A Seleção - Versão Schreave
7 Capítulo 15
Notas iniciais
Capítulo 15
Finalmente havia chegado o dia do Jornal Oficial de Illéa, os últimos tem sido os mais cansativos devido ao Projeto de Apoio às Castas Inferiores. Não tive tempo de sair com nenhuma das selecionadas e quando tenho tempo para devanear, infelizmente, só vem América em minha cabeça. Não que isso seja ruim, mas não existe apenas ela neste castelo e sempre existe a possibilidade de algo dar errado, e eu não posso deixar de que o errado me atrapalhe.
Já estava pronto e sentado no trono vendo todos ali fazerem suas tarefas: organizando as cadeiras onde as selecionadas iriam sentar-se, ajeitando o foco das câmeras – aquilo ao menos eu saberia fazer -, verificando conexões. E eu apenas sentado ali parado e sorrindo, eu era bem insignificante se posto em comparação, mas o que um nome não faz com você?
Mas o principal motivo de ter chegado tão cedo era que queria ver cada uma das selecionadas quando entrassem. O que aconteceria em dez minutos. Pelo ponto de vista periférico vi meus pais chegarem e se assentarem, minha mãe apenas piscou o olhos de volta e sorriu. Aquilo sempre melhorava meu humor, e então elas começaram a chegar. O azul predominava nos vestidos, mas nenhuma delas era America, o que achei particularmente estranho. Então eu vi um cabelo ruivo era America ela estava atrás de outras Selecionadas de modo que só vi seu rosto, quando ela ia sentar-se, Gavril aparece na minha frente.
– Meu príncipe!
– Olá Gavril, posso fazer-lhe um pedido? Sei que está fora da programação, mas serie breve. Antes das perguntas tenho um anuncio a fazer para o país.
– Mas é claro rapaz, você é que manda. – e deu uma daquelas risadas calorosas que conhecia desde criança. Quando olhei de novo em busca de achar America ela estava saindo do salão do Jornal, meu primeiro instinto foi levantar e saber aonde ela ia, mas não podia. Devia confiar nela, ela não era louca o suficiente para sumir assim. Minutos depois ela voltou junto com Marlee e Emmica.
Ela estava deslumbrante.
Não consegui nem olhar para como as outras meninas estavam. Seu cabelo, normalmente preso, estava solto hoje com apenas a franja presa. O seus olhos azuis nunca foram tão visíveis como desta vez devido ao vestido vermelho glorioso que ela estava. Seu rosto como sempre, estava sem nenhuma maquiagem pesada, que valorizava seu rosto e mantinha a mesma naturalidade digna apenas dela. O vestido desenhava seu corpo perfeitamente belo e proporcional, ela era perfeita, sem defeitos. Por mim A Seleção acabaria ali e eu poderia viver aquela cena pelo resto da minha vida.
– Maxon? – ouvi meu pai. – Vamos conversar, vá primeiro, e chame Gavril. – sair de meus pensamentos e devaneios, foi difícil, mas eu meu trabalho. Concentrei-me e pus minha mascara novamente. Ser príncipe era de tudo, inclusive ser um ator.
— Boa noite, senhoritas — ele disse com a voz leve e um sorriso. Um coro de “Alteza” foi minha resposta.
— Como sabem, farei um breve anúncio e depois chamarei Gavril. Será uma boa mudança: é sempre ele que me chama. Sei que algumas de vocês talvez estejam um pouco nervosas, mas não há motivo. – meus olhos e os de América se encontraram por alguns segundos, ela estava linda. Concetre-se Maxon. Mas ignorei aquilo, não poderia me dar ao luxo de observa-la. — Por favor, sejam vocês mesmas. As pessoas querem conhecê-las.
Fui até o palanque e encarei as câmeras tentando passar toda a verdade que sentia e mostrando que conhecia o que eles passavam, não muito, mas America havia me ajudado muito nisso, e eu era grato por isso.
