A Seleção- Interativa
6 Paraíso
Notas iniciais
Pov. Lucas
Faltava uma semana para a chegada das selecionadas, e eu estava ansioso, com medo e feliz. Eu estava lendo um livro, “O Príncipe”, um livro velho, de Maquiavel, um escritor de centenas de anos atrás. O livro estava ótimo, apesar de ser um dos livros “secretos” que meu pai disse que eu deveria ler.
O alarme soou. O som forte incomodava meus ouvidos tão acostumados com o silêncio, mas o fato de eu saber o que significava, era o que me deixou mais incomodado. Invasão.
Guardei o livro num dos bolsos internos do casaco, o que incomodava, mas não deixaria aquela relíquia para trás, e sai da biblioteca.
Minha mão direita empunhava a espada e a esquerda segurava um revólver, sabia que teria alguém por perto e que eu teria de lutar. Estava chegando no esconderijo de minha mãe, para tira-la de lá, quando ouvi passos pesados. Me escondi atrás de uma pilastra. Já haviam descoberto onde a rainha se escondia e tentavam arrobar a porta.
Um ataque com espada seria muito lento, eu era um, e parecia ter vários deles ali. Poderia tentar atirar neles, eles com certeza me veriam e iriam atrás de mim. Era a alternativa mais plausível, e eu estava desesperado. Minha mãe era a única coisa pela qual eu vivia. Meu pai era um completo idiota, não havia amigos, não havia esposa, os livros, com certeza, seriam queimados, assim como as pinturas e desenhos. E mesmo que houvesse algo que eu amasse mais que a minha mãe, e me fizesse fugir nesse momento, o que eu faria? Seja lá quem fossem os invasores, eles dominariam o pais. Eles me procurariam, até me achar e me condenar a morte.
Então, tomei a coragem, e sai do esconderijo. Eram 13 grandes homens. Eu estava ferrado.
Atirei 10 vezes, derrubei 10. Os outros três vieram atrás de mim.
–Mãe, corre! –Eu berrei. Eles, aparentemente, não falavam a mesma língua que eu, pois se quer olharam pra trás e viram minha mãe sair. –Eu te amo. Agora vai! –Ela pensou um pouco e começou a correr.
Os caras chegavam mais perto, acho que não tinham armas de fogo. Eu mirava neles, como uma ameaça, enquanto dava passos para trás.
E, de repente, senti meu tronco arder. Tinham me apunhalado pelas costas.
A ferida ardia como sal num machucado aberto a dias.
Olhei para trás, com muito esforço e vi que era meu “falecido” tio.
–Às vezes você deve duvidar da verdade. –Ele disse.
–Por quê? –Perguntei numa voz tão fraca que eu não sei como ele ouviu.
–Seu pai me prendeu, queria o poder para ele, deu um jeito de "sumir comigo", alegando que eu estava morto, e então subiu no trono. Sinto muito, sobrinho, mas também não posso confiar nem em você nem na sua mãe. E sinto muito pelas suas selecionadas. Claro que elas vão viver, mas não vão ter o príncipe tão esperado. –Eles fechou meus olhos, como se faz com os mortos, e senti uma dor profunda por menos de um segundo, depois tudo se ascendeu, um brilho branco ofuscante.
Eu tinha morrido, e estava no paraíso.
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