A Sede Arde, o Gole Queima
3 Desguste
Notas iniciais
— Todo esse tempo… acabei ficando desacostumada em dormir sozinha.
Se ela o lia com facilidade, a recíproca não era verdadeira. Não podia definir se a mulher estava zombando dele ou lhe provocando, e qual fosse sua intenção, a frase atingiu-o como um apelo e contraiu as suas entranhas.
— Deseja a minha companhia?
— Parece-me que é a única a que tenho alcance no momento.
Ele assentiu, sabendo que o que queimava no fundo da garganta era mais do que irritação. Com uso da sua varinha, lançou feitiços de proteção em torno no quarto, e de aquecimento, o que nunca se preocupara em fazer em outra ocasião desde que adotara a casa como sua. Os olhos dela lhe acompanhavam os movimentos, sem nenhuma expressão em especial, pesados de enigma, e ele sentiu que estava postergando andar até ela – sentia-se estranhamente nervoso.
Se deitara com mulheres naqueles últimos anos, não muitas, e nenhuma por mais de alguns encontros, era verdade. Ele via-se rapidamente desinteressado por elas no momento em que caiam em sua cama, e as exigências que envolviam um relacionamento mais longo sempre lhe causaram enfado. Funcionava melhor em sua solidão, ele e seus hábitos particulares, suas preferências, nenhum benefício via em adaptar o seu modo de vida para harmonizá-lo com o de outra pessoa.
Mas então, ali estava em seu próprio quarto com ela em sua cama, e sentia como se importasse. E também sentia-se contrariado, pois sabia que ela jogava com ele. Usava sua artimanha feminina e treinada para atraí-lo numa rede, e não havia nenhuma outra opção a não ser caminhar obediente até a armadilha.
— Vou ficar até que durma – avisou, sentando-se ao lado dela na cama e passando as pernas para o colchão, as costas apoiadas na cabeceira acolchoada em veludo verde escuro.
— Muito cavalheiro. – rouqueou, deitando-se, o cabelo espalhando pelo travesseiro, negro contra o vinho dos lençóis. A brancura da pele era um contraste violento, e os seus olhos estavam abertos na penumbra, absorvendo a sua imagem.
O escrutínio dela provoca um frêmito de agonia na superfície de sua pele, que só queria, desesperadamente, entrar em contato com a de Bella.
— O que espera de mim, Bellatrix? – murmurou, quando não pôde mais aguentar o silêncio e a energia de sua vigília.
A mulher sorriu, afiada e sombria, fechando os seus olhos em seguida.
— BD –
Ardendo. Foi como ele passou aquela noite ao lado dela, tão próximo e tão distante ao mesmo tempo. Velando a sua respiração, hipnotizado com o subir e descer dos seus seios sob a camisola. Incapaz de se mover e deixar o quarto, incapaz de fechar os olhos e se permitir adormecer. O sangue borbulhando sob as veias. Sedento, e não obstante, consciente demais da grandiosidade dela para se atrever a estender sua mão e alcançá-la.
Não era de se espantar o quão indisposto se encontrava no dia seguinte. Porque mal pregara o olho, levantou junto com os primeiros raios do sol turvo e fez um pedido de café da manhã por correio coruja para a cidade mais próxima, não se atrevendo a oferecer a Bella algo das provisões envelhecidas nos armários.
Enquanto compartilhavam torta de ameixa, croissants de manteiga, chá e café-torrado, ela lhe pediu para ver a receita do uísque, herdada do seu bisavô. Prontamente foi buscá-la, trancada em um cofre na cozinha, e entregou o pergaminho manuscrito para a comensal, sendo ela a primeira pessoa além dele a ter acesso ao pergaminho, após a morte do bisavô.
— Leva cinco tipos de feitiço de fogo diferentes na receita – reparou, admirada. O rapaz demorou um minuto para retomar concentração em suas palavras, pois estivera bebendo da aparência dela sob a luz que filtrava suave pelas frestas da janela fechada.
