Arendelle, 17 de setembro – Terça-Feira:

Meus pais, minha irmã e eu estávamos assistindo á televisão em nossa sala de estar. Estava passando notícias sobre a família real e sobre o fofo do príncipe Hans, cujo qual um monte de garotas que eu conheço lá da minha escola deseja. Apesar de ele ser bonito e charmoso, nada de mais que seja particularmente interessante nele, mas aí então os pelos da minha nuca se eriçaram quando o ouvi dizer na televisão:

- É com grande honra que declaro que em breve, uma seleção se iniciará. Espero que todas as interessadas que se inscreverem e ganharem tenham uma boa chance de se tornarem minhas amigas mesmo após serem eliminadas desta grande competição. Amanhã de manhã haverá cartas em suas casas com o convite e a ficha de inscrição para a seleção.

Ai meu Deus! O príncipe está procurando uma garota para ser rainha.

- Mamãe, quando a Elsa e eu iremos nos inscrever? – Perguntei toda animada e feliz da vida com a notícia.

- Vamos amanhã Anna. – Ela disse com um sorriso no rosto.

- Por que você quer tanto ser a nova rainha, hein Anna? – Perguntou Elsa meio irritada.

- Por que o príncipe Hans é lindo e parece ser uma pessoa muito divertida e inteligente.

- Anna querida, não se iluda com esse tipo de gente. – Avisou papai.

- Papai, eu sei que se preocupa comigo, mas acho que essa seria a minha chance de ser feliz e mudar tudo o que está acontecendo aqui na nossa vida.

- Se é o que realmente quer Anna. Então faça, saiba que sempre estarei torcendo pela minha garotinha. – Disse ele com um sorriso no rosto enquanto acariciava minha bochecha. Dei-lhe um abraço apertado seguido de um beijo em sua bochecha.

De repente a campainha tocou e minha irmã Elsa se levantou para ir abrir a porta. Era o nosso vizinho e meu meio namorado Kristoff.

- Boa noite senhor Uter. – Saudou Kristoff para meu pai.

- Boa noite Kristoff. Veio falar com a Anna?

- Sim senhor. – Ele me estendeu a mão. – Posso falar com você?

- Mas é claro. – Peguei em sua mão e ele me conduziu até a macieira localizada no quintal dos fundos da minha casa que naquela época do ano estava coberta de neve por conta do rigoroso inverno. – O que houve Kris?

- Viu o pronunciamento do príncipe Hans agora há pouco?

- Sim eu vi.

- E pretende se inscrever? – Ele perguntou com os olhos suplicantes para que eu recusasse a inscrição. Pousei minha mão em sua bochecha e pude me sentir mais confortável para falar o que eu tanto queria.

- Sim eu quero. Kris, por favor, me entenda bem, essa é a chance de eu mudar minha vida para melhor. Finalmente Elsa, meus pais e eu não vamos ter que nos preocupar em faltar comida e outras coisas em casa, mas por outro lado, de que adianta eu ter uma vida farta e feliz se não tenho o rapaz que eu amo perto de mim?

- Se for para ter uma vida melhor, quero que se inscreva e se tudo correr bem e você acabar se casando com aquele metido eu lhe garanto que vou trabalhar para você como criado.

- Eu te amo Kris, e nada irá mudar isso. – Beijei seus lábios e pude me sentir melhor do que nunca quando ele começou a me retribuir.

- Você será minha para sempre, Anna. – Kristoff sorriu maliciosamente.

- Sabe que te adoro né?

- Se não me adorasse não me deixaria fazer isso. – Só fui entender o que ele quis dizer quando me pegou no colo, me carregou indo em direção até um monte de neve de quase um metro e meio de altura, me jogou naquela pilha e saiu correndo. – Tchau Anna!

De todas as coisas que Kristoff poderia ter feito comigo, essa com certeza foi a pior. Eu digo que o adoro e para ele demonstrar o quanto tem consciência disso me pega e me joga contra um monte de neve justamente quando eu estava praticamente morrendo de frio? Papai e mamãe vieram até mim quando viram Kristoff sair correndo pelos portões da minha casa.

- Ai meu Deus Anna! – Mamãe exclamou totalmente preocupada comigo a me ver caída naquele monte de neve. Papai e ela ajudaram a me levantar, ao ficar de pé eu tirei a neve das minhas roupas e fui para meu quarto: um cômodo tamanho médio que era onde Elsa e eu dormíamos, ao lado da porta havia um guarda-roupa branco e uma escrivaninha com um computador para nossas atividades escolares, nós dormíamos num beliche e eu ficava com a parte de baixo por ter medo de altura.

MINHA MÃE ENTROU EM ÊXTASE quando pegamos a carta no correio na manhã seguinte. Ela já tinha decidido que todos os nossos problemas estavam solucionados, tinham desaparecido para sempre. Não nego que também fiquei em êxtase tanto quanto ela, mas quem não gostou muito da ideia tinha sido Kristoff, a quem Elsa pegara no flagra tentando roubar a minha ficha de inscrição da caixa de correio o que, me deixou particularmente chateada e encantada ao mesmo tempo, por saber do que ele seria capaz para me ter apenas para ele. E eu fiquei particularmente chocada ao saber que Elsa estaria se inscrevendo para a Seleção, afinal não era ela que há menos de doze horas atrás detestava o príncipe Hans?

