A Seleção

9 O mundo parou para nós. - Bônus REMUS/DORCAS


Notas iniciais
Heey amores, como a maioria das meninas escolheram o bônus, aqui está. Espero que gostem. Boa leitura!!

Dorcas Meadowes

Respira e não pira.

Esse era o meu lema no dia de hoje.

Se eu precisava estar assim? É claro que não, mas tente dizer ao meu coração que esse comportamento é totalmente inaceitável.

Eu sei que você não se deu ao trabalho, mas mesmo se o tivesse feito não iria dar certo.

Como eu sei? Já tentei mil vezes, todas sem sucesso.

Mas mudando de assunto, vamos fingir que eu sou uma pessoa sensata e que minhas amigas estão me ajudando a escolher uma roupa para mais tarde como acontece com qualquer garota normal.

Ocultando, é claro, a parte de eu estar me batendo com um livro. E Lene me xingando com nomes que eu nem sequer sabia que existiam. E Lily gritando ainda mais alto sobre qual dos vestidos dela eu usaria.

Passado o surto coletivo de garotas histéricas, Lily me perguntou como se nada tivesse acontecido:

– Qual você prefere, Dorcas? – Ela havia separado três vestidos, um rosa claro, um azul escuro e um branco rendado.

Eu estava em dúvida, os três eram os mais lindos que Lily tinha e ela estava querendo que eu ficasse com um.

Eu não poderia aceitar.

– Lily, tem certeza que quer que eu use um desses? São tão lindos.

Minha preocupação era sincera, mas com certeza meus olhos traidores estavam cheios de cobiça.

– Todos os vestidos que vocês fazem são maravilhosos, e isso é o mínimo que eu posso te oferecer por todo esse trabalho. Escolha o que preferir. – Lily disse com um sorriso encantador, não me admirava James estar caído por ela.

– Ela tem razão, Doe. – Lene se intrometeu. — Olha, se eu fosse você escolheria o azul – ela apontou para o vestido azul, que era colado e brilhante — mas, como se trata de você e Lupin, eu aconselho o branco.

– Eu concordo, vai ficar perfeito em você e ele vai amar. – Lily falou.

– Mas não pode deixar que ele perceba que se arrumou muito pra ele. Não queremos um Lupin com ego inflado. – Lene deu uma piscadela.

Peguei o vestido branco e o levantei. Era lindo, alças finas e todo rendado.

– Vou tomar um banho, obrigada meninas. – Eu disse, alegre por tê-las como amigas derrepente.

– Você ainda está aqui? Xô, vai logo por que eu e Lily vamos escolher os acessórios e o sapato. – Lene disse com sua doçura natural.

– Trate de se lavar bem, tô sentindo seu cheiro daqui. – Essa foi Lily, perdendo uma ótima oportunidade de ficar calada.

Eu disse que estava alegre por tê-las como amiga? Não me lembro.

Entrei no banheiro, me despi e liguei o chuveiro selecionando o aroma suave de bebê.

Tomei um banho demorado, imaginando mil coisas que poderiam dar errado no meu encontro.

Se é que podemos chamar de encontro.

Mas é o melhor que eu podia ter no momento, e estava feliz com isso.

Vai dar tudo certo, eu dizia a mim mesma incontáveis vezes.

Odeio essa insegurança babaca.

Assim que saí do banheiro vi que Lily e Lene já tinham aprontado todo o resto.

Todos os acessórios que eu iria usar estavam sobre a cama, a caixa do sapato enfrente a ela e as maquiagens já estavam prontas e abertas para não perdermos tempo.

– Dorcas, anda logo, você já está atrasada – Lily me chamou e indicou a cadeira de sua penteadeira – não vai querer parecer irresponsável no seu primeiro encontro, vai?

Olhei para o relógio, eu não poderia estar tão atrasada assim, poderia?

Sim, com toda certeza poderia. Faltavam apenas 40 minutos e eu estava completamente desarrumada ainda.

Quanto tempo eu havia gasto com aquele banho?

– Uma hora. Quem fica embaixo do chuveiro durante uma hora? – Lene resmungou, como se ouvisse meus pensamentos.

Fui para a penteadeira com passos rápidos, torcendo para dar tempo.