Não se lembrava de ter visto Bellatrix tão informal, pois seus encontros no passado eram sempre marcados. Recém acordada, ela era uma visão inesperada de naturalidade, o cabelo preto e cheio, como vivo, emoldurando o rosto pálido, a sombra do batom escuro manchando a boca apenas levemente. Assaltara sem requisição o seu guarda-roupas, então vestira o seu suéter de lã de orlando, e estava magnífica nele, melhor do que Rodolphos jamais ficara usando azul.
— É… é bem complexo, o processo.
— Conseguiu todos esses ingredientes? Saliva de salamandra birmanesa? Orabela fumegosa, o que raios seria isso?
— Uma flor rara, só cresce no ninho no qual um dragão tiver chocado um ovo. – explicou com um meio sorriso. Precisara buscar aquele ingrediente direto em sua fonte, após muita negociação com uma reserva de dragões da Patagonia.
— Isso é tão… fascinante – ela passou os olhos pelo modo de preparo, seu rosto se franzindo várias vezes ao ler o passo a passo. – quatro dias de elucubração sob uma caldeira à quatrocentos graus? Resfriamento glacial? Seu bisavô era um gênio. Seguiu todos esses passos?
— Repetidamente. Exaustivamente.
Bella assentiu, terminando de ler muito concentrada, mas aparentando confusão ao final da receita.
— Cadê o resto?
Ele não compreendeu.
— Que resto? Está tudo ai. O fim da produção é a decantação nos barris, que é opcional, serve apenas para concentrar o sabor.
— Eu sinto como se faltasse alguma coisa. – observou, virando a folha do avesso para ver se encontrava mais alguma observação em seu verso.
— Talvez o problema seja falta de habilidade mágica do produtor. Bisa era muito bom com os feitiços de incêndio. – comentou, fazendo pouco de si mesmo.
Ela negou, afastando a possibilidade imediatamente.
— Não lhe falta habilidade, Rodolphos – sua segurança na afirmação o pegou de surpresa – mas sim, está faltando alguma coisa. Talvez não no final, mas no começo. Tem certeza que Igrantes não lhe deixou mais nada?
— Nada além de Blackburn Hall e desse pergaminho.
— Hum. – mordeu seu lábio, pensativa. – É isso, a casa. Deve haver algo mais na casa, alguma pista da produção que ele deixou de fora da instrução…
— Todos os pertences dele foram guardados no porão depois que ele morreu – lembrou-se. – mas ninguém vai lá há quinze anos, impossível prever o que podemos encontrar lá dentro.
Longe de ver um problema, a possibilidade teve o efeito de interessá-la. Lembrando-o de que Bellatrix era o tipo de mulher que não pestanejava diante do inesperado, qualidade que sempre o fascinara a seu respeito.
— BD –
Bellatrix sabia feitiços domésticos. De todas as coisas, aquilo o chocou com mais impacto, quando ela tomou a frente no porão e agitou a sua varinha, livrando-se da parcela mais densa de poeira acumulada, de um ninho de fadas mordentes entranhado logo na entrada, e conjurando dezenas de pequenos círculos amarelados de luz que distribuiu flutuando perto do teto baixo.
O cheiro ali embaixo era úmido e entranhado, quase sufocante. Os pertences do falecido Igrantes Lestrange se distribuíam entre muitos baús fechados, móveis empilhados, uma coleção de obras de arte de gosto duvidoso, pilhas e pilhas de livros sobre destilação mágica em estantes, e aqui e ali grandes espelhos com molduras douradas que o próprio Rodolphos mandara retirar das salas. O seu bisavô fora extremamente vaidoso e espalhara superfícies refletoras pela casa inteira, e as peças tendiam a espelhar umas aos outras de uma forma que o bisneto considerara sensivelmente macabra durante a sua infância.
