Notas iniciais
Só mais um capítulo pra vocês shipparem um casal em vão :3 Espero que gostem, desse capítulo virão inúmeros desdobramentos!

Phoenix Gilbert Mancoi

Cinco dias. Eu estava naquele palácio havia cinco noites e aquela era a quinta. Não suportava mais. Sinceramente, achei que poderia aguentar, achei que eu realmente poderia pensar em ganhar a Coroa, mesmo que eu não me apaixonasse por príncipe algum. Achei que eu poderia dar uma vida melhor para Díly, minha irmã mais nova, mas eu não conseguia.

Não sei quando foi que eu perdi o controle da situação. Até onde eu sabia, tinha decidido que isso ficaria bem e eu também tinha chances de ganhar; porém, alguma coisa mudou meus planos e tudo o que ocupava a minha mente em todos esses cinco dias era como Díly estaria no orfanado e como Weally, um amigo de infância, estaria lidando com a minha falta. Se fosse da mesma maneira que eu estava lidando com a dele, eu poderia facilmente dizer que eu sentia pena dele.

Nesses cinco dias, eu só falei com os príncipes uma vez. Uma vez com cada na hora da apresentação de todas as Selecionadas. Eu não sei como eles já não me mandaram embora, eu não servia pra nada além de ocupar espaço e comer o equivalente a o que todas as Selecionadas que saíram comiam juntas. Mas, por algum motivo eu ainda estava lá. Os príncipes pareciam estar mais interessados em algumas Selecionadas em especial, como a Elizabeth ou aquela outra... A de Midston... E na princesa da França. Pelo menos era o que dava a entender, já que eles só falavam com elas. De vez em quando eles encontravam as Selecionadas pelos corredores e nesses momentos eles as cumprimentavam. Eu não tive essa sorte.

Todas, absolutamente todas as Selecionadas que falavam com um dos príncipes vinha contar para as outras como fora todo o encontro, como se fosse uma narração literária, eu não conseguia entender. Por que elas faziam isso? Eu queria poder não pensar tanto em como elas eram diferentes de mim. Será que, um dia, eu teria porte para ser Rainha? Ou ao menos Princesa?

Minhas criadas sumiram, elas ficaram fora o dia todo e isso não era do feitio delas. Não parecia ser do feitio de nenhuma criada, elas pareciam ser sempre tão presentes. E eram minhas únicas amigas na Seleção, sempre estavam comigo. Mas, naquela noite, elas me abandonaram. Acho que perceberam que eu precisava de um pouco de espaço. E eu precisava mesmo. Mas não achei que ficar sozinha fosse tão ruim.

Não me lembro de quando comecei a chorar, mas, quando percebi, meu travesseiro estava ensopado. Eu estava usando um pijama cor salmão e ele também estava molhado. Estava soluçando e queria muito poder voltar para casa. E então eu tive a ideia mais louca da minha vida. É exatamente nesses momentos de total tristeza que você faz as maiores burradas, não?

Levantei como um raio e pulei da cama. Sai correndo e atravessei o quarto, que estava exatamente do jeito que eu encontrei quando cheguei. As lágrimas corriam pelo meu rosto, eu sentia tanta saudade de Díly, e queria tanto estar com Weally, eu não conseguia ficar longe deles. Eles eram minha família, nunca na vida eu ficara tanto tempo sem vê-los.

As lágrimas faziam-me ficar cega. Eu não conseguia ver nada a um palmo de distância, e, quando consegui achar a porta, me prensei contra ela na tentativa desesperada de achar a maçaneta e abrir. Quando consegui, caí no corredor com os joelhos no chão. Eu fiquei ali por alguns poucos segundos. Não achei forças para me levantar.

– Senhorita! – ouvi alguém gritar.

Logo, havia dois guardas reais à minha volta, tentando levantar-me.

– Senhorita, o que houve? – um deles perguntou.

– Quer que chamemos suas criadas? – o outro completou.

Neguei com a cabeça. Tentei dizer para me deixarem em paz, mas a voz não saía. Os guardas me seguravam pelos braços, eu não sabia o que fazer, onde eu estava com a cabeça? Precisava sair dali, não aguentaria mais nenhum segundo.

– ME DEIXEM EM PAZ! – gritei, a plenos pulmões.

Um dos guardas se assustou, mas não me largou. O outro me colocou em pé direito e me soltou, segurando meu rosto para tentar me acalmar. Quase mordi a mão dele, mas sabia que seria presa por aquilo.

– Temos que chamar alguém – sugeriu um deles, não sabia de onde a voz vinha.

