A Seleção de Damon - Interativa
15 Cuidado Com o Que Diz
Notas iniciais
Damon Salvatore acordou sentindo uma dor de cabeça tão grande que achou que o mundo inteiro estivesse caindo aos pedaços. Era como se houvesse um terremoto só na cabeça e suas pálpebras fossem tão pesadas que ele não conseguia deixá-las abertas. Ele se sentou na cama. Aquela rotina estava matando-o. Ele já nem conseguia dizer que dia era qual sem consultar o calendário. Era estranho para ele que ainda não tivesse morrido de insônia — se é que é que alguém pode morrer disso -, e agora ele ainda teria que perder tempo com trinta e cinco garotas e escolher uma para viver o resto da vida com ele. Ele só tinha 21 anos. O resto da vida era uma coisa que ele não conhecia, como ele iria saber quem escolher para viver momentos inesperados e inexplorados?
– Desculpe, príncipe Damon, mas sua alteza precisa acordar – uma das criadas estava na frente da cama de Damon.
– Bom dia, Brianna – ele disse, cansado.
– Bom dia, Alteza – ela respondeu, com uma reverência.
– O que temos para hoje?
Damon se levantou e foi até o armário. Ele imaginou o que Brianna deveria estar fazendo naquele momento enquanto estava de costas: olhando para o chão, tentando desviar o olhar do príncipe vestindo apenas samba-canção, tentando se lembrar do que ele perguntara. Era uma rotina tão chata que ele já podia supor tudo o que acontecia. Que tipo de vida era aquela?
– Hm, eu... Ah, o Rei está chamando-o para conversar na sala dele sobre o encontro com as Selecionadas hoje – informou Brianna.
Damon coçou os olhos. Ter que conversar com seu pai era tão cansativo. Ele sempre falava as mesmas coisas, há meses falando das Selecionadas, há meses avisando tudo o que eles teriam que fazer. Aquilo era exaustivo.
– Certo, pode ir, Brianna.
– Com licença, Alteza.
Ele só ouviu a porta se fechar.
Ele pegou seu 3Tune* e colocou no aleatório. Qualquer música seria boa para mantê-lo acordado. Colocou os fones e foi para o banheiro com o terno branco em mãos. A música era tão alta que poderia estourar seu tímpano. Ele mal podia escutar a água gelada da ducha batendo contra sua pele. Mudou a música e continuou. Assim que terminou de se vestir secou a tela do aparelho e seguiu pelo corredor indo até a sala do pai.
Só um barulho era maior que o volume da música: o tom de trinta e cinco saltos batendo contra o mármore do chão. Ele aumentou ainda mais. Depois da apresentação de ontem no Jornal Oficial, ele queria mais do que nunca ficar bem longe da Seleção. Todas as Selecionadas eram as mesmas naquele programa, todas super felizes, contentes, atendendo a multidão, muito animadas, uma coisa ridícula. Nenhuma se destacava. Todas elas pareciam tão superficiais, fazendo o que fosse preciso para ganhar o amor deles, pensando que era só chegar ali e ser o que eles quisessem que elas fossem. A cada dia que se passava, ele odiava mais a Seleção.
Só tinha uma pessoa ali no meio daquelas garotas que ele estava ansioso pararever: a princesa Amber Francys. Ele a tinha visto poucas vezes desde que nasceu, mas já conversou (ou tentou conversar) com ela algumas vezes. Quem sabe ela o entenderia, ela, mais do que ninguém, saberia que aquilo é totalmente estúpido. Ela saberia o quão ele estava incomodado com aquilo. Talvez nem ela quisesse mesmo estar ali. Ele precisava ouvir a opinião de alguém que não estivesse afim de fazer tudo para a ser a favorita.
Damon abriu a porta da sala do rei. O rei Alaric estava na cadeira de rodas. Ele não usava aquilo em público por medo de afetar sua imagem, mas a sensação de andar era completamente desconfortável para ele, e por isso ele precisava da cadeira atrás das câmeras.
