A Seleção de Damon - Interativa

13 Sarah, Samantha, Kristen e Melony


Pov Sarah

Entreguei outro cobertor a um morador de rua, Oito. Havia muitos deles ali, mas era claro que eu não me assustava mais com eles. Eles me conheciam, e eu os conhecia. Desde pequenina, sentia vontade de ajudar as pessoas, ficar próxima da natureza e ser eu mesma, não uma Dois mesquinha – já que muitos da Dois são. Sendo assim, tenho poucos amigos. E pelo simples fato de sempre querer ajudar, comecei a me meter em problemas.

Descontava toda a minha vontade de ajudar ao próximo auxiliando em campanhas sociais, já que meu pai é político.

Tiro o último cobertor da mochila e entrego á uma mãe que carregava um pequeno recém-nascido nos braços. Corro imediatamente dali; por mais que quisesse, imensamente ajudar, o Jornal logo começaria, e queria muito estar lá para vê-lo.

Me inscrevi na Seleção pelo fato de sempre adorar o Príncipe Damon!

Após alguns minutos de intensa correria, chego em casa. Suada, mas em casa. Abro a porta e vejo que todos os membros da minha família já me esperam, o olhar de todos segue meus passos – e começam a cochichar quando me ajeito no fundo da sala-de-estar.

– Onde estava, querida? – Alguém me pergunta.

– Estava dando uma volta. – Respondo. Quase roendo as unhas de tanto nervosismo. Mas não podia dar-me á tamanho luxo, a maior parte das pessoas que estavam na sala, sabia que eu roía as unhas quando estava nervosa.

Após alguns segundos todos voltam a ver o Jornal, o que agradeço mentalmente.

– Sarah Fox Austin Green, 16 anos, Casta 2.

No mesmo momento, todos olham para mim e uma salva de palmas se inicia.

Pov Samantha

Passo novamente os dedos sobre o piano. O som saia muito bem quando eu tocava;

Estava sozinha em meu quarto, tocando para me acalmar.

Ser Três era bom, conseguia exercer minha profissão como escritora e minha vida, era razoável – para ser sincera, confortável.

Perdi meu pai aos catorze anos; moro com minha mãe e irmão – médica e arquiteto. Amo-os muito, nem sei o que faria sem eles.

As notas do piano começaram a ficar graves conforme mudava de assunto — mentalmente.

Gostaria muito que recrutamentos voluntários femininos fossem permitidos. E se eu pudesse participar, seria a primeira a se candidatar. Sim, faria isso e não me arrependeria. Sempre gostei de coisas de meninos, como filmes de ação, HQs, carros etc... Amo tudo isso apesar de ser tímida.

Após tocar mais um pouco, levanto-me e resolvo ir para a sala-de-estar.

Minha mãe, já estava lá, e me irmão deveria estar estudando.

– Como vai, “sabe tudo”? – Minha mãe pergunta.

– Estou ótima – digo me sentando ao lado dela.

Olho para a tela e inesperadamente vejo-me. Um sorriso invade minha face.

– Samantha With, casta Três,

Pov Kristen

Um! Dois! Três!

Um! Dois! Três!

Um! Dois! Três!

Um! Dois! Três!

Um! Dois! Três!

Caio sobre a confortável poltrona do meu quarto após sentir um forte cansaço em minhas pernas.

Se em algum dia eu havia me sentido cansada, hoje, havia subestimado meus objetivos; parecia um saco de batatas amassado e destruído.

Sou da Dois, não faço nada da vida. È bom, não tenho comprometimento com ninguém e posso ir á festas e noitadas sem que alguém se importe.

Meus pais são donos de uma rede de lojas de perfumes, conhecida internacionalmente.

Eles se importam comigo, e eu não me importo com eles. Somos uma boa família assim.

Levanto novamente e coloco minhas sapatinhas com stress de cristal. Essa é uma das minhas preferidas, me sinto muito confortável com ela. Além do mais, posso jogar na cara de todas as que não tem o mesmo “potencial” que eu, o que posso comprar e fazer. Como sendo a filha mais nova de 3 filhos, e a única que ainda mora com os pais, tenho tudo o que quero; faço o que bem entendo sem me importar com o quê os outros irão pensar.

Após sentar no confortável sofá, ligo a TV e começo a assistir ao Jornal Real;

Uma série de Selecionadas ridículas e patéticas aparecem na tela. Nenhuma delas se comparam á mim.

Elas não valem nada.

A maioria, tem sua personalidade estampada na cara; uma carinhosa demais, outra atirada demais, mais uma com cara de anjo e outra com cara de... bem, ela era pobrezinha.

Sorrio com minha observação.

O príncipe será meu. Eu irie vencer o que quer que esteja em meu caminho; Seria bom que ninguém estivesse entre ele!

– Kristen Van Der Ville, 18 anos, casta Dois. – Pulo de alegria e começo a gritar, feliz, como nunca estive. Principalmente ao ver um enorme sorriso no rosto do príncipe.

Pov Melony

Revejo novamente os formulários da empresa de caridade dos meus pais. Sendo da Três, nós possuímos uma empresa que ajuda pessoas carentes. Muitas pessoas necessitam da nossa ajuda.

– Como está aí com os formulários? – Meu namorado Josh, pergunta.

– Estou revisando. Preciso ver se há algum erro. Se alguma coisa der errado, a culpa não só cairá sobre mim, mas também á todos os que precisam. – digo e fecho a pasta com todos os papéis.

– Você, sempre tão generosa! – Ele me dá um beijo na bochecha e volta a mexer em seus papéis. Sorrio com sua simples, mas recompensadora atitude.

– Parem de mi-mi-mi e voltem ao trabalho. – Meu pai diz ao entrar em nosso escritório (sim, trabalhamos juntos) ele tenta conter um sorriso – já está tarde, Melony, por que não vão para casa?

– Já estava terminando, aqui. Josh, você já terminou? – Indago.

– Posso deixar isso para outro dia. Quero ficar esta noite com você – Ele coloca o paletó e me beija.

Mas somos interrompidos por um hãm-hãm; meu pai ainda estava conosco. Sinto meu rosto corar como um pimentão.

– Podemos ir?

– Claro, Melony.

Josh me acompanhou até em casa. Enquanto o Jornal Real se desenrolava, fiz um grande “balde” de pipoca e sentei-me junto ao meu amado no sofá.

– Samantha With, 17 anos, casta três

– Kristen Van Der Ville, 18 anos, casta Dois

O apresentador pigarreia antes de continuar:

– Melony Luxx, 20 anos, casta Três

Me levanto bruscamente ao ouvir meu nome. O que eu estava fazendo ali? Alguém havia me inscrito! Olho para Josh, que carregava uma expressão pesarosa em seu rosto.

– O- o que... – Não conseguiu terminar a frase. Josh me fez sentar ao seu lado novamente. Ele desviou o olhar do meu antes de dizer:

– Descupe-me.