A Segunda Seleção.
12 Encontros.
Eu estava deitada numa cama de nuvens, os passarinhos traziam chocolate para mim e as borboletas chá. Eu estava tão linda e radiante, o mundo parecia tão bom.
O céu estava pintado de violeta e rosa, as nuvens formavam lindas almofadas coloridas e o ar cheirava a buques enormes de flores de todos os tipos.
Havia uma garota ali comigo, ela tinha cabelos lisos vermelhos e olhos de chocolate, ela sorria para mim enquanto me observava rir e ir pulando em cada almofada. Quando cheguei perto dela, os olhos dela faiscaram e sorriram para mim, eu me sentei ao seu lado quando ela deu palmadinhas na nuvem azul turquesa que ela repousava.
—Onde eu estou? — foi a primeira coisa que me veio a mente perguntar.
Ela sorrio como se já esperasse essa pergunta.
— Isso depende de onde quer estar. — ela disse sua voz era doce, e parecia haver três pessoas falando a mesma frase ao mesmo tempo.
—Onde está a minha família? — perguntei, pois achava que eles também mereciam atenção.
A garota respirou fundo e tentou sorrir.
— Estão lá embaixo. — ela aponta para baixo com o dedo indicador, eu o sigo, mas a única coisa que vejo é um céu lindo e mais uma camada de nuvens.
— O que estou fazendo aqui? — eu pergunto por último.
O silêncio dela é perturbador e seus olhos ficam tristes. Eu desejava saber que palavras usar para poder consola-la, para fazer com que aquela doçura especial volte aos seus olhos tão valiosos.
— Aqui....Você está na sala de espera.Ou como eu gosto de chamar a sala da decisão. — sua voz mal passa de um sussurro.
— Eu ainda não entendi. — digo o que era verdade à garota era muito confusa.
Ela suspirou e afagou minhas mãos, seus olhos ficam perdidos nas nuvens brilhantes que se tornavam aos poucos dum cinza triste.
—Você, mi preciosa, fez algo que não deveria ter feito...e talvez se junte a Deus por toda a eternidade.
O ar vai saindo e entrando de meus pulmões em ritmo lento, o ar perde o frescor e o cheiro de flores e ganha o leva aroma de carne crua, as nuvens perdem o brilho e um vento inesperado faz com que meu vestido amarelo voe e se transforme em um vestido negro e fúnebre sem graça alguma.
—Eu não quero morrer. — eu disse para ela de modo desesperado, sinto as lágrimas escorrerem por minha face.
—Ninguém quer morrer, mi bela, mas ás vezes... É assim que tem que ser. — lágrimas cristalinas descem por seu rosto branco, seus olhos aparecem e desaparecem.
— Mas você disse apenas talvez, então há esperança. — eu disse sorrindo um pouco.
Ela riu baixinho.
— Eu achava que sua mãe tinha ensinado que sempre a esperança.
Gelo com a menção de minha mãe, eu queria saber como ela sabia quem era minha mãe.
—Quem é você? — eu perguntei curiosa.
— Joana Ambers;
Meus olhos se arregalam, e eu caio no choro outra vez.
Joana....Joana....Joana....Joana...Joana...Joana...Joana...Joana...Joana...Joana...Joana...
Joana, a minha prima mais nova.
Joana, a minha melhor amiga.
Joana, a quem jurava nunca esconder nada.
Joana, a quem eu decepcionei.
Joana, a quem eu não desejava nada de mau.
Joana, a quem eu derrubei de uma sacada.
Joana, eu me culpo por ter acabado com a vida dela.
Ela me abraçou e seu cheiro ainda era o mesmo do que uma década atrás, ela deu palmadinhas carinhosas nas minhas costas, ela sussurrava melodias estranhas em meus ouvidos e tentou me acalmar.
— Eu lamento tanto, eu juro que não queria. — eu berrava em seus ouvidos, como se quisesse que ela desce tudo de si para me ouvir.
— Deu Allana, Deu... Já passou foi há dez anos. Não há nada que nós preocuparmos. — ela disse alisando meus braços.
—Como não? Você nunca mais veio em minha casa, nunca mais me mandou uma carta ou algo assim. Eu pensei que me odiasse. — eu disse limpando meu nariz com um lenço que se materializou ao meu lado.
