez sem conseguir me levantar, com meu corpo cada vez mais fraco e com uma dor excruciante minha respiração ofegava. Puxar oxigênio parecia a tarefa mais difícil de conseguir. E mais uma vez eu sozinha sem ninguém que pudesse me ajudar. Henry tinha razão. Eu não merecia ser mãe. Que isso tudo acontecia comigo como uma espécie de punição. Por mais que eu tentasse nunca poderia ser boa. Eu sou má. Não merecia meu final feliz. Aos poucos tudo o que sentia fora substituído por uma escuridão que me arrancou de todas as minhas dores.
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