– Quero que ouça bem, seu verme, isso aqui não é brincadeira de criança, há trinta e cinco belas moças lá embaixo que querem seu corpo nu, então pare de agir como imbecil e prestem atenção.
O rei não era nada da imagem que a mídia difundia dele. Ele era bem mais engraçado. Ele não falava aquilo por mal. Na verdade, os dois tinham tamanha intimidade, que aqueles tratamentos eram já de costume. Ofensas eram elogios e elogios eram elogios maiores. Era até engraçado a forma como eles se relacionavam, sempre com palavras esquisitas e como se estivessem brigando, mas não estavam. No fundo, no fundo, se amavam.
Damon sorriu e sentou-se na mesa de sinuca.
– Eu não quero que trate isso como uma brincadeira. Você tem um tempo para se decidi que garota você que para a sua vida. – avisou Alaric.
– Toda vez que fala com aquelas mulheres quero que saiba que elas são o futuro de Illéa, nenhuma delas sabe quem você é de verdade, nem você sabe quem elas são. Não seja idiota a ponto de escolher a pessoa errada. Tome como exemplo eu e sua mãe.
Começou, pensou Damon. Toda a vez que o assunto era a Seleção, Alaric contava a história de amor dele.
– Eu achei que fosse Tânia a rainha perfeita. Mas me enganei, pois bem ali na minha frente havia uma mulher forte e boa, que poderia governar Illéa tão bem quanto qualquer rei. E foi com quem me casei. Foi com sua mãe.
– E se essas garotas não forem com quem eu quero me casar? – perguntou Damon.
– Foda-se. É com uma delas que você vai ficar querendo ou não – respondeu Alaric.
– Comovente – murmurou Damon com sarcasmo na voz.
Sobre hoje, queria dizer que você têm a missão de falar com todas elas e mandar embora as que você têm certeza que nunca dariam certo com vocês.
– E se eu mandar embora a garota certa? – perguntou Damon.
– Foda-se, também. Conviva sabendo que você e estúpido depois dessa. Só quero que saiba que hoje é dia de eliminação. E você têm que eliminar as garotas.
– Vou falar na cara delas que estão eliminadas? – perguntou Damon
– Não. Olha, você vai conversar com todas; se uma delas for muito nojenta, você diz “te peço para que fique quando as meninas forem para a sala de jantar”. E então, você manda todas as garotas irem comer e as que forem para ficar ficam.
– Ah, tá – murmurou Damon, desinteressado.
– Ótimo, então saia daqui – Alaric ordenou. – Eu não quero saber que você não foi cordial com as garotas, ouviu? Se uma delas, qualquer uma, vier me dizer que não foi tratada bem, eu corto o seu pescoço e dou para os cachorros comerem.
– Tá certo – falou.
Damon foi até o pai e deu um beijo em sua careca, como de costume. Saiu da sala e dois guardas que estavam na porta o seguiu. Eles iriam com o príncipe até o Grande Salão, onde 35 garotas esperavam ansiosas para conhece- lo.
● ● ●
Todas as Selecionadas se moveram ao mesmo tempo. Damon sentiu vontade de rir, mas não podia, seria ridículo rir na frente das moças por que elas estavam estufando o peito e ajeitando a postura.
– Bom dia, senhoritas – cumprimentou Damon.
Havia trinta e cinco garotas – trinta e seis, contando com Rosie – na frente dele, e o garoto não sabia como agir.
– Desculpe-me se estou interrompendo algo – continuou Damon. – Mas eu queria ter um tempo para conhecer todas as senhoritas antes de tomarmos o café da manhã, sei que a maioria de vocês, assim como eu, estão ansiosas para o café.
As garotas olhavam para Damon como se ele fosse aquele cantor famoso que elas nunca tinham visto ao vivo e amavam mais que tudo.
As Selecionadas estavam todas sentadas nos sofás circulares que foram dispostos no salão. No final dele, haviam dois sofás brancos para o príncipe e sua Selecionada. Perto deles, uma mesinha de centro e um prato com doces e balas. Damon foi andando (N/A: Não magina ele foi voando) até lá, passando por entre as Selecionadas. Ele imaginava se elas iriam olhá-lo andar até lá, seguindo-o com olhos, analisando cada passo.
