A Seleção - Versão Schreave
4 Capítulo 12
Notas iniciais
Olá amores! Desculpem-me pelo atraso desta última vez e pelo tamanho do capítulo. Mas essa cena é essencial ❤️ Obrigada pelos comentários e as críticas, vocês me fazem seguir e continuar a escrever. Boa leitura!
O Jornal Oficial foi tranquilo e logo após o mesmo fomos jantar. Todas as selecionadas pareciam nervosas quanto às perguntas que seriam feitas na próxima semana, mesmo as que mais sabiam disfarçar, era visível em seus olhares certa preocupação para responder as melhores perguntas ou quem mais iria encantar o público. O que de me incomodava um pouco, pois não seria o público que iria escolher, e sim, eu. E eu não iria basear-me em uma série de simples perguntas repetitivas para escolher uma esposa. O amor é mais que isso, não?
Contudo, não queria entregar-me por completo à essas preocupações, afinal daqui a uns 10 minutos – já que o jantar já está no fim e America foi para seu quarto – eu iria finalmente conversar e ser uma pessoa comum após longos dois dias. Era incrível como entre nós não haviam números, eu não era Um e ela não era Cinco. Éramos livres dessas prisões que são as castas.Segui para o seu quarto, agradecendo a Deus por não encontrar nenhum selecionada no corredor, não queria que elas observassem certa preferência por America e lhe pressionassem mais ainda como já pressiono por ser a única com que já tive um encontro até agora. Bati no seu quarto e quase que imediatamente com um sorriso tão alegre que fez com todas as minhas esperanças se fortalecessem. Se pudesse e se America me amasse poderia terminar A Seleção ali, mas era tudo muito rápido. Me sentia numa contradição horrível, precisava de tempo para ter certeza da minha escolha, mas com ela era tão intenso que parecia fazer muito tempo. Todos esses pensamentos passaram no segundo que ela abriu a porta.— Mas onde estão suas criadas?. — Foram embora. Eu as dispenso sempre que volto do jantar. – disse aquilo com a maior naturalidade.— Todos os dias? — Sim, claro. Posso muito bem tirar a roupa sozinha, obrigada. – levantei a sobrancelha ao ouvir aquela frase com uma ambiguidade engraçada. Assim que ela percebeu o que havia dito enrubesceu.— Pegue um casaco. Está frio lá fora. – seus olhos pareceram se iluminar ao saber que iríamos ao jardim, entrou no quarto e pegou um casaco surrado marrom seu. Pude ouvir alguns sons de conversa e me senti levemente incomodado, não queria que America fosse perturbada pelas outras concorrentes. – Senhoritas. – falei acenando a cabeça educadamente. Celeste olhou para mim de um modo desejável, o que me fez cogitar em meu próximo ser com ela, contudo quando America saiu do quarto seu olhar cravou nela com um ódio tamanho que pude sentir minha boca travar em uma linha fina. Já havia descoberto o seu tipo, ela queria a coroa. Não serviria como esposa, apenas como diz meu pai “algo para aproveitar” durante a seleção. Abanei a cabeça para concentrar-me no momento. Odiava como essas preocupações iam e voltavam.— Eu disse que as garotas que ficaram assustadas com o ataque acabariam ficando. — Você não imagina o alívio que foi — e de certo modo era verdade. Ainda sentia o medo de minha esposa já ter ido embora.— Achei que isso fosse acabar ajudando. Quer dizer, é complicado ter que escolher uma entre várias meninas. Não ficaria mais fácil se as circunstâncias eliminassem algumas para você? — Suponho que sim. Mas não seria fácil de qualquer forma. – não pude esconder como não gostava de quando America falava como se ela não fosse uma possível escolha. Ela era melhor que qualquer uma ali. Contudo não era apenas isso, ela não via o meu lado, às vezes por não me conhecer mesmo e explicar tudo aquilo a ela, era algo até doloroso. — Boa noite, senhores. – e imediatamente as portas se abriram, depois do primeiro incidente como America eles começaram a seguir minhas ordens prontamente.— Não entendi — respirei fundo, hesitando ao tentar compor as ideias. Respire fundo e tentei explica-la.