– Lily, você faz o cabelo e eu a maquiagem. – Lene deu as ordens. – Sem erros.

Lily assentiu com um soldado e logo as duas começaram a trabalhar.

Parecia que eu estava indo me casar.

As duas viraram a cadeira para eu não me olhar no espelho, me fazendo assim ficar de frente para a parede do relógio.

Ótimo, um pouco mais de nervosismo não faria nenhum mal.

Ah meu Deus, ironias a essa hora não iriam ajudar em nada.

Respira, inspira. Respira, inspira. Respira, inspira.

Respira e não pira.

Parecia que haviam se passado horas quando as meninas finalmente acabaram.

– Nem parece que é você, Dorcas. – Lene falou sorrindo, satisfeita com seu trabalho.

– Linda! –Lily deu um gritinho e bateu palmas.

Levantei-me e olhei para o espelho. Eu estava mesmo linda.

Meu cabelo estava com um coque despreocupado e a maquiagem estava leve, porém muito bem feita.

Eu também estava com um cordão de ouro fino e delicado com um pingente fofo de estrela.

No cabelo estava com um arco de três tiras finas brancas, era lindo como todo o resto.

Calcei as sapatilhas que as meninas haviam separado para mim, tinham um tom de rosa claro que harmonizava com todo resto.

Eu estava pronta.

Ou nem tanto, como Lily me fez desagradavelmente perceber:

– Aonde você acha que vai sem perfume? Quer assustar o menino logo de primeira? – Ela disse enquanto me passava um vidro de perfume em forma de coração.

Espirrei um pouco no pulso e ele tinha o cheiro perfeito, doce como rosas recém-colhidas e suave como um perfume devem ser.

Lily, percebendo que eu gostei do cheiro que senti, disse:

– Pode ficar com o perfume, eu não o uso. E de qualquer forma, acho que ele combina mais com você do que comigo.

E isso era verdade. Lily tinha personalidade forte e madura, não a imaginava cheirando como um bebê nem em um milhão de anos.

– Obrigada Lily. – Sorri para ela, eu estava realmente grata.

– De nada, e a propósito, você não deveria ir?

Ela estava certa, se eu quisesse chegar a tempo teria que sair agora mesmo.

Fui a passos rápidos e leves ao mesmo tempo, eu estava praticamente voando.

Mesmo com todo nervosismo, estava nas nuvens.

Eu veria Remus Lupin. E ele tinha uma surpresa pra mim.

Isso era tão bom que chegava a ser irreal.

Cheguei ao local marcado e ele já estava lá me esperando.

Subitamente fiquei preocupada.

– Ah não, estou atrasada? – Perguntei receosa, atraído sua atenção para mim.

Ele sorriu. E que sorriso...

– Fique tranquila, não está atrasada. Fico feliz por ter vindo mesmo. – Ele disse enquanto se levantada para me cumprimentar com beijinhos no rosto – que ele se atrapalhou um pouco, nos deixando corados – Você está linda.

– Obrigada. – Foi tudo que minha mente genial conseguiu dizer, enquanto me sentava ao lado dele no sofá.

– Aqui, trouxe pra você. – Ele me estendeu um livro com capa verde clara, do qual o título era “Escolhas”.

– Muito obrigada! – Falei enquanto abria o livro, mas derrepente ele o fechou ainda em minhas mãos e fez um pedido:

– Leia apenas cinco páginas por dia. Nada mais, nada menos. Me promete?

– Prometo, mas por quê? – Perguntei confusa.

– Você vai entender. — Ele sorriu, se levantou e estendeu uma mão para me ajudar a levantar. – Agora vamos à surpresa.

– Pera, tem mais? – Ué, o livro não tinha sido a surpresa? Então o que era?

– Considere o livro como um presente, quero te dar já faz um tempo. – Ele sorriu novamente, porém agora um sorriso meio decepcionado.

– Aconteceu alguma coisa? – Assim que perguntei ele fez uma cara confusa, como se não soubesse do que eu estava falando. — Seu sorriso, ele ficou diferente. Meio decepcionado, eu diria. – Concluí.

–Então quer dizer que a senhorita conhece meus sorrisos. – Ele disse enquanto abria uma porta que ficava no fim de um corredor extenso que eu nem tinha percebido enquanto andava.

