A Seleção

4 Mais revirados que sopa velha sendo requentada.


Lily Evans.

Eu acho que minha mãe deve ter feito algum tipo de trabalho de macumba muito poderoso, por que veja bem, se ela não tivesse certeza que eu ia ser uma Selecionada ela não me deixaria ficar com metade do meu salário, certo?

Ou isso, ou o cosmos resolveu que não ia com a minha cara e decidiu que nada nunca iria dar certo pra mim.

Daqui a algumas horas estarei embarcando diretamente pro inferno, ou como todos gostam de chamar, castelo.

Uma palhaçada na minha opinião, e eu tente explicar isso pro carinha que trabalha pra família real, mas ele disse que eu deveria ser mais respeitosa ao me referir ao “palácio real” e blablabla.

Minha mãe já estava em sua milésima repetição de como eu deveria agir quando estivesse no castelo quando finalmente o carinha que trabalha pra família real chegou e disse que já estava na hora de ir.

Depois de muitos abraços de minha mãe, muitos beijos e Petúnia e muitos “se cuida” do meu pai, finalmente saímos. Não que isso seja bom, mas é melhor do que morrer afogada em tantas lágrimas e em tanta baba.

...

A viagem foi bem tranquila e como moro em uma região mais afastada do reino não tive que dividir o carro com nenhuma outra Selecionada.

O que foi bom, eu acho.

Quando finalmente chegamos ao castelo – e sim, a viagem foi muito longa e tediosa, e foi ainda pior com aquele carinha que trabalha pra família real falando sem parar de como eu deveria me comportar na presença do príncipe e de como deveria agir em certos casos – fomos direto para o Salão das mulheres. Que é onde as garotas ficariam apresentáveis para conhecer o resto do castelo.

Isso é meio que uma forma de dizer, “você é da ralé, vai continuar sendo da ralé, mas pelo menos vai ficar bonita”.

E agora vocês me perguntam “Por que você chama o carinha que trabalha pra família real de carinha que trabalha pra família real?”.

Por que ele definitivamente tem uma carinha, entende?

Uma cara minúscula pra um corpo enorme.

E eu nunca fui muito boa com apelidos, portanto ele é e sempre será o carinha que trabalha pra família real. Me processem.

É impossível descrever a correria do salão das mulheres, parecia que todos estavam no modo acelerar de um aparelho DVD.

Eu nem vi como ou quando, mas quando percebi já estava sentada em uma das cabines com sei lá quantas pessoas encima de mim para me ‘refazer’.

Isso mesmo, exagero é meu nome do meio.

...

Depois de muitos puxões de cabelo, muitos pelos arrancados cruelmente de me corpo e sobrancelhas, e de muito mexerem nas minhas unhas eu estava pronta para o outro estágio.

Que era conhecer minhas “criadas”.

Fui direcionada a um quarto que disseram ser o meu, e quando abri a porta avistei duas meninas que tinham mais ou menos a minha idade, uma loira com ar angelical e uma morena muito bonita.

Fiquei observando-as por algum tempo, elas estavam terminando de passar um vestido que não poderia ser descrito com outra palavra a não ser lindo enquanto conversavam sobre alguém...

Alguém chamado Lupin.

– ... Dorcas, você tem que esquecer ele. É sério. – Falava a morena para a outra que supus ser a Dorcas.

– Você diz isso como se fosse simples, — a loira revirou os olhos e olhou para o lado, em minha direção – ah, perdão senhorita. – Disse ela enquanto fazia uma reverencia desajeitada.

A morena ao seu lado arregalou os olhos e imitou o gesto da amiga, mas com mais precisão.

– Prazer, sou Marlene McKinnon e essa é Dorcas Meadowes. Estamos aqui para ajuda-la com qualquer coisa que precisar.

– Prazer, eu sou Lily Evans.

– Nós sabemos senhorita, e estávamos ansiosas para conhecê-la. – Disse Dorcas enquanto sorria docemente.

– Não me chamem de senhorita, é estranho. Me chamem apenas de Lily.

Marlene me lançou um olhar desconfiado e falou:

– Tudo bem ‘Lily’ – ela enfatizou meu nome – então, acho que seria bom se nos contasse suas preferências, sabe, temos que conhecer um pouco de você para confeccionar os vestidos e outras coisas necessárias.