— Então o seu pai morreu, e você pensou que seria uma boa ideia desafiar as expectativas da família reerguendo uma mansão em ruínas, e ressuscitando o negócio do predecessor menos querido dos Lestrange. O plano inicial era o que, matar a sua mãe de desgosto? – Bella puxava conversa, enquanto investigava o interior dos livros, talvez na esperança de achar anotações esquecidas entre as páginas.
Ele deu de ombros, destravando o primeiro baú.
— Ela já não estava muito feliz comigo, desde que deixei o meu casamento lucrativo escapar por entres os dedos há alguns anos.
Bella levantou o rosto para trocar com ele um olhar divertido.
— Não é como se tivesse sido culpa sua.
— Conte isso para Ingra Lestrange. Até onde ela sabe, é sempre culpa minha.
Havia um monte de roupas velhas, carcomidas, cheias de babados e terrivelmente fora de moda dentro do baú, então ele o fechou de novo, passando para o próximo.
— Você poderia ter dito a ela que era temporário, que eu tinha prometido voltar após a minha viagem e cumprir o nosso acordo.
Ele fez um sopro incrédulo.
— Uma viagem dura semanas, ou meses, não anos inteiros. E além do mais, vamos ser honestos, você estava grávida do seu primo. Até onde eu sabia, se o seu pai descobrisse faria vocês dois se casarem, ou então sumiria com você do mapa para evitar a desonra da família. Foi o que pensei que tinha acontecido, aliás, quando vi que Sirius Black se safou e nunca mais tive notícias suas.
Ela estava de costas, colocando os livros de volta nas estantes, mas Rodolphos viu seus ombros se retesarem à menção do nome do primo.
— Mas então eu ouvi dizer que você estava com o Lord. – ele continuou – Imagino que seu pai nunca soube, então? Isso é um feito e tanto, conseguir esconder um aborto da família Black, e sendo você apenas uma garota.
— Meu pai soube, sim, após algum tempo. Ele veio até mim, e se ofereceu para criar a criança, se fosse um menino. – disse numa voz abafada, sem se virar. Não foi a mágoa velada no seu tom, mas a informação em si, que o surpreendeu.
— Ele te pegou antes de abortar? E mesmo assim você o fez, recusou a oferta e tudo?
Silêncio. Bella passou os dedos distraidamente pelas lombadas empoeiradas da segunda prateleira, mas sem realmente ler aqueles títulos. Havia um tom oco em sua voz.
— Não aceitei a oferta dele. E não abortei.
Ele quase deixou a tampa pesada do segundo baú escapar por suas mãos.
— Você não…?
— Não. E não era um menino, como o meu pai desejava.
— Então a criança, ela…
Bella se virou com um suspiro.
— Está viva e sob os cuidados de Narcissa. Ainda não a vi, mas pretendo buscá-la o mais breve possível. Eu a prometi como serva ao Lord Voldemort, em troca dos ensinamentos que obtive durante esses anos.
Piscou para ela, atônito. A outra marcante característica de Bellatrix – era um erro esquecer disso – era a imprevisibilidade. Ele mal conseguia digerir o fato de que ela tinha uma filha com Sirius Black, e parecia tão tranquila a respeito. A segunda parte da afirmação o alcançou tardiamente.
— Você a prometeu para o Lord? Vai dar uma criança para o Lord das Trevas? O que ele poderia querer com ela?
Ela pareceu achar divertida a sua confusão, e também incutiu um tom de obviedade à explicação que forneceu.
— Bervely não é uma criança qualquer, é puro-sangue e será criada sob os cânones da nobreza de linhagem para se tornar uma bruxa poderosa e servidora da nossa causa. Há muito que uma serva assim pode oferecer ao Lord, uma vez que esteja pronta.
— Então você vai educa—la? – concluiu, ceticamente – Bellatrix Black vai fazer as vezes de mãe? Vai cantar canções de ninar e consolá-la quando tiver pesadelos? Vai colocá-la em seu colo quando ficar doente, e passar a noite em claro, acompanhando a sua febre?
Os olhos da comensal cintilaram perigosamente.