Eu olhei para a ficha de inscrição dentro do envelope e lá estavam os espaços que eu deveria preencher:

Nome: Anna Jennifer Uter

Idade:17

Casta: Seis

Informações de contato: (xx) xxxx-xxxx

Peso: 62

Altura: 1, 57

Cor de cabelo: Castanho

Cor dos Olhos: Azuis

Pele: Branca

Escolaridade: Ensino Médio Completo

Habilidades especiais: Canto, Poliglota Musical (Cantar em qualquer idioma), Fluência em coreano, inglês, espanhol, italiano, francês e português.

Observações (medo ou doenças em geral): Medo de altura.

Após preencher os campos necessários, deixei a ficha de inscrição dentro do envelope na qual havia chegado e fui tomar banho enquanto pensava nas possibilidades de finalmente me tornar a princesa Anna.

Na manhã seguinte, mamãe, Elsa e eu fomos até a praça principal de Arendelle e ficamos meio surpresas ao nos depararmos com a imensa fila á nossa frente. Eu não tinha muita ideia do que

Elsa havia colocado em sua ficha de inscrição, mas deveria ser algo muito pessoal para ela á ponto de não me contar nada.

Quando chegou a nossa vez, senti minhas mãos ficarem totalmente trêmulas quando entreguei o envelope para a mulher que estava diante de nós três, mas Elsa parecia estranhamente confiante de que seria sorteada na hora.

Após quase uma semana e meia de espera, quando Peter DeWinter (o repórter charmoso de vinte anos) estava apresentando o Jornal Oficial de Ignattis (nosso país-continente) quando relatou sobre alguns ataques vindos dos sulistas nas regiões mais ricas de Ignattis e foi aí que após a reportagem terminar de ser exibido na televisão, o príncipe Hans se levantou de seu assento e se dirigiu até a câmera com passos meio curtos, pois aquela seria a hora de revelar as selecionadas para a competição.

O brasão nacional de Ignattis (uma águia com um ramo no bico) apareceu na tela. O rosto de Hans aparecia em um quadradinho no canto superior direito. A ideia (que eu supus) era mostrar as reações dele diante das fotos que iam surgindo no monitor.

Peter tinha uma série de fichas na mão, e estava pronto para ler o nome das garotas que, segundo a rainha estavam para ter sua vida mudada para sempre. E só então meu coração parou quando me dei conta: A Seleção estava se iniciando naquele exato instante.

- Senhorita Justina Jankowska, de Pomerlim.

A foto de uma menina delicada com pele de porcelana apareceu. Parecia uma dama e pude ver como Hans pareceu animado.

- Senhorita Enriqueta Esquisia de Caudad. – Vejo a foto de uma garota tão sardenta quanto eu. Ela parecia mais velha, mais madura e foi aí que vi Hans cochichar algo para o pai.

- Senhorita Elsa Katherine Uter. – Mamãe deu um pulo da cadeira ao se dar conta de que Elsa havia sido selecionada. Papai agarrou minha irmã de felicidade e os três nem notaram eu me dirigir para o quarto querendo apenas ficar sozinha, eu não queria saber de absolutamente mais nada, fiquei sem chão por saber que não poderia ser a esposa do príncipe Hans. Eles ficaram na sala até o fim da seleção, mas á aquela eu já estava muito chateada e isso me ajudou a dormir, no entanto, quando eu estava na melhor parte do sonho a porta do meu quarto se abriu com um estrondo e papai me acordou aos berros.

- Anna! – Ele berrou meu nome. – Parabéns meu amor, você foi selecionada também.

Quase dei um pulo da cama.

- Como é que é? – Perguntei ainda meio sonolenta.

- Você foi selecionada Anna! — Quando o ouvi dizer aquilo de novo, fiquei maluca de alegria. Ainda não dava para acreditar que eu estaria no palácio em menos de uma semana! Nesse momento, bateram á porta e quem resolveu atender fui eu e lá estava Kristoff.

- Anna, tem um minuto? – Assenti com a cabeça e nós dois fomos até a macieira. – Olha, eu assisti á Seleção e quero que saiba que estou feliz por você saber que pode mudar sua vida, mas por outro estou com medo.

- Medo de nos separarmos para sempre? – Perguntei.

- Não é isso. – Ele segurou minhas mãos delicadamente como se elas fossem de porcelana. – Tenho medo do que pode acontecer com você lá se o castelo for atacado.

- Não precisa ter medo por mim. Sei me cuidar e tudo vai correr bem, afinal o castelo tem abrigos para as pessoas que moram e trabalham lá.

- Mas e se te machucarem? – Dava para notar que ele estava incrivelmente preocupado.

- Eu vou ficar bem K. – Meus lábios roçaram nos dele.

- Assim espero.

Os dias seguintes ao do sorteio foram bem estranhos considerando que uns grupos de pessoas que ajudavam na Seleção foram até minha casa para resolver mais alguns detalhes em relação á mim e a Elsa. Apareceram médicos e psicólogos para nos diagnosticar e responder á nossas perguntas mais íntimas, o que não foi muito legal, mas era devidamente necessário. E enquanto eu estava incrivelmente nervosa e trêmula só de pensar na ideia de ser uma princesa, Elsa esta estranhamente confiante com toda a situação como se realmente fosse ser a nova rainha.

Notas finais
E aí, o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.