– Eu não sou pago pr-

Saí correndo. Corri muito, o máximo que consegui. Tentei chegar ao fim do corredor, se eu conseguisse, seria fácil ir embora. Pelo menos na minha mente era. Todavia, os guardas eram bem mais rápidos e quatro vezes mais fortes, eles conseguiram me pegar.

Eles falavam coisas que eu não conseguia escutar, cada um de um lado do meu corpo, segurando meus braços e não me dando chances para fugir. Eu não tentei mais nada. Não tinha forças para nada. Eu só queria morrer, queria que alguém percebesse que, se fosse para passar o resto da minha vida dentro daquele castelo, eu preferia morrer.

Lembrei-me de quando soube que Weally tinha me inscrito na Seleção sem que eu soubesse. Sinceramente? Aquilo não importava mais. Se ele abrisse os braços para mim, eu voltaria. Se eu pudesse ouvir sua voz só mais uma vez, eu teria forças. Eu lutaria. Mas ele não estava ali. Nunca estaria, ele era um Oito, não existe lugar para um Oito no palácio. Por que eu estava ali?

Os soldados continuavam a debater meu destino. E as lágrimas sempre completavam seu destino dos meus olhos até o chão. Eu queria sumir.

Tentei fuçar na minha mente o que me levou a acreditar que eu conseguiria e lembrei-me. Foi o soldado que estava comigo no avião. Que ficou comigo por todo o trajeto. Ele disse que eu conseguiria, ele me deu forças. Era dele que eu precisava.

– Tragam-me o soldado Finch! – ordenei.

– Finch? – perguntaram os soldados em uníssono, confusos.

– Agora! – meu tom de voz mudou para um mais grave. Olhei fundo nos olhos de um dos soldados e desejei que ele sumisse; quase como se soubesse o que eu desejava, ele fez um sinal para o outro soldado e saiu correndo a procura de Finch.

– Senhorita, você precisa voltar para seu quarto... – A calma na voz do soldado sugeria medo e eu fiquei com raiva.

– Não preciso de um guarda-costas, eu sei muito bem o caminho! – cacarejei, tentando ser respeitada. Não era assim, nunca fiz isso com ninguém, mas aquele lugar me tirava do sério.

Sai andando para meu quarto. “Phoenix Gilbert” era o nome que estava escrito na placa. Se eu tinha uma certeza na vida, era de que aquela que chorava tanto não era a Nix que eu conhecia, era a feita pelo palácio. E eu não podia deixar o palácio me ganhar.

Entrei e me enrolei na cama. Sentia falta de calças. Sentia falta do orfanato. Sentia falta de ser quem eu era. Só queria que aquele dia passasse. Queria ir embora...

● ● ●

Finch Horridge Milles

Quando entrei no quarto, ela já dormia. Não sabia se era mesmo necessário acordá-la, mas continuei entrando no quarto.

Não estava com os devidos trajes para ajudar uma dama. A Senhorita Gilbert tinha acabado de me levantar da cama, da qual eu não queria mesmo sair, e feito-me vestir a calça do uniforme e uma camisa social qualquer. Ela não estava nem fechada direito. Uma gravata solta pendia-me o pescoço e eu não estava com a mínima vontade de ajeitar. Afinal, Gilbert nem ao menos estava acordada.

O quarto era enorme. Mil vezes o meu. Era de um conforto que eu nunca teria na vida. Era interessante imaginar que ela era uma Oito e chegou até ali, enquanto eu era Sete e só cheguei até os aposentos dos soldados. E isso tudo por ter uma carinha bonita.

E não só uma carinha. Suas pernas estavam à mostra pelo simples short de seda que usava. Era impossível não olhar. Os pijamas das garotas da Seleção eram feitos especialmente para elas, mas aquele parecia ter encolhido. A regata do pijama era da mesma cor, salmão, e do mesmo tecido, e, por ser um tecido leve, tinha subido e parte do abdômen da Senhorita Gilbert estava à mostra. Seu cabelo loiro estava jogado para todos os lados e ela estava muito bonita mesmo assim.

Olhei para a porta. Se os príncipes soubessem... Eu morreria. Nem eles a veriam daquele jeito antes do casamento. Leis estúpidas. Com certeza, eles nunca beijaram ninguém. Nunca souberam como é amar alguém. Eles nunca passaram por isso...

Olhei para fora do quarto, o corredor só era ocupado pelo soldado Milles, e ele me olhava como quem diz “boa sorte, se resolve aí”. Perguntei em voz baixa se não devíamos chamar os príncipes. Ele apontou para o relógio em seu pulso, eu chequei o meu: 3:17 da manhã. Por que ela queria logo me chamar? Eu não merecia aquilo às 3:17 da manhã, teria que acordar cedo e ainda tinha que lidar com as amantes dos príncipes. Embora ela fosse muito bonita, era inalcançável.

