A Sangue Frio
10 Desvendando o Crime
Notas iniciais
Estavam praticamente todos reunidos na sala de convivência. Ainda faltavam alguns integrantes os quais ainda acompanhavam a análise de algumas evidências que haviam chegado.
Antes de irem para o laboratório, toda a equipe que se encontrava trabalhando na casa do ilustre Richard Pratts, averiguou a veracidade ou não dos álibis fornecidos pelos suspeitos. Dessa forma já dispunham de novas informações que poderiam jogar nova luz ou não ao caso.
O estresse era quase palpável naquela sala assim como a apreensão dos integrantes daquele grupo composto por duas equipes diferentes unidos por um mesmo objetivo: descobrir quem matara Richard Pratts. Toda a população e imprensa queria saber o quanto antes quem havia cometido um dos crimes mais famosos da história de Nevada.
Todos os seus suspeitos, todos sem exceção, tinham algum motivo para querer ver a vítima morta, fosse por um motivo passional, por interesse pessoal ou até por questão financeira, o certo é que ninguém estava isento de suspeita. Mas o que mais chamava a atenção do grupo, principalmente dos CSI’s, era a grande quantidade de evidências encontradas na cena do crime. Estavam acostumados a trabalhar com pouca ou quase nenhuma prova que incriminasse o suspeito, por isso o surgimento de uma infinidade de evidências que pareciam não levar a lugar algum, os deixavam com um pé atrás.
— Sei que nossa equipe está desfalcada – começou Grissom olhando cada um dos integrantes ali presentes, sentados da melhor maneira possível na pequena sala de convivência – Ainda faltam alguns companheiros para chegar aqui onde estamos, no entanto devemos começar a analisar o caso imediatamente – ele anunciou – O Xerife me ligou e me informou que deseja saber quem é o assassino o quanto antes ou nossos empregos estarão em jogo – falou revirando os olhos – Então, vamos trabalhar! O que temos?
— Encontramos duas facas no quarto do mordomo – informou Greg – uma delas poderia ser a arma do crime...
— Sinto informar Greg que nenhuma daquelas facas é a arma que procuramos – interrompeu-o Catherine – Elas não tinham vestígio de sangue. Além disso, o doutor Robbins disse que elas não batem com o ferimento de entrada. Segundo ele, o instrumento que procuramos é algo maior e mais largo que uma faca. Algo como...
— Um punhal – completou Morgan que até então se mantivera sentado com a perna elegantemente cruzada e cofiando o queixo, calado apenas observando a conversa ao seu redor e fazendo notas mentalmente. Voltou a ficar em silêncio.
— Parece então que o mordomo não é nosso assassino – lamentou Greg tristemente – Apostava minhas fichas nele.
— Que pena que não é o mordomo! Nos livros e filmes de suspense o mordomo sempre é o assassino – comentou Lucas tristemente. Ele compartilhava da mesma opinião que Greg.
— Calma pessoal! – tranquilizou Grissom – ainda não podemos descartar ninguém. E o álibi dele? É verdadeiro?
— Creio que nisso eu posso ajudar. Conferi o álibi de James Sullivan – comentou Jo – É verdadeiro. Por mais estranho que seja o policial que fez a ronda na noite do assassinato confirmou que falou com ele e que o mordomo passeava com os cães no exato momento em que o senhor Richard Pratts foi morto.
— Então definitivamente ele não é nosso assassino – concluiu Greg ainda triste.
— Muito bem! Mas ainda temos quatro suspeitos. O que mais temos?
— Encontramos um par de luvas vermelhas no quarto da viúva. Talvez ela a tenha usado na hora de assassinar o marido – sugeriu Warrick.
— As luvas que encontramos no quarto dela não foram usadas para o assassinato – informou Hanson – Foi encontrado vestígio de terra e mostras de epitélio da própria senhora Vívian, o que corrobora com sua informação de que costumava mexer no jardim.
— E quanto ao álibi dela? – indagou Grissom, porém não houve resposta.
Nesse momento a porta da sala de convivência foi aberta e por ela entrou Nick com novas informações.
— Acabo de chegar da casa do Senador Sheldon e falei com a esposa dele.
— E... – todos falaram em uníssono, encorajando-o a continuar com o seu relato.
— E ela confirma que a senhora Vívian Pratts permaneceu a noite toda em sua residência. Ela realmente dormiu na casa da amiga. Livia Sheldon informou também que a viúva foi embora somente na manhã seguinte. As duas passaram a noite conversando e tomando Martini, segundo as palavras da própria primeira-dama.
Quando terminou de relatar sua informação foi sentar-se ao lado de Jo Martinez.
— Bem, mais um suspeito a menos – comentou Warrick.
— Eu averiguei com a noiva e com a futura sogra de Alex Pratts se o que ele disse era verdade. Elas confirmaram que na hora do assassinato, os três estavam no cinema. O ingresso de cinema que ele me entregou também atesta isso – informou a tenente Reece inconformada.
— As câmeras da casa também mostram que o jardineiro disse a verdade. Ele não saiu de casa. E pelo relatório de Sara, ele disse que na hora do crime estava no jardim e que não ouviu os rogos de seu patrão por ajuda por causa do latido dos cães. E mais, dos suspeitos ele foi o único que não teve evidências que o incriminasse.
— Nós eliminamos todos os suspeitos! Todos têm um álibi que os isenta da possibilidade de ter cometido o crime – pronunciou Joanna.
— Não concordo! – objetou Henry – Vocês ainda não me eliminaram como suspeito.
— O seu caso é diferente, meu caro legista – disse Grissom olhando diretamente para Henry – Pela análise do que temos você foi apenas uma pessoa que estava no lugar errado e na hora errada – voltando-se para o restante da equipe — Sim, é verdade. Aparentemente eliminamos todos, mas um deles cometeu o crime. Apenas um deles teve a oportunidade perfeita para executar o assassinato – concluiu Grissom.
— Eu estive pensando – manifestou-se Morgan – Em crimes como esse temos apenas dois motivos: vingança ou crime passional. O senhor Pratts era fiel à esposa e ela a ele, como afirmou a governanta. Além disso, sabemos que a senhora Pratts não estava em casa na hora do crime. Portanto, nos resta somente a vingança. Quem das pessoas que vivem naquela casa poderia querer vingar-se de Richard Pratts?
Nesse momento o pensamento foi interrompido pela chegada de Sara com uma expressão confusa.
— Saiu o resultado da análise da pegada que encontrei próxima à janela do quarto do senhor Pratts – ela anunciou.
— E a quem pertence esta pegada, senhorita Sidle? – perguntou Henry com muito interesse.
Sara voltou-se para Morgan e lançou-lhe o sorriso mais encantador que possuía. De esguelha, travou uma conversa muda com Grissom na qual pedia que ele confiasse nela. Aquilo e algo mais deveriam bastar para que seus colegas, principalmente Catherine, não desconfiassem de seu relacionamento. Para todos os efeitos ela ainda era solteira e desimpedida. Sentou-se ao lado de Henry e delicadamente pôs sua mão sob a dele. Henry assustou-se. Sabia de alguém que não gostaria nada daquela cena. Duas pessoas para falar a verdade. Por fim ela respondeu a pergunta feita pelo legista.
— A pegada número 42 corresponde ao sapato de Paul Pratts.
— O que estamos esperando para prender nosso assassino? — questionou Nick começando a levantar-se de onde estava para sair e efetuar a prisão.
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