A Seleção II
5 1 Chance
Notas iniciais
" Anica "
Voltei para meu quarto me sentindo estranha, fui direto para o banheiro, estava com os olhos inchados de tanto chorar. Tentei procurar a correntinha mas não encontrei e ainda tinha o príncipe, mesmo o tratando mal, ele continua tentando me provar que era o contrário do que eu dizia. E me consolou enquanto estava triste, por isso resolvi dar uma chance a ele, afinal quais seriam as probabilidades de eu me apaixonar em um passeio? Saí do banheiro as três estavam me olhando.
– Esta tudo bem senhorita? — Marta perguntou preocupada.
– Só estou um pouco triste.
– Quer conversar? — foi a vez de Rita perguntar.
– Não. — só de imaginar, dava vontade de chorar, tentei mudar de assunto. – Tenho que dormir.
– Mas ainda é cedo. — Alice falou triste, ela gostava de conversar.
– Tenho um encontro com o príncipe, quero estar descansada. — fingi entusiasmo.
– Não acredito! eu disse que esse quarto traria sorte. — ela falou sorrindo.
– Sendo assim, durma, nós temos alguma coisa a fazer.
Dormi muito bem, apesar da tristeza, a cama ajudava muito, era muito macia e quentinha. Acordei bem cedo como de costume, me levantei e fui para a sacada, observava o céu, os pássaros, as flores, foi quando vi alguém correndo. Era o príncipe Daniel, ele parecia tão concentrado, tão lindo, com aqueles cabelos ruivos, Será que eu fiz um julgamento errado dele? ele parecia ser boa pessoa.
– Senhorita, já acordada tão cedo? — Rita perguntou se aproximando de mim.
– Costumava acordar esse horário para trabalhar.
– Bom, já que está acordada, posso preparar um banho de rosas, é bem relaxante.
– Pode ser. — falei entrando, não queria que ela visse quem eu estava observando.
Após um longo banho, Alice e Marta chegaram com um vestido lindo, era de um verde claro muito lindo, que combinava com meus olhos, cheio de pedras e detalhes, pentearam meu cabelo e desci para o café da manhã. Todas estavam lindas, encontrei com Bianca, ela era a mais legal de todas, ficamos conversando um pouco, quando Joany e suas "amiguinhas" chegaram.
Depois de um tempo a família real desceu, e começamos a comer. Se ontem a comida estava, hoje parecia estar melhor ainda, olhei para o príncipe Daniel mas ele sempre estava olhando para mim, fiquei envergonhada e tentei não olhar mais para ele.
Quando todas acabamos, nos levantamos e começamos a sair, quando alguém falou.
– Senhorita Anica! — todos viraram para ver de onde veio a voz. O principe Daniel sorria.
– Sim alteza! — corei violentamente, até o rei e a rainha prestavam atenção.
– Não se esqueça do nosso passeio.
– Claro que não. — tentei parecer gentil e sorrir o que fez ele sorrir mais ainda.
fui para meu quarto enraivada, pois agora todas as meninas olhavam feio para mim, entrei e peguei um livro para ler, depois de um tempo ouvi batidas na porta.
– Está pronta? — ele perguntou, fiz que sim com a cabeça e ele me ofereceu o braço, com um pouco de insistência acabei cedendo.
– Para onde vamos? — perguntei enquanto seguíamos pelos corredores. Entramos em um escritório cheio de papeis espalhados na mesa.
– Bem, é aqui que passo a maior parte do tempo, ajudo meu pai com os documentos é bem cansativo.
– Normal, trabalho o dia inteiro, sei o que é estar cansado no final do dia. — falei pegando alguns papeis.
– Vamos! — ele falou sorrindo de novo.
Passamos por vários lugares, salas, bibliotecas e encontramos diversos empregados, com quem ele sempre parava para cumprimentar. Então fui percebendo que ele não era o metido superficial que eu imaginei.
Mas ainda assim não gostava dele.
– Bom, esses não era meu plano magnifico, mas tive uns contratempos — estávamos caminhando, então chegamos a duas portas enormes que ao se abrirem, vi que era a cozinha. — Sinto muito por ter te desapontado. — ele parecia um pouco triste.
– Daniel! — alguém falou, era o chefe de cozinha.
– Carlos! — ele falou e os dois se abraçaram.
– A que devo a honra da visita? — ele falou sorrindo e olhando para mim.
– Essa é a Anica! — ele falou apontando para mim.
– Muito prazer. — falei sorrindo.
– O prazer é todo meu.
– Bem Carlos, nós tínhamos outros planos mas alguns rebeldes resolveram dar o "ar da graça" e aparecer, então ... você teria algo para nós?
– Claro! — ela falou indo para geladeira e pegando um bolo de chocolate. — Acabei de fazer.
Comemos o bolo e mais algumas gostosuras, permanecemos calados, mas ele não parava de olhar para mim. Depois ele me acompanhou até o quarto.
– Anica, me desculpe mais uma vez, eu tinha planejado algo bem diferente e ...
– Tudo bem, foi bem agradável! — falei sorrindo, ele pareceu mais alegre.
– Então, até o almoço. — ele falou beijando minha mão e saindo. quando derrepente falei:
– Daniel! — nem percebi que não o chamei de príncipe.
– Sim! — ele se virou.
– Me desculpa! — falei respirando fundo.
– Pelo quê? — ele perguntou confuso.
– Por tudo! Desde que cheguei, só te tratei mal e você foi tão legal comigo. Achei que você era um garotinho mimado, mas depois desse passeio, percebi que você não é assim. Eu fui uma idiota por julgar sem te conhecer.
– Não precisa se desculpar, vamos esquecer isso tá? — ele falou com um sorriso no rosto.
– Tá bom! — respondi sorrindo.
– Amigos? — ele perguntou estendendo a mão.
– Amigos! — apertei a mão dele e começamos a sorrir.
Ele saiu caminhando pelo corredor quando encontrou Beatriz.
– Senhorita Beatriz, gostaria de um passeio?
– Claro! — ela respondeu contente.
Entrei no meu quarto e as meninas estavam arrumando as coisas. Mesmo eu achando que não havia necessidade.
– Senhorita, como foi seu passeio? Alice perguntou curiosa.
– Bem esclarecedor. — falei sorrindo e ela pareceu confusa com minha resposta.
– A senhorita tem que escrever para sua família, devem estar com saudades.
– Verdade! — falei pegando papel e caneta.
Querida Ana
Estou morrendo de saudades, acordar e não te ver ao meu lado é muito estranho, tudo aqui é lindo, tenho três criadas que me ajudam, uso vestidos lindos e a comida é incrível. O príncipe é uma pessoa bem legal. Espero que vocês estejam bem, manda um beijo pra mamãe. Sinto muita falta de vocês.
Beijos, Anica.
Ao terminar de escrever, comecei a chorar, sentia muita falta delas, as meninas me fizeram companhia e acabei ficando o resto do dia no quarto.
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