A Sangue Frio

12 Confraternização


Notas iniciais
Agradeço a todas que estão acompanhando, lendo e comentando a fic, meu muito obrigada! Dedico esse capítulo à minha Best Alana Grahan, foi ela quem pediu cenas de beijo. :) Boa leitura!

Todos que estavam ali presentes na sala de convivência do Laboratório de Criminalística do Departamento de Polícia de Las Vegas ficaram extremamente admirados ante a descoberta do assassino e de como Henry Morgan chegara àquela conclusão. Não fora nada fácil, mas enfim conseguiram descobrir quem havia matado Richard Pratts, como e o porquê. Tudo isso graças à ajuda do competente legista Nova-iorquino. O caso enfim estava encerrado.

Os repórteres receberam com grande prazer todas as informações e detalhes daquele misterioso caso que perturbou o raciocínio dos empenhados peritos e policiais envolvidos na investigação. Todos os telejornais traziam manchetes e reportagens sobre o caso, a vítima e o assassino.

Faltava pouco para que a equipe de Nova York voltasse à sua cidade natal. Grissom sentia que devia desculpas a Morgan por isso fez uma proposta que a seu ver era irrecusável.

— Podíamos sair para comemorar o sucesso da investigação e aproveitar o último dia de estada do doutor Morgan e sua equipe em Las Vegas – Grissom propôs – Creio que vocês não tiveram muita oportunidade de conhecer nossa cidade e seus encantos – comentou falando diretamente para Henry, Jo, Joanna, Mike, Abe e Lucas.

— E o que você tem em mente Grissom? — indagou Sara curiosa ciente do conceito do namorado de divertimento.

Grissom e Morgan trocaram olhares divertidos. Eles eram realmente parecidos e tinham praticamente os mesmos gostos. Os dois haviam visto um folheto que anunciava um evento o qual ambos adoravam.

— Um concerto – respondeu o entomologista.

— Música clássica! – exclamou Morgan deliciado – Hoje a noite haverá a apresentação da Orquestra Filarmônica do Estado de Nevada. É uma oportunidade única – comentou com grande entusiasmo.

— Ah não! Música clássica não! Música clássica é chato! – objetou Greg – Prefiro Rock!

Enquanto falava Greg imitava tocar uma bateria e depois um solo de guitarra.

— Eu também prefiro Rock! – concordou Lucas.

— E eu prefiro Jazz – contrapôs Abe um pouco contrariado.

Grissom começou a desesperar-se. Sua grande ideia pareceu que não agradou a todos e pelo visto não chegariam a um acordo tão cedo.

— Sim, eu sei que cada um tem um gosto musical diferente e eu respeito isso – ele tentou apaziguar – No entanto, pensem nesse momento como uma espécie de confraternização para nós – ele por fim propôs e ficou aliviado ao ouvir Sara responder:

— Por mim tudo bem! – concordou Sara. Conteve a vontade de beijá-la ali mesmo. Sabia que para ela era um pequeno sacrifício que fazia. Ela aceitou o convite mesmo não gostando muito de música clássica, preferindo o rock como os garotos.

— Por mim também! – assentiu Jo.

Todos os outros também concordaram.

— Não há escapatória Greg – anunciou Lucas batendo levemente no ombro de Greg – teremos que acompanhá-los em uma apresentação chata e maçante. Fomos voto vencido – argumentou Lucas desolado.

— E onde será essa apresentação? – quis saber Greg.

— No Teatro do Cassino Hotel Royale – informou Grissom.

— Em um dos Cassinos de Richard – murmurou Henry tristemente recordando-se da perda recente do amigo querido.

— Ânimo doutor Morgan! – Grissom tentou animá-lo batendo a mão levemente no ombro do legista visitante –Sei que não é fácil para você ir a um lugar que o faz lembrar de seu grande amigo, no entanto, veja isso como uma homenagem nossa a ele.

— Está bem – concordou Morgan um pouco mais animado – Richard não ia querer me ver triste, pelo contrário, ele sempre me estimulou a correr atrás de minha felicidade – com mais animação completou – Iremos ao Cassino Hotel Royale.

— E a que horas será a apresentação? – indagou Nick Stokes.

—Bom, o concerto começará às 20h00min, então por que não chegamos às 19h30min para podermos pegar bons lugares – propôs Grissom — Além disso, ainda teremos que comprar os ingressos assim que chegarmos.

— Está combinado então – disseram todos em uma só voz.

Foram interrompidos pelo toque do celular de Grissom.

—Grissom – ele atendeu sem pestanejar. Ainda estava em seu horário de trabalho. Ouviu durante alguns minutos as informações que a pessoa do outro lado da linha lhe passava, apenas concordando com o que fora dito. Ao fim ele agradeceu e desligou. Olhou bem os seus companheiros e disse:

— Boa notícia para nós, pessoal! – Grissom anunciou – O Xerife acabou de me ligar e nos deu dois dias de folga pelo excelente trabalho que realizamos. Hoje e amanhã. Então não precisamos nos preocupar com horário de voltar.