— Eu a ensinarei a ser grande, Rodolphos. Para o resto disso, eu pretendo ter elfos doméstico. Honestamente? Sua mãe mimou muito você. Não me espanta que esteja decepcionada com o que se tornou, se ela realmente passava noites em claro velando seu sono.
Uma vez aplicado o seu veneno, ela se voltou para os livros tranquilamente, continuando a busca. E o bruxo, com a cabeça zunindo com as novas informações, foi destrancar o terceiro baú. Lutava com a tranca tanto quanto lutava com as ideias em seu interior. Ela deixara viver a criança do seu primo? A criaria como uma sucessora, lhe traria para casa…
— Espera. – rapidamente se ergueu, dando-se conta do que significava – Está dizendo que, se nós nos casarmos, pretende criar a bastarda sob o nosso teto? Como parte da família?
Silencio, enquanto ela folheava um volume grosso e aparentemente interessante sobre espécies de trigo de fogo.
— Sim – disse por fim, como se não fosse nada demais.
Ele fez um ruído de incredulidade pelo nariz, suas mãos tremendo levemente quando finalmente conseguia destravar a tranca do maldito baú.
— Um inferno que você vai, Bellatrix.
Ela não lhe dignou qualquer reposta. Revoltado com a ousadia da mulher em sugerir tamanho impropério, abriu o baú com tudo, fazendo seu conteúdo tilintar, vidro contra vidro. A surpresa do conteúdo arrastou para longe preocupações com filhos bastardos e casamento, ao mesmo tempo que seu rosto se transformou numa máscara de adoração.
— Bella… – chamou, se esquecendo momentaneamente que estava irado com ela – você é um gênio.
Sem entender, ela largou o livro e se inclinou sobre a peça, e lá de dentro, o brilho do conteúdo de várias garrafas de líquido dourado refletiu em seus olhos negros. Acidentalmente, tinham encontrado os raríssimos, lendários exemplares da primeira safra de uísque de fogo Blackburn que fora produzido por Igrantes Lestrange, há mais de meio século.
— BD –
— Eu não compreendo. – declarou, passando a garrafa para ela, e junto a isso, o seu olhar analítico-desconfiado. A frase era solta, porque não estavam tendo nenhuma conversa em especial antes disso.
— As coisas que você não entende encheriam muitas dessas garrafas, noivo.
Ele deu uma risada ácida diante do deboche dela.
Encontrar a coleção de garrafas de uísque Blackburn dentro do baú fora um acontecimento tão grandiosos e inesperado que as buscas pela parte supostamente falante da receita foi deixada de lado. Por muitos anos, aquela primeira e presumivelmente esgotada safra fora procurada pela comunidade bruxa. Quanto mais antigo, melhor a qualidade do uísque de fogo, e entendia-se que a primeira seria a mais fantástica versão da bebida. Por décadas homens nobres tinham anunciado ofertas milionárias sobre aquelas garrafas, mas ninguém fora capaz de encontrar uma sequer.
Até o momento. Ele se sentia em êxtase, o alivio o inundando, estava salvo. Mesmo que jamais conseguisse replicar a receita original do bisavô, apenas levando aquelas garrafas à leilão seria capaz de evitar a falência. Queria beijar Bellatrix por ter lhe dado a ideia de vir investigar o porão, coisa que ele jamais faria por si mesmo, mas no lugar disso propôs que brindassem a descoberta tomando uma daquelas caríssimas e maravilhosas bebidas ali mesmo, naquele sótão empoeirado e fedorento, que agora lhe parecia o lugar mais bem aventurado do mundo.
Se encostaram apoiados nos velhos baús, sentados sobre o assoalho arruinado. Já estavam no meio da primeira garrafa, e a fama fazia jus ao seu conteúdo. Era mesmo a coisa mais deliciosa que já bebera, descendo macio e ardoroso pelas suas entranhas, fervendo sua língua mas enlevando a sua mente, lhe tomando de sensações sublimes e maravilhosas de embriaguez entorpecida.