Pigarreei por um segundo, mas Gilbert nem se moveu. Eu não queria tocá-la. Sentia que se eu o fizesse seria pego e morreria. Não poderia dar essa brecha, não queria morrer, precisava do dinheiro para minha mãe e minha irmã. Ela já tinha filhos... Pensei em ir embora, aquilo não iria me levar a nada e, pela manhã, ela nem se lembraria daquilo. Porém, algo nela me fez mudar de ideia e querer ficar.

Fui para perto da cama. Não iria conseguir nada a “678 metros” dela.

– Senhorita Gilbert? – chamei. Ela não se moveu.

Eu só não a dei por morta, pois podia acompanhar sua respiração pela fina camada de roupa que ela vestia. Era tão engraçado como uma menina tinha que se deter a vida toda para chegar num castelo e usar dos mais variados pijamas abusados. Aquilo tudo era para os príncipes?

Ajoelhei-me na cama e fiquei por cima dela. Sabia que, se lhe tocasse a barriga, ela poderia tomar um susto e acordar gritando, e que se tocasse as pernas seria considerado um tarado, então tudo o que me restava eram os braços. E, para minha sorte, um deles estava sobre sua barriga. Toquei-lhe o ombro e sacudi de leve. Diabos, o que eu estava fazendo?

Minha perna esquerda estava no chão e a direita ajoelhada na cama. Meu braço direito tocava-lhe o esquerdo e minhas mãos exploravam seu ombro, querendo muito chegar ao rosto. Ela abriu os olhos lentamente. Parecia muito confusa. Quando percebi, levantei-me na hora.

– Senhorita Gilbert, sou o soldado Finch, a Senhorita pediu minha ajuda? – apresentei-me, meio nervoso por tê-la acordado.

Ela sentou na cama, sua regata fez-me o favor de cobrir-lhe a barriga e eu pude respirar. Ela me observou por uns instantes e começou a chorar. Só há uma coisa que o treinamento militar do palácio não ensinava: como lidar com mulheres. Especialmente a parte do choro.

Fechei a porta. Achei que era o mínimo que poderia ser feito. Ela estava chorando e ainda teria que se importar com intrusos bisbilhotando seu quarto? Depois disso, cheguei para perto dela. Não tinha a mínima ideia do que fazer. Não sabia o porquê de ela ter mandado me chamarem. Existiam um milhão de soldados naquele palácio e de todos eles ela decide chamar logo quem não tem a menor experiência com mulheres. Eu era mais responsável por lutas com rebeldes, se ela não era uma rebelde, eu não tinha nada para fazer com ela.

– Desculpa – ela murmurou. Eu quase não entendi.

– Desculpe-me a Senhorita. Minhas vestimentas não são adequadas, eu vim o mais rápido que pude.

Ela me analisou. Estudou-me de cima a baixo. Eu só esperava estar com o zíper fechado.

– Tudo bem. – Fungou. – Eu não deveria ter te chamado. Não precisava ter vindo...

– Fiquei sabendo que a senhorita estava precisando de ajuda e, se eu me lembro bem, disse que iria ajudá-la no momento em que nos encontramos no aeroporto.

– Eu... Eu nem sei pra que te chamei...

Ela começou a chorar de novo, dessa vez bem baixinho. Eu não sei lidar com drama.

Andei até ela e abaixei-me. Pude finalmente tocar seu rosto. Ela me olhou. Parecia surpresa por eu estar tocando-a. Será que ela só esperava ser tocada pelos príncipes e pelas criadas? Não havia nenhuma lei no palácio que me obrigava a não tocá-la. Ainda mais em um momento no qual ela pediu minha ajuda. Coloquei uma mecha de seu cabelo loiro para trás.

– Senhorita, acho que você deveria dormir. Irá acordar cedo pela manhã, acho injusto outras Selecionadas terem uma ótima noite de sono enquanto a Senhorita não dormiu nada.

– Finch, eu te chamei aqui, pois você foi a única pessoa que me fez acreditar que eu poderia ganhar isso. – Ela me pegou de surpresa. Chamar-me pelo primeiro nome foi interessante para mim. – Sabe, eu queria muito suportar esses dias, mas eu não consigo. Eu odeio esse lugar, eu quero ir para casa, quero estar com a minha família...

Oh, tínhamos algo em comum.

Senhorita Gilbert não parecia do tipo de garota que chorava o tempo todo. Na verdade, ela não parecia ser um livro aberto. Ela parecia estar escondendo algo muito importante e eu queria saber o que era. Ela me instigou. E por estar tão frágil naquele momento, ela me parecia tão meiga.

– Senhorita... Eu te entendo, mas isso não é hora para decidir isso. Você não deve tomar decisões quando estiver triste, isso só causa problemas. Não desista de estar aqui. Se você tem uma família, quer que eles sejam felizes, e eu tenho certeza que eles te querem bem aqui.