—Allana...seus pais nunca mais tocaram em meu nome, porque eles sabiam que iria se culpar mais ainda pelo acontecido e você talvez definhasse em silêncio.Ninguém jamais a culpou pelo que aconteceu a mim.
Eu sacudi a cabeça em negação, meus cabelos chacoalhando ao meu redor com força.
—Quando falam em você, me olham de uma forma diferente. Eu sei, eu já ouvi eles conversando, eles quererem que eu entenda como é me sentir culpada.
—Lanna, olha vamos mudar de assunto. Temos tantos anos perdidos para por em dia. — ela disse seus olhos ficando perturbadores.
—Então comece você a falar. — eu resmunguei.
—Eu fiquei aqui todos esses dez anos, Lanna. — ela disse de forma triste.
Apertei meus olhos com as mãos e contei às lágrimas que ameaçavam voltar com força total, eu não conseguia acreditar que eu havia a feito perder metade de sua vida.
—Como isso aconteceu?Porque logo aqui? — eu perguntei com a voz abafada.
Ela me olha nós olhos e aperta minhas mãos, a almofada cinza vai ficando mais clara, até ficar de um branco ofuscante.
—Porque logo aqui? Como eu disse aqui é a sala de espera. Enquanto não é decidido se eu vou atravessar ou se eu voltarei para a terra, eu irei ficar aqui, mas isso não depende só de mim sabe. E isso dói, dói muito. Eu posso voltar para o leito onde estou adormecida e ver minha família, mas isso vai me deixando mais fraca....eu irei desmoronar e o pequeno fio que me mantém conectada vai se romper...logo.
— Posso ver o fio? — eu perguntei.
Ela sorrio.
—Eu passei esses últimos dez anos me perguntando onde estava a porcaria do fio, mas a última vez que eu falei com alguém, ou com um ser alado, ele me disse que eu não podia ver esse fio porque ele não pertencia a mim pertencia a uma pessoa.
—Quem é essa pessoa?— eu perguntei novamente.
—Alguém que me libertaria que se morresse antes de mim deixar-me-ia vagando toda a eternidade aqui, mas que se eu visse antes de morrer, dormindo ou não, me libertaria... E deixar-me-ia ir para onde eu tenho que ir.
—Quem é essa pessoa? — perguntei novamente, já sabendo a resposta antes mesmo de ouvi-la.
—Você; — ela disse com suavidade — Se você tivesse ido me ver a dez anos, talvez não fosse eu que estivesse recebendo você agora.
Eu comecei a chorar novamente, eu solucei tanto a ponto de meu peito começar a doer. Eu não conseguia mais parar, eu não sabia se estava feliz por tê-la de volta ou triste por saber que eu iria acabar com a vida dela de novo.
—Você que escolhe você está comigo na mão de novo né?! Leninha. — ela diz me entregando uma caixa de lenços de papel.
—Mas... Eu... Não... Sei... Como... Voltar. — eu disse, soluçando.
— Uma coisa que eu descobri, foi que eles dizem que são eles que decidem se nós vamos ou não, mas na verdade se nós queremos... Se formos teimosas como você... A qualquer instante podemos ter nossa vida de volta.
Ela vai ficando cada vez mais distante e as nuvens voltam a ficar colorido, o ar com o perfume de flores e o céu rosa e violeta.
—O que esta acontecendo?— eu perguntei, chocada ao ver meus braços ficando cada vez com tom de pele mais forte.
—Você escolheu Leninha, você escolheu voltar. Obrigado, Leninha e Ah não exagere nos doces de novo, não queremos que seu nível de glicose suba e você tenha outro ataque cardíaco.
Sou obrigada a rir, Joana continuava a mesma Joaninha de sempre.
Notas finais
Vou demorar um pouco para postar de novo, estou com muita coisa acumulada e retirei minhas primeiras provas abaixo da média, to ferrada.
OBRIGADA AS LINDAS E MARAVILHOSAS 37 LEITORAS, PELOS 49 COMENTÁRIOS E PELOS 11 FAVORITAMENTOS. *-* Eu já disse que amo vocês?!
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