— Talvez estivesse sendo um pouco vaidoso, pensando que eu valeria algum risco. Não que deseje isso para ninguém. Não é isso que quero dizer... – fechei os olhos para tentar conter meu nervosismo. — Não sei. Você vê tudo o que estou arriscando? — Hã... não. Você está aqui com sua família dando conselhos, e todas giramos em torno do seu horário. Sua vida continua a mesma, e a nossa mudou da noite para o dia. O que você estaria arriscando? – suas palavras foram como um soco. Queria ficar com raiva dela, mas tentava pensar que era porque ela não conhecia minha realidade. Ela não conhecia o que eu passava. Pude sentir minhas costas contraírem levemente, de modo que ela não percebeu, um hábito que eu havia adquirido com o tempo toda vez que pensava em meu pai.— America, posso ter minha família, mas imagine como é vergonhoso que seus pais observem suas tentativas de marcar o primeiro encontro com uma garota. E não apenas eles, mas o país inteiro! E para piorar não é um tipo normal de encontro. E quanto ao meu horário: quando não estou com vocês, estou organizando tropas, criando leis, ajustando orçamentos... e tudo isso sozinho ultimamente, enquanto meu pai apenas observa meus tropeços por não ter nem um pouco da experiência dele. Quando eu faço as coisas de um jeito que ele não faria, ele interfere e corrige meus erros. Por fim, enquanto tento realizar essas tarefas, vocês, garotas, não saem da minha cabeça. Fico agitado e apavorado demais com a presença de vocês! – respirei fundo e continuei, pude sentir a angústia tomando conta de mim, mas eu não podia para agora. — E você acha que minha vida não vai mudar? Quais são as chances de encontrar minha alma gêmea entre vocês? Terei sorte se encontrar alguém que fique ao meu lado pelo resto da minha vida. E se já mandei a moça certa para casa por não sentir nenhuma química? E se a escolhida me abandonar na primeira contrariedade? E se eu não encontrar ninguém? O que farei, America? – soltei todas as perguntas que tinha em mente sabendo que ela, nem ninguém, poderiam respondê-las, mas esperava de certo modo que ela me ajudasse. Espero que alguém me ajudasse.
— Maxon, vou ser sincera: acho que você vai encontrar sua alma gêmea aqui. De verdade. – perguntei-me se ela dizia aquilo só para me reconfortar, mas mesmo que fosse aquilo demonstrava que havia um mínimo de preocupação comigo.— Certeza? — Sua voz se encheu de esperança com a minha previsão. — Absoluta. – ela pôs a mão em meu ombro e aquele simples gesto me deu uma vontade enorme de poder cuidar dela e protege-la.— Se sua vida está de pernas para o ar, como você diz, então sua futura esposa está aqui em algum lugar. Pela minha experiência, posso dizer que o amor verdadeiro é geralmente o mais inconveniente — afirmei, com um sorriso amarelo. Era incrível como ela não percebia quão incrível ela era. Ela era minha inconveniência e não percebia isso.— Espero que você e Marlee deem certo. Ela é muito fofa. – devo ter feito uma cara estranha, pois eu realmente nem me preocupava com Marlee no momento.— É, parece que sim. – tentei soar o mais impessoal possível, mas America percebeu.— Como? Tem alguma coisa errada em ser fofa? — Não, não. É bom ser fofa. – ela desviou seu olhar e pareceu olhar para o horizonte, mas ao mesmo tempos seu olhos azuis inquietantes não paravam.— O que você tanto procura? — O quê? – falou surpresa.— Você não consegue manter os olhos parados. Sei que está prestando atenção, mas parece estar procurando alguma coisa.— Pessoas... câmeras...— Estamos sozinhos. Só há o guarda da porta. – falei tentando acalmá-la. E ela pareceu relaxada.— Você não gosta de ser observada, gosta? — Na verdade, não. Prefiro ficar fora do radar. Estou acostumada a isso — falou sem olhar para mim, encarando o chão. Era insuportável como ela parecia diminuir-se, olhos no chão, cabeça baixa, isso não fazia jus à sua personalidade forte. Mas você cresce assim quando se é um Cinco. — Você precisa se adaptar. Quando partir, os olhos do país permanecerão focados em você pelo resto de seus dias. Minha mãe ainda conversa com algumas das mulheres que conheceu durante sua própria Seleção. Todas são consideradas importantes. Até hoje. — Perfeito! — resmungou irônica — Mais um motivo para eu não ver a hora de chegar em casa. – agora seria a hora perfeita para eu tentar descobri mais sobre ela. Não adiantava ser indireto, ela era esperta demais pra isso.— America, posso perguntar algo pessoal? — Talvez. – ela pareceu levemente incomodada, mas segui em frente.