A Sangue Frio
5 O Segundo Suspeito: O Mordomo e Mais Evidências
Notas iniciais
O restante da equipe seguiu para a casa do senhor Pratts em dois carros. Antes, porém, de saírem Jo Martinez preocupou-se com a ida de Abrahan.
— Abe, porque você não volta para o hotel e nos espera lá?- sugeriu Jo – Interrogatórios são chatos e desgastantes.
— O que? E perder toda a diversão? Nem pensar! – objetou Abe – Além disso, indo com vocês eu posso ver se a família possui algum objeto de valor o qual queiram vender.
Abe realmente era impossível de ser convencido. Provavelmente havia aprendido com Henry Morgan.
— Não há nenhuma chance de eu convencê-lo? – insistiu a detetive encantadoramente.
— Não! – respondeu Abe categórico com um sorriso nos lábios.
Jo não teve alternativa a não ser levá-lo consigo.
Depois de muito discutirem como seria a divisão, partiram da seguinte maneira: em um carro foram Nick, Jo, Warrick e Abe. No outro foram Sara, Hanson, Joanna, Greg e Catherine. Os anfitriões se esforçaram por tentar entrosar-se com os visitantes. Conversaram amenidades, já que não tinham tanta intimidade para fazer algum tipo de brincadeira.
Ao chegarem a gloriosa mansão, Nick parou o carro que dirigia e para mostrar que era um verdadeiro gentleman, abriu a porta do carro para que Jo Martinez pudesse descer.
— Obrigada! – ela corou ante a gentileza. Ele deve ser assim com todas as mulheres, pensou consigo.
Todos seguiram em direção à pesada porta de madeira de lei brasileira. Tocaram a campainha e esperaram ser atendidos. A porta foi aberta pelo mordomo.
— Olá senhores! — cumprimentou o elegante mordomo, trajando calça preta, camisa branca, casaco também preto, luvas brancas e gravata borboleta também preta. O cabelo estava impecavelmente penteado para o lado.
— A senhora Pratts, se encontra na sala de visitas. Está muito abalada com o que aconteceu – comunicou o empregado sem olhar diretamente nos olhos dos peritos e detetives.
— Queremos falar primeiro com você, senhor James Sullivan – disse a tenente Reece.
O mordomo espantou-se.
— Queremos saber sobre todos os que vivem nessa casa. – completou Jo Martinez.
Ainda que não se conhecessem muito bem, as duas equipes possuíam instintos aguçados e após uma breve troca de olhares, conseguiram estabelecer um diálogo mais profundo que qualquer troca de palavras.
Foi Cath a primeira a manifestar em voz alta o acordo estabelecido naquele diálogo mudo.
— Meninos, porque não deixamos os outros aqui e damos uma olhada no perímetro? Talvez tenhamos deixado algo passar despercebido – sugeriu Catherine – Sara, você vem comigo.
Catherine usou essa desculpa para ter a oportunidade de conversar a sós com a companheira longe dos ouvidos dos outros parceiros. Deixaram a sala e seguiram para o exterior da casa. Nick, Warrick e Greg decidiram vistoriar os quartos dos suspeitos. Quem sabe ali, não achavam algo importante para elucidar o caso? Antes de saírem, como Sara e Catherine, perguntaram para o mordomo onde ficava cada dormitório. Deixaram a sala satisfeitos. Abe e Lucas observaram os elegantes e caros objetos que decoravam a casa.
— Muito bem! Somos apenas nós e você, senhor James Sullivan – disse Jo Martinez – Sente-se por favor!
— Não posso sentar-me, senhorita! – objetou James.
— Como queira! – A detetive tomou uma pequena caderneta de notas para apontar as informações dadas pelo competente mordomo.
— Há quanto tempo o senhor trabalha aqui? – indagou o detetive Mike Hanson.
— Sirvo o senhor Pratts desde que tenho 21 anos.
— E quantos anos tem hoje? – quis saber Hanson.
— Tenho 31 – respondeu Sullivan firmemente.
— Onde o senhor estava na noite de ontem entre as 20:00h e a meia noite? – essa era a pergunta principal.
— Eu saí com os cachorros do senhor Pratts para um passeio – ele respondeu sem hesitar.
— Um passeio com cachorros à noite é meio incomum, não acha? – se opôs o detetive Hanson.
— Realmente é, senhor – ele concordou – Geralmente eu saio com os animais pela manhã, mas ontem eu precisei sair à noite porque estive muito atarefado durante o dia.
— E alguém pode confirmar sua história? – inquiriu Hanson.
— Pode sim. Durante o passeio eu falei com o policial que faz a ronda aqui no bairro. Ele pode confirmar o que eu disse.
— E qual é o nome dele?
— Soldado Robert Collins.
— Obrigado! Iremos conferir.
— Não sei como podem suspeitar de mim! Minha família é intimamente ligada à do senhor Pratts. Desde que meu avô começou a trabalhar para ele lhe temos guardado absoluta fidelidade – Sullivan desabafou – Além disso, quem mais tinha motivo para ver o senhor Pratts morto era sua esposa. Ontem mesmo eles tiveram uma briga feia. E isso era muito comum. Eles sempre brigavam.
— Uma briga entre a senhora e o senhor Pratts no dia de sua morte... interessante! — comentou a tenente Reece.
— Acho que é hora de termos uma conversinha com a inconsolável viúva do senhor Pratts – comentou Hanson.
–o-
No ambiente externo, Sara e Catherine analisavam a área próxima da janela do quarto de Richard Pratts. Estavam atentas a qualquer sinal e a qualquer evidência que pudesse aparecer.
— Parece que alguém chamou a atenção do nosso visitante – comentou Cath naturalmente.
— Quem? – indagou Sara com curiosidade.
— Ora, quem Sara? – perguntou Catherine exasperada – Você!
— Eu!? – exclamou admirada – Eu não chamo a atenção de ninguém. Quem iria prestar atenção em mim?
Sara mentiu descaradamente. Havia uma pessoa que a havia notado e ele era seu namorado. Seu romance era segredo, portanto, tinha que disfarçar.
— O legista de Nova York, foi muito atencioso com você. Se eu fosse você, investiria nele. Você precisa sair para se divertir Sara. Você precisa de um namorado – opinou Catherine.
— Eu não preciso de... – ela parou no meio da frase – Olha o que eu achei, Cath!
Bem perto da janela havia uma pegada. Elas fotografaram e recolheram amostras.
Enquanto isso no quarto do mordomo que ficava ao lado da garagem, os peritos também faziam um achado substancial. No pequeno aposento, atrás das cortinas que cobriam a janela, acharam duas facas. Catalogaram a evidência e a recolheram.
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