— Boa noite, senhoras e senhores de Illéa. Sei que esta é uma noite empolgante para todos nós. O país finalmente conhecerá melhor as vinte e cinco mulheres que ainda participam da Seleção. Não imagino como expressar minha animação por poderem conhecê-las. Estou certo de que todos haverão de convir que qualquer uma dessas jovens incríveis seria uma líder e uma futura princesa maravilhosa. – fiz questão de olhar para América para dar ênfase a ela sobre o que diria agora. — Mas antes disso, gostaria de anunciar um novo projeto em que estou trabalhando e que tem muita importância para mim. O contato com essas damas expôs-me ao vasto mundo fora deste palácio, um mundo que raramente posso ver. – voltei o olhar para a câmera pensando em todos aqueles pobres que deviam estar se amontoando de um TV minúscula. Contaram-me sobre a bondade incrível e a escuridão inimaginável que existe nele. Por meio de minhas conversas com essas mulheres, abracei a importância das massas além destes muros. Despertei para o sofrimento de alguns membros das nossas castas inferiores, e pretendo fazer algo quanto a isso. – contei todo o Projeto com a maior paixão que sentia e fui o mais verdadeiro possível.
Finalizei e olhei para America ela estava de cabeça baixa e chorando de felicidade e vi seu sorriso completava tudo e me trouxe mais felicidade que muitas outras palavras que poderiam fazer isso. Porque eu era o causador daquilo, eu era o motivo daquilo. Respirei fundo e chamei Gravil. Que logo assumiu o microfone com a mesma habilidade de sempre.
— Povo de Illéa, temos um presente para vocês! Esta noite veremos cada uma dessas jovens por dentro. Sabemos que estão mortos de vontade de conhecê-las e de saber como está seu relacionamento com o príncipe Maxon. Por isso, esta noite... vamos apenas perguntar! Comecemos pela senhorita — Gavril conferiu suas fichas — Celeste Newsome, de Clermont!
Celeste subiu no palco como se tivesse nascido para aquilo, mas me lembrei de que ela era uma dois e modelo estava acostumada com as câmeras. Ela estava linda e sensualidade emanava de cada movimento, ela poderia pôr qualquer homem em suas mãos. Eu mal conhecia, não conhecia seu caráter, mas sua habilidade com as câmeras era digna de uma rainha e ela não iria sair tão cedo. Bariel também, mas não tinha a mesma originalidade de Celeste.
Algumas outras nem me dei ao trabalho de decorar o nome, admito. Elas não iriam continuar por muito tempo. Emmica e Marlee foram formais e dignas de serem princesas, mas ai ela seriam escolhas do meu pai não minhas, mas precisava conhecê-las talvez elas fosse apenas atrizes como eu e tivessem boas opiniões formadas. Após a quarta selecionada, Marlee, Gavril virou pra mim indignado.
— Mas o senhor ainda não beijou nenhuma delas?
— Elas estão aqui há apenas duas semanas! Que tipo de homem você pensa que eu sou? – Tentei soar o menos despreocupado possível e consegui em parte, a verdade é que eu nunca havia beijado ninguém. Poderia ter beijado Daphne, ela deixaria, mas eu queria beijar alguém pela qual eu estivesse apaixonado. E então ele chamou America. Ela caminhou com calma e postura, mas quem a conhecia, via que estava na realidade muito nervosa e fazendo o possível para não errar. Sentou-se na cadeira em frente a Gavril e olhou de relance para mim, pisque e olhei-a bem Estou aqui com você. No o ato vi que sua respiração desacelerou, ficando mais calma.
— America Singer. Nome interessante o seu. Há alguma história por trás dele? —perguntou Gavril. America respirou aliviada, parecia saber bem aquela resposta.
— Sim, de fato. Eu chutava muito durante a gravidez. Minha mãe disse que carregava uma lutadora na barriga e por isso me batizou com o nome do país que tanto lutou para se manter unido. É estranho, mas devo reconhecer que ela acertou: nós duas vivemos brigando. – ri com aquela visão de uma família comum e unida ao seu próprio modo.