– Bem, meninas – começou Rosie –, vamos começar com as apresentações. O príncipe têm a lista das Selecionadas em mãos e as meninas serão chamadas conforme o desejo de nosso príncipe.
17 balas depois, a 14ª Selecionada de Damon sentou-se diante dele. Ele não sabia qual era seu nome, nem sua província. Na verdade, ele não lembrava nem a província da Selecionada que acabou de sair dali.
– Hm, vamos ver, por onde começamos? – disse Damon, aquilo já estava ficando chato e era só a 14ª Selecionada, ainda faltavam vinte e uma.
– Meu nome é Sarah Fox – sugeriu a garota. E completou brincando: – Qual é o seu?
– Não sei se já ouviu falar, Senhorita Fox, é Damon Salvatore – respondeu o garoto, entrando na brincadeira.
– Não me é estranho. – Ela sorriu. – De onde você é, Damon Salvatore?
Era a primeira Selecionada que tinha aquele tom de voz brincalhão perto dele. Todas as outras pareciam estátuas, sempre com medo do que dizer.
– Eu sou daqui mesmo. Mas e quanto a você, vem sempre aqui?
– Nunca vim, não, mas acho que, a partir de hoje, vou passar um tempo maior aqui.
– E você acha isso ruim? – perguntou Damon.
– De jeito nenhum. A comida é boa e a cama é confortável.
A garota fez Damon rir. As outras olharam imediatamente para ele. Até aquela garota, ele não tinha rido com tanta vontade.
– Bem, você pode comer qualquer coisa que estiver aqui – Damon ofereceu, apontando para a mesinha de centro recheada de doces. – Mas é só a comida que lhe faz ficar?
Ela pegou uma bala de caramelo timidamente e a pôs na boca.
– Pelo pouco que eu pude perceber, a companhia também parece ser boa.
Será que ela estava falando dele? Damon sentiu vontade de agradar aquela garota.
– Ah, é? Fala das moças que convivem com a Senhorita ou dos meninos que acaba de conhecer?
– Falo dos meninos. As meninas são muito divertidas, mas não posso deixar de notar tão belos meninos.
Damon sorriu e ela corou.
– A beleza agrada-te?
– O mistério mais ainda – ela confessou.
Damon quis ler os pensamentos dela. Ela era tão misteriosa, tão divertida. Ele não pode deixar de ficar interessado. Aquele cabelo castanho tinha um ar dominador e, combinado com os olhos , ele não podia parar de admirá-la. O jeito como ela falava parecia questionar o jeito como ele vivia, parecia transparecer por ele e abalá-lo. Era como se ela o desafiasse com todas as forças e nenhuma das Selecionadas fizeram isso antes.
● ● ●
Damon não queria chamá-la logo de cara, ele não estava nem conseguindo achá-la no meio de tantas garotas, mas decidiu que aquele seria o momento perfeito para chamar Amber. Agora não mais para reclamar sobre como aquilo estava sendo chato e sim para perguntar como ela se sentia em relação à Seleção.
– Amber Francys, por favor – chamou.
Ele correu os olhos pelo salão a procura da garota e, bem lá atrás, uma Selecionada de vestido azul escuro se levantou. Ela estava linda. Todos aqueles anos sem ver ela foram só para surpreender os príncipes quando ela voltaria para mostrar o quão estonteante estava.
Ela continuava pequena, como sempre foi, e seus olhos castanhos ainda estavam recheados de mistérios. Damon se sentia mais ligado a ela do que as outras Selecionadas por já terem se conhecido, ele gostava de ver como ela estava se saindo no meio de tantas outras meninas que não eram do país dela.
Damon ficou de pé e conforme Amber chegava perto o contato dos olhos dos dois ficava maior, antes de qualquer um abrir a boca os olhos já conversavam. Ela parou bem a frente dele e inclinou o corpo em uma breve reverência. Damon lhe beijou a mão e sorriu. O sorriso rosado de Amber lhe fez lembrar da infância.
