Notas iniciais
Aqui, um pouco mais sobre da Amélia e a interação incial dela com os Cavaleiros. As situações aqui postas meio que dão uma noção da personalidade dela.

– Câncer Menor -

Fogos de artifício de inúmeras rasgaram os céus com seu brilho e ruído; eram azuis, verdes, vermelhos, rosados, dourados ou prateados, desenhando formas curiosas no céu negro cravejado de brilhantes estrelas. Amélia fitava aquele espetáculo com um belo sorriso em seu rosto.

[Máscara da Morte, para Amélia]: Está gostando do passeio, ragazza?

[Amélia]: Hã? (Olha para Máscara da Morte) Ah, sim! Estou adorando! (sorriso) Os fogos vêm do Santuário?

[Shura, para Amélia]: Sí, Mia! Nossa Deusa é detentora de muito dinheiro nessa encarnação, e pode pagar uma boa festa de Ano Novo para todos nós...

[Amélia]: Muito interessante! (sorrindo, suspira) Ah, que saudade de vocês! Treinar solita pelos campos da Espanha não foi nada legal... (Para MdM) Especialmente depois de Sicília...

[MdM]: Não se preocupe, Mia... Não vamos mais nos separar... (põe a mão esquerda no ombro de Shura e a direita no ombro de Amélia) Nunca mais. Somos uma família, lembra?

Amélia assentiu e voltou seus olhares para os fogos que estalavam animadamente no céu negro e infinito.

My name it is Amelia, a gypsy's daughter fair,

And I have left my parents and three thousand mourns a year,

My heart is pierced by Cupid, I disdain all glittering gold,

There is nothing that can console me but my jolly sailor bold.

Come all you pretty fair maids, whoever you may be

Who love a jolly sailor bold that ploughs the raging sea,

My heart is pierced by Cupid, I disdain all glittering gold,

There is nothing that can console me but my jolly sailor bold.

****

Quando Amélia, Shura e Máscara da Morte regressaram ao Santuário, a festa ainda estava em progresso. A garota sentiu-se um pouco intimidada pela quantidade de pessoas, escondendo-se atrás de seu irmão.

[Shura]: No hay nada de malo aquí,hermanita! (rindo) Vamos, apresente-se!

Os Cavaleiros de Ouro pararam para ver a hóspede; Atena, a anfitriã da festa, desceu vagarosa e majestosamente as escadas para ir de encontro à desconhecida. Amélia sentiu seu sangue ferver e seu rosto pegar fogo. Máscara da Morte, percebendo o constrangimento de Mia, deu um passo à frente, reverenciou Atena e fez seu pronunciamento:

[MdM]: Senhores, essa é Amélia Alesar Cortéz, irmã de Shura, minha discípula e irmãzinha de coração. (Sorri maliciosamente) Por favor, sejam gentis com essa ragazza,certo?

[Demais Cavaleiros de Ouro]: Certo!

[Atena]: Bem, Amélia, seja bem-vinda ao Santuário. Sou Saori Kido, a atual reencarnação de Atena. Espero que seja muito bem tratada aqui.

[Amélia, reverenciando]: É uma honra estar aqui; meus irmãos falam muito de você! (Sorri) De você, Deusa, e de seus cavaleiros fiéis e corajosos (sorri timidamente).

[MdM]: Mia, vamos por seus conhecimentos à prova, sim? (Sorri maliciosamente para ela) Apresente-se a esses rapazes... (Aponta para os Cavaleiros de Ouro) E diga seus nomes. Valendo vinte euros! Não vá errar, heim?

Amélia engoliu em seco a provocação de seu mestre. Seu rosto se avermelhou de tal maneira que ela sentiu sua voz falhar. No entanto, ela não cedeu; com passos firmes e constantes em direção ao primeiro Cavaleiro Dourado; um rapaz alto, delgado, de pouca massa muscular, de pele branca como a neve, olhos esverdeados e cabelos lilases. Ele também estava levemente corado, em sinal de timidez.

[Amélia]: Meu mestre falou-me muito de você... É o Cavaleiro de Áries, certo?Mu...Mu? (Confusa) É isso mesmo, né?

[Mu, sorrindo]: Sim, esse é meu nome. (Sorriso tímido) Sou Mu de Áries. (inclina e beija a mão de Amélia) Muito prazer em conhecê-la.

[Amélia]: Igualmente! (olha para o Cavaleiro de Touro) Ah, esse grandão aqui eu já vi! (Risada) Você estava em Santiago de Compostela! Al...Aldebaran, certo? (Sorriso)

[Aldebaran]: É, eu estava mesmo em Santiago... (risada) Nossa, você tem uma excelente memória, mocinha! (afaga a cabeça de Amélia)

[Amélia]:(Para MdM) A aposta ainda está de pé, mestre? (Sorriso malicioso)

[MdM]: (Sorrindo) É lógico! Você só disse dois nomes, quero ver da conta do resto! Onde estão os gêmeos?