— Parece que ela é uma mulher enérgica.
— Ela é. Herdei boa parte de minha teimosia dela.
— Então você é teimosa? Um pouco geniosa?
— Às vezes. – Às vezes? Segurava-me para não entrar em uma crise de riso e o nervosismo escondido de America só melhorava a sitação.
— Então por acaso não seria a garota que gritou com o príncipe?
— Sim, fui eu. E minha mãe deve estar infartando neste exato momento.
— Faça-a contar a história toda! — gritou Maxon para Gavril. Queria ver como ela iria sair dali, estávamos em um jogo agora e ela tinha noção de que eu realmente me divertia com aquilo. Gavril olhou para nós dois sabendo que eu realmente gostava dela, ele me conhecia desde quando eu era um bebê. America olhou para mim com uma careta e limitei-me a retribuir com um sorriso.
— Ah! Qual é a história toda?
— Senti um pouco de... claustrofobia na primeira noite e fiquei desesperada para sair. Os guardas não me deixaram passar pelas portas. Eu estava a ponto de desmaiar nos braços de um deles quando o príncipe chegou e mandou que abrissem as portas.
— Humm... — grunhiu Gavril, inclinando a cabeça um pouco para o lado, ele sabia que aquilo poderia me dar problema dependendo do humor do meu pai. E ele sempre desconfiou das formas de educar dele. Mas não queria me preocupar com isso agora queria aproveitar aquele momento ao máximo.
— Sim, e depois o príncipe ainda me seguiu para ver se estava tudo bem comigo... Mas eu estava tão nervosa que quando ele abriu a boca eu basicamente o acusei de ser vaidoso e superficial. – olhei para os lados e todos riam, foi um momento leve e descontraído que deveria existir sempre. Meus pais também riam de modo que percebi que eles não estavam incomodados. America poderia não perceber, mas ela tinha o poder de ganhar o afeto de todos, e essa era uma característica de valor inestimável.
— E ele a perdoou? — Gavril quis saber, um pouco mais sério.
— Por incrível que pareça — respondeu dando de ombros.
— Bem, agora que os dois fizeram as pazes, que tipo de atividade têm feito juntos?
— Geralmente andamos pelo jardim. Ele sabe que gosto de passear ao ar livre. E nós conversamos. – não era tão exuberante quanto às outras meninas, mas ela não parecia se importar com aquilo. Ela tinha características que eu procurei sempre, e acima de tudo, era segura de quem era e não tinha medo disso. Ela não se importaria se alguém a achasse simples demais, ela não abriria mão de sua personalidade.
— Parece muito relaxante. Você diria que o jardim é sua parte favorita do palácio?
— Talvez — disse com um sorriso gracioso e encantador. — Mas a comida é divina, então... – e todos riram novamente, ela estava conquistando todos com seu leve carisma.
— Você é a última Cinco na competição, certo? Acha que isso diminui suas chances de ser a próxima princesa?
— Não! — a convicção em sua resposta me surpreendeu e me alegrou ao mesmo tempo, vi que foi por impulso, mas um impulso responde ao seu subconsciente então guardei ela resposta para mim, eu iria conseguir. Não estava disposto a ter que sofrer com um platonismo.
— Nossa! Quanta convicção! – Gavril pareceu ter gostado da resposta tanto quanto eu.
— Então você acha que vai vencer? – America olhou para um ponto fixo e pensou em suas palavras, mas não demorou de modo que não criou-se um clima tenso em sua entrevista.
— Não, não. Não é isso. Não me julgo melhor que as outras meninas aqui. É só... Não acho que Maxon faria isso, que desprezaria alguém por causa de sua casta. – Maxon. Talvez ela não tivesse pensando tanto assim em suas palavras. Mas eu não me importava, eu a deixei chamar-me de Maxon. E não me importava se isso demonstraria ou não intimidade. Na realidade eu gostava daquilo.