Os peritos de Las Vegas juntamente com os visitantes de Nova York comemoraram com entusiasmo o prêmio recebido.

— A noite será uma criança – brincou Greg.

— Antes de se despedirem e ir cada um para sua casa ou quarto de hotel, Sara chamou Grissom:

— Grissom – ela falou colocando as mãos nos bolsos traseiros de sua calça jeans tentando não demonstrar sua intimidade com ele.

— Sim Sara – ele respondeu um pouco indiferente para não levantar suspeitas.

— Eu gostaria de pedir um favor a você – ela começou a falar – Meu carro está na oficina – ela mentiu, mas ninguém precisava saber disso – E eu gostaria de saber se você pode... – ela hesitou um pouco – se você pode me dar uma carona para o concerto – por fim pediu.

— Se quiser eu te levo Sarinha – ofereceu-se Greg intrometendo-se na conversa.

— Nada disso! – Grissom recusou a oferta de Greg prontamente sem dar oportunidade que Sara o fizesse – Eu a levarei, Sara. Pego você às 19h00mim.

— Combinado! – Sara respondeu feliz.

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Às 19h00mim em ponto Grissom estava em frente a casa dela. Trajava para a ocasião uma camisa branca de pano passado no terno preto e gravata borboleta também preto e calçava um elegante mocassim. Havia feito a barba e passado perfume. Tudo para agradar sua bela namorada.

Tocou a campainha e quase perdeu a fala ao deparar-se com a bela e encantadora mulher que lhe abriu a porta. Estava divina. Ela usava um lindo vestido longo lilás em decote V. Os lindos cabelos castanhos estavam presos em um coque. Usava um brinco pequeno prateado. No pescoço trazia uma delicada gargantilha de prata. Uma linda sandália também prateada adornava os pés delicados. A face, que tanto adorava, estava levemente maquiada realçando os encantadores olhos castanhos. Para sua sorte ela usava um batom nude. E para completar a composição suas mãos seguravam uma pequena carteira.

Ele não resistiu. Aproximou-se lentamente, envolveu-a pela cintura com uma mão e com a outra a puxou para mais perto de si. Tomou-lhe os lábios macios com os seus. Como estava com saudade! Aprofundou o beijo percorrendo com sua língua todos os recantos daquela boca adorável, mostrando a ela através do beijo como sentira a falta de estar com ela, junto a ela. Separaram suas bocas e ele recostou sua testa na dela, sentindo o cheiro de banho recém-tomado e de seu doce perfume.

— Senti saudade, honey – ele disse quase em um sussurro.

— Eu também, Griss – ela respondeu no mesmo tom.

— Você está linda! – ele a elogiou sinceramente.

— Você também! – retribuiu o elogio.

— Vamos? – convidou-a.

Ela assentiu. Fechou a porta da casa e Grissom tomou-lhe a mão sob as suas. Andaram de mãos dadas como namorados até o carro de Grissom. Como perfeito cavalheiro que era, abriu a porta para que ela pudesse entrar. E seguiram para o Cassino Royale.

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Enquanto se dirigia para o Cassino Royale em um taxi que ele mesmo chamara, com a cabeça recostada na janela fechada, Henry observava em silêncio a elegância de seus companheiros. Jo usava um elegante vestido vermelho longo tomara que caia que lhe acentuava a pele alva e o corpo esguio. Os cabelos castanhos estavam soltos. Usava uma sandália de salto alto preta. A face estava levemente maquiada. Ela não precisava disso, sua beleza era natural. Jo parecia uma deusa grega. A tenente Joanna Reece usava um bonito vestido rosa seco também longo com manga. Seu cabelo também estava solto, porém a única maquiagem que se permitia usar era um batom vermelho. Os homens do grupo usavam camisa branca, gravata borboleta preta e terno e sapatos pretos, Apenas Henry diferia quanto ao terno e à gravata. Ele preferiu seu impecável terno cinza e uma gravata tradicional com uma presilha que a prendia dourada.

Durante todo o trajeto para o local combinado, Henry e seus companheiros puderam apreciar as luzes da cidade acesas. As elegantes fachadas das casas noturnas eram um convite quase que irrecusável. Era à noite que a Cidade do Pecado dava seu show espetacular. Henry olhava admirado aquela paisagem tão bem retratada nos filmes, que quando vista de perto, quando vista pessoalmente, ficava a desejar.

— Que lindo lugar! – ele falou maravilhado mais para si do que para os outros – Eu poderia ficar aqui minha vida inteira.

No horário marcado, às 19h30mim, todos se encontravam elegantemente vestidos no saguão de entrada do Cassino. As mulheres em seus magníficos e glamourosos vestidos longos com sandálias de salto alto – era difícil eleger a mais bonita. Catherine não ficava atrás no quesito elegância. Usava um vestido azul petróleo de mula manca*, cabelo solto e maquiagem bem carregada marcando seus estonteantes olhos azuis – e os homens em seus elegantes ternos e sapatos finos. Mesmo os mais jovens que não tinham o costume e não gostavam muito da vestimenta à rigor, estavam assim trajados.