Eu estou ficando louca ou ela disse ‘confeccionar vestidos’?

– Vocês sabem fazer vestidos? – Perguntei incrédula, será que elas me ensinariam se eu pedisse?

– Claro, temos que conhecer de tudo um pouco. E modéstia parte, somos muito boas no que fazemos. – Respondeu a morena.

Dorcas começou a tossir desesperadamente com as mãos segurando o pescoço, como se estivesse engasgando enquanto Marlene revirava os olhos e eu ia em direção a Dorcas para ajuda-la.

– Você está bem? – Perguntei com um tom preocupado.

– Ego... muito... grande. – Falou ela enquanto se recompunha.

Não pude evitar rir, e Marlene me olhou de forma desconfiada.

De novo.

– Não ligue para as bobeiras de Dorcas, às vezes parece que voltou a ter cinco anos de idade. – Falou ela enquanto revirava os olhos.

Os olhos dela eram lindos, mas deviam odiar a dona já que eram mais revirados que sopa velha sendo requentada.

Dorcas mostrou a língua para ela e soltou uma risada como se estivesse se divertindo com aquilo tudo, e eu a acompanhei. Quero dizer, de certa forma aquela era uma cena cômica.

– Você é diferente Lily, não é como as pessoas com quem estamos acostumadas a lidar. – Falou a morena enquanto me analisava com cautela.

Dorcas que estava pegando algo no imenso guarda roupas se virou e disse:

– Claro que não, ela é ruiva.

– Dorcas, eu já te falei que você fica mais atraente calada. – Falou Marlene enquanto encarava a loira que sorria abertamente.

– Lene, você tem que aprender a ser mais legal. Se continuar assim, Lily vai ficar assustada e querer trocar de criadas.

Marlene arregalou os olhos como se ainda não tivesse pensado naquela possibilidade.

– Por favor... – Ela começou a falar ma seu a interrompi:

– Claro que eu não vou querer trocar, eu gostei muito de vocês, sério. E não precisam ficar com receio de me dizer algo, ou dar a opinião de vocês! – Exclamei divertida enquanto olhava de Marlene para Dorcas.

– Então nesse caso acho que você pode esquecer meu nome feio e me chamar apenas de Lene, por que eu sinceramente não sei o que deu na cabeça da minha mãe para me dar o nome de Marlene. – Falou Lene enquanto esboçava um sorriso sincero.

– Ah, eu não acho seu nome feio. – Falei para ela, por mais que aquilo não fosse totalmente verdade.

– Por favor Lily, faço das suas palavras as minhas. Não hesite em dar sua opinião, e sim, eu sei que você acha meu nome feio, da pra ver isso na sua cara.

– Ok, você venceu. É um nome... – Comecei a falar mais Dorcas me interrompeu:

– Feio, horroroso e de gente velha?! Realmente é.

– Depois leva um soco no meio dessa fuça loira e reclama. – Resmungou a morena.

Eu ia falar alguma coisa, mas nesse instante Dorcas voltou com um vestido branco ainda mais perfeito que o anterior e o estendeu pra mim.

– Experimenta esse, desde a semana passada quero ver como vai ficar. Ele deu um trabalho e tanto!

Eu olhei para o vestido que agora estava em minhas mãos e agradeci honestamente á elas:

– É lindo, muito obrigado. E posso pedir uma coisa?

– Claro, é só falar que nós fazemos!

– Vocês tem que me ensinar a fazer um desses. – Disse dando um sorriso de leve para as duas e caminhando em direção ao banheiro.

O vestido era meio complicado para colocar, e quando finalmente consegui vesti-lo saí para que elas pudessem ver se tinha ficado bom.

– Uau, ficou perfeito! Dê uma olhada aqui Lene. – Disse Dorcas para a morena que mexia em uma caixa de tamanho médio.

Quando Lene virou ficou boquiaberta e disso:

– Eu disse que somos boas no que fazemos. – Disse ela com simplicidade e fingindo modéstia — Agora vem aqui para vermos as joias que irá usar com ele.

Ficamos escolhendo as joias por algum tempo, mas no final achamos melhor serem discreta já que o vestido por si já chamava atenção.

Quando eu estava voltando para o banheiro para retirar o vestido, ouvi Dorcas sussurrar para Lene:

– James vai adorá-la.

– Tenho certeza que sim. – Concordou Lene.