Saga e Kanon se aproximaram da garota, que começou a dar os primeiros sinais de dúvida.

[Amélia]: Poxa, seus nomes eu sei, mas... Vocês são cem por cento idênticos! (morde o lábio) Ay, caramba...Bom, você deve ser...(aponta para o rapaz da esquerda) Saga...E você (aponta para o da direita)... Kanon. Acertei?

[Saga]: Infelizmente não... (Sorri) Você apontou primeiro para meu irmão Kanon e depois para mim... (beija a mão de Amélia) Não se preocupe, muita pessoas confundem. Somos realmente muito parecidos. (Sorri)

Amélia assentiu e sorriu quando Kanon repetiu os mesmos gestos de seu irmão. Fisicamente, não havia diferença alguma entre eles; a diferença estava em suas vestimentas: por baixo do terno preto que ambos usavam — de mesmo corte também — Saga usava uma blusa branca e gravata azulada, ao passo que Kanon vestia uma blusa levemente lilás com uma gravata roxa. Amélia olhou atentamente para esse fato e fez questão de memorizar bem quem era quem.

Alguém cutucou-lhe o ombro, e ela logo virou-se em direção a quem fizera tal ação. Era um rapaz grego, moreno, de olhos azuis, cabelos cacheados, castanhos e curtos, com uma expressão firme e jovial, acompanhado por uma ruiva amazona e um indiano loiro de olhos fechados.

[Amélia,sorrindo]: Ah, esses eu sei bem quem são! (Para Máscara da Morte) Mestre, eu ganho extra se eu acertar nomes de Amazonas também?

[MdM]: Nada disso! Fique com a aposta original! (Bebe uma margarita)

[Amélia]: Está bem... O moreno é Aioria, né? O loiro se chama Shaka, se não me falha a memória... A ruiva é...Marin?

[Aioria]: Sim, você acertou. (sorri) Marin é... Uma excelente amazona e minha cara-metade... (tira a máscara de Marin e cobre a ambos, ocultando o beijo. Bota a máscara de Marin de volta)

[Shaka]: Namaste. (Reverência) Máscara da Morte e Shura já me falaram muito de você... Apesar de meus olhos estarem fechados, sua beleza é de fácil percepção... É a joia de Córdoba com toda certeza. (Põe a mão de Amélia entre as dele)

[Amélia,visivelmente envergonhada]: Ah, por favor...É muita gentileza tua...

A atenção de Amélia é desviada para um outro grupo de Cavaleiros dourados; um deles parecia estar no auge da bebedeira, rodando, cantando, soluçando e rindo como nunca; esse possuía cabelos cacheados,longos e arroxeados e belos olhos azuis claros. Havia um chinês moreno de cabelos castanho-avermelhados e olhos azuis escuros, seguido por um homem de cabelos e olhos de tom azul-petróleo com um copo de Chadornnay quase no fim em uma das mãos e constrangimento em sua face. Havia, também, um homem de traços mais femininos, de cabelos e olhos azuis como o oceano, com uma rosa vermelha pendendo de seu terno Armani riscado. O grupo aproximou-se de Amélia, que sentiu seu rosto avermelhar e afastou-se discretamente, mas ainda manteve-se perto dos homens.

(Retiram-se Aioria, Marin e Shaka para a mesa de refeições)

[Amélia]: Bem... Por quem começo?

O chinês se aproximou, enquanto os outros dois tentavam conter o folião de cabelos púrpura.

[Amélia]: Você é... Dohko, certo? (cumprimenta-o)

[Dohko]: Maravilha! (sorriso) Bem-vinda ao Santuário! Ah, o folião ali...(aponta para Milo)

[Amélia]: ...É Milo de Escorpião, certo?

[Dohko]: (Sorriso) É o próprio... (zombaria) Realmente, o coitado já passou de Bagdá de tão bêbado... Vejo uma ressaca titânica se aproximando...

Ambos riram discretamente; Shura deu um beijo na testa de sua irmã e decidiu ir à pista de dança, enquanto Máscara da Morte permaneceu perto de sua discípula. Enquanto Dohko se afastava para ir tomar conta de Milo, os dois últimos Cavaleiros Dourados se aproximavam de Amélia. A moça enrubesceu com vigor ao ver o jovem homem com o Chardornnay se aproximar.

[MdM, sussurrando]: E então? Vai desistir da aposta?