— É que... Bem, noto que não gosta mesmo daqui. Você odeia as regras, a competição, a fama, as roupas e a... não, da comida você gosta — nós dois rimos sabendo que era verdade e relaxando o clima. — Você sente saudades de casa, da família... e suspeito que também de outra pessoa. Seus sentimentos estão quase à mostra. — É, eu sei. — Mas você prefere ser infeliz e sentir saudades aqui, em vez de voltar para casa. Por quê? – aquilo realmente me intrigava, seus olhos marearam e no mesmo momento me senti culpado. Mas sua resposta agora definiria tudo.— Não sou infeliz... e você sabe o motivo. — É, às vezes você parece bem. Vejo você sorrir quando conversa com as outras meninas, e está sempre muito contente durante as refeições. Concordamos nesse ponto. Mas outras vezes parece tão triste. Poderia me contar o motivo? A história toda? — É só mais uma história de amor que não deu certo. Não é longa nem emocionante. Acredite.— Ainda assim, queria escutar uma história de amor verdadeiro além da história dos meus pais. Uma que tenha se passado do lado de fora dos muros, das regras e da rotina... Por favor. – eu parecia uma criança pedindo que me contasse uma história antes de dormir, mas eu queria mesmo ouvir aquilo. Levei um bom tempo estudando linguagem corporal talvez àquela história pudesse me contar sobre America mais do que eu pudesse imaginar. — No mundo lá fora as castas cuidam umas das outras, às vezes. Três famílias compram pelo menos uma das pinturas do meu pai todos os anos, e algumas famílias sempre me contratam para cantar na festa de Natal. São nossos patronos, entende? Nós éramos como que patronos da família dele, da Seis. – pude identificar o primeiro problema aí, ele era de uma casta mais baixa, não ela. Se eles casassem seria prejudicial a ela. Mas isto também ensinou-me outra lição: America nunca ligou para as Castas, não era só comigo que ela fazia com que todos esquecessem seus números. Era com qualquer pessoa que se afeiçoasse à ela. — Quando podíamos pagar alguém para limpar ou se precisássemos de ajuda para organizar as coisas, sempre chamávamos a mãe dele. Eu o conhecia desde a infância, mas ele era mais velho que eu, tinha quase a idade do meu irmão. Eles sempre faziam brincadeiras maldosas, e por isso eu fugia deles. Meu irmão mais velho, Kota, é artista como meu pai. Uns anos atrás, uma escultura de metal em que trabalhara por anos foi vendida por uma fortuna. Talvez você tenha ouvido falar dele. — Kota Singer — demorei um pouco, mas logo seu rosto me veio a memória. Olhar altivo e orgulhoso, mas os mesmos cabelos ruivos de America. — Ficamos muito contentes por ele. Kota tinha trabalhado muito duro naquela obra. E precisávamos do dinheiro. A família inteira ficou empolgada. Mas ele ficou com quase toda a quantia. Aquela única escultura fez sua carreira decolar. As pessoas começaram a telefonar todo dia querendo trabalhos seus. Hoje Kota tem uma lista de espera quilométrica e cobra caríssimo, porque pode. Acho que ele é um pouco viciado na fama. Os Cinco em geral não ganham esse tipo de destaque. – nossos olhos se encontraram e percebemos que isso também aconteceria com ela. Se ela fosse rainha seria pior ainda, por m=um momento pensei se não estava sendo egoísta demais. — Mas não importa. Logo que as ligações começaram, Kota decidiu se afastar da família. Minha irmã mais velha tinha acabado de se casar, o que quer dizer que já não contávamos com a renda dela. Depois Kota começou a ganhar dinheiro de verdade e nos abandonou. – ela pôs a mão em meu peito para enfatizar, levantei minha mão para segurar a dela, mas ele logo retirou. — Isso não se faz. Ninguém deve abandonar a família. Manter-se unidos... é o único jeito de sobreviver. – ela continuou a história e seu rosto parecia bem enquanto falava de Kota, mas então a parte que eu temia chegou. Sua voz falhou e lágrimas começaram a descer“Nossas casas ficavam próximas, e eu saía para passear durante o dia apenas para tentar vê-lo. Quando sua mãe vinha nos ajudar, ele às vezes a acompanhava. Nós ficávamos lá, um olhando para o outro. Era tudo o que podíamos fazer — ela deixou um soluço doloroso escapar, e pude perceber que minha mandíbula estava trincada de tanta raiva que senti ao vê-la daquele estado. — Ele era Seis e eu Cinco, e há leis... E a minha mãe! Ah, se ela soubesse ia ficar furiosa. Ninguém