Amber deslizou no sofá à frente dele.
– Como está a princesa da Monarquia Francesa? – ele perguntou.
–FALANDO INGLÊS – ela brincou, sorrindo. Seu sorriso era um misto de infantilidade e responsabilidade, ela sempre teve esse rosto delicado, mesmo aguentando tudo o que Damon odiava como princesa. – Hoje posso falar com o príncipe, finalmente.
– É, nunca soube se você não gostava de mim ou se não sabia falar inglês. – Damon riu
– Eu não sabia e achava a língua de vocês muito estranha, é bem diferente!
– Dá pra ver, você tem um sotaque bem engraçado – admitiu Damon, sorrindo.
As meninas com quem Damon havia falado sempre tentavam manter o tom de voz neutro, para não parecerem animadas demais ou gaguejarem, mas ele percebeu que Amber tinha mesmo preocupação em estar falando bem a língua, e ele gostava do fato dela ser diferente. Ela não queria que ele pensasse algo dela, apenas estava dando tudo o que tinha, e se acontecesse algo, ela ficaria feliz.
– Ai, não! Sério? – Amber colocou as mãos na frente do rosto. – Não acredito, eu treinei tanto!
– Eu gosto dele, acho que te diferencia das outras Selecionadas e é realmente muito fofo.
Amber corou. Um sorrisinho apareceu entre seus lábios. Mal ela começou a falar em inglês com Damon e ele já a deixou sem fala. Mas por um bom motivo.
– Bem, se minha memória ainda não foi totalmente pro espaço, acho que você gosta de doces, não gosta? – Damon apontou para a mesa recheada dos mais variados doces. – Você estava sempre pegando as jujubas da cozinha.
Amber riu. Damon ficou satisfeito por ter acertado
– Ainda se lembra disso?
– Aceita? – Ele ergueu um pacotinho de jujubas para ela.
– Só por que você está insistindo!
Damon riu. Era tão mais legal quando ele conhecia a garota antes de falar com ela. E Amber, mesmo que tivesse ficado cheia de curvas e parecesse mais madura por fora, ainda era a mesma menina doce por dentro.
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– Seu nome? – perguntou Damon, enquanto ainda estavam de pé.
– Thaunna Ralph – ela respondeu. Sua voz era fina e doce, mas também marcava presença. – De Midston.
Damon achou interessante ela falar de sua província, pois a maioria das Selecionadas, exceto aquelas que vieram de províncias mais desenvolvidas, chegavam a comentar esse detalhe. Midston era uma província litorânea pequena no Sudoeste de Illéa, não era para mais, nem para menos; todos gostavam de passar férias lá, é uma província quente, assim como Angeles, então Matthew já fora para lá algumas vezes para aproveitar a praia que faltava em Angeles.
– Midston? – perguntou ele. – Conheço a província, lá é ótimo! Sempre fui para lá para passar um tempo na praia ou para resolver questões do governo, conheço mais aquela província do que Dominica**, por exemplo.
– Ah, que bom que vossa alteza conhece! Muitas das Selecionadas disseram que nunca foram para lá, acho que, se fossem, nunca mais sairiam.
– Gosta da praia, Senhorita Ralph? – Daon gostava de basear a personalidade de cada Selecionada em perguntas bobas como essa, ele sempre achou que você poderia saber mais de uma pessoa simplesmente perguntando sua comida ou cor favorita.
– Amo! Adoro nadar, é uma sensação incrível!
Thaunna batucou os dedos na perna e Damon perguntou se ela estava entediada perto dele ou ansiosa por estar na frente do príncipe, ele já esteve com meninas que gaguejaram, e achou muito engraçado.
Damon queria saber mais sobre aquela garota. Ela fora a única que estava com o cabelo castanho claro trançado, aquilo queria dizer personalidade e era o que o príncipe estava procurando nas garotas.
– Temos uma piscina no palácio, eu adoraria levá-la até lá um dia – ofereceu Damon.
