Notas iniciais
Boa Leitura!




—Senhorita? — A voz calma e delicada de Sara soou pelo quarto.

Não respondi apenas me aconcheguei através dos cobertores que me protegiam do frio e da tempestade que caia lá fora, era como se até o tempo sentisse a dor que estava sentindo. Eu não estava no meu quarto e não fazia a menor ideia de quanto tempo eu estava nos quatro das minhas criadas, apesar de ser pequeno ele era reconfortante.

—Bella—Sara insistiu—Conte-me o que aconteceu, só assim eu poderei ajudar.

Eu sabia que ficar naquela cama fugindo não adiantaria nada, em algum momento eu teria que encarar Austin. Eu teria que desabafar com alguém...

Me levantei, sentindo cada parte do meu corpo implorar para que eu voltasse a me deitar e me esconder novamente. Sara percebeu minha deixa e se sentou ao meu lado, ela bateu as mãos nas pernas indicando que eu deitasse em seu colo e não recusei e antes de mais nada as lágrimas já haviam voltado. A dor já havia me mandado um novo cartão de visita como se “Olá Bella, dormiu bem? Pois bem eu voltei e vou te deprimir pelo resto da vida” Sara começou uma caricia em meus cabelos, enquanto eu expirava fortemente. Tomei coragem e a contei, desde quando eu conheci Christopher á minha saída repentina. Ela ouviu calmamente, e em nenhum momento ela parou com a caricia em meus cabelos. E depois de um longo tempo em silencio ela finalmente se pronunciou.

—Você quer que eu seja sincera?

Concordei com a cabeça.

—Bem, eu ainda sou muito nova aqui, mas nunca, nunca, nem uma vez Austin foi capaz de magoar alguém. Ele é uma pessoa especial e todos falam de sua bondade e generosidade e eu acredito nisso, Bella. Pra mim ele ainda é o príncipe dos contos de fadas, um amor como o seu não seria tão fácil assim. Imagina como ele deve estar se sentindo, você não o deixou falar. Você nem ao menos deu-lhe a chance de se explicar. Você jogou mil pedras em cima dele e simplesmente—ela inspirou— eu não sei, Bels. Mas você não pode fugir para sempre, vocês têm que conversar. Ele te ama e você também o ama, mas vocês não assumem isso.

Me levantei do seu colo, espantada. Olhei para os olhos dourados brilhantes de Sara procurando alguma evidencia de deboche ou coisa do tipo, mas ela me encarava seria, sem dúvidas ela não estava brincando. Eu não amava Austin e tenho certeza de que ele também não me amava. Porque raios ele me amaria e estaria nos braços de outra?

—EU. NÃO. O. AMO—disse revirando os olhos.

—Aé, então me diz, o que você sentiu enquanto dançava com Austin e quando você dançava com Christopher? Como você se sentiu enquanto estava nos braços de Austin? Como você se sentiu quando ouviu a conversa das selecionadas? O que você sente quando ele te beija?

As perguntas eram tamanhas que me senti confusa, eu não saberia responder Sara, porque nem eu mesma sabia quais seriam essas respostas.

—Nada—menti—Eu não senti nada, Sara.

Ele me olhou com os olhos semicerrados, eu a encarei de volta, sem demostrar o que realmente estava sentindo e acho que deu certo pois logo ela desviou os olhos do meus e sussurrou bem baixinho.

—Então eu não sei o que a senhorita faz aqui, ele não merece um amor não retribuído.

Ela falou tão baixinho que foi quase impossível ouvir, eu estava em choque, aquelas palavras foram como um tapa na minha cara.

Mas será mesmo que Sara estava certa? Será que o príncipe de Illéa, realmente nutria sentimentos por mim? Ele me amava? E eu, será que estava apaixonada?

Nem um vestígio de revenda-las estava perto. Mas uma coisa não saia da minha cabeça. Eu amava Austin Schreave?

♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Aquilo não saia da minha cabeça. Eu o amava? Nunca pensei que o amor fosse tão complicado!

A chuva caia lá fora, calma e serena. Um desejo incontrolável de ir lá e deixar com que os pingos da chuva me refrescassem, que tirassem toda essa sujeira de mim... Mas aquilo foi impedido pelo tremer dos meus braços. Meu casaco, era lindo, mas não me protegia muito do frio. Como disse a mim mesma eu não poderia fugir para sempre e estava decidida acabar com essa história, eu iria encontrar Austin e pedir para que ele me mandasse de volta pra casa. Bem, na verdade queria isso. Eu queria estar nos braços de Eliseu, meu amigo, meu único amigo, que me abandonou justo na hora em que eu mas precisava dele. Queria voltar a cuidar de Papai, falar pra ele que eu havia voltado para casa e tirar da sua cabeça que nunca mas voltaria para casa como minha mãe. Sim, minha mãe. A mãe que eu nunca cheguei a conhecer. Mas aquela que eu tinha sonhos e pesadelos, na verdade eu nunca contei isso a ninguém mas eu sonhava com minha mãe, sonhava com ela me colocando para dormir, com ela cantando canções de ninar...Me dizendo aquelas três palavrinhas. EU TE AMO. Pode parecer maluco, apesar, minha mãe morreu ainda no meu parto e eu tinha total culpa nisso. Tinha pesadelos que ela deveria me odiar. Eu a matei, eu não deveria ter amor algum. Eu matei minha própria mãe.