– Alguns. – Sorri e entrei na grande sala que se estendia á minha frente. – Que sala é essa? – Perguntei curiosa.

– É a minha sala. Sabe, todos os membros da família real, seja de consideração ou não, tem direito a uma sala além de seus quartos. A rainha tem o Salão das mulheres, o Rei seu escritório, James tem um Studio musical, Sirius tem uma sala cheia de peças de carros e motos e eu tenho essa aqui – ele disse e abriu os braços, orgulhoso de sua sala – uma sala de artesanato.

Então eu olhei envolta, era a sala mais perfeita que eu já vi. Haviam materiais para todo tido de trabalho artesanal: Costuras, enfeites, esculturas, pinturas, desenhos e tudo mais que você possa imaginar.

– É incrível. – Eu disse enquanto olhava cada cantinho da sala.

Eu me imaginava fazendo mil coisas ali, embora soubesse que provavelmente não faria nenhuma.

– Quer se sentar? — Ele perguntou enquanto puxava uma cadeira da mesa que estava a nossa frente.

Era uma mesinha pequena e delicada, típica para um chá.

– Obrigada... Posso te fazer uma pergunta? – Eu estava temerosa, era uma pergunta meio boba, mas não podia evitar.

– Claro. – Ele sorriu novamente. Tão lindo...

– Você que fez a mesa? – Perguntei, passando os dedos nos traços delicados que foram entalhados na mesa.

– Sim, e as cadeiras também. – Seu sorriso aumentou ao perceber minha admiração.

– Nossa... Nem sei o que dizer, você é muito talentoso. – Falei baixo, olhando em seus olhos.

– Que pena que nem todo mundo é como você. – Ele sussurrou, enquanto estendia o braço e sua mão tocava meu rosto.

Instantaneamente fiquei estática, eu não esperava por aquilo. O toque dele era tão leve, tão bom... tão curto.

Ele logo percebeu o que estava fazendo e se afastou sobressaltado.

– Me desculpe por isso. – Ele disse, envergonhado.

– Tudo bem – eu ainda estava meio atordoada, mas logo me recuperei – então, o que você estava falando sobre nem todos serem como eu? – Tentei puxar assunto.

– A maioria acha que essa sala é perca de tempo, um hobbie bobo. Sirius e James sempre riem de mim por ela. Já pensei em me desfazer de tudo isso e criar uma nova sala, do zero, mas simplesmente não consigo. – Ele falou, ainda envergonhado.

– Não acredito que você pensou nisso. É a sala mais incrível que eu já vi, e não é por que eles não gostam que você tenha que parar com algo que você gosta. Não ligue para o que eles dizem, Remus. – Derrepente eu estava indignada. Como assim hobbie bobo?

Ele sorriu longamente pra mim. Seu sorriso era meigo, agradecido.

– Então... O que você quer fazer? – Ele perguntou, mudando de assunto.

– Como assim fazer? – Será que ele estava me convidando para fazer alguma coisa? Digo, criar alguma coisa?

– Ué, não quer construir ou personalizar nada? – Ele perguntou como se já soubesse minha resposta.

E provavelmente já sabia mesmo.

– Posso mesmo? – Minha voz saiu anormalmente fina, pela animação.

– Claro, mas já sabe o que quer fazer? – Ele perguntou enquanto me levava a outra mesa, uma longa e simples que presumi ser a que ele usava para trabalhar em suas criações.

– Não... – Respondi olhando envolta. Eram tantas possibilidades que nem imaginava o que faria.

– Tenho uma sugestão. Que tal você fazer algo pra mim, e eu algo pra você?

Fazer alguma coisa pra ele? Ok, eu consigo.

– Gostei da ideia. Mas não podemos ver o que o outro está fazendo e nem perguntar, tudo bem?

– Combinado.

Nós dois começamos a andar pela sala, procurando materiais para nossos trabalhos. Eu não fazia ideia do que ia criar até que encontrei uma prateleira cheia de frascos de vidro.

Vi um frasquinho pequeno que servia como pingente de cordão, e decidi ali mesmo o que ira fazer: Um pote de galáxia em forma de pingente de cordão.

Procurei corantes por toda a sala, até que os encontrei na parte de baixo de uma estante. Peguei dois, um rosa e um vermelho.

