Notas iniciais
Oi galera! Tudo bem? Olha trabalhei os últimos dias, em dois novos capítulos para vocês, e espero que curtam!! Desculpem tambem pela demora em postar, nos últimos dias estava sem o computador, e só pelo celular era difícil. Bem, espero que gostem da história, e por favor comentem curtam, e me digam oqye estão achando sobre a história. ♥ beijos ................... Lara

A criatura estava em pé empalhada sob a mesa, que amarrotada de papéis e poções, exprimia-se para abrir espaço para mais um artefato. Em pé, em frente ao móvel, estava o jovem garoto, com uma túnica azul cobrindo-lhe dos ombros aos pés. Prostrava-se em frente a pia, lavando algumas aves e animais que seriam empalhados. Sons de batidas na porta emergiam de um canto escuro na pequena sala, o jovem garoto apressou-se a abrir a porta, e deixa-lá aberta, para que um senhor que aparentava ter pouco mais de quarenta anos adentrasse o pequeno chalé.


– Vejo que está empenhado em suas funções Penator. — disse o senhor, que se acomodava em uma cadeira no canto da sala.


O jovem garoto revirou os olhos para o senhor, soltando uma pequena risada. Continuou a lavar os animais, sendo observado pelos olhos assustados que o encaravam. Sobre sua mesa havia tesouras, colas, poções, e artefatos dos mais diversos reinos. Ele deixou os animais secando em uma espécie de bafo que vinha da lareira. Puxou uma cadeira para junto do velho senhor, e começaram a falar em línguas estranhas.


– Têm certeza de que quer seguir com isso? — perguntou o velho.


O garoto assentiu com a cabeça, as mãos começavam a soar, e os olhos não se mantinham fixos no professor. Por um momento a casa ficou em silêncio, até mesmo a floresta parecia estar apagada, o vento parecia ter parado de circular, era como se o tempo, estivesse parado. O velho abriu os olhos, segurando firmemente no braço do garoto, o terror começou a percorrer-lhe a espinha, o velho balbuciava palavras que pareciam não ter sentido, quanto mais sinais fazia, mais a claridade ia sumindo, ficando cada vez mais escuro.


– Senhor! Por favor, fale comigo. — dizia o garoto, sacudindo o velho senhor.


O velho parou e voltou-se para o garoto, deixando-o aflito, levantou-se, fazendo tudo a sua volta levitar, e atirar-se contra as paredes, os animais empalhados caiam ao chão, se estilhaçando, a casa parecia estar explodindo, o chão começava a tremer, e o velho ficava com a aparência mais ameaçadora.


– VOCÊ MEXEU COM O QUE NAO DEVIA PENATOR, FILHO DE FAUST. SUA SENTENÇA CONTRA A MAGIA VIRÁ COM O TEMPO, ESTEJA PRONTO. — disse o velho, em um último suspiro, antes de cair no chão.


– Senhor! — disse o garoto, indo acudir o velho senhor, que tremia em seus braços.


O velho encolhia-se em seus braços, apertando os dedos de sua mão, o coração doía em seu peito, o sofrimento parecia não ter fim. Eram como mãos ásperas e afiadas arranhando cada parte de seus órgãos, como uma porção de sanguessugas se prendendo a ele, sugando suas forças, sem mesmo poder ter impulsos de pedir ajuda. O garoto falava em línguas diferentes, conjurando feitiços para acabar com o tormento de seu tutor, fez um sinal em seu peito, que começou a clarear nas dimensões do desenho, que remetia a uma estrela. O símbolo iluminava o ambiente, que aos poucos se acalmava, as prateleiras voltaram para seus lugares, os animais reconstruíram-se, assim como todos os objetos quebrados pela sala. O garoto caiu atônito ao lado do tutor, que respirava ofegante, segurando o coração que se atirava contra a parede do peito. Penator levantou-se devagar, segurando na beirada da mesa. Olhou em volta, a casa estava intacta, as roupas um pouco surradas, mas de certo, havia conseguido parar o tutor. Voltou-se para ele, que ainda estava atirado no chão, ajudou-o a se levantar, e a acomodar-se na cadeira.


Os olhos do tutor pareciam estar em devaneio, olhavam para o horizonte, apontando objetos sobre a mesa. Falando palavras que o garoto não entendia. Segurou em seu braço, arqueando as sobrancelhas e mirando fundo em seus olhos.


– Escute bem minhas palavras Penator, você mexeu com a magia, sacrificou a vida de um ente querido para seus próprios fins, e pagará por isso. — disse o tutor, com os olhos ainda sem cor. Ele movimentou o braço em direção aos objetos sobre a mesa, os dedos escolhiam um alvo, os olhos o miravam em cima do pedestal, como um estalo, a grossa casca que envolvia o objeto de estilhaçou, Penator permaneceu com os olhos virados para o chão, manteve a canção, que acalmava o ambiente, segurou na mão do tutor, que mórfico estava a olhar para ele. Os últimos suspiros silenciaram por breves instantes a casa, enquanto o aprendiz se levantava, abanando a túnica.


Estalos começavam a ruir ao fundo da casa, a floresta reiniciara seus cânticos tênues e o canto dos pássaros ecoava pela mata. Aos poucos a claridade voltou, o sol iluminava pela janela a criatura que ia se descobrindo, tocava-lhe as roupas, os braços, o rosto, brilhava como um rubi, a boca exibia um sorriso de canto, talvez, nem soubesse oque seria aquilo, os imensos olhos admiravam a vida que lhe fora dada, e o mestre, estava a admirá-la também.