— Ah, parece que você realmente ficou íntima do príncipe. Diga-me, o que você acha de Maxon?
Aquela pergunta me fez parar por um momento. Sempre ouvi todos dizerem que eu era um ótimo príncipe, educado, companheiro. Mas só falavam isso porque eu era o príncipe. Eu era seu suserano, e eles me deviam respeito. Mas com a America era diferente, ela não se importaria, ela era sincera e verdadeira. Sua resposta era tudo o que eu queria ouvir no momento.
— Maxon Schreave é a síntese de todas as coisas boas. Será um rei fenomenal. Ele deixa garotas que deveriam usar vestido saírem por aí com calça jeans e não se zanga quando alguém que não o conhece o julga de uma maneira completamente errada. Quem se casar com ele será uma mulher de sorte. E não importa o que me acontecer, será uma honra ser sua súdita.
Não ouvi as palavras de Maxon, nem o que as duas últimas selecionadas falaram, entrei no modo automático de quando tenho que suportar alguma situação sem demonstrar que não quero estar ali e, a apenas processei cada palavra de America junto com cada movimento, cada olhar. Quando me dei conta o Jornal Oficial havia acabado.
A maioria das Selecionadas jantaram eu seus quartos, pois estavam cansadas e eu as compreendia. Enquanto caminhava até meu quarto pensando no que falaria com America quando fosse ao seu quarto ouvi Gavril chamar-me.
– Maxon, rapaz tenha calma, não posso acompanhar seu ritmo. – parei e rindo o abracei, Gavril era um pai pra mim. – Posso acompanhar você até seu quarto?
– Mas é claro. – sorri. – O que achou das Selecionadas?
– São todas incríveis, mas permita-me ser direto, o que há entre você e America? – suspirei fundo na tentativa de lhe explicar. – Filho, não precisa pensar tanto, seja verdadeiro apenas. Porque ela foi quando disse aquilo sobre você.
– Gavril, é só que ela veio para cá, mas tem alguém no coração dela, ele a magoou e a cada minuto eu tento distraí-la disso e consigo. Mas às vezes quando a vejo só, vejo que seu pensamento está em outro lugar. Eu não quero prendê-la aqui por causa de mim e do que sinto. Ela é incrível, verdadeira, tem uma beleza fora do comum, engraçada, faz com que eu me sinta feliz e apenas Maxon, não o Príncipe Maxon, não Um.
– Maxon, eu te conheço bem, e sou um homem que já viveu muita coisa na vida. America gosta de você e lhe admira, não o suficiente para casar-se com você, mas sentimentos são criados na convivência. Não existe amor à primeira vista, e sim paixão, o amor vem com o tempo e deve ser lapidado. O amor é como uma centelha num campo de palha basta uma faísca pra que se torne uma chama forte e inabalável. Eu poderia passar a noite enchendo-lhe de metáforas, mas você deve ir lá e dizer como se sente e fazer o que lhe parece certo. Você é outra pessoa para ela agora. Não faça a estupidez de esconder os seus sentimentos, a pior prisão é aquela em que você não tem liberdade de expressar-se, então não se prenda na sua liberdade. – vi que havíamos parado em frente ao quarto dela. – Ela pode não ser a escolhida, tem muitas outras garotas aqui, mas viva com ela o momento, para não se sentir culpado se isso acabar depois. Entre lá e seja verdadeiro.
Fiquei olhando fixo para o chão absorvendo essas palavras.
– Venha cá garoto. – e me abraçou.
– Obrigado Gavril, você é como um pai pra mim, sabe disso não é?
– Sei sim, eu amo você garoto.
– Também te amo Gavril. – e eu percebi que amar era isso, era calmo e ao mesmo tempo protetor e forte. Eu cuidaria sempre de Gavril como um pai, e sempre protegeria minha mãe de tudo.
– Agora vá lá e conquiste essa garota.
Bati na porta do quarto para encontrar o que poderia ser meu passado, presente e futuro. Um ótimo futuro.
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