— Não entendo porque está aqui. Por que voltou a me procurar, Bellatrix? Não importa que tenha desafiado o desejo de sua família no passado, sei que quando retornar à eles será aceita e, uma vez reintegrada, poderá escolher como, e com quem se dará seu casamento. Terá opções, pretendentes sangue-puro loucos para formar uma aliança com a família Black. Alguém até mesmo por quem possa criar sentimentos. Não obstante, ficou. Sabendo que eu estava arruinado. Um homem que você nunca escolheu, e que não poderia lhe dar o futuro suntuoso que espera.
Bellatrix tomou um longo gole antes de responder, parecendo usar o tempo para pensar.
— Eu cumpro minhas promessas.
— Eu te libero dessa promessa. Você tinha dezesseis anos, não espero que possuísse discernimento o suficiente para comprometer todo o seu futuro.
— Você está certo, eu não tinha. Eu era estúpida e inconsequente quando nos despedimos. Mas nestes últimos anos, eu apenas… eu tracei um plano, Rodolphos. Sei exatamente o que quero me tornar.
— E que plano é esse?
— Você o verá, ao seu tempo. – lhe garantiu, passando-lhe a garrafa, que ele se inclinou para pegar. Propositadamente fechou a sua mão sobre o lugar que ela segurava, e os seus dedos quentes envolveram os dedos dela, gelados. Ele a manteve inclinada em sua direção.
— Como pode estar tão certa disso? Presume que estarei por perto para presenciá-lo?
— Sim. – olhava dentro dos seus olhos, séria. – Você faz parte desse plano.
Uma coisa queimou em seu peito, mais quente que o uísque, sob aquele olhar fixo e negro. Contraindo seu braço, puxou Bella para perto autoritariamente, e demandou seus lábios, colando a boca à dela, unindo fogo com fogo.
Ela respondeu avidamente, deixando claro que não só esperava como almejava aquele assalto; sua língua quente e ferina dançando junto à dele e o cheiro daquela mulher, unido ao gosto ardente do uísque e a sensação do seu corpo macio, rapidamente se tornando tudo que existia no mundo.
Entranhando os dedos em seus cabelos, quebrou o beijo para afastá-la. Achou-a deliciosamente sem fôlego. Eu deixei Bellatrix Black sem fôlego, vangloriou-se intimamente, e sabia que um sorriso pedante acabara de surgir em sua face.
— Eu devo lhe avisar que não estou em meu estado mais sóbrio. – disse, rouco de vontade e mal segurando-se para voltar a devorar aquela boca – e por mais que seja deliciosa, preciso parar enquanto ainda consigo. Mas Bella, quando eu tiver você…
Ela inclinou levemente a cabeça, um sorriso igualmente enviesado nos lábios, como que o encorajando a continuar sua ameaça.
— Quando eu tiver você – ele renovou o seu fôlego, olhar para ela daquele jeito deixava sua cabeça tonta – eu vou beber seu corpo até a última gota, e eu vou te fazer implorar por isso. Será…
— Agora. – ela lhe disse, muito suavemente.
— O que disse?
— Nada nos impede, Rodolphos. Leve-me até sua cama agora e mate sua vontade.
Ele procurou avidamente por sinais de que ela estava zombando dele, mas não havia nada, só intensidade nos olhos de precipício, tragando-o para dentro.
— Não me tente, Bella. – a ameaçou, o tom perigoso. – Você não faz ideia do que está pedindo.
Ela se desvencilhou das mãos dele, e ficando sobre os seus joelhos e mãos, chegou perto até dividirem a respiração. O cheiro do homem, embriagante como o uísque, ela permitiu-se aspirar, deliciando-se, toda sorte de cobiça carnal contraindo as suas entranhas.
— Foi para isso que eu vim, meu noivo. – e então exigiu, lascívia estalando nos lábios inchados – Mostre-me o tamanho da sua sede.
She
May be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell³
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