Continuei mantendo a cabeça baixa e olhando para o chão, sem reação, não querendo ver nada do que estava acontecendo ou do que estava para acontecer. Vi minha amiga se levantando e acompanhei-a com os olhos, ela bradou com muita coragem: Não há nada aqui para você! Saia! Já chega! Olha quanto caos você causou! A polícia está aqui e você não vai ter mais para onde...

Ela sempre odiava quando interrompiam suas falas, mas aquilo foi diferente. Sua fala foi calada por uma bala que atravessou sua cabeça e a matou no ato. E eu vi aquele ato. Fiquei perplexa, completamente sem reação, chocada ao ver minha melhor amiga atirada no chão, morta junto do bebê que estava para vir e que supostamente lhe traria tanta felicidade. Se eu saísse viva, teria perdido tudo, nada restava mais. Mas e quem disse que eu sairia viva? Preferia morrer ao continuar com aquele sentimento de tudo perdido, já que nem minha família se dava ao luxo de ao menos se importar comigo. Então, minha primeira reação foi gritar, mas um grito que feriu minha cordas vocais e eu não consegui gritar mais por ajuda. Finalmente tirei meus olhos que fixavam o corpo de Catarina e fui lentamente subindo meu olhar até a figura de capuz que tinha causado tamanha discórdia naquele simples dia de provas no colégio. Então o assassino tirou a máscara lentamente. Era uma mulher. Melhor: uma garota. Até que minha visão embaçada causada pela dor de cabeça me permitira pela primeira vez ver o rosto dela. A garota tinha um olhar cheio de raiva, ódio, malícia e angústia que me fitava, acompanhado por um sorriso atraente e perfeito, mas um tanto doentio e psicótico. A garota, causadora de tanto caos... era eu. E ela sorria loucamente, com um sorriso satisfeito de ter finalmente ter me achado.

Antes que pudesse pronunciar qualquer palavra diante de tanta perplexidade, “eu” (não sei se devia chamar a garota assim) apontei a arma para mim e puxei o gatilho. Atirei em mim mesma quase perto do coração e sofri lentamente com isso. A outra “eu”, causadora de tanta dor, simplesmente abriu um sorriso maior ainda como se tivesse cumprido sua missão e me deixou sozinha, junto de outros cinco cadáveres de pessoas da minha idade. Não consegui alcançar a mão de Catarina em despedida, e sentia uma dor insuportável. De um último relance, acompanhei a assassina com os olhos e a vi apontando a arma para a própria cabeça e se matando. Senti meu cérebro se desligar aos poucos, com as poucas lembranças boas que restavam, até que desisti de resistir e entendi o que as pessoas querem dizer com “ver a luz” antes de morrer. É simplesmente deixar, deixar a dor e a morte tomarem conta de teu corpo quase já inerte. E foi dessa maneira, que eu deixei o mundo com meu último suspiro, provocado por minha semelhante.

22/05/2013

Notas finais
Espero que tenham gostado, dediquei um tempo pra escrever! Digam-me o que acharam nos comentários! Obrigado por lerem.
Jade
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!