Foi com esse pensamento que eu entrei no “Saguão das selecionadas”. Algumas selecionadas já estavam lá e pude reparar que Paloma lia uma das revistas de modas em um canto da sala. Evitei aquele lado, e fui falar com Maria.

—Olá.

A saudei com um sorriso, o qual ela não retribuiu.

—Oi—Ela sussurrou.

Ignorei a forma como ela me encarava e voltei a atenção ao caderninho que ela rabiscava.

—É lindo—Apontei para o desenho de um tordo que ela havia desenhado.

—Obrigada, Anna.

Franzi as sobrancelhas.

—Anna? —Debochei—Me chame de Bella, Maria. Nós somos amigas!

Ela abriu a boca pronta para responder, mas foi aí que Paloma apareceu.

Ela usava um vestido de mangas longas com um decote exagerado. Tentei ao máximo ignorá-la. Mas foi impossível quando ela apertou os ombros de Maria.

—Bem, a Maria não é mais sua amiga—Sua boca estava encharcada de gloss enquanto ela soltava as palavras— Ela percebeu o quanto você é uma má influência, aqui. Agora ela é uma das nossas.

Olhei para Paloma, que tinha uma expressão séria. Depois olhei para Maria que mantinha a cabeça abaixada. Aquilo só podia ser brincadeira. Ri, com a situação. Com certeza elas estavam pregando alguma pegadinha em mim.

—É verdade, Anna—Maria levantou a cabeça e sorriu. —Eu sou amiga de Paloma agora e nós não nos relacionamos com pessoas igual a você, Bella. Desculpe.

Meu queixo estava lá em baixo uma hora dessas. Não, não poderia estar acontecendo! Isso só poderia ser maldição.

—Ou melhor—Paloma se intrometeu—Pessoas como nós não nos relacionamos como pessoas igual a você.

Nesse momento as selecionadas que estavam no saguão, surgiram atrás de Paloma. Beatrice, Lanna, Laura, Diana, Carla e Alex. Todas elas contra mim? Senti as lagrimas pesarem em meu rosto. Eu estava sendo humilhada por aquelas garotas. Mas isso não importava, o que importava era que minha amiga estava ali, ela estava contra mim!

—Maria—Sussurrei—Você não sabe o que está fazendo, você não é assim, nós não somos assim. Nós somos amigas, melhores amigas, lembra? —Apontei para as garotas atrás dela. —Você não faz parte desse grupo, você não é como elas, Maria.

Meu apelo se destruiu através de suas palavras cruéis e vingativas.

—Você é tão patética, garota. Você acha mesmo que eu seria capaz de ser amiga de uma pessoa como você. Eu sou Maria Stürmer, sou filha do empresário mais bem sucedido de Illéa e eu nunca, nunca—ela riu—Me relacionaria com uma pessoa como você. Como uma Cinco.

Ao dizer aquelas palavras a dor no meu peito hoje de manhã se aprofundou. Como ela podia? Como ela me enganou esse tempo todo? Como eu pude? As lagrimas debateram-se contra meu rosto, que a esse momento estava pálido e frio. Eu sentia a risada fria e vitoriosa de Paloma e suas amigas. Mas eu só conseguia me concentrar nos olhos negros e impiedosos daquela que um dia foi minha amiga.

Eu não poderia deixar isso assim.

—Poxa—eu suspirei—Você deveria ser atriz, sabia. Você atuou muito bem em “A garotinha humilde e verdadeira” que todo mundo acreditava que fosse. E olha só agora, a grande e brilhante Maria Stürmer, tirou a máscara e revelou a grande vaca que existe através dela.

Sai da sala às pressas antes que qualquer uma soltasse seu veneno, não demorou muito para chegar ao corredor que levava para o jardim. Hesitei quando vi a chuva que caia forte, mas ao sentir seu aroma se misturando ao barro e aos perfumes das flores me rendi.

Não demorou muito para que eu estivesse a uma certa distancia do castelo com as lagrimas se misturando ás gotas de chuvas que encharcavam meu suéter.


Na verdade eu não me importava com mas nada, me deitei na grama molhada e fiquei ali, apenas deitada. Sentindo a chuva se impactar com a garota pálida e sem vida.

Eu tremia, eu tremia muito, estava muito, muito frio. Mas nada importava enquanto as lagrimas ainda se misturavam com as gotas de chuva. Eu não sei quanto tempo estava ali. Horas e horas com certeza haviam se passado. Eu sentia meus lábios perderem a coloração rosadas. Eu sentia minha pele ficando fria. Eu sentia minhas pálpebras se fechando. Eu sentia meu coração desacelerando...