podia descobrir. Logo começaram a aparecer mensagens anônimas por baixo da janela, dizendo que eu era linda e que cantava como um anjo. E eu sabia que eram dele. Na noite do meu aniversário de quinze anos, minha mãe fez uma festa e convidou a família dele. Em determinado momento, ele me tirou de canto e me entregou um cartão de aniversário, dizendo que eu devia ler quando estivesse sozinha. Quando finalmente consegui, notei que o cartão não trazia o nome dele ou dizeres como “feliz aniversário”. Apenas as palavras: “Casa da árvore. Meia-noite”. – pude perceber o que aquilo significava. Ela havia transgredido o toque de recolher por ele. Ele havia arriscado a vida dela por um homem que a deixou! Era mais que frustrante saber que ele havia a deixado, era repulsivo saber que alguém era capaz disso.”— Meia-noite? Mas... — Você precisa saber que eu violo regularmente o toque de recolher. — America, você poderia ter ido parar na cadeia! — falei tentando conter toda minha fúria.— Na época, não parecia ser grave. Naquela primeira vez, senti que estava voando. Conhecia sua caligrafia das outras mensagens, e fiquei feliz de ele estar sendo esperto o bastante para manter tudo em segredo. Lá estava ele, imaginando uma maneira de ficarmos sozinhos. Eu não conseguia acreditar que ele queria ficar a sós comigo. Naquela noite, esperei no meu quarto e fiquei observando a casa da árvore no quintal. Perto da meia-noite, vi alguém subir os degraus. Lembro que fui escovar os dentes de novo, só por garantia... Eu me esgueirei pela porta dos fundos e fui para a casa da árvore. E ele estava lá. Era... inacreditável. Não me lembro do começo, mas logo confessamos nossos sentimentos um pelo outro, e não podíamos parar de rir, tão felizes que estávamos por sermos correspondidos. Eu nem ligava para o toque de recolher ou para a mentira que teria que contar aos meus pais. Não ligava para o fato de ser Cinco e ele, Seis. Não me preocupava com o futuro. Nada podia ser mais importante do que o amor dele por mim... E ele me amava, Maxon, ele me amava... – queria abraça-la e dizer que eu poderia cuida-la. Queria poder fazer com que ela esquecesse de tudo. Queria poder apagar todas essas lembranças dolorosas. Queria ir atrás dele e fazer com que ele se ajoelhasse e pedisse perdão. Mas ao mesmo tempo em que sentia tudo aquilo estava em choque. Fui covarde e continuei a ouvindo. Se soubesse que causaria tamanha dor deixaria tudo quieto em suas memórias.
— Ficamos juntos em segredo por dois anos. Éramos felizes, mas ele estava sempre preocupado com nossa vida escondida e com o fato de não poder me dar o que achava que eu merecia. Quando recebemos a carta da Seleção, ele insistiu que fizesse a inscrição. – fiquei confuso quanto aquilo. Era mais uma prova de que ele não a merecia, ou eu era muito egoísta para deixa-la ir. — Sei que é burrice. Mas ele ficaria com um peso nas costas para sempre se eu não tentasse. E de verdade, de verdade, nunca achei que me escolheriam. Como? — Soube pela mãe dele que tinha começado a juntar dinheiro para se casar com uma moça misteriosa. Fiquei tão empolgada. Preparei um jantar surpresa com a intenção de arrancar o pedido dele. Eu estava prontíssima. Mas quando ele viu todo o dinheiro que eu tinha gastado por causa dele, ficou nervoso. Ele é muito orgulhoso. Queria me paparicar, não ser paparicado. E acho que naquele momento viu que jamais seria capaz disso. Por isso, em vez de me pedir em casamento, ele terminou comigo... Uma semana depois, fui chamada para participar da Seleção. – lagrimas incessantes caíam em seus olhos, ela soluçava e parecia que cada vez mais doía mais. O ferimento causado foi profundo demais. Queria dizer algo, consola-la, mas a fúria que sentia era grande demais. Tentei falar algo, mas só balbuciava. — A última vez que o vi foi na minha despedida. Ele estava com outra garota. — O QUÊ? — gritei ficando de pé. Passava a mão em meu cabelo tão frustrado, tão furioso, tão angustiado por vê-la naquele estado. Que só pude fazer uma promessa para minha vida inteira: Não importava o que acontecesse. Eu nunca magoaria America, nunca a deixaria nesse estado, nunca. — O que me deixa louca é saber que há outras meninas atrás dele. Sempre houve. E agora ele não tem motivos para recusar. Talvez esteja neste instante com a menina da minha despedida. Não sei. E não posso fazer nada. Mas pensar em voltar para casa e assistir a tudo isso... Não posso, Maxon... Simplesmente não posso... Maxon, espero que encontre uma pessoa sem a qual não possa viver. Espero muito. E desejo que nunca precise saber como é tentar viver sem ela. – suas palavras eram absorvidas por mim, mas sua dor ainda estava marcada em minha visão.