A Sereia De Córdoba
3 O Treinamento Nosso de Cada Dia
Notas iniciais
Desculpem a demora *.*
Enfim, o novo capítulo. Apreciem.
Comentários são bem-vindos e apreciados =)
Enfim, o novo capítulo. Apreciem.
Comentários são bem-vindos e apreciados =)
– O Treinamento Nosso de Cada Dia -
A celebração durou até o Sol raiar, mas nem todos permaneceram até o final da festa: alguns Cavaleiros de Prata e todos os de Bronze foram os únicos que puderam dar-se o luxo de aproveitar ao máximo. Muitos dos Cavaleiros de Prata tinham outros afazeres que requeririam deles o descanso devido, e os Cavaleiros de Ouro tinham suas casas para vigiar. O ponto mais alto da noite fora a dança de Camus e Amélia; o inesperado casal surpreendera a todos os presentes com uma estranha e imediata sintonia, movendo-se com precisão e graça como se já fossem expertos da dança e íntimos um do outro. No entanto, não o eram. Mu e Shaka, os únicos livres dos efeitos e do gosto do álcool, foram os primeiros a despertar e cumprir com seus deveres. Na noite de Ano-Novo, eles conduziram os embriargados cavaleiros às suas respectivas casas. Com exceção de Camus, que parecia imune aos efeitos do etanol em seu organismo, todos haviam errado a dosagem de álcool, levando seus organismos quase que ao limite. [Mu, inconformado]: Cavaleiros de Atena, passam pelos piores bocados, enfrentam a maior sorte de adversidades, chegam ao limite de suas existência e saem inteiros apenas... Para serem derrotados pelo álcool! [Shaka]: Concordo que seja um absurdo, meu amigo, mas nada podemos fazer; afinal de contas, eles escolheram fazer assim... Resmungando e zombando discretamente de seus companheiros foliões, os dois sóbrios e regrados Cavaleiros deixaram cada Santo Dourado em sua respectiva residência. Cumprido o dever, foram ter sua noite de sono... *** O som da festa diminuíra bastante com a saída dos Dourados e de muitos dos Prateados; apesar de ainda soar incômodo para Afrodite de Peixes, a festa já era inaudível a partir da casa de Aquário, onde Amélia e Camus se encontravam. O Cavaleiro de Aquário sentara-se ao lado da moça na entrada de sua casa, tendo os fundos da Casa de Capricórnio como horizonte a ser visto e contemplado. Camus não era um rapaz risonho e de fácil socialização; verdade seja dita, era um homem sisudo e sério, com frases objetivas e ricas em conteúdo e vocabulário. Era um estudioso, amante dos livros e do conhecimento, contando com uma humilde, porém diversificada biblioteca em sua casa; a existência dela não era segredo a nenhum Cavaleiro,mas sua localização, sim, era um mistério à parte. Naquele dia, após ter consumido cerca de três copos de Chardonnay, o álcool parecia ter-lhe despertado para as pequenas alegrias da vida, as quais ele há muito vinha negando. Ele havia sentado a fim de clarear as ideias e esperar passar os efeitos do álcool, pois sentia-se tonto e levemente nauseado. [Amélia, preocupada]: Você me parece nauseado... Algum problema? [Camus]: (Fita-a com surpresa) Eu? Não! (Riso) Não, eu... Eu não sou muito acostumado a beber... Eu bebo, mas é bem de vez em quando; tomo só meio copo ou um copo inteiro, nunca passo disso... (Sorriso) Hoje, contudo... Foi exceção à regra. [Amélia, aliviada]: Que bueno! achei que eu o tivesse deixado tonto... (Riso tímido) Sou péssima dançarina... [Camus]: (Sorrindo) Para uma “péssima dançarina”, você deu muita conta do recado! (Levanta) Bem, preciso levá-la... Em que Casa ficará essa noite? Câncer ou Capricórnio? [Amélia]: Câncer... Se a caminhada não lhe for muito prejudicial... [Camus]: Não, ela não será. (Oferece o braço a Amélia) Me permite? A garota aceita e desce lentamente as escadarias; ela admirou a paisagem em seu entorno — as escarpas de pedra, sempre açoitadas pelo mar, que gerava um leve, constante e ritmado som ditado pelo sabor salgado e movimentado das águas prómixas. Ela também olhou as Casas Zodiacais mais próximas, notando grande diferença em relação às suas arquiteturas: cada casa tinha um traço único, que parecia dizer algo a respeito de seu Cavaleiro Dourado. Camus mantinha seu olhar sempre no horizonte, fixo em sua meta; seu rosto estava levemente corado, e ele punha culpa na bebida consumida. Uma vez ou outra ele olhava para a garota ao seu lado, que se encontrava impressionada com o que via. [Camus, pensando]: Que moça tão bela... Certamente deve ser o orgulho de Shura; o espanhol deve morrer de ciúmes dela. E Máscara da Morte... Se o conheço bem, deve ter igual ciúme. Fico pensando para quê ele a treinou... Será ela candidata à armadura de Câncer após sua morte? A garota continuava em seu silêncio, tomada pelo fascínio que o Santuário causava. Igualmente imerso em sua mente estava Camus, que continuava a divagar. Àquela altura, haviam passado pela Casa de Capricórnio sem nem ao menos se darem conta do fato. Amélia então soltou um suspiro. [Amélia, sorrindo]: A Casa de mi hermano... Lembra muito algumas casas tradicionais de Barcelona... [Camus]: (Fita Amélia) É mesmo? (Pisca lentamente) Nunca pude estar lá... Da Espanha só me recordo de Santiago de Compostela e de Córdoba...