[Amélia, sussurrando]: Nem pensar... Observe, meu Mestre... (anda dois passos e fica de frente com os dois rapazes).

Nesse momento, ela sentiu uma dúvida enorme tomar conta de sua mente. O nome do homem de aparência mais feminina não era problema para Amélia. Contudo, o nome do outro rapaz não queria voltar à sua mente.

[MdM, sorrindo]: Você ainda pode desistir, ragazza. Não há do que se envergonhar!

[Amélia, contrariada]: Jamás! (olhando para o rapaz mais feminino) Seu nome é moleza: Afrodite, certo?

[Afrodite]: Isso mesmo! (animado) Você deve ser a Amélia, certo? (aperta a mão da moça entre as suas com vigor) Puxa, você é mais fofa do que o Máscara costumava falar! Você é uma graça, dá vontade de morder... (beija o rosto de Amélia e mordisca-lhe o rosto)

Amélia sorriu e agradeceu o cumprimento. Em seguida, Afrodite se afastou e deu lugar a Camus, que deu ao cavaleiro de Peixes seu copo já vazio. Diferentemente de seus colegas, o álcool não fazia seu juízo se esvair ou deixá-lo em estado de decadência. Pelo contrário: ele parecia mais altivo e elegante se comparado ao seu estado de sobriedade. Ele fitava a estranha com um sorriso no rosto.

[Camus]: E quanto a mim, sabe quem sou?

[MdM, sussurrando para Amélia]: Ainda dá tempo de desistir. Última chance... (risada discerta e baixa)

[Amélia,sussurrando]: (para MdM) Cállate! (Para Camus, tom normal com timidez) Saber quem você é eu definitivamente sei: é o Cavaleiro de Aquário, certo?

Camus assentiu afirmativamente.

[Amélia]: Seu nome... (vacila) Ay, caramba... É o nome de um filósofo francês... Droga! (bate a mão esquerda na cabeça) Eu lembro seu nome, eu sei que lembro... (pausa, vergonha) Eu... (evergonhada) Lo siento, perdonadme! (esconde o rosto entre as mãos) Seu nome é fácil, tem cinco letras e é de um filósofo... (olha para MdM)

[MdM]: (Rindo) Gelinho, não a ajude... Ah, esses vinte euros estão no papo!

[Amélia]: (Envergonhada) Cara, começa com C, tem cinco letras e é nome de filósofo... (Pausa, envergonhada) Desisto!

[Camus]: (Risada discreta) Ah, desistiu tão fácil assim de meu nome?

[Amélia]: (Envergonhada) Lo siento... (Tira vinte euros do bolso e entrega a MdM) Bem, o senhor venceu... (Arregala os olhos; surpresa) Maldição! Lembrei seu nome! É... Camus! Camus, de Albert Camus*, não é mesmo?

[MdM]: (Contrariado) Humpf! Eu não vou devolver o dinheiro, minha doce ragazza! (Beija a testa de Amélia) Bem, irei ao bar... Seu irmão está abrindo as tequilas. (Para Shura, grita) Eh! Deixe uma dose para mim! (Retira-se)

Amélia e Camus permaneceram em silêncio por um bom tempo. A espanhola, com as faces vermelhas como tomates maduros, buscou evitar os olhares do Cavaleiro de Aquário. Então, ela ouve os passos do francês acercando-se dela, e seu coração bate mais forte.

[Camus]: (Desconcertado, passando a mão esquerda em sua nuca) Ah, vejo que lhe fiz perder uma aposta... (Sorri) Acho que tenho um modo de compensar isso.

[Amélia]: (Olhar interrogativo)

[Camus]: (Segura as mãos de Amélia) Me daria a honra de uma dança? Se você não quiser, eu...

[Amélia]: Adoraria. (Sorri)

O Cavaleiro de Aquário, sob os olhares de todos os demais presentes no Salão do Grande Mestre, guiou Amélia até o centro da pista de dança. Uma valsa começou a tocar, e o Cavaleiro apoiou a garota sob seu corpo, ditando o ritmo da dança. A espanhola logo se descontraiu, e logo estava dançando com o francês como se fossem amigos de longa data. De longe, os demais cavaleiros de ouro, com exceção de Shura e Máscara da Morte, observavam a cena com curiosidade.

[Mu]: Fascinante... Que belo casal...

[Shaka]: Pode até ser belo, meu caro, mas não creio que os irmãos dessa moça gostarão dessa investida do francês...

Continua...

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Glossário:

*Albert Camus (1913-1960): Filósofo, ensaísta, dramaturgo, escritor e romancista francês nascido na Argélia.

Notas finais
Bom Dia/ Boa Tarde/ Boa Noite para quem estiver lendo!
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