A Sereia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espanha
A luz tênue do sol brilhava na sua pele alva, Johan a admirava nunca vira mulher mais bela do que ela, se arrumou e marchou para a marinha, saber para onde iria a nome do rei era importantíssimo, arriscara o seu pescoço diversa vezes só para trazer ouro para o rei, como agora, tudo com o proposito de pedir a mão de Isabell em casamento, esse era o seu sonho e nada o impediria. Passou na livraria tinha acabado de terminar um livro de que era para essa viajem, sempre quisera ser mais que um marujo e por isso se possível passava o dia todo lendo e aprendendo coisas novas. Dessa vez pegou um livro bem grosso, de capa e couro (o que serviria de uma boa almofada). Não acreditava nessas bobagens que marujos contavam, mas por via das duvidas passou na igreja e pediu a benção do padre e toda sorte para que pudesse voltar vivo. Dirigiu-se ao seu navio o rei Pietro 1º. E esperou suas ordens.
A viajem levou em torno de dois dias, dois dias sem o amor da vida de Johan, então a noite caiu e ele como havia ficado na vigília pegou seu livro com um olho nele e outro no mar.
Apos a viagem, Johan aportou na Espanha esperançoso, já possuía o dinheiro que precisa para comprar o anel. Assim o fez quando chegou à sua simples residência, uma casa que continha só três cômodos, cozinha, quarto e um toalete, e arrumou todos os moveis deixo-os brilhando, mais tarde tomou um bom banho, aparou os cabelos, cortou as unhas, e por fim foi comprar um buque de flores bem vermelhas, no caminho lembrou-se de sua ultima noite com ela, ah ela tinha o feito tocar o céu e a terra ao mesmo tempo, tinha dito que o amava, e isso o fizera o homem mais feliz do mundo. Perto da casa de sua amada Isabell limpou a poeira dos ombros e fez seu melhor sorriso, bateu na porta, ninguém pareceu escutar, bateu de novo um homem gordo e nojento cuja barriga estava toda melada de cerveja e óleo abriu a porta, olhou Johan de cima a abaixo, ele já conhecia esse homem era o chefe de Isabell.
– Vim levar Isabell para um jantar.
– Isabell está trabalhando e não gosta de interrupções – ele riu — você só atrapalha o futuro dela, ela poderia ficar rica, mais você sempre aparece para estragar seu dia.
– Futuro? Escute aqui seu gordo fedorento, eu vim aqui levar Isabell para um jantar e lá pedirei sua mão em casamento, acha que é melhor ela trabalhar para sempre do que ter um marido?
– Casamento é? Ah se for assim pode subir, Isabell está no mesmo quarto de sempre. – sorriu como se o que Johan pretendia fazer, nunca vinhesse a acontecer.
Johan subiu as escadas e pensou em bater a porta, mas preferiu entrar logo e fazer uma surpresa para ela, infelizmente quem teve a surpresa foi ele ao deparar que ela estava na cama com outro, raiva encheu seus olhos, ao vê que a boca que ele já beijara, outro homem fazia o mesmo, a mulher que já o abraçara, abraçava outro.
– O QUE ESTA ACONTECENDO AQUI? – ele vociferou
– Ah! Johan, o que você está fazendo... – ela mal pode falar Johan já havia jogado as flores nela, e saíra correndo escada abaixo. – Johan espere, espere!
– Eu disse que ela estava trabalhando. – ele riu novamente
– Trabalhando? – ele cuspiu – você chama aquilo de trabalho?
– E o que mais poderia ser? Isabell é órfã, solteira, jovem e bonita, que outro trabalho ela poderia ter?
– Qualquer um menos esse!
– Me lembro do dia que ela me implorou para trabalhar aqui, naquele tempo era só pele e osso, agora... Ela ainda vai acabar rica, você deveria era ficar feliz, muitas vezes Isabell já deixou homens importantes para ficar com você.
– Ah e isso era para me deixar muito feliz, por acaso?
– SIM! Agora saia daqui que você esta assustando os clientes.
– Com o maior prazer! – e cuspiu na calçada bem perto do pé do chefe de Isabell.
Saiu andando pelas ruas e entrou no primeiro bar que viu.
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A vida de um homem pode ser amargurada quando tudo que ele tem se perde, Johan se sentia assim, a mulher que ele acreditava ser a única da sua vida estava se agarrando com outro, ódio e amargor secarão sua garganta em mais um gole de cerveja, aquilo não estava adiantando mais ele precisava de algo mais forte, um bando de arruaceiros entrou no bar, mas um gole de cerveja.