[Amélia]: (Alegre) Então você conheceu minha cidade natal, Córdoba! [Camus]: (Confuso) Mas... Você não é de Barcelona? [Amélia]: (Riso) No... Shura nasció em Barcelona... Eu nasci em Córdoba quatro anos depois... [Camus, levemente envergonhado]: Entendo. Desculpe a confusão, é a bebida; meu raciocínio está muito mais lento que de costume... (Volta seus olhares para o horizonte) [Amélia]: Você esteve em Santiago de Compostela, certo? Suponho, então que conheça o idioma galego*... Ainda que não seja falante. [Camus]: (Volta seus olhares para Amélia) Naturalmente. Eu ouvia alguns deles cantando em minhas andanças pela cidade. Quando Milo não tentava seduzir as galegas, podíamos ouvi-las cantar... (Enrubesce e volta a fitar o horizonte) [Amélia]: Ouviam algo dessa natureza, não? (Prepara a voz)“Lonxe da terriñaLonxe do meu larQue morriña teñoQue angústias me danNon che nego a bonituraCeiño desta terriñaCeiño da terra alleaAi quen che me dera na miña...” A música, triste como um fado português, atrai os olhares de Camus para Amélia, que também vira o rosto em sua direção.“Ai meu alalaCando te oireiChousas e searasCando vos vereiSon as frores dises camposFrorentes e bonitiñasAi quen aló che me deraEntre pallas e entre ortigas” [Camus]: (Sussurra) Amélia... Algo estava acontecendo com Camus; era como se algum Cosmo o tivesse paralizado; seus olhos estavam se alterando quanto a cor, como seu uma fumaça o estivesse a cegar. Suas pálpebras ficaram cada vez mais pesadas e ele desacelerou o passo; estavam próximos da Casa de Câncer, onde ele ficou parado, piscando lentamente e respirando suavemente.“Lonxe da terriñaQue angustias me danOs que vais pra elaCon vós me levaiOs que vais pra elaCon vós me levaiOs que vais pra elaCon vós me levai...” * [Amélia]: (Eleva ligeiramente a voz; sorrindo)“Lonxe da terriñaLonxe do meu larQue morriña teñoQue angústias me danNon che nego a bonituraCeiño desta terriñaCeiño da terra alleaAi quen che me dera na miña...” Para Camus, não havia mais nenhum som senão o da voz da espanhola; ela se afastava vagarosamente dele, que mantinha seus olhares fixos no rosto da moça. Estava tão absorto na música que não percebera Máscara da Morte aparecer por dentro da janela do segundo andar da Casa de Câncer.“Ai meu alalaCando te oireiChousas e searasCando vos vereiSon as frores dises camposFrorentes e bonitiñasAi quen aló che me deraEntre pallas e entre ortigas” Ela foi entrando no recinto e diminuindo o tom de sua voz, até ficar no tom de um leve sussurro, no último verso da música.“Lonxe da terriñaQue angustias me danOs que vais pra elaCon vós me levaiOs que vais pra elaCon vós me levaiOs que vais pra elaCon vós me levai...” [Amélia]: (Sussurra) Boa noite, Camus... (embrenha-se nas sombras da Casa de Câncer e sai) *** Camus acordou tonto pela manhã; estranhamente, não sentia os efeitos tradicionais da ressaca: os enjoos, a dor de cabeça, a extrema irritação. Nada. Apenas uma leve tontura e falta de memória. Com os olhos arregalados, ele olhou o entorno; um móvel com entalhes típicos do rococó à sua direita, com um abajur de mesma temática sobre ele; à sua esquerda, um criado-mudo branco com um relógio que indicava ser dez da manhã e um livro, Notre Dame de Paris**, também sobre o móvel. Camus estava em seu quarto. [Camus]: (Surpreso, falando devagar) Como cheguei até aqui? Só me lembro...“Chousas e searas/ Cando vos verei/ Son as frores dises campos/ Frorentes e bonitiñas/Ai quen aló che me dera/ Entre pallas e entre ortigas...” Ele pôs a mão sobre a cabeça como se estivesse com dor; a voz de Amélia ainda ecoava em sua cabeça. Ele pôs as mãos à frente de seu corpo e notou estranhas marcas nas palmas, como se alguém o tivesse agredido. Havia um espelho à sua frente, e notou que seu s ombros também estavam feridos. Fez uma cara de desnorteio, confusão, não entendendo o que se passara durante o resto da madrugada. Olhou novamente o relógio com uma expressão assutada: dez da manhã! Ele estava terrivelmente atrasado para o treinamento diário dos Cavaleiros. Logo ele que, ironicamente, era o que mais cedo chegava e um dos que mais tarde saía. Vestiu seu uniforme típico de