A Seleção - Uma nova Chance
10 Capítulo 10 - Ciúme
Notas iniciais
– Senhorita!!! Acorda!!! — Disse Beth me cutucando, nem percebo que havia dormido.
– Ãhn? O quê?
– perguntei meia zonza pelo sono.
– Você está atrasada senhorita , atrasada — June disse me empurrando para o banheiro.
Milla já estava lá e me ajudou a me despir, tomei um banho rapido, coloquei um vestido que ia até a canela verde claro e as sapatilhas brancas que meu pai me deu, no começo as criadas me disseram que não era bom eu usar com tantas coisas novas, mas não quero esquecer o meu passado, eu gosto do meu passado.
– A propósito não me chamem de senhorita — disse e elas riram junto comigo.
– Aí meu Deus , falta 15 minutos!! — Milla disse enquanto June arrumava meu cabelo, Beth estava arrumando o banheiro que estava bem sujinho.
Depois de me maquiar e fazer um coque bem alto no meu cabelo, June me empurrou para o corredor e fechou a porta atrás de mim. Me vi no imenso corredor parada, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, eu estou na seleção, beijei o príncipe, e aí meu Deus, nunca pensei que estaria aqui, andei lentamente até a sala de jantar memorizando cada detalhe do caminho, apreciando o palácio. Chegando lá, havia poucas meninas, meninas que eu ainda nem sequer havia falado! Me sentei onde havia duas cadeiras vagas caso Ashley e Katherine chegarem, não deu muito certo porque depois de uns minutos acho que dois, duas meninas vieram sentar ao meu lado.
– Oi — uma menina , à do lado direito me falou, ela é linda, os cabelos estavam lisos, alta e morena, e usava um vestido rosa bebê que também ia até canela.
– Oi — falei timidamente.
– Qual seu nome? — ela perguntou e depois riu — Ah Desculpa — ela falou e olhou para meu crachá de identificação — Sempre me esqueço do crachá — ri junto com ela.
– Não tem nada, isso é normal, Therese certo? — falei e ela assentiu com a cabeça.
– Oi meninas — A outra menina que estava do meu lado esquerdo finalmente se manifestou.
– Ah oi, tudo bem? — perguntei a ela.
– Claro e com vocês? — Bem — eu e Therese falamos em uníssono.
E assim passamos uns longos minutos, conversamos sobre nossas castas, familia, amigos e tudo de bom da nossa antiga vida. Percebi Ashley e Katherine chegarem, mas se sentaram em lados opostos o que achei estranho, mas normal devido à falta de cadeiras. A familia real chega, observo cada passo do príncipe, como ele consegue ser tão perfeito? Ele usava uma gravata verde clara que combinou muito com o meu vestido, achei isso demais e me impressionei pelo jeito que ele olhava para mim, eu e as outras selecionadas levantamos e fizemos uma reverência do jeito que Marise ensinou. Comemos em silêncio, nenhum cochicho, o rei e a rainha nem se olhavam, pareciam estar brigados, eles começaram a sussurrar entre eles e o príncipe não parava de olhar para mim, concentrei em encará-lo já que havia acabado de comer, ele me encarou também e sorriu, eu repeti o sorriso, algumas selecionadas prestaram atenção, mas poucas. O rei e a rainha se levantaram e algumas selecionadas mas permanecemos se encarando até todas saírem.
– Oi — ele finalmente falou.
– Oi — falei graciosamente.
Um silêncio terrível cresceu.
– O que foi? — ele perguntou e eu arqueei minhas sobrancelhas.
– Nada, nos vemos no jantar? — perguntei.
– Claro.
– Até — falei.
– Espera!
– Sim alteza?
– Quer dar uma volta?
– Desculpa mas tenho aula de história, até o jantar — Falei e saí, caminhei em direção ao salão das mulheres.
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A aula estava terrivelmente chata, nem percebi que cai no sono apenas quando Marise gritou no meu ouvido, aquilo foi horrível.
– Desculpa — falei corada enquanto as outras riam.
Queria sumir dali, pensei em fingir um desmaio essas coisas mas não foi possível, não me permiti deitar novamente, olhei para um ponto fixo e fiquei sonhando acordada, Marise nos deu livros para estudarmos e entregar uma resenha de cada um, a aula finalmente acabou e eu sai desesperada de lá, não esperei ninguém apenas subi para meu quarto fazer logo a resenha do livro, não gosto de deixar as coisas pra última hora.
Pov Clarkson
Andei para o escritório, mas acabei desviando meu caminho e fui para meu quarto. Me joguei na minha cama, pensando no que havia acabado de fazer. Amberly gosta de mim. Não, preciso me concentrar em outra coisa. Levantei e fui para o banheiro jogar uma água no rosto. Quando sai, dei de cara com meu mordomo Berker parado lá
– Caramba Berker – disse – Você me assustou
– Vossa majestade não costuma estar no quarto há essa hora, imaginei que estivesse algo errado.
– Não, só passei aqui rapidamente. Já estou indo para o escritório.
– Tem algo diferente com vossa majestade, se me permite dizer
– Claro. Não é nada. Só estou. Começando a me acostumar com as meninas no palácio.
– Muito bom. Precisa de alguma coisa?
– Não Berker, esta tudo certo. Obrigada.
Berker fez uma reverência e saiu. Resolvi não ficar mais ocioso e fui para o escritório. Para variar, meus pais discutiam lá dentro. Fiquei no corredor, esperando a briga acabar e depois entrei.
– Finalmente Clarkson – meu pai disse – O que você queria com aquela quatro? Mandou ela para casa?
– Não. Porque eu faria isso?