°°°


O cortejo já havia acabado o sol poente podia-se ver ao horizonte, os raios dourados, tocavam-lhe a pele aquecendo-a. Suas mãos tampavam a claridade que cegava seus olhos, ao longe ele avistava o imenso séquito que seguia atrás do novo e coroado Rei. O dia nunca havia lhe parecido mais agradável como naquele dia, os brindes, as risadas, as músicas, tudo feito para sua solenidade. Seguia em direção ao topo do Vale, onde seria realizada a festa, muitas pessoas já haviam tomado seus lugares nas mesas, quando ele adentrou o salão, com ela ao seu lado. Iniciava-se mais um ritual cerimonial, horas e horas levadas a prumo, para se cumprimentar os convidados.


– Está se sentindo bem? Perguntou-lhe Thranduill.


Lûmia virou o olhar em sua direção, acenando com a cabeça. Pediu-lhe licença, indo se sentar perto de seu tio Elrond, que veio para a coroação. Ela subiu os degraus lentamente, indo em direção as mesas centrais, atravessou o ral com muitos olhos à fita-lá. Seu vestido estava entrelaçado com o véu que escorria por suas costas, branco como a neve, o vestido realçava sua beleza, assim como os adornos dourados em seus cabelos.


– Querido Tio. — disse ela, cumprimentando Elrond. Ele puxou-a para seu lado, para que ali ficassem a falar sobre os anos que se passaram.


– Vejo que está mais bela do que antes, querida Lûmia. — disse Elrond. Segurando em sua mão. Lûmia soltou uma pequena risada, sentando-se ao lado do tio, conversaram durante a cerimônia de recepção de Thranduill. Arwen não estava, dizia Elrond, havia ido para o reino de sua avó Galadriel, e não voltaria dentro de alguns anos.


Aos poucos se observava a chegada de diversos líderes políticos aliados de Thranduill. Lûmia fitou com o olhar, os pequenos homens que entraram no salão acompanhados de suas respectivas. Ela ficou a acompanhar o movimento deles pelo salão, olhando para cara um dos rostos, a fim de reconhecê-los. Estavam todos ali, Thrain, Balin, e até mesmo um primo distante de Thorin que Lûmia não se lembrava do nome, e por último adentrando o salão, apareceu Thrór.


Lûmia ficou estática, segurou firmemente na barra da toalha, controlando-se para não sair correndo do salão. Thrór pareceu sentir o olhar de Lûmia sob ele, virou o olhar encarando-a revelando um sorriso sarcástico no canto do rosto. Ela virou-se para o tio, segurando uma taça de vinho na mão, a respiração ficava mais ofegante, ao passo que Thrór se aproximava de Thranduill. Pensamentos e dúvidas começaram a surgir em sua cabeça, como antes acontecerá com ela e Thorin, o pânico de Thrór desfazer o tão aclamado romance, não passava despercebido, pelo suor que escorria em sua testa.


– Lûmia, você está bem? — perguntou o tio. Ela levantou-se da mesa antes que pudesse responder à pergunta do tio, desceu as escadas, passando ao lado de Thrain, que não notou sua presença. Thranduill ao longe notou a pressa de Lûmia, mas cercado por seus convidados não conseguiria ver oque estava havendo.

Ela perambulou um pouco pelos corredores que cercavam o grande salão, torcendo para que nada fizesse Thròr. Entrando por uma passagem lateral, estava Ophélia, acompanhada de um guarda, ela notou a presença de Lûmia, e caminhando lentamente, veio carregando repleta de sarcasmos, seu amante.

– Ora só princesa, a festa acabou para você? — perguntou — lhe Ophélia. Segurando-se nos braços do companheiro, que assim como ela, estavam bêbados. Lûmia teve tempo de se levantar sem responder ás provocações de Ophélia, que ria ao ver a cara de indignação da princesa. Há muito ambas entraram em uma rixa amorosa, assim como Lûmia, Ophélia também desejava o coração do jovem Rei Thranduill.

Ophélia era capitã da guarda do palácio, e por isso tinha afinidade com Thranduill, desde que eram pequenos. Sempre tentou ser correspondida em seus sentimentos, mas para Thranduill, tudo era questão de tempo para que ela notasse seu desinteresse e o esquecesse. Durante os dois anos em que ele ficou em Valfenda com Lûmia, Ophélia garantiu seu lugar como uma das eleitas para o trono de rainha. O amor oferecido por Ophélia poderia ter as mais belas qualidades e intenções quando perto de Thranduill, porém em seu gélido coração, não havia tempo para conquista, ele seria dela, mesmo que para isso os fins tivessem que mudar. Os negros olhos de Ophélia confundiam-se com as vestes sempre escuras que optava por usar, o cabelo dourado, caia com uma trança por trás das costas, carregando sempre consigo um arco e um par de adagas.

Lûmia voltou calmamente para a festa, olvidando-se das provocações de Ophélia. Pôs-se a entrar com a cabeça erguida, para que nada se estranhasse, olhou para Thranduill no alto do salão, abaixo das duas grandes árvores, com um imenso e belíssimo sorriso reluzindo em seu rosto. Ele pegou uma taça, erguendo-a para o alto, sendo acompanhado por todos os presentes, os olhares foram-se voltando para Lûmia, que com o coração em pulso sentia as palavras de Thranduill soarem como facadas em seu peito.

– Eu proponho um brinde, à Lûmia, a princesa de Valfenda, futura Rainha Teleri. — disse Thranduill, levantando a taça, junto com a saudação em coro feita pelos convidados. O coração de Lûmia pulava de seu peito, enquanto palavras e lembranças ecoavam em sua mente, "proteja-o Lûmia, proteja-o".