A Shade In The Dark
4 Overwhelmed
Notas iniciais
Ele levanta da cama do dormitório com uma imensa dor no pescoço.
Nunca trocam essas porcarias, pensa andando até a porta. Dá um encontrão com Mills ao sair.
― Eita, desculpa. ― diz o jovem. Ele estranha a expressão de Kelly. ― Você tá bem, cara? ― ele pergunta, ao ver que o parceiro nada responde.
― Sim, é... Desculpa, bro. É que eu acabei de acordar. ― Ele nem percebe que está com a mão sobre o ombro.
― Tudo bem com o braço? ― Mills questiona.
Ele olha para si com confusão, e desconversa. ― Sim, sim... tá tudo bem, só dormi de mau jeito. ― Então se apressa em sair. ― Eu tenho que ir, tchau.
Severide escapa para fora do batalhão e caminha até os fundos, onde estacionou o caminhão. Ele abre a porta, entra e senta-se sozinho. Abre então o porta-luvas, agarra um guardanapo enrolado, desliza dois pequenos comprimidos sobre as suas mãos e os atira embaixo da língua. O alívio é quase instantâneo. Ele suspira, aliviado. Alguém bate à porta.
― Kel! ― a voz de Shay ecoa através da porta. ― You there?
Ele abre a porta, que estava trancada por dentro.
― Hey. ― diz ele pulando para fora do caminhão. ― Tava no hospital? Como a Dawson tá?
― Ela acordou. ― diz Leslie, com uma expressão de contentamento restrito no rosto.
― Isso é ótimo... mas? ― infere ele, percebendo que havia algo mais.
― Preciso da sua ajuda.
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― Ela teve uma amnésia. ― diz a loira, balançando a perna nervosamente, ao passo que bebe mais um gole de café. ― Eles acham que é temporário, mas... sei lá.
Severide presta atenção ao que ela está dizendo, tentando compreender da melhor maneira. Trata-se de uma amiga pessoal e da melhor amiga de uma das pessoas que mais importam em sua vida. Faria tudo a ser alcance para ajudá-la.
― Mas, Shay, se disseram que é temporário, ela vai ficar bem. ― ele diz, tentando reassegurar a ela que tudo iria se resolver.
― Mas e aquelas coisas que ela falou sobre ser estuprada e tal... De onde ela tirou aquilo? Ela inventou tudo? ― ela diz, nervosa.
― Talvez tenha sido a resposta do cérebro dela para o estado de coma. Nós sabemos que isso pode acontecer. Lembra do caso da Amber Jenkins? ― ele pergunta, contando com o fato de que ela se lembraria.
Amber Jenkins tinha sido colega de Kelly na academia. Sofrera um acidente de carro com seus pais e ficara em coma por dois meses. Quando acordou contava acontecimentos de coisas que tinha sonhado enquanto em coma, e acreditava que eram reais.
― Sim, eu me lembro. É que... ela parece ter tanta certeza. Kel, ela estava apavorada. Muito apavorada, eu pensei que ela fosse ter um ataque cardíaco.
― Já contou pra ela? ― ele pergunta, gentilmente, sabendo que ainda é um assunto delicado.
― Não. ― ela diz, e recosta-se na cadeira, em decepção. De repente, sem poder controlar, ela deixa algumas lágrimas escaparem.
Kelly levanta e senta-se ao lado dela, envolvendo-a em seus braços.
― Calma. ― ele diz com o queixo sobre a cabeça dela. ― Tudo vai ficar bem.
Peter e Mills entram na sala nesse momento, e ao verem Shay chorando imaginam o pior.
― Severide? ― Peter pergunta, com um olhar grave.
― Calma, não é nada demais, a Gabby está bem.
Os dois soltam o ar em alívio.
― O que houve, Shay? ― Mills pergunta, cordialmente, puxando uma cadeira pra perto, e Peter faz o mesmo.
Ela respira fundo, controla suas emoções e prepara-se para explicar, olhando nos olhos de cada um antes de começar.
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