Peguei água, algodão, purpurina, uma correntinha fina preta e uma etiqueta também fina de plástico preto que eu furaria para que o cordão tivesse um pingente na frente e outro atrás.

Quando voltei á mesa Remus já estava trabalhando. Não entendi muito bem o que ele pretendia fazer com arame e flores de plástico, mas combinamos der não perguntar.

Eu posso aguentar até que ele acabe.

Comecei a fazer o pote de galáxia, o frasco era tão pequeno que eu tinha que ter cuidado com tudo: Não exagerar na água, nem no corante, nem no algodão e muito menos na purpurina.

Coloquei água até metade do frasco e logo acrescentei duas gostas do corante vermelho, coloquei purpurina e pedaços minúsculos de algodão, até que a água vermelha brilhosa não pudesse mais se mover. Repeti o processo, agora com o corante rosa. Fechei o frasquinho e chacoalhei de leve.

Estava pronto. Coloquei o pingente no cordão e agora só faltava a etiqueta.

Você deve estar se perguntando o porquê da etiqueta, se ela não iria aparecer nem nada, pra que coloca-la ali? A Resposta é simples: Lembra-lo sempre de quem lhe deu o cordão.

Pequei uma caneta branca – sim, ele tinha uma caneta branca – e escrevi com letras pequenas na etiqueta:

Um pequeno frasco do universo,

e mesmo com tantas estrelas você ainda é a mais especial.

Com amor, Dorcas.

Coloquei a etiqueta-pingente no cordão e dei dois pequenos nós, cada um de um lado para que não saísse do lugar.

Estava arrumando a mesa quando meus olhos foram tapados por mãos grandes e macias:

– Fique com os olhos fechados, por favor. – Ele sussurrou muito próximo do meu ouvido.

Pude sentir seu hálito quente contra minha pele. Óh céus...

Senti ele retirando o arco de meus cabelos e soltando o coque – o que ele estava fazendo? – e depois colocando algo que contornava minha cabeça.

– Pode abrir. – E quando abri os olhos vi que seu rosto estava a centímetros do meu, seu corpo estava tão perto...

– Feche os olhos, por favor? – Pedi, imitando o que ele fez.

Assim que ele os fechou, passei a corrente por seu pescoço e ajeitei os dois pingentes, me demorando um pouco no pingente de trás, apenas por medo dele não gostar.

Logo me arrependi pela etiqueta boba.

– Posso abrir? – Ele perguntou calmamente.

E mesmo sua voz estando baixa, me assustou.

Me recuperei rapidamente e disse:

– Sim, pode.

Nós dois andamos juntos até um espelho de corpo todo que havia na sala para olhar nossos respectivos presentes.

Ele tinha me dado uma coroa de flores. Era linda.

As flores que ele usara eram pequenas e de diferentes tons de rosas. Combinou perfeitamente com a cor do meu cabelo.

Levantei os olhos – ainda olhando no espelho – para o rosto de Remus, que naquele exato momento estava com o cordão virado, lendo a etiqueta.

Meu rosto deve ter criado novos tons de vermelho, de tanto que corei.

E então ele abaixou os olhos – ainda no espelho – e encontrou os meus, e tudo ficou lento.

Ele colocou as mãos na minha cintura e me girou devagar, contornei seu pescoço com meus braços e nos aproximamos lentamente.

Pra que pressa? Tínhamos todo tempo do mundo.

Então nossos lábios se encontraram e mil sensações diferentes tomaram conta de mim.

Nos beijamos calmamente, o mundo parou para nós.

Sentir os lábios grossos dele nos meus, suas mãos na minha cintura, enquanto eu acariciava de leve sua nuca e aproveitava cada segundo daquele momento incrível não tinha preço. Eu queria congelar esse momento para revivê-lo de novo e de novo, num ciclo constante.

Nunca me cansaria.

Então aquele beijo cheio de afeto, de carinho, de paixão, foi acabando lentamente... Quem inventou essa coisa de respirar mesmo?

Até que nossos lábios foram totalmente separados. E nossos corpos também.

Aquilo foi como uma facada pra mim, eu queria mais. Muito mais.

Então Remus sorriu pra mim, e eu soube que haveria mais. Muito mais...