Em quase todas as suas conversas ele oferecia um tipo de encontro para as Selecionadas. Seu pai disse que eles já iriam começar a sair com as Selecionadas uma de cada vez e ele não tinha ideia do que fazer. Ele esperava que as Selecionadas tivessem uma ideia melhor do que fazer.
– Seria magnífico! Percebi que aqui também tem cavalos, não é?
– Tem, sim, a Senhorita gosta de cavalgar também? – Ele sorriu, as Selecionadas pareciam mais de ficar em casa lendo, até que enfim uma diferente.
– Sim! Os cavalos são tão dóceis, ficaria muito feliz se pudesse andar em um cavalo tão lindo como os que têm aqui, são tão bonitinhos! – Ela colocou a ponta dos dedos no lábio quando percebeu que tinha falado “bonitinhos” para o príncipe de Illéa.
Damon riu. Ele gostava de como as Selecionadas eram tão formais que às vezes acabavam com vergonha quando falavam coisas normais do dia a dia.
– Também os acho muito “bonitinhos” – concordou Damon, ainda rindo.
Thaunna se deixou sorrir por um minuto. Seu sorriso era lindo. Ela parecia ser o tipo de garota que estava sempre animada. Damon estava ansioso para ver o que mais as garotas faziam além de sentar e paparicá-lo.
– Senhorita Ralph, sei que já deve estar com fome, pode pegar um doce para si.
– Ah, sim, obrigada! Eu acordei achando que iria comer de novo aquela comida perfeita que nos serviram ontem.
Damon a observou pegar um docinho de amendoim. Ele pegou outra bala de hortelã, sua 26ª desde começou com aqueles papos.
– Gostou? Fico feliz em saber que a Senhorita está sendo bem servida.
– Eu adorei! Tudo estava tão bom! Aquela receita de torta de amendoim com morangos e chocolate era a melhor que eu já vi! – Ela parecia tão animada falando de comida que Damon não pode deixar de sorrir. – E também tinha aquele frangão, nunca comi um melhor!
Ela fez cara de surpresa outra vez quando percebeu que tinha dito “frangão” na cara do filho da monarquia. Damon não conseguiu não rir dessa vez, frangão era muito engraçado.
– Desculpe! – disse Thaunna, totalmente corada.
– Sem problemas, não quero forçar-te a ser o que não é. Pode falar frangão quantas vezes for necessário. – Ele ria. – Eu aposto que todas vão querer falar frangão também quando perceberem o quanto essa palavra é legal.
Thaunna riu também. Ela podia não saber, mas seu estilo garota comum de Midston tinha acabado de lhe garantir uma vaga no coração de Damon.
● ● ●
Damon olhou as fichas e viu entre elas uma muito interessante: Uma Casta 5, cantora.
– Taissa Duerre – chamou.
Era muito legal perceber que a cada vez que sua voz ecoava pelo salão as meninas ficavam mais agitadas. Um grupo de meninas em especial ficou mais agitado e uma garota de vestido vinho, não muito chamativo, levantou-se no meio do grupo. Ela olhou para Damon, respirou fundo e começou a andar.
Damon ficou de pé para recebê-la, como sempre fazia.
Poucas meninas optaram por um vestido longo naquele dia. Os vestidos curtos e com curvas eram os favoritos até agora, e os príncipes não podiam dizer que não estavam gostando. Mas Taissa estava usando um longo muito bonito, que chamou a atenção de Damon. Seu cabelo estava solto, colocado para um lado só por um lindo adereço de prata e brilhantes no lado direito.
Ela segurou o vestido e se abaixou em uma reverência. O príncipe tocou sua mão e a beijou, a convidando para sentar em seguida. Thomas pode perceber que, mesmo sentada, ela ainda continuou segurando e apertando uma parte do vestido.
– Está gostando do palácio, Senhorita Duerre? – perguntou Thomas, não sabendo como começar.
– Estou gostando muito – respondeu direta.
Ela parecia um pouco nervosa, então Damon quis deixá-la mais a vontade.
