A Seleção Dupla - Interativa
3 Selecionados - Parte II
Notas iniciais
E lá estava ela de novo, em um dos lugares que ela mais gostava, fazendo o que acreditava ter nascido para fazer. Rey estava na rua novamente vendendo arte, apesar de sua outra ocupação ser um pouco mais luxuosa, por assim dizer, ela também adorava estar em contato com as pessoas. A outra ocupação de Rey? Bem, ela era Stylist de famosos.
Sua família não entendia muito bem porque ela não se dedicava em tempo integral a seu “segundo emprego”, afinal, ela tinha um verdadeiro talento, mas a verdade é que eles nunca entenderiam aquilo.
Sua família era economicamente segura, com uma mãe modelo aposentada e um pai artista. Mas Rey queria conseguir as coisas pelo seu próprio esforço, ela era assim. Apesar de ter apenas 19 anos, tinha garra de uma verdadeira mulher.
Ela olhou o relógio em seu pulso, eram quase 5 horas da tarde, era o seu dia de preparar o jantar, então se apresou em voltar para casa.
As 7h o jantar estava pronto e a mesa devidamente posta, agora era só esperar os pais chegarem.
Ela olhou de relance pela janela e viu que o céu estava pontilhado de estrelas aquela noite, a abriu e deixou que a brisa fria soprasse seus belos cachos. Ela não entendia porque gostava tanto de admirar o céu, parecia um enigma que ela jamais iria decifrar, e como era extremamente curiosa isso apenas a atraia mais. De repente ela se lembrou de seu irmão Nick, como sentia falta dele...
Então a porta se abre em um rompante e sua mãe entra extremamente animada.
—Rey, venha aqui rápido!
—O que aconteceu mãe? – Perguntou assustada.
—Chegou isso para você.
—O que é?
—Veja você mesma.
Rey pegou uma carta que tinha como titulo na parte da frente do envelope:
“A seleção – Illéa”
♕
Sybella estava em seu pequeno quarto que dividia com sua melhor amiga Anne, na verdade, ela a considerava como irmãs, e eram assim que viviam. Ela ensaiava violino, tinha uma festa para tocar aquela noite. As notas saiam de seu instrumento como mel, que invadia seu quarto inteiro. Ela fechou os olhos e deixou que elas saíssem livremente, até que ouviu um barulho na porta e despertou de seu transe.
—Ah, foi mal, não queria te atrapalhar. Estava belíssimo, você realmente é muito talentosa.
Suas bochechas coraram levemente.
—Que isso Anne!
—Mais é verdade!
Ela suspirou.
—O que foi Bella? Algum problema?
—Não, nenhum problema.
—Ah, já sei, você esta pensando na Seleção. Alias, eu ainda não entendo completamente porque você se inscreveu, não faz muito a sua cara...
—Você tem razão, mas tenho meus motivos...
—Acredito que tenha. Você sempre tem não é?
—E você? Também deve estar bem animada com a Seleção não é!
—E quem não ficaria? O Príncipe Ahren é lindo, educado...
Bella só ficou em seu canto, enquanto ouvia a irmã falar sobre as maravilhas do Príncipe. Na verdade, ela não discordava, mas os principais motivos pelo qual ela se inscreveu eram outros, claro que se fosse selecionada iria lutar, do seu jeito, pelo coração do garoto, mas não seria tão radical quanto acreditava que as outras garotas seriam.
Então alguém bate a porta do quarto das garotas, era Hilary, sua mãe adotiva:
—Olá meninas! Vejo que estão animadas!
—Estávamos falando sobre a seleção Mamãe! – Falou Anne.
—Ah. É... Anne, eu queria conversar com Bella, a sós, você se importa?
Anne achou estranhou tanto segredo em uma conversa, mas concordou, não vendo necessidade em fazer birra.
—Aconteceu alguma coisa Mãe?
—Na verdade sim.
—O que foi? – Perguntou alarmada e preocupada.
—Não precisa se preocupar. – Disse a mãe rindo. – Na verdade, é uma ótima noticia.
—E porque não disse na frente de Anne?
—Bem, não sei como ela reagiria a isso.
Sybella fez uma cara confusa, esperando que a mãe prosseguisse.
—Eu acho que ela queria isso mais que você, então...
Bella pensou um pouco, o que poderia ser? Segundos depois a verdade veio como um relâmpago, e foi confirmada quando a mãe levantou o papel que tinha em mãos, exibindo as letras rebuscadas que dizia:
“A seleção – Illéa”
♕
Wolf ouvia. Alias, tinha mais alguma coisa que pudesse fazer? Ele sentia que ia chover, tinha aberto a janela e sentira um frio demasiadamente gelado. Não demorou muito até que a previsão dele se concretizasse. Ele podia ouvir os pingos baterem no telhado, primeiro devagar e sutil, depois com um pouco mais de força. Colocou a mão para fora a fim de sentir os pingos que caiam. Ele realmente gostava de chuva.
A chuva o lembra de que tudo tem um ciclo. Para que haja uma forte tempestade, primeiro o dia fica cinzento e frio, depois vem às primeiras gotas, suaves, que por vezes faz pensar que não irá passar daquilo, então, ela mostra a que veio, com gotas grossas e fortes, que podem inclusive destruir, mas então, vem à calmaria, aquele clima gostoso, e de vez em quando um arco-íris coloria o céu.
A sua vida foi como esse ciclo, desde que tudo mudara quando ele ficou repentinamente cego, há dois anos. Ele estava na fase de calmaria, ainda não aparecera um arco-íris, mas podia dizer que estava feliz. Na verdade, Wolf achava todo esse pensamento muito sentimental, meloso demais, então o abandonou.
Então um novo pensamento o acometeu. Há um mês ele havia enviado a bendita carta da seleção. Ele havia ponderado muito os prós e contras de se inscrever naquilo. Mas por fim, dois pontos o fizeram escolher pelo sim.
Um: foi um pedido de sua mãe e Dois: do jeito que era sortudo, seu nome nunca seria sorteado.
Riu imaginado como seria se ele fosse sorteado. Suas cenas mentais foram interrompidas quando alguém adentrou a sala:
—Nossa, que chuva!
—Cegou cedo hoje Alexander.
—Por uma boa causa.
—Ah é? Qual?
—Veja você mesmo.
—Droga, então eu não vou saber mesmo. – Ambos riram!
—Desculpe. Mais enfim, leia.
Wolf pegou a carta inseguro, ainda não dominava a leitura em braile.
—Então, de quem é? – Perguntou ansioso o velho Alexander.
Wolf mal pôde acreditar quando seu cérebro entendeu o que havia escrito ali:
“A seleção – Illéa”
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