treinamento, uma blusa folgada azul com uma calça preta e sapatos negros e pôs-se a correr. Foi tão rápido que sequer cumprimentara Mú, como costume. *** Havia uma algazarra enorme no campo de Treinamento; alguns soldados pareciam fazer apostas e declarações impressionadas. O aquariano lhes pediu licença para adentrar no campo, curioso acerca do evento. Ao entrar, deu de cara com todos os Cavaleiros, com exceção de Milo, próximos à maior das pistas de corrida, observando um espetáculo que Máscara da Morte parecia promover. [Máscara da Morte]: (Gritando) Vamos, Amélia! Mil voltas não se completam por mágica! Lembre-se do seu tempo limite! Mais depressa, sua molenga! Está muito lenta! Camus chegou até o local atônito; era Amélia quem corria, e como corria! Ela era extremamente veloz, e parecia correr a meta absurda de Máscara da Morte sem muitas dificuldades. [Afrodite]: Olha só quem chegou! (Aponta Camus com a cabeça) [Shura]: Minha nossa, você está péssimo! Tudo isso foi a bebida de ontem? [Camus]: Sinceramente, não sei... Não me lembro de quase nada! [Amélia]: (Grita) Pronto! Mil voltas, como o senhor exigiu, Mestre! Os Dourados voltaram seus olhares para a pista; a garota havia completado as mil voltas sem se abater, como se não tivesse feito grandes esforços. Ela trajava um maiô preto com gola alta e botas negras; a roupa parecia realçar a cor da pele de Amélia, que reluzia como cobre ao sol. Todos aplaudiram a garota, de tão impressionados. [MdM]: (Olha o cronômetro) Excelente! Você reduziu o tempo de execução em 1 minuto. Sei que você pode reduzi-lo ainda mais. Quero quinhentas abdominais, setecentas flexões e mais mil e quinhentas voltas. Assim que terminar essa série, vá para o campo de treinamento de ataques de longa distância e me espere lá. Fui claro? [Amélia]: Sim senhor! (começa a fazer as abdominais) [Camus, para MdM]: Não acha uma série dessas pesada demais para ela? [MdM]: Olha só, o gelinho resolveu acordar! Depois de ontem, não achei que fosse aparecer por aqui. [Camus]: Do que está falando? (Levanta e encara MdM) [MdM]: Você sabe muito bem do que falo, seu conquistadorzinho de araque! [Camus]: (Irônico e insultado) Que eu saiba, o mulherengo do Santuário é você, Câncer! [MdM]: Ora, como ousa?! (Avança em Camus, mas é detido por Saga) [Saga]: Basta! Estamos aqui para treinar, e não nos matar! Vá! (Máscara da Morte se retira, extremamente contrariado) [Camus, para Saga]: Saga, você é vizinho de Máscara da Morte. Diga-me, o que aconteceu ontem à noite na frente da casa dele? Eu havia ido até lá levar Amélia, mas... Não me lembro de mais nada! [Saga]: (Suspiro) Bom, tudo o que sei Aioria me contou, e você vai ficar devendo essa para ele. Ele disse que você havia ficado parado lá, observando Amélia entrar; ao que parece, sua atitude enfureceu Máscara da Morte, que atirou enormes pedaços de garrafas de vidro quebradas contra você, ferindo suas mãos e ombros. Ele estava visivelmente alterado e bêbado, claro, mas ação dessa não se justifica de modo algum. Aioria te achou no chão, bem cortado e ferido e acabou por levar-lhe até Shaka, que lhe curou as feridas e levou-o até sua casa junto a Aioria. [Camus]: Então, por isso acordei com essas feridas... Obrigado, Saga. Quando encontrar Aioria, agradecerei a ele. [Saga]: Faça isso. Mais uma coisa: da próxima vez que for treinar, chegue mais cedo. Atrasar não é de bom tom.
Camus sorriu levemente e escolheu ao Cavaleiro de Gêmeos como parceiro de treinamento; basicamente, eles praticaram o combate corpo-a-corpo, por ser a única modalidade mais segura para os demais próximos do recinto. Expor suas técnicas poderia ser fatal para muitos dos presentes. Quando Saga promovia alguns intervalos, Camus não podia evitar olhar para Amélia; ela estava praticamente finalizando uma série que até para ele soava absurda. Como poderia uma moça de constituição física aparentemente muito delicada ter tanta força e resistência? O que para ele era o mais estranho era outro detalhe: Desde que Amélia chegara, ele não sentira Cosmo diferente. Nada. Seria Amélia uma discípula... Sem Cosmo?Continua...
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