– Porque é uma quatro!
– Não vou mandá-la embora.
– Isso só mostra o quão cabeça de vento você é. Toma essa papelada de crescimento da renda do país, quero um relatório até amanhã. Melhor começar logo.
Meu pai jogou um fichário abarrotado de folhas. Olhei pro alto, sabendo que demoraria muito.
– Nós não temos funcionários para isso? – perguntei, ainda folheando as páginas
– E dai? Eu mandei você fazer!
Peguei o fichário e fui para minha mesa, sabia que mais uma vez viraria a noite trabalhando. Horas se passaram e eu ainda estava no começo. Olhei para onde meus pais costumam ficar e eles não estavam lá. Fiquei tão concentrado que não ouvi quando eles saíram. Olhei a hora, eu estava muito atrasado para o jantar. Levantei correndo, levando meu trabalho comigo e me arrumei o mais rápido que conseguia. Cheguei à sala de jantar e todos já estavam lá. Percorri a mesa das selecionada com os olhos enquanto tomava meu lugar ao lado do meu pai. Lá estava Amberly, sorridente, ao lado das outras duas garotas mais bonitas da seleção, Ashley e Katherine. Elas três estavam sempre juntas, eram um contraste gritante de estilos. terminei o jantar e voltei correndo para o quarto.
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– Não agüento mais esse relatório! É muita coisa! – eu disse, levantando da minha mesa, apressado.
Andei pelo quarto, já cansado de ficar ali. Peguei o fichário, as folhas que eu estava escrevendo e canetas e saí. — Quem sabe se eu andar pelo castelo, ou trabalhar em um lugar diferente, isso fique menos tedioso – eu disse, saindo do quarto Andei sem rumo pelos corredores, até achar um sofá no primeiro andar. Joguei as coisas ali e sentei. Fiquei um tempo olhando para o fichário, ate tomar coragem de retomar. Já deviam ser quase uma da manhã, quando ouvi passos pelo corredor. Vi uma silhueta entrando no corredor que eu estava.
– Ah! Perdão majestade – Katherine disse com uma reverência
– Tudo bem – disse – está perdida?
– Não, só não conseguia dormir. Andar me acalma. E você?
Ela estava mesmo perguntando sobre mim? Ninguém nunca faz isso. segurei o sorriso e indiquei para ela sentar. Katherine sorriu e sentou junto de mim no sofá
– Na verdade, preciso terminar esse relatório até amanha, ou hoje, não sei.
– Contabilidade?
– Sim.
– Se quiser, eu posso ajudar. Eu costumava ajudar meu pai. Estou sem sono mesmo – ela disse, naturalmente – há não ser que exista alguma regra contra isso.
– Acredito que posso aceitar sua ajuda Katherine sorriu novamente e esticou a mão.
Entreguei alguns papeis para ela. Depois de alguns minutos lendo, ela pegou uma caneta e um papel e começou a anotar. Fiquei assistindo ela trabalhando, parecia saber o que estava fazendo muito bem.
– Sabe – ela disse – Se você ficar apenas me olhando trabalhar, não adianta nada.
– Certo – disse, saindo do transe
Ela levantou os olhos para mim, sorrindo. Aqueles olhos verdes pareciam brilhar, quando ela sorria. Ficamos em silencio um tempo, até ela começar a cantarolar enquanto escrevia.
– Achei que só Cinco sabiam cantar – disse sem olhá-la.
– É raro outras castas saberem, mas aparentemente não é impossível – ela disse e parou de escrever, olhou para mim – Me diga uma coisa, no castelo não tem funcionários para isso?
– Tem – respondi, segurando o riso
– Então..?
– Fale isso para meu pai!
Nós rimos e voltamos a atenção para os papéis
– Pai severo, deve ser brabo
– É. Ele faz isso para me punir
– Punir por o que?
– Eu.. – pensei se deveria me abrir para ela ou não. Eu queria, mas achei que as conseqüências seriam ainda piores – Eu acho que não devo falar sobre isso
– Entendo – ela disse, tentando esconder a decepção
Passado um tempo vi que Katherine quase desmaiava de sono.
– Acho que é melhor você ir dormir, já me ajudou muito — falei.
– Você tem razão, boa noite e me desculpa por não ter te ajudado a fazer tudo.
– Você fez metade não tem que se desculpar de nada.
Ela sorriu fez uma reverência e saiu. Também estava com sono resolvi andar pelo castelo para acordar, se não tivesse esses rebeldes eu poderia ir para o jardim não me conformo que até hoje eles vem estragando minha vida, eu juro que quando crescer destruirei a vida de cada um que destruiu a minha infância.
Resolvi passar pelo quarto de Amberly, chegando na porta não entrei, fiquei observando a porta de madeira.
– Vossa Alteza ela não está. – disse um soldado.
– A sim, bem sabe para onde ela foi?
– Sim ela foi à biblioteca senhor.
– Muito obrigada – esse soldado me pareceu muito intrometido e como ele sabe de todas essas coisas? Quem é ele para ser tão informado da vida da minha Amberly? Só tenho uma certeza vou descobrir cada detalhe da vida de Amberly e se eu for escolher ela meu pai não pode me impedir eu sou Clarkson Schreave, não é porque ele se tornou rei que tem que mandar em mim, ele não era da realeza e sim minha mãe! Ele não tem nada haver comigo, nem eu mesmo sei se sou filho dele afinal eu nasci antes do casamento, posso muito bem ser filho de Justin Illea ou talvez de outra pessoa...Mas não quero pensar nisso, embarco em direção á biblioteca sem pensar em mais nada.
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