– Pode me contar a verdade, Senhorita, sei que não deve ser muito comum. – Ele sorriu.
– Quer a verdade? – ela perguntou, provocadora.
Ele fez que sim com a cabeça, sorrindo. Todas as Selecionadas eram um livro e ele só tinha que dar um empurrãozinho na capa que as páginas se abririam com o vento.
– Bem, pra dizer a verdade, verdade mesmo, eu estou só muito perdida.
Damon riu. Taissa também riu baixinho.
– Eu imagino, se para eu, que estou acostumado, é difícil entrar em palácios e saber para onde ir, deve ser mesmo difícil para alguém que nunca entrou em um.
– Eu só sigo a multidão e chego aos lugares que nos mandam. Fico perdida toda vez que saímos dos quartos! – Seu sorriso era perfeito. – Mas tudo aqui é lindo, é como uma aventura a cada vez que você passa por uma porta.
Damon adorava ver como as Selecionadas de castas mais baixas gostavam de tudo no palácio, desde o chão que era quase escorregadio de tão polido ao teto que servia de apoio para os lustres enormes. Todas elas tinham sua própria visão de como era estar num castelo e as visões estavam virando realidade ali dentro.
– Que bom que está gostando, Senhorita. O que mais lhe agradou? – perguntou o príncipe, com um tom mais provocador.
– Bem, é meio difícil escolher – ela falou, correspondendo ao jogo.
Seu sorriso era de conquistar qualquer um. Todos os detalhes do rosto dela eram encanadores, desde as pequenas e quase invisíveis sardas até os olhos incrivelmente azuis. as mechas, que logo desapareceu atrás dos cachos incontroláveis.
– Está em dúvida em que? Talvez eu possa ajudar. – Damon mudou de posição. Estava realmente gostando de jogar com ela.
– É possível que você já tenha tido várias respostas desse tipo.
Seus olhos iam de encontro com os de Damon diversas vezes, mas mesmo que ele conseguisse lê-la em questão de sentimentos, ele ainda não conseguia ver em que ponto queria chegar. A resposta seria ele, Damon tinha quase certeza.
– Bem, acho que as duas coisas que mais gostei até agora foi o príncipe, claro, mas, mais do que nunca, da comida! – Ela riu
Damon soltou um riso bobo. Ela tinha levado ele a montar milhões de ideias em sua mente do que poderia ser e tinha o feito querer ser uma das coisas que ela tinha gostado. E eles não estavam conversando nem há cinco minutos.
– Realmente, Senhorita Duerre, muitas Selecionadas falaram bem da comida. – Ele ria.
– Mas também, ela é ótima! Elas não poderiam dizer o contrário!
– É uma das coisas de que eu mais gosto também – admitiu Damon.
– Mesmo? E do que mais gosta, Alteza? – De novo aquele olhar e aquele sorriso.
As Selecionadas tinham mesmo que serem tão interessantes e boas de papo em sua maioria?
– Eu gosto da sala de cinema e da biblioteca, gosto do jeito como a história passa pelos nossos olhos em questão de segundos. Também são ótimos lugares para ficar sem fazer nada quando você tem muitas coisas pra fazer – respondeu, fazendo Taissa rir.
– Eu adoro fazer nada quando tenho muitas coisas pra fazer!
– E o que você fazia antes da Seleção? – perguntou o príncipe.
Ele não queria ir muito longe como perguntar sobre a vida das Selecionadas na primeira conversa, mas ele não conseguiu se segurar, o jeito como ela falava, sua provocação... Ele precisava saber mais. Ele queria mais.
– Bem... – Ela pareceu pensativa.
S{ Taissa olhou para baixo para pensar. Ela poderia contar muitas coisas da vida dela, e muitas delas não seriam nada legais. Se ela contar das drogas ou da mãe, o príncipe ficaria assustado, com certeza. Mesmo que ela tivesse parado, ele não entenderia. Taissa preferia deixar essa parte do passado no passado. Ela não tinha muitas coisas para falar, então decidiu falar do que mais amava: Cantar.