A cabeça de Johan dava voltas, o que havia acontecido? O que estava acontecendo? Ele tentou se lembrar da noite passada. Ele foi ao bar bebeu cada vez mais como se nada pudesse tapar a vergonha de ser traído, arranjou algumas brigas, levou um tapa da garçonete depois de bater na sua bunda, cruzes como eu posso ter feito isso pensou ele, ai então entrarão alguns marujos arruaceiros fazendo barulho, cheirando a rum, do qual Johan não gostava nem de chegar perto, os considerava parias da nação roubavam e pilhavam ouro para si próprios, deveriam ser considerados piratas, mas como eram espanhóis... O rei passava a mão na cabeça e dizia: os deixe irem se morrerem ninguém procurara por eles e nem o protegeram dos ingleses, nem dos portugueses, eles que se virem. Os marujos comemoravam um grande tesouro que haviam encontrado e comentavam o próximo que iam encontrar, falavam e riam alto davam em cima de todas as mulheres que estavam no bar, até que um dizendo se imediato chamou a atenção de todos e disse que todos que quisessem ter fortuna fossem até ele alistasse, foi então que ele decidiu abrir os olhos e se deparou no meio de um convés de navio, a cabeça ainda rodava mais ele conseguia ver alguns marujos em suas redes ainda dormindo com uma garrafa na mão. Foi então que ele se lembrou de que na noite passada ele andou até o grupo e disse que queria se alistar e agora ele estava ali no barco rumo alguma missão que poderia lhe causar a morte. Checou o local aonde havia dormido o livro que ele sempre carregava consigo, até na ocasião da noite passada e o anel que ele pretendia dar a Isabell estavam lá. Até que passar um tempo no mar não seria tão ruim, mesmo que com pessoas tão barbaras como aquelas. Johan andou em direção à proa e olhou o horizonte o sol começava a nascer e um novo Johan também.
Johan não sabia como seria uma vida com, os como ela começara a chamar “renegados”, eles às vezes eram brutais, grosseiros e porcos, mas sabiam muito da sabedoria do mar Johan sempre ouvia historias, lendas de aventuras vividas pelos renegados, ele não conversava muito a única pessoa que conseguia fazer Johan falar era Benjamim, um jovem moreno de mais ou menos 19 anos, passara a vida no mar, sendo criado pelo capitão que o transformou numa pessoa nobre e de coração bom e era por isso que Johan falava com Benjamim, pois era a única pessoa naquele navio que conseguia entender ele. O capitão era um frouxo que só pegava “peixe pequeno” por medo de afundarem seu navio e sua tripulação só não fazia motim, pois eles tinham medo do 1º imediato, que devia sua vida o capitão e nunca ficava de lado oposto, Benjamim costumava o chamar de delegado, pois mantinha a ordem no navio, mas quem mandava era o capitão que andava assombrado por sem querer ter roubado um grande tesouro de uma pequena ilha, infelizmente aquele tesouro já tinha dono e não era um “peixe pequeno” era um dos piores e mais sanguinário, ele não afundaria seu navio, mas antes o limparia com o sangue do capitão e dos marujos que estivessem no barco. Na noite em que eles festejavam o ouro e o repartiam, tomavam vinho e rum barato, Johan percebeu não só o inicio de uma tempestade, mas velas negras que balançavam a fúria do vento a bombordo um navio de madeira escura preparava os canhões.
–Johan! Johan! Chamou benjamim ao lado veja – ele apontou para o navio, Johan teve que frechar os olhos para ver o navio. – não temos a menor chance – ele começou rezar por sua vida.
–Não se fugirmos agora ainda tem um tempo – disse Johan olhando para o bote atrás de si
–Boa ideia, vamos lá pegar as nossas coisas. – saíram devagar se todos do navio soubessem o que estava por vir, talvez o plano deles não funcionassem, eles desceram ao porão e pegaram as suas coisas, Johan percebeu benjamim tirando um pouco de ouro de um dos caras, tudo bem eles iam morrer mesmo.
O outro navio se aproximava cada vez mais eles jogaram tudo dentro do bote e já estava começando a descê-lo quando Benjamim se lembrou.
–Eu tenho que chamar o capitão – eles trocaram olhares confusos – por favor, ele é como um pai. – Johan olhou para benjamim
–Tudo bem, mas vai rápido.
Meia hora depois o navio tremeu e sacudiu a chuva começou a cair fina, Johan desceu mais o barco com medo de o pegarem, onde está Ben ele já devia ter voltado, ele olhou pra cima na esperança de vê-lo e viu o que não queria, um de seus companheiros na lavagem do deque sendo jogado por um pirata todo tatuado, ele ouviu gritos e o 1º dando ordens a quem estivessem de pé, vamos Ben, volte logo ele pensou, desceu mais um pouco o bote e olhou para baixo uma queda dali seria feia no mesmo momento alguém lá em cima cortou a corta que unia o bote ao barco, talvez tentando evitar que alguém fugisse, Johan entrou em queda livre e caiu com todo seu peso em cima do pé direito, graças a deus o barco não tinha nenhum furo, ele estava a salvo porem o ouro tinha sido jogado no mar. Mas isso não o livrava dos gritos de seus companheiros, ele se lembrou de Benjamim e se lembrou de que na primeira noite no navio ele dormiu atormentado pelas lembranças de Isabell e agora ele dormiria atormentado pelos gritos dos seus companheiros. A chuva aumentou e logo se tornou uma tempestade, afastando ele do navio, dos gritos e dos mortos, mas para leve e doce melodia de uma das coisas mais temíveis e desejáveis. Johan acordou com a melodia, ele tinha um péssimo pressentimento do que poderia ser ele tentou ver na agua, mas estava muito escuro.
A nevoa marinha estava densa, o que deixava o tom melodioso ainda mais misterioso, um barulho na água o faz ficar atento, poderia ser qualquer coisa, mas poucas coisas no mundo produziria uma melodia tão bela. Ele sabia que seria seu fim, pelo menos veria uma sereia.
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