Eu não sabia o que estava fazendo. Eu não queria me matar, eu tentei várias e várias vezes unir forças e me levantar, mas a única coisa que conseguia era me machucar mais ainda. Eu gritei, mas foi inútil, eu estava tão longe e a chuva caia forte, levando os meus gemidos de dor aos ventos. Eu não aguentava mais, então fechei os olhos e me imaginei nos braços de minha mãe. Imaginei um embrulho rosa nos braços de uma mulher doce, imaginei meu pai me acariciando, falando que me amava e imaginei meus lábios novamente nos de Austin, imaginei como seria se fossemos uma família, imaginei as criancinhas louras e com o rostinho vermelhinho correndo por esse castelo. Eu estava lá, era como se essas memorias fossem reais... Mas meus olhos se abriram, meu coração acelerou, minha cabeça latejou e meu lábios se acenderam como chamas.

—Bella, por favor, por favor, por favor...

Era ele, era Austin... Ele me balançava de um lado para o outro fazendo com que meus ossos doessem e reclamassem.

—Austin—sussurrei.

—Oh, meu Deus—ele me apertou contra seu peito, ele chorava. Ele chorava de verdade, eu podia sentir suas lagrimas na minha pele fria—Eu pensei, eu pensei que...Oh, por favor, por favor, não faz mas isso.

Ela passou as mãos nos meus braços que estavam encharcado com o casaco. Ágil ele o tirou, eu senti meus braços nus tremerem. Ele também tirou seu casaco encharcado, depois tirou sua única camisa e me cobriu. Eu senti seus braços tremerem, por conta do frio. Eu vi que ele ainda chorava. Eu vi ele pedindo para que eu ficasse. Eu vi ele me abraçando, tentando passar o calor de sua pela nua para mim. Eu vi quando ele me levantou e me abrigou entre a curva de seu pescoço. Eu vi quando ele se aproximou, ele cheirava tão bem, tão Austin...Eu vi quando ele disse apenas e exclusivamente a mim que me amava.

Ele não gritava, ele se acalmou e me abraçou ainda mais. Mas pude perceber que ele estava perdido, as lagrimas ainda caiam. E ele não se importava com isso. Ele abriu a porta e me colocou em algo confortável. Ele me pediu que eu não fechasse os olhos. Eu apertei sua mão, eu tentei, eu tentei falar para ele não me deixar, mas ele já não estava no meu campo de visão. Eu sentia meu corpo tento convulsões, e senti minha pele esfriar e encharcar a camiseta de Austin, eu estava pronta para quebrar minha promessa e fechar os olhos, mas ele apareceu de novo. Ele me embalou em seus braços e me levou a um ambiente doce e quente, em alguns minutos eu já estava nua, banhada pelo calor da água que de alguma forma tentava levar a tristeza e frio da minha pele. Eu sentia as mãos de Austin percorrer pelo meu corpo, me aquecendo. Ele me tirou de lá e me colou roupas macias e quentes, eu o ouvi conversando com vozes distantes e femininas. Em menos de segundos eu estava deitada em algo macia e confortável. Eu ainda tremia, meus lábios ainda estavam sem vidas...Mas meu coração batia forte, ele se acelerava todas ás vezes que Austin me tocava, toda vez que ele me abraçava em seus braços fortes e quentes. Meu coração acelerava quando ele dizia que me amava...

Eu senti um gosto ruim em meus lábios, depois senti as dores e as tremedeiras se acalmarem. Eu ouvia a voz de Austin tão calma e tão macia. A porta se fechou e um silencio se reinou. Eu não conseguia abrir os olhos, mas sentia as lagrimas se acumularem neles, eu sentia o frio e a tremedeira voltarem, eu sentia a morte vindo...

—Austin—Eu me esforcei.

Nada.

—Au...

Eu não conseguia.

—Bella? Não, Bella, eu estou aqui. Droga—ele gritou—eu estou aqui anjo, eu estou aqui, eu só fui... eu awh—ele gemeu—eu te amo, pequena. Eu estou aqui.

Seus lábios foram de encontro aos meus e ele me aqueceu. Ele não parou até que eu finalmente me perdesse em seus braços, num sono profundo. Mas eu tinha que falar, eu tinha. Eu sabia. Naquele momento eu tinha a minha confirmação. Meu coração ansiava por isso. Eu o queria... Eu o amava...

—A-Austin S-schreave—eu coloquei minha mão gélida, em seu coração— E-eu te A-amo.

Trailer A seleção de Bella Miller

Notas finais
Então??????????? Esse foi o CAPÍTULO MAIS PERFEITO QUE EU JÁ FIZ. E o traileeeer vocês virão??? o que acharam???? Bjsssssssssss :*