— Sinto muito, America. Eu não... — sua expressão se contorceu um pouco. — Agora é um bom momento para pôr a mão no seu ombro? – ela deu um sorriso e isso me acalmou mais.— Sim, agora é um ótimo momento. – ia por apenas a mão em seu ombro, mas America não era alguem que eu mal conhecia. Não era uma selecionada qualquer, ela era... Eu não sabia definir o que ela era. Mas minha responsabilidade sempre seria de protege-la. Abracei-a e ela, felizmente, retribuiu. Minhas mãos estavam em suas costas, e seu rosto em meu peito. Eu abraçava de forma protetora e se pudesse faria isso o quanto eu pudesse. De vez em quando mexia em seu cabelo que parecia fogo quando em contraste com a lua branca.— A única pessoa que já abracei é minha mãe. Estou fazendo certo? — perguntei para quebrar aquele triste silêncio, e quando ela riu nunca me senti tão calmo. — É difícil errar um abraço. Mas eu entendo o que quer dizer. Também só abraço minha família. – ela falou, mas aquilo foi bloqueado por todos os pensamento que estava tendo quanto àquela história.— America, prometo mantê-la aqui até o último momento possível. Sei que eles querem que a Elite seja composta de três garotas, e então poderei escolher. Mas eu juro: vou deixar duas garotas na Elite só para manter você aqui. Não vou mandá-la embora até que seja necessário. Ou até que esteja pronta. O que vier primeiro. Sei que nos conhecemos faz pouco tempo, mas acho você maravilhosa. – maravilhosa era pouco. Ela era mais do que ele merecia. Ela era corajosa, altruísta, verdadeira, amável. Era mais do que eu mesmo poderia merecer com todo meu egoísmo e falta de conhecimento da realidade dela. Sei que isso pode soar como se eu estivesse me diminuindo, mas... — Não gosto de vê-la magoada. Se ele estivesse aqui, eu... eu... Sinto muito, America. E então ela fechou os olhos absorvendo tudo aquilo, confortável em meu abraço. Ela começou a cochilar depois de uns trinta minutos, não pude interrompê-la. Ela parecia calma e feliz. Naquele tempo parei para observá-la. America era pequena, magra, apesar de ter engordado após o tempo no palácio. Seu vestido longo cobria suas pernas tão brancas quanto papel, o que era bom, pois talvez não sentisse tanto frio. Tirei levemente meu braço de suas costas para poder tirar o paletó, ela moveu levemente, mas não acordou. Quando consegui tirar pus em cima dela, pois parecia sentir frio nos braços. America parecia depois de muito tempo estar em paz, com um leve sorriso em seu rosto. Coloquei meu braço em volta dela novamente e apoiei meu rosto no seu. Tinha certeza que também estava sorrindo.Uma hora depois um soldado veio advertir-me de que era melhor entrar, pois já estávamos adentrando à madrugada. America realmente havia dormido em braços, e eu nunca me senti tão tranquilo. Coloquei-a em meus braços, e levei-a até seu quarto. Ela era leve. Alguns soldados abaixavam a cabeça e outros sorriam levemente, sempre haveria a possibilidade de haver um Cinco entre eles. Quando cheguei ao seu quarto uma das criadas estava lá e parecia preocupada. – Srta...? – falei baixinho.– Anne, Majestade. – falou com um sorriso ao me ver com America. – Srta. America acabou dormindo. Trouxe-a para seu quarto, para que a senhorita cuide dela. Ela chorou, sei que pode perceber isso. – era muito visível já que seu rosto ainda estava muito vermelho. – E finalmente está dormindo em paz e num sono pesado. Talvez seja melhor a senhora troca-la. – Sim senhor. Receio que devo pedir-lhe que saia. – falou hesitante.– Eu sei. Espere. – coloquei-a na cama, e sentei por alguns minutos. Quando lembrei-me de que Anne ainda esperava ali. Dei um beijo em sua testa e falei em seu ouvido mesmo sabendo que ela não me ouviria – Boa noite minha querida.
Notas finais
Comentem! Isso é muito importante, obrigada por acompanharem minha fic
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