Do lugar onde estavam, à sua frente, podiam ver a porta de vidro transparente que dava acesso ao salão de jogos. O imenso salão fervia de gente tentando a sorte. Lá dentro uma pequena multidão vindas de diversas cidades, estados e países tentavam a todo custo e perseverança ganhar fortuna nas máquinas de caça-níqueis, nas mesas de blackjack, pôquer, jackpot, roleta e outros. Sabiam que bem poucas pessoas ganhavam naqueles jogos.

— “A esperança é o sonho do homem acordado” – citou Henry apontando para a pequena multidão que se encontrava no salão de jogos que arriscava a sorte na esperança de fazer fortuna fácil.

— Aristóteles – falou Grissom sorrindo, reconhecendo o autor da frase citada por Morgan.

Com calma e paciência, dirigiram-se para a bilheteria do Teatro que ficava à esquerda de onde estavam anteriormente a fim de comprar os ingressos da apresentação.

De posse dos bilhetes, eles se dirigiram para a entrada do local. Em uma mesa colocada propositalmente ao lado da entrada, eles pegaram o folheto que continha o cronograma do concerto. Ao olhar o cronograma, Henry deixou escapar um assovio de seus lábios.

— Temas de filmes! Que interessante! – exclamou Henry muito entusiasmado.

Seguiram adiante. Assim que entraram, ficaram maravilhados com a visão que tiveram do recinto. O chão que levava aos assentos era coberto por tapete vermelho. No palco ao fundo havia uma cortina branca com tiras pretas que simulavam os rolos de fitas antigas de projetores dos antigos cinemas. No centro estavam dispostas várias cadeiras de madeira para os diversos músicos e o palanque para o maestro. A decoração estava plenamente de acordo com o tema do concerto.

Buscaram sentar-se no melhor lugar possível: bem próximo ao palco. Não queriam perder um momento sequer daquela apresentação. Sentaram-se também todos juntos. Não demorou muito para que todo o recinto estivesse cheio. O público estava em polvoroso, a espera que começasse logo o espetáculo.

Alguns minutos depois, entraram os músicos trajando roupa de gala. Em suas mãos traziam seus instrumentos. Postaram-se cada um em seus devidos lugares e deram início a apresentação.

Havia uma variedade enorme de instrumentos. Havia violinos, violoncelos, clarins, clarinetes, violas, flautas, fagotes, oboés, tubas, trombones, trompetes, percussão, entre outros tantos. Quando o maestro fez sua entrada e saudou o público, a plateia o recebeu ovacionando-o de pé.

A execução de cada música foi feita com maestria. Grissom e Henry desfrutavam da melodia de olhos fechados, simulando com as mãos o toque de cada música. Abe resmungava:

— Teria sido melhor ver uma apresentação de Jazz.

Lucas e Greg como jovens que eram, não paravam de importunar um ao outro. Grissom e Morgan pediram silêncio.

— Vocês querem parar de se comportarem feito duas crianças e desfrutarem do espetáculo? – censurou-os Grissom em sussurro.

—Perder um momento como este com distrações chega a ser um pecado – sussurrou Henry em apoio a Grissom.

A orquestra tocou os temas dos filmes Superman, Piratas do Caribe, Star Wars e O Poderoso Chefão. Quando começou a tocar o tema de Star Wars, Lucas e Greg ficaram em êxtase:

— Não acredito! Eu amo essa música! – exclamou Greg.

— O tema de Darth Vader é magnífico! – comentou Lucas.

Ao final do espetáculo todos aplaudiram os músicos e o maestro de pé. O momento de confraternização foi agradável. Havia sido mais de uma hora de apresentação e eles mal haviam percebido o tempo passar.

De volta ao saguão do Cassino, eles comentavam animadamente sobre a apresentação que haviam visto.

— Para quem não queria assistir a apresentação, vocês até que gostaram, não é? – indagou Grissom para Lucas e Greg, em tom de brincadeira.

— Foi uma apresentação esplêndida. O maestro manjava muito bem – argumentou Greg, fingindo entender do assunto.

— No final das contas, música clássica não é tão chata assim. Há muita trilha sonora de filmes que gosto que são executadas lindamente por instrumental – comentou Lucas.

Todos os outros concordaram. Grissom mudou de assunto:

— Doutor Morgan, a que horas sai o voo de vocês amanhã?

—Às nove da manhã – ele respondeu – Adoraríamos ficar mais tempo com vocês e curtir a noite de Vegas, mas temos que voltar ao nosso hotel e terminar de arrumar nossas coisas para o nosso retorno.

Com essa resposta eles se despediram e foram cada um para seus respectivos lares.

Notas finais
N/A: Vestido de mula manca: Vestido de uma alça ou um ombro apenas. O próximo capítulo será o último, então por favor me deixem saber o que estão achando...