– Mas eu não quero isso. Quero minha família. Eu não preciso disso, sou feliz com eles.

Endireitei a postura.

– Então, desista. Vá em frente, jogue tudo para o alto. Os príncipes perderiam uma bela garota, mas você ganharia sua família de volta.

– E isso basta para mim.

Ela parecia estar entendendo meu raciocínio, mas não chegou ao final dele. Se me lembrava dos boatos que corriam no castelo, sabia de algumas coisas sobre a Senhorita, e não mediria esforços para lembra-la de seus deveres.

– Só não se esqueça, Senhorita Gilbert, você agora é uma Três. Não irá para o orfanato, nem para lugar algum parecido com ele. Você irá para alguma casa, e terá que reconstruir seu futuro nela. E isso não é uma coisa ruim. Não é se você conseguir sua família de volta sendo uma Três, enquanto todos eles são Oito.

Ela pareceu bem abalada. Não devia ter dito aquilo, acho que ela não pensou na possibilidade de ter que se afastar do orfanato por um tempo por causa da Casta e dos problemas com a imprensa. Ela pensou por um momento e chorou. Com certeza, ela tinha alguém especial, um Oito, e alguém da família, também Oito. E se ela conseguisse esse alguém da família, os dois poderiam ser Três, mas se o alguém especial entrasse no jogo e eles se casassem, todos voltariam para a casta Oito. Não que isso fosse de tudo ruim, mas ela nunca poderia dar uma vida melhor para a pessoa da família dela...

– Ei, calma, não chora... – Foi a única coisa que eu consegui dizer.

Ela não disse nada.

Eu a abracei. Era o mínimo que eu podia fazer depois do que eu disse. Às vezes sou tão estúpido... E ela me surpreendeu: agarrou-me o pescoço e me puxou para perto. Não me contive, coloquei uma perna sobre a cama e fechei cada buraco de ar que eu pude entre nós. Ela molhava meu uniforme inteiro, podia sentir. O que fazer? O que fazer?

Para completar o mix de coisas estúpidas que eu tinha feito só naquela madrugada, a peguei no colo, com a maior facilidade, e dei a volta na cama para coloca-la para dormir. Ela soltou-me assim que eu me inclinei sobre a cama e cobriu a si mesma, mas, na hora que eu iria me afastar, Senhorita Gilbert me puxou pela gravata que estava solta em meu pescoço.

– Fica. Só mais um pouco. – Suplicou.

Relaxei na cama, com a nuca na cabeceira, e a Senhorita Gilbert tinha uma mão sobre minha perna esquerda. “Durma bem”, pensei.

Eu não conseguia me recordar em que momento eu perdi minha cabeça. Em que momento a noção do perigo deixou de habitar em mim. Mas eu sabia que ela tinha me conquistado. Do jeito que nenhuma garota do palácio jamais fizera antes. Do jeito que eu jamais pensaria que isso aconteceria. Ela me fisgou. De uma hora para outra, ela era importante. Ela importava.

Notas finais
OI AMIGAS!!! Bem, como eu já tinha há muito prometido, aqui está a lista das Selecionadas (de todas da história). Mas, como vocês podem ver está incompleta, pois eu perdi quase todas as fichas que eu tinha salvas no word pq eu não sei como, mas o documento que eu salvei simplesmente acabou com várias páginas que eu tinha sobre as Selecionadas. E eu só consegui recuperar aquelas que estão com nome e casta. "Ah, então você não pode fazer mais nada, né? Por que você está sem ficha!" Não, eu tenho os dados das Selecionadas nos capítulos de apresentação, então vou usar eles para saber algumas coisas das Selecionadas. MAS, é óbvio que alguns pontos eu não vou lembrar, então eu vejo depois como fica... Qualquer coisa eu aviso aqui. POR ISSO QUE FICHA TEM QUE ENVIAR POR COMENTÁRIO!!!!!!1!!1!!! EU TERIA TODAS SE VOCÊS TIVESSEM ENVIADO TODAS POR COMENTÁRIO!!1!!onze!!!!! http://listography.com/somecoisa/fics/personagens_a.s. Lugares das Selecionadas na sala de Jantar: http://i.imgur.com/PKN5yiC.png (sim, minha fic tem tudo, não sou dessas autoras desorganizadas não, bjs) (ainda manjo dos photoshop) GENTI A SELEÇÃO VAI PEGAR FOGO VAI TER MORTES SÓ AVISANDO DE NOVO, A KIERA NÃO MANJA DAS AÇÃO, TA PARECENDO O NICHOLAS SPARKS, QUERO SANGUE!