– Cantar e compor – contou Taissa.
Ela tentava conter o nervosismo na voz, mas era quase impossível. Afinal, ela estava de frente para o filho do Rei e da Rainha, sendo analisada, ela poderia casar com ele, ou poderia ser mandada embora. Ela queria ficar, queria fazer certo dessa vez, queria ser uma boa filha, deixar o passado para trás. Ela não queria estragar tudo, de novo.
– Está pensando compor alguma coisa? – perguntou ele.
Ai, príncipe, não faz isso comigo!, pensava ela. Ela chegou aqui pensando em como seria difícil controlar sua língua que estava sempre sendo honesta demais e ferindo os outros, e até agora tudo o que o príncipe fez foi incentivá-la a falar mais. Ela só esperava que não saísse nada desagradável da boca dela.
– Hm, ainda não tenho muita certeza – Ela ficou vermelha de vergonha.
O príncipe sorriu. Será que ele tinha noção de como era lindo? Taissa não conseguia parar de olhar para ele, era como se a cada olhar retribuído ele a fizesse se apaixonar.
– Bom, eu espero que algum dia eu também possa estar na lista de coisas que te fazem feliz – falou o príncipe, fazendo Taissa perder o único fio a que se segurava para não se apaixonar de vez.
● ● ●
– Ah, olá, Senhorita...
– Não precisa me chamar assim. Sou Liana Adami e ponto – ela rugiu, totalmente grossa. – Vocês estão sempre tentando sair bem na fita, né? Pois saiba que isso não vai acontecer comigo.
Damon sentiu a raiva subir para sua cabeça. Ele não suportava pessoas que se achavam acima do respeito e da educação, era tão ridículo. Mesmo que ele não fosse o príncipe, ele poderia ser qualquer um, ela não deveria falar com ninguém assim. Damon tentou se controlar, ele sabia como perdia a cabeça com facilidade. Aquela não seria uma apresentação legal para aquelas garotas.
– Tudo bem, Liana Adami E Ponto, está gostando da sua estadia no palácio? – perguntou Damon, tentando com todas as forças dar mais uma chance para aquela garota.
– Eu não gosto de nada que vêm do palácio, vocês são um bando de...
– Não ouse terminar sua frase – interrompeu.
Ele não conseguia acreditar que depois de encontrar algumas pessoas legais, ele encontra uma garota nojenta como ela. Como as pessoas conseguiam ser tão fúteis?
– Veja, Liana, eu não sei se percebeu, mas você está dentro de um palácio, tudo aqui foi feito ou conquistado pela monarquia. Você não tem o direito de insultar-nos em momento algum.
– Eu não tenho direito à liberdade? Eu não posso falar e ouvir o que eu quiser? – ela desafiou.
– Não! Não vou deixar que insulte minha família na minha casa.
Damon levantou-se, fazendo o sofá emitir um estrondo quando arrastado do chão. Ele olhou para todas as Selecionadas, que o olhavam confusas e com medo. Ele não queria causar medo algum, só estava com muita raiva.
– Se há aqui nesta sala, alguma Selecionada que não queira estar aqui, que saia por aquela porta neste momento! – ele ordenou. As meninas não moveram um músculo, ele podia ver que algumas delas estavam pensando na questão. – Liana, você insultou minha família a um ponto a ser considerado um delito, você foi indesejável e rude, por isso ordeno para que saia desta sala, os guardas irão levá-la para seu quarto. Quero que você faça as malas e saia já desse palácio.
Liana estava surpresa. Ela não esperava que Damon fosse tão grosseiro, na verdade, ela esperava que ele pudesse mudar o país de acordo com o que ela estava dizendo. Ela queria ser grossa e queria ofender, só não esperava que aquela pudesse ser uma via de mão dupla. E Damon não iria poupar Selecionadas por pena, qualquer castigo que devesse ser dado seria cumprido.
Fez-se o silêncio no salão. Muitas meninas lá não queriam estar ali, mas até a mais revoltada